sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Mais um lembrete

"E ninguém merece viver sem amor, eu não tinha nem meu amor próprio mais porque até isso ele tirou."

Eu escrevi essa frase para uma amiga hoje no whatsapp. Parece rancorosa agora e, no meu caso, equivocada. Ele não me tirou nada, eu é que atrelei meu amor próprio ao amor dele e quando o amor acabou eu estava outra vez detestando minha imagem no espelho como quando eu tinha 15 anos. Porque o amor já tinha acabado muito antes do fim e eu estava me agarrando naquele relacionamento como se ele fosse a única coisa que fazia sentido na minha vida.

Por que a gente faz isso?

Quando eu me dei conta de que ele não me amava mais (o que não aconteceu semana passada não) eu imediatamente comecei a acreditar que eu não tinha valor. Que se ele não era capaz de me amar ninguém mais seria. Mais ainda: que eu só teria valor se outra pessoa visse esse valor em mim. E isso está errado em muitos níveis porque a gente tem que ser capaz de ser completa sozinha, sempre. Não é fácil. Eu mesma estou reaprendendo a fazer isso, a me olhar no espelho e ver de novo aquela mina foda, gata, gente boa e independente que eu fui um dia.

Não foi ele quem me tirou isso. Fui eu que depositei isso nas mãos dele.


Diz aí Leslie

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Lembrete

O fato de você não me amar mais não diz nada sobre mim, só sobre você.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Vai passar

Hoje faz 5 dias. Ontem eu tive fome pela primeira vez e comi um sanduíche de pasta de amendoim e um iogurte até o final, com gosto. Os efeitos colaterais do antidepressivo melhoraram um pouco, eu dormi bem e hoje de manhã me olhei no espelho antes do banho e me achei muito gata. Eu sei que tem muito pra chorar ainda porque se tem uma coisa entristece é o desamor e foi exatamente isso que eu vivi nos últimos meses. Mas uma hora vai passar, tem que passar e enquanto isso tem trabalho, família, amigos e alopatia pra ajudar a gente. E tem as coisas que só acontecem comigo.

Eu saí terça-feira no estacionamento da escola pra fazer não sei o que. Milagrosamente eu não estava chorando nem nada. Tinha uma van escolar parada na entrada e eu fui até lá ver se era de aluno porque né, tava bloqueando a passagem. Duas mulheres no banco da frente. A motorista me acenou dizendo que já estava saindo que o marido estava na escola resolvendo alguma coisa. Eu ia me afastar quando ela me chamou:

"Oi, vem cá, como é seu nome? Você é muito bonita. Vem cá, por favor!"

Eu fui porque né? Amo gente doida. A motorista e a mulher do lado eram claramente evangélicas, dessas de cabelão e saia jeans pra baixo do joelho.

"Jesus te ama, viu? Você é muito bonita. Você está na vitrine de Deus, tudo que o diabo tirou de você Deus vai devolver!" E tocou a cantar um hino desses de igreja de vitória, de sua página vai virar e sei lá o que mais. E daí eu desembestei a chorar porque esses dias tá fácil, tô chorando com comercial de danoninho como diria Luís Fernando Veríssimo. "Você vai vencer, moça, você é muito especial pra Deus!"

Apenas que eu sou: ateia. E em situações normais de temperatura e pressão eu estaria rindo da crentelhice sim, desculpem os evangélicos. Mas eu não estou passando por uma situação normal. E quando a gente está assim, as vezes tudo que a gente precisa é de uma palavra de conforto vinda de um estranho.

Vai passar. E espero sinceramente que as situações absurdas que acontecem na minha vida continuem aparecendo, porque eu preciso muito voltar a achar graça nas coisas.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sobre a separação

São várias pequenas mortes.

A gente morre um pouco antes quando sente que vai acontecer.
A gente morre no dia em que acontece.
A gente morre quando vai comprar alguma coisa pela internet e seu endereço antigo ainda está lá cadastrado na Amazon.
A gente morre quando o facebook, esse sacana, desenterra uma lembrança qualquer.
A gente morre quando aceita que não vai ter volta.
A gente morre no dia da mudança.
A gente morre no primeiro feriado sozinho.
A gente morre quando encontra um amigo depois de um tempo e tem que falar sobre isso de novo.
A gente morre quando tem que falar com o outro pra resolver pendências da vida prática.
A gente morre quando aparece AQUELE filme nas sugestões do Netflix.
A gente morre quando ouve AQUELA música.
A gente morre quando come AQUELA sobremesa.
A gente morre quando volta NAQUELE lugar.
A gente morre quando descobre que o outro seguiu em frente.

