sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Prometo que não falo mais de Masterchef (só mais uma vezinha)

Voltei para o que eu espero que seja meu último post sobre masterchef porque bodeei geral com essa última edição e não pretendo acompanhar a próxima. Mas eu fiquei genuinamente putaça com essa história do crowndfunding para a hamburgueira do Leonardo e vim fazer textão aqui porque é pra isso que a gente faz blog: para emitir opiniões não solicitadas.

a) O crowdfunding deu ruim, galera chiou, os caras desistiram e fizeram textão magoadinho explicando que não estavam pedindo dinheiro e sim "propondo uma nova experiência em empreendedorismo". Pra mim isso é só um nome bonito para "deem dinheiro para pessoas ricas ficarem ainda mais ricas em troca de um avental autografado por um vencedor de reality show ~risos~"

b) Os bonitos obviamente não leram "A arte de pedir" da Amanda Palmer, que é a rainha do crowdfunding. Ela basicamente ensina que primeiro você cria um relacionamento com as pessoas, depois você pede dinheiro pra elas. A tal Bel Pesce (gente, nunca tinha ouvido falar?), sócia dele, pelo jeito já tinha feito isso antes e contava com uma fanbase disposta a financiá-la. O Leonardo e outro carinha lá não. Lição (espero que) aprendida: ser bonito e ganhar reality show não quer dizer que você tenha um relacionamento com as pessoas.

c) O que eles fizeram é desonesto? Não é. Não sou sommelier de ajuda e cada um gasta seu dinheiro no que quiser. É picareta e totalmente descolado da realidade? É sim senhor.

d) O cidadão venceu o Masterchef, cozinhou com chefs estrelados em cozinhas profissionais e quer empreender numa hamburgueria? Tenha santa paciência, moço.

e) Por fim, a arrogância do rapaz de meter a cara num esquema desses começa a dar razão pro povo do mezanino gritando "Bruna! Bruna!" na final do programa.



Sorriso de quem jamais apelaria pra um esquema tão cara de pau. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Meus centavos sobre a final do Masterchef

Ontem teve final do Masterchef né gente? Band tratou o negócio feito Oscar, arrastou até a hora que deu, explicou meme, fez a gente aturar aquela desgraça daquele Raul-sou-publicitário-coleciono-bonequinhos-vou-de-bermuda-em-casamento e no final deu o óbvio: Leonardo ganhou.

Pra começar Leonardo tinha nem que estar ali, né queridos? O moço se arrastou o programa inteiro, estava sempre na eliminação, fez UM prato digno de nota o programa inteiro mas contou com a simpatia dos chefs, deu sorte de SEMPRE ter um pior que ele e no final levou o troféu apenas por ser bonitinho e carismático. 

A Bruna era chatérrima no programa né? Estridente, infantil (com aquela mania de dar nome aos bichos que ela tinha que cozinhar) e cafoninha (as tiaras senhor, as tiaras), ainda deu o azar de ser pintada como a bruxa fofoqueira que tramava contra o pobrezinho do Leonardo. Daí na final ainda juntou aquele povo chato todo (eu detestava todos, dsclp, só gostava da Gleice e da Raquel) no mezanino fazendo torcida organizada pra ela que era logo pra pintar o Léo de sofredor solitário e garantir a redenção final do mocinho batalhador oprimido por aquelas pessoas ruins. 

Eu fui dessas que detestou a Bruna do começo ao fim do programa, até o último minuto, mas a diferença de tratamento que ela recebeu entre o povo lá dentro e aqui fora ontem me fez questionar algumas coisas:

a) A Bruna talvez seja chatinha mesmo, estridente, infantil e cafona na vida real. Existe gente assim no mundo, vai saber. Mas lá dentro me parece óbvio que ela criou amigos, estreitou laços e ganhou uma torcida que a admirava e sabia do que ela era capaz. Ou seja: era uma pessoa legal. E ótima cozinheira. 

b) O Léo é bonito, carismático, bem nascido. Entretanto lá dentro só arrebanhou antipatia, talvez por ter sido tão protegidinho dos chefs, talvez por ser mais introvertido, talvez por ser babaca mesmo, não temos como saber. 

