segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O clubinho dos pais sem noção

Ontem eu descobri que tem A mosca no Netflix. Pra quem não sabe do que eu estou falando é um filme do Cronenberg de 1986 no qual o Jeff Goldblum cria um sistema de teletransporte e, quando vai testar nele mesmo, uma mosca entra na cabine, dá um ruim geral e ele começa a se transformar no inseto. Basicamente é isso.

Eu tenho uma memória nítida de ter assistido a esse filme quando era criança e, sendo um clássico do terror trash resolvi assistir de novo ontem.

E gente.

Gente.

Meus pais já deveriam ter ganhado a medalhinha de pais mais sem noção do mundo se você levarem em consideração que assisti Alien, O exorcista, O bebê de Rosemary e Poltergeist quando era criança. E eu amava A pequena loja dos horrores, ou seja: filmes adequados para minha idade na época, não trabalhamos mas A mosca passou de todos os limites. Eu adulta quase dei uma vomitadinha ontem, COMO É QUE MEU PAI ME DEIXOU ASSISTIR AQUILO COM 10 ANOS? Mais, como é que não fiquei traumatizada pra vida?

Engraçado é que eu também me lembro claramente de um dia na locadora ter pedido para alugar Uma linda mulher e ele ter respondido que não era filme de criança. Porque sexo (e bem do meia boca) não podia mas corpos em decomposição e possessão demoníaca tava beleza.

Essas coisas devem ter me estragado de algum jeito, não é possível. Só não descobri ainda como.


Oi, cês já almoçaram?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A vida sem a pílula

Começou com uma conversa meio bêbada com a Bruna num samba no Bixiga e virou uma epifania, risos.

Eu estava mais uma vez falando sobre o término e sobre como eu me sinto as vezes até culpada por estar tão bem. Eu não sinto vontade de falar com ele, eu não sinto falta dele, eu vejo as fotos e não sinto saudosismo nenhum, nem das partes boas, das viagens, de nada. Eu estou feliz como há muito tempo eu não ficava. E a culpa obviamente de vez em quando dá lugar ao medo de que eu esteja vivendo em negação e que daqui a pouco a bad bata linda, bata forte e me atropele.

Mas ontem, meio bêbada naquele samba no Bixiga, eu percebi que a bad não vai bater não porque a verdade é que eu sou outra pessoa agora e existe um motivo muito concreto pra isso: eu parei de tomar pílula em Julho.

Oi Paula, como é que é?

Tudo que eu vou dizer a gora é baseado no dataPaula, ok? Nada substitui um médico. Vou falar de como ter parado de tomar pílula me tornou uma pessoa diferente e de como nessa jornada sem hormônios eu conheci um monte de mulheres com histórias parecidas mas isso não quer dizer que vai ser igual pra todo mundo.

Uma moça num grupo de contracepção não hormonal disse que perdeu o medo de dirigir depois que parou com o anticoncepcional. Outra que criou coragem e abriu o próprio negócio. Aparentemente ter testosterona em níveis normais no corpo faz isso pela gente. Seis meses depois de ter parado eu percebo finalmente que eu estava meio castrada. Sem vontade, sem tesão e quando eu falo de tesão não é só sexual não, é na vida, é de tudo. Eu não tenho mais aquelas alterações de humor pavorosas, eu consigo controlar minhas emoções de um jeito mais eficiente. Claro que não funciona sempre, eu sou humana, mas eu não tenho mais a sensação de que meu humor é um carro desgovernado. E eu realmente acho que eu posso fazer o que eu quiser (e claro que não ter o falecido na minha orelha buzinando que eu não consigo ajuda bastante).

A vida sem pílula pra mim está sendo boa demais. Recomendo.