Mas é preciso morrer pra renascer. Melhor. E mais forte.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sobre o fim

Eu queria escrever uma carta linda e triste sobre o fim de nove anos incríveis, mas ainda não tenho condições.  Por hora deixo aqui a Fiona Apple, porque ninguém cantou o fim de um relacionamento como ela.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Não seja esta pessoa

Acho que poucos pais leem meu blog, mas caso algum leia vim aqui deixar meu apelo.

Eu coordeno uma escola de idiomas, como muitos de vocês devem saber. Esta é a época do ano quando eu enfio minha bunda na cadeira e de lá não levanto até ter conferido as notas de todos os alunos no sistema. E SEMPRE tem os serumaninhos que estão devendo um monte de notas porque não entregaram lição, redação, tarefa online, nada. E sobra pra mim ligar para os pais desses serumaninhos para dar esta agradável notícia. Se um dia vocês forem pais destes serumaninhos que não fazem lição de casa, peço que não sejam estes tipos de pais:

- O pai que acha que a culpa é nossa porque não amarramos o cidadão na carteira e o obrigamos a fazer lição na base de chicotada.

- O pai que houve essa mesma ladainha há 3 anos e ainda se mostra surpreso "não acredito que ele não fez!"

- O pai que finge que vai tomar providências mas as benditas lições continuam não aparecendo.

- O pai que fala com o moleque ao mesmo tempo que fala comigo:

"Sr. pai, o joãozinho não fez a lição"

"Joãozinho, vem cá, a coordenadora falou que você não fez lição"

"Ele precisa entregar até dia tal"

"Aí Joãozinho, é pra entregar até dia tal" 

- O pai cumpadi Washington que não sabe de nada, inocente: "Nossa, mas eu perguntei ontem se ele tinha feito as lições e ele falou que tinha"

- O pai que manda o moleque ligar de volta pra mim pra tirar satisfação.

E por fim, não seja também o moleque me liga jurando de pés juntos que "fez as lições online mas o sistema não salvou"

O sistema sempre salva.

Beijos da tia.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Sobre ser fascinado por alguma coisa

Don't ask me how mas entrei no buraco negro da internet e fui parar neste programa britânico chamado Mastermind:



Não tem legenda e eles falam super rápido com aquela delícia de sotaque britânico super fácil de entender, mas basicamente é um game show de perguntas e respostas onde os participantes tem 90 segundos para responder o máximo possível de questões sobre um assunto que eles dominam muito. Até aí nada de novo sob o sol, é um formato de programa que existe há muito tempo, mas olha, não deixa de ser fascinante. Neste episódio especificamente os participantes estavam respondendo sobre:

 - O período entre 1920 e 2007 de um time de futebol que pelo que entendi joga na segunda divisão inglesa
- Benjamin Britten, um compositor, maestro e pianista inglês falecido em 1976 (valeu wikipedia)
- A cidade de Veneza
- O período entre 1609 e 1960 na história de Ulster, uma província no Norte da Irlanda
- O período da lei seca nos Estados Unidos

E as perguntas, gente, elas são super difíceis. Não é nada tipo "Quando Veneza foi fundada?" não. É coisa nível "qual o nome do padre que caiu e quebrou a perna na ponte x de Veneza no dia 21 de Julho de 1842?"

Eu juro que eu entendo que uma pessoa seja fascinada por um time de futebol x ou por Veneza mas a lei seca? Como assim existe uma pessoa que sabe absolutamente tudo sobre a lei seca nos Estados Unidos (porque acreditem, pra responder essas perguntas tem que saber tudo). O mundo é tão incrível, tem tanta coisa incrível nele, por que alguém escolheria ser especialista na lei seca, gzuiz?

Desconfio que eu tenho algum nível de déficit de atenção porque não consigo me interessar nesse nível por nada, na verdade em nível nenhum. Eu me interesso por tudo, eu quero saber tudo. Se você estiver disposto a me explicar física quântica de um jeito que eu entenda eu vou querer saber. Eu não tenho hobbies porque pra mim ter um hobby implica em estar profundamente envolvido com alguma coisa e eu não consigo estar. Eu quero aprender a costurar, a fazer comida vegana, a correr direito, a falar Francês e nessa ânsia toda eu acabo não aprendendo nada, o que é muito frustrante.

Entretanto, eu estou verdadeiramente fascinada por esse programa. Talvez eu me torne uma especialista em Mastermind. Talvez um dia eu vá ao Mastermind responder perguntas sobre o Mastermind. Mas tem uns três episódios de Joana, a virgem pra eu assistir antes disso. E alguns capítulos de Uma breve história do tempo pra ler. E uns vídeos de culinária vegana e gatinhos. E uma fase do Candy crush pra passar. E talvez correr uns 3 quilômetros (tô fora de forma). E... e... e...