O Masterchef está na terceira edição e agora parece que os caras finalmente aprenderam a fazer reality show. É óbvio que a edição sacou o potencial do Léo de virar queridinho e criou pra ele uma trajetória de superação, do cozinheiro meia-boca porém lindo e bom moço que supera todos os obstáculos e no final se torna campeão. Para a Bruna sobrou o papel da vilã, da ambiciosa insuportável capaz de qualquer coisa para alcançar seus objetivos, até passar por cima de um "cara tão gente boa" quanto o Léo. Só que a Bruna cozinhava melhor. Desde sempre. E pra dar esse troféu para o Leonardo galera teve que fazer malabarismo. E fez. 

Eu xinguei muito a Bruna no twitter. A personagem que ela criou (ou criaram pra ela) não me agradava, aliás me incomodava bastante. Mas também nunca defendi o Léo, pois conhecia as limitações dele e tô velha demais pra cair na armadilha do "bonitinho e lutador." Só que hoje fui parar na página da Bruna no facebook e o que está rolando lá não é para amador não - é muita gente destilando muito ódio gratuito em cima de uma pessoa só. É desumano e eu espero que ela tenha bastante estrutura e apoio para passar por isso. 

E que fique claro que a campeã moral dessa bagaça será sempre a Raquel, beijos. 

 Ótima cozinheira e com belíssimos cabelos hidratados

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Projeto casas - Lapa

Para contar a história da minha casa na Lapa preciso fazer uma digressão: na época em que eu morava na Alameda Santos minhas melhores amigas na faculdade (uma delas continua sendo até hoje) moravam em uma república na Lapa, mais especificamente num condomínio na Lapa de baixo chamado Central Parque Lapa (apenas Central para os íntimos). O Central Parque é uma instituição da Lapa. Ele é tão imenso que ouso dizer que todo mundo está a no máximo de três graus de separação de alguém que mora/ morou lá. Eu passava muito tempo no apartamento 8, entrada não lembro, passeio 2 do Central, dormia lá nos finais de semana, talvez ficasse mais lá do que na Alameda Santos.

As meninas se mudaram, a república acabou e, uns anos depois, lá por 2003, minha mãe que morava em Boituva conheceu meu padrasto, que morava em São Paulo. Eles se casaram e minha mãe se mudou para a casa dele, que ficava: no Central Parque Lapa. No prédio exatamente em frente ao das meninas. A Lapa já fazia parte da minha vida muito antes de fazer.

Daí eu fui pra Sorocaba né? Bebi, comi, ri, aqueci meu coração mas minha alma paulistana gritou de saudade e eu tive que voltar. E lá fui eu me instalar no passeio 2 do Central Parque Lapa.

Voltar a morar com a mãe depois de 5 anos não é fácil não. Tem briga, tem aquela demanda por uma satisfação que desacostumei a dar. Mas também tem roupa lavada e passada num passe de mágica, colo e café quentinho 6 horas da manhã. O apartamento do meu padrasto abrigou vários amigos sem teto naquele processo de sai-de-apartamento-procura-apartamento-aluga-apartamento. E o Central me ensinou a amar a Lapa, amor esse que eu já declarei aqui mesmo nesse cafofo. Acreditem em mim: a Lapa é incrível, a Lapa é amor. Toda vez que eu falo da Lapa lembro da velhinha no documentário sobre os bairros paulistanos: "Eu não moro em São Paulo, moro na Lapa"


A entrada do Central numa foto roubada da internet



Pra variar não tem foto no apartamento da minha mãe mas tem na república das meninas, meu aniversário circa 2000 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

A FFLCH

A FFLCH é a Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP. Eu me formei lá num longínquo 2006 e hoje voltei para buscar meu diploma porque esse é meu jeitinho.

A FFLCH continua a mesma. O escadão para chegar ao prédio da Letras, o café horroroso da cantina,  o cheiro de maconha misturado com pão de batata, as lousas nas paredes dos corredores que foram substituídas por lousas nas portas das salas. O pessoal continua muito criativo nas mensagens que escreve lá. Na fila da seção de alunos vou ouvindo as conversas e dando aquele sorrisinho que significa tanto been there, done that quanto só podia ser na Letras mesmo. Inclusive, gostaria aqui de me desculpar publicamente por todas as vezes que acusei a seção de alunos da Letras de ser uma zona: 10 anos depois meu diploma estava lindão dentro de um envelope na gaveta P do arquivo. Não tinham incinerado ele.

Quando eu entrei em 2000 (yes, yes, levei seis anos para me formar) pré requisito pra estudar lá era ter pelo menos uma saia indiana no armário ou um chinelinho de couro fedido. Hoje em dia a Letras USP deve ser a maior concentração de side cut e tinta fantasia de São Paulo. Contei uma hippie roots apenas. Os tempos mudam.