17 anos depois e a gente continua gata, dsclp

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Valentine's day

A chance de eu um dia casar na igreja deve estar beirando o 1%, mas se um dia acontecer a música já está escolhida:   <3 nbsp="" p="">





You grew on me like a tumour
And you spread through me like malignant melanoma
And now you're in my heart
I should've cut you out back at the start
Now I'm afraid there's no cure for me
No dose of emotional chemotherapy
Can halt my pathetic decline
I should've had you removed back when you were benign
I picked you up like a virus
Like meningococcal meningitis
Now I can't feel my legs
When you're around I can't get out of bed
I've left it too late to risk an operation
I know there's no hope of a clean amputation
The successful removal of you
Would probably kill me, too
You grew on me like carcinoma
Crept up on me like untreated glaucoma
Now I find it hard to see
This untreated dose of you has blinded me
I should've consulted my local physician
I'm stuck now forever with this tunnel vision
My periphery is screwed
Wherever I look now, all I see is you
When we first met you seemed fickle and shallow
But my armour was no match for your poison arrow
You are wedged inside my chest
If I tried to take you out now I might bleed to death
I'm feeling short of breath
You grew on me like a tumour
And you spread through me like malignant melanoma
I guess I never knew
How fast a little mole can grow... on... you

Você cresceu dentro de mim como um tumor
E se espalhou como um melanoma maligno
E agora você está no meu coração
Eu deveria ter te removido logo no começo

Agora tenho medo que não haja cura pra mim
Que nenhuma dose de quimioterapia emocional
Possa impedir meu declínio patético
Eu deveria ter te removido quando você era benigno

Eu peguei você como um vírus
Como meningite meningocócica 
Agora eu não sinto as minhas pernas
Quando você está por perto eu não consigo sair da cama

É tarde demais para tentar uma operação
Não há esperança de uma amputação limpa
Se eu conseguisse remover você
Provavelmente morreria também

Você cresceu dentro de mim como um carcinoma
Foi se instalando em mim como glaucoma não tratado
Agora não consigo ver
Essa dose não tratada de você me deixou cego

Eu deveria ter consultado meu médico
Agora estou preso pra sempre nesta visão em túnel
Minha visão periférica está ferrada
Pra onde eu olho agora só vejo você

Quando nos conhecemos você parecia volátil e fútil
Mas minha armadura não aguentou sua flecha envenenada
Você está alojado dentro do meu peito
Se eu tentar te tirar agora provavelmente sangrarei até morrer
Estou com falta de ar

Você cresceu dentro de mim como um tumor
E se espalhou como um melanoma maligno
Acho que eu nunca soube
Quão rápido uma verruga pode crescer... em... você



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sábado a noite

A gente assistiu a filmes franceses que ninguém assistiu (e não tivemos pudor de dizer um ao outro que detestamos). Lemos o mesmo livro que desgraçou nossa cabeça aos 12 anos e dividimos um ódio em comum por aquele restaurante famoso que não consegue colocar a sobremesa dentro do potinho. Tinha Kate Nash na playlist do seu carro. Nós choramos quando o Bowie morreu e concordamos que doce de leite é melhor que nutella. Saímos há pouco de relacionamentos bem longos e foi a primeira vez que ficamos nus na frente de outra pessoa em muito tempo. 

Dá pra voltar a ser meio virgem sim. E isso pode ser incrível.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O meme é velho mas eu amo

- Três amigas moram num internato de freiras: uma é rica, entediada e apaixonada por um cara mais velho, a outra é comunista e a terceira é modelo, curte boy lixo e drogas recreativas.

- Um avião cheio de meninos cai em uma ilha. Eles sobrevivem e começam a brigar pra caramba.

- Uma cientista recebe uns sinais de rádio de extraterrestres. Ela constrói uma máquina pra ir lá falar com eles e ainda tem que discutir com uns fanáticos religiosos.

- Uma história muito comprida de uma família onde todo mundo tem o mesmo nome.

- Um menino fica doente e se apaixona pela enfermeira do hospital.

- Uma galera fica presa num congestionamento infinito nos arredores de Paris.

- Um moleque filhos de italianos tem um família bosta, quer ser jogador de baseball e se apaixona por uma menina rica. 

- Um cartunista brasileiro vai morar em Nova York nos anos 70 e escreve cartas pros amigos aqui sobre a vida lá. 




quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Esse blog está sendo melhor que terapia, gente (o que não quer dizer que ele pode substituí-la, busquem ajuda profissional sempre, amiguíneos).

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Vou escrever uma coisa que vai soar muito dramática, mas é uma ficha que só caiu agora, quando criei coragem de contar a história do post anterior.

Eu podia ter morrido afogada. Por cinco segundos eu achei que fosse mesmo.

Eu podia ter morrido afogada em busca da aprovação de alguém que não estava mais nem aí.

Vocês percebem o quão sério é isso?