 A vida era difícil no começo dos anos 2000. A gente não tinha dinheiro pra nada mas pra festa sempre tinha. A gente se divertia com pouco, nunca comprava roupa nova então improvisava usando umas das outras. A gente se apaixonava e desapaixonava na velocidade 5 do créu, curtia bad por causa de macho que durava uma festa open bar. A vida era difícil mas era leve, não tinha prestação de apartamento, pressão pela maternidade, dieta, carreira.

Me deu uma baita saudade. Do café ruim, do cheiro de maconha misturado com pão de batata, das banquinhas de livros. Como é que eu nunca tinha reparado no quanto a FFLCH é bonita enquanto estava lá?

Li uma vez que a gente olha para o passado com os olhos do presente e por isso ele parece melhor ou pior do que foi na verdade. Meus olhos do presente me dizem que meus tempos na FFLCH foram bons. Deu até vontade de prestar vestibular pra sentar naquelas carteiras velhas de novo, agora estudando História ou Ciências Sociais. Será que me deixam entrar lá de botinha e cabelo careta?


Bagunçada que só mas aff tão linda

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Pra você que não gosta de Pokémon

- Crianças autistas que não saíam de casa há anos estão saindo e interagindo com outras crianças para caçar pokémons.

- Está rolando uma campanha para que as pessoas coloquem lure (um trocinho que atrai pokémons) em hospitais infantis e centros de doação de sangue. Assim as crianças internadas não precisam andar muito para caçar as bichinhos e talvez pessoas caçando perto dos hemocentros decidam entrar e doar sangue.

- Os pokéstops (lugares onde os jogadores podem conseguir mais bolas para caçar os pokémons) ficam em lugares públicos como igrejas, esculturas, arte urbana, pontos de interesse. Dá para fazer um tour pelos grafites da Vila Madalena seguindo os pokéstops e sábado eu descobri que existe um ~coreto mal assombrado~ no bairro de uma amiga minha.

- As pessoas estão andando, se exercitando atrás dos pokémons. Um conhecido meu, super sedentário, contou que andou 5 km outro dia. Se exercitar atrás de pokémons não me parece muito diferente de andar na esteira da academia assistindo ao Datena. Na verdade é diferente sim, é bem mais divertido.

- O Pokémon Go utiliza uma tecnologia chamada realidade aumentada: por enquanto ela é usada prioritariamente em jogos (vários, não só o Pokémon Go) mas já existem aplicativos que usam a realidade aumentada para observar estrelas, em guias turísticos e até para ajudar daltônicos a enxergar as cores com mais precisão. Além disso, há estudos sobre como utilizar essa tecnologia na medicina, engenharia e controle de tráfego aéreo, além de outras áreas, especialmente a educação.

- Eu trabalho, cuido de uma casa e duas gatas. Saio com meus amigos, converso com minha família, estudo, assisto minha séries. E jogo pokémon. Uma coisa não exclui automaticamente as outras não.

- Se você postou isso recentemente, tenho más notícias para você


A primeira é que não existe indício absolutamente nenhum de que essa frase é do Einstein. Einstein era um cientista, cientistas são curiosos e buscam novidades - grandes chances de que ele estaria curtindo uma tecnologia que tem mostrado que pode ser útil em várias áreas do conhecimento humano. A segunda é que a tecnologia facilita a interação e traz conhecimento, não contrário. Você pode usar o instagram para conhecer lugares novos, aprender receitas, ter dicas de moda e exercícios, mas se você só segue gente que posta selfie a culpa é sua, não da tecnologia.  A terceira é que reclamar de gente grudada no pokémon enquanto está grudado no facebook, no candy crush ou no snapchat não faz muito sentido, né?

- Pra terminar: não estou tentando convencer ninguém a gostar. Você pode detestar, achar idiota, não querer falar sobre isso. Mas não vale ter raiva de quem curte, achar babaca quem joga. E não custa nada se informar um pouquinho - lembrem-se: pessoas inteligentes são aquelas que estão abertas a se informar e a aprender. E pokémon go é legal sim, desculpa.



terça-feira, 2 de agosto de 2016

Projeto casas - Edifício Cidinha

Previously on "Projeto Casas": Abracei a bad, a bad me abraçou e eu passava tardes ouvindo life for rent da Dido e chorando. Decidi largar tudo e voltar pra perto da família.

Minha mãe ainda morava em Boituva, mas minha irmã tinha se mudado para Sorocaba, uma cidade de cerca de 600 mil habitantes, a uma hora de São Paulo. Ela estudava direito numa faculdade particular da cidade, eu tinha só mais uma matéria para cumprir na USP: embarquei nessa doideira de mudar de emprego, de cidade, de vida em uma semana e fui morar no edifício Cidinha.

O edifício Cidinha é um predinho de 3 andares que fica numa avenida movimentada, perto da rodoviária em Sorocaba. Era velhinho mas tinha TV a cabo (um luxo naquele 2004), 3 quartos, muitos armários embutidos, 4 mulheres e um gato. Eu e minha irmã ficávamos cada uma em um quarto e as outras duas meninas dividiam o terceiro. O prédio não tinha porteiro nem portão automático, então perdemos as contas de quantas vezes atiramos as chaves pela janela para as visitas subirem.

Morei lá só seis meses, mas foram seis meses de muita festa, muito bar, muito mulher enfiada no corsinha 98 da minha irmã cantando Roupa Nova, almoços de domingo disputadíssimos e muito, muito amor, que era tudo que eu estava precisando naquele momento.

O Cidinha era aquele coração de mãe que recebia todo mundo que estava longe da família por algum motivo e ele me deu amigos para a vida toda (sem nomes, you know who you are!) Muita gente tem histórias de lá. Como eu compartilho meus posts no facebook, espero que alguns amigos leiam e venham aqui dividir as deles.

Quem já ficou bêbado no Cidinha, manifeste-se por favor!


Teve festa de aniversário surpresa no Cidinha? Teve sim senhor


Todo mundo tão lindo, tão xófem. Aquele poster do Picasso lá atrás aguentou nem sei quantas mudanças e existe até hoje 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

As aventuras de Peppa: A estranha

Oi, eu sou a Peppa, vocês lembram de mim? Sou a gata tigrada de um ano e meio que manda na casa da Paula e do Diego.

Os últimos dias já andavam meio esquisitos, sabem? Um tempo atrás me trancaram no quarto e quando me tiraram de lá tinham levado embora todos os móveis da minha casa, até o sofá onde eu gosto tanto de afiar minhas unhas. Me colocaram na caixinha de ver o tio de branco, mas dessa vez não teve tio de branco não. Quando eu vi estava num lugar mais ou menos diferente, mas pelo menos meu sofá e a cama dos humanos estava lá. De resto só caixa, mas até aí achei bem bom, eu amo caixas. Pelo que eu entendi é aqui que os humanos chamam de "casa" agora.

Eu me acostumei rapidinho com a casa nova. Tem bastante lugar para eu me esconder e agora eu posso entrar no banheiro dos humanos a hora que eu quiser. Eu adoro o banheiro dos humanos. Estava tudo indo bem até que sábado passado a humana apareceu em casa com outra caixa de ver o tio de branco e vocês não vão acreditar no que saiu de lá de dentro: isso mesmo, outra gata. Fiquei bem magoada com a humana, como assim vocês trazem outra gata para minha casa sem perguntar minha opinião? Imagina se o humano faz isso com a humana: aparece lá com outra humana ~pra fazer companhia~ pra ela - cês acham que ela ia gostar?

Não gostei mesmo. A outra gata era meio lerda, ficava andando pelos cantos com cara de pastel e aquela roupinha ridícula (eu lembro dessa roupinha, usei quando o tio de branco cortou minha barriguinha). Tratei de mostrar logo quem mandava naquele apê fazendo uns FUUUUS bem nervosinhos na cara dela. Ela nem aí. Pelo menos no quarto dos humanos ela não era nem louca de entrar e ficava por ali, dormindo na cadeira giratória e comendo o tempo inteiro, aff, como come a estranha. Até que sexta-feira o negócio mudou.

Sexta-feira a estranha ficou bem louca, arrancou a roupinha ridícula por conta própria e saiu cantando lérigou pela casa. Aprendeu a pular a janela do banheiro e ABSURDO ABSURDO! Subiu na cama dos humanos. Pior: resolveu me dar uns tapas assim, do nada, pra mostrar que quem mandava naquela joça agora era ela. A humana ficou nervosa e trancou a estranha no banheirinho.

Vitória.

Só que não. Uma hora depois a humana ficou com pena e destrancou a estranha. Agora a humana anda atrás da gente com um negócio de espirrar água e enfia na nossa fuça cada vez que a gente briga. Porque eu não vou deixar isso barato não.


Ou não me chamo Peppa. Humpf!