domingo, 13 de agosto de 2017

A última pequena morte

E teve essa postagem sobre as pequenas mortes no fim do relacionamento.

Eu adiei o quanto pude, mas ontem aconteceu a morte final. Vi uma foto dele com a namorada atual.

Vi de relance. Não stalkeei, não fui atrás. Vi porque um amigo dele que nunca posta nada e por isso eu esqueci de deletar postou uma foto. E eu vi.

Tá doendo pra caralho e eu tô com muita raiva de estar doendo assim, mas acho que pé na bunda é assim mesmo, né? A gente acha que tá lá de boa e de repente um piano cai na nossa cabeça, 

Mas foi necessário. Foi o último band-aid a ser arrancado. Agora é esperar cicatrizar.



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O chato "tem que"

Quando você fica solteira chega aquele nem um pouco aguardado momento em que seus amigos começam a te arrumar dates. Sim, porque aparentemente uma mulher solteira há mais de seis meses está desesperada para namorar e é incapaz de fazer isso sozinha.

Daí tem esse amigo de um casal de amigos que deu pra aparecer em todos os meus encontros com eles. E de repente eles chegaram à brilhante conclusão de que nós talvez formaríamos um casal num futuro qualquer quem sabe um dia sei lá ninguém tá botando pressão não ok? Não sei se esse moço em algum momento manifestou algum interesse em mim, mas o fato é que eu venho cruzando bastante com ele. O problema é que esse moço é um chato "tem que". 

Vamos exemplificar o chato "tem que".

Um dia nós estávamos numa feira de cerveja artesanal. Eu estava com fome e disse que ia pegar um sanduíche de falafel no trailer atrás da gente. Esse moço imediatamente interferiu:

"Olha, eu não conheço esse trailer aí mas se você gosta de sanduíche de falafel você TEM QUE experimentar o da (barraca que ficava do outro lado na puta que pariu da feira lotada)." 

Eu ignorei o conselho e comi meu sanduíche ali mesmo porque estava frio, eu estava com fome e nem um pouco disposta a atravessar o Memorial da América Latina atrás de um lanche. E porque TEM QUE é meu pau de óculos, ninguém TEM QUE nada coleguinhas. Ninguém TEM QUE assistir Game of Thrones nem ouvir aquela bandinha hipster que todo mundo conhece mas você gosta de fingir que só você e seus amigos curtem. Ninguém TEM QUE gostar nem de Beatles, colega, ninguém é obrigado a nada não. Ninguém TEM QUE curtir cerveja artesanal e muito menos atravessar uma porra de uma feira lotada no frio só porque você acha aquele sanduíche de falafel a coisa mais excelente do universo. 

Todo mundo conhece um chato "tem que". Todo mundo é meio chato "tem que", pode admitir. Eu ainda solto umas dessas as vezes, mas quando percebi o quanto isso me irritava comecei a me policiar um pouco. 

Mas Paula, o moço soltou um "tem que" uma vez e você já o enfiou nessa categoria de chato?

Vejam bem, coleguinhas. 

Semanas depois encontro o moço num evento similar. A primeira coisa que ele me diz depois de me cumprimentar é:

"Nossa, eu comi o lanche daquele seu trailer hoje e o do meu é muuuuuuito melhor."  

Porque não basta ser chato "tem que", tem que insistir na chatice. Sério, qual a necessidade? 

Na terceira vez que eu encontrei esse moço foi num bar. Eu tinha chegado cedo, ele chegou tarde e me encontrou na fila pra pagar a comanda:

"Ah, vai ficar nessa fila mesmo? O bar tá cheio ainda, você TEM QUE ficar mais um pouquinho." 



Encontrei o cara três vezes e três vezes ele me cagou regra.

Não seja essa pessoa, amiguinho. Apenas não seja. 

Mais sonhos

Meus sonhos não são necessariamente ruins, mas costumam ser confusos. Tem sempre muita coisa acontecendo, muita correria, muita gente envolvida.

Mas uma vez eu sonhei com Amsterdam. Eu nunca fui a Amsterdam, nem é um lugar que está nas minhas top prioridades e tal, embora eu tenha certeza que é maravilhosa. Mas enfim, eu estava em Amsterdam. E era ano-novo. E eu estava rodeada de mulheres incríveis, que eu amo demais, como a minha mãe, minha irmã, a Elis e a Moça de Galochas. E a gente viu os fogos em algum lugar, e a gente riu e bebeu e estávamos felizes pra caralho.

O réveillon de 2016-2017 foi tão horrível, cercado de desamor, de gente que eu não gostava e que não gostava de mim, de música chata, de conversa besta. Fui tão infeliz em Ilhabela, não é um absurdo ser infeliz em Ilhabela? Eu fui. Eu, que gosto tanto do mar, da praia e do ano-novo, só queria que aquele acabasse o mais rápido possível. E eu lembrei do sonho e jurei que 2017-2018 seria cheio de amor como aquele, não necessariamente em Amsterdam (o frio, gente, o frio), talvez não com todas essas mulheres queridas juntas (minha irmã acabou de ter um bebê, né?). Mas seria muito diferente.

A gente não pode garantir nada nessa vida, né, mas eu sigo tentando. As passagens estão compradas e se tudo certo eu vou ver 2018 chegar lá no Equador. Porque eu mereço.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Eu queria falar sobre algumas coisas aqui mas não sei bem se devo por motivos de: uma delas envolve sexo e não quero parecer a Cléo Pires transona (deos me livre) e a outra envolve falar do falecido de novo e não sei se vocês ainda aguentam isso.

Daqui a uns dias eu volto.





Enquanto isso não esqueçam de "treat yo self" abiguinhos

terça-feira, 25 de julho de 2017

Circa 2000

Fui fuçar numas fotos antigas para provar que minha sobrinha grazadeos puxou nosso lado da família e é sim a cara da minha irmã quando era bebê. Não achei nenhuma foto da minha irmã (minha mãe deve ter levado todas pra ela em Brasília), mas achei essa pérola aqui, circa 2000.


Caso vocês não tenham percebido, sou euzinha nessa foto. 21 anos, fazendo um toscosplay de Lara Croft com arminha d'água e tudo.

Eu estava na faculdade, era absurdamente insegura com a minha aparência e comia merda por causa de um boy estudante de medicina que só ficava comigo quando ele queria. Tem leitora desse blog que sabe até hoje o nome desse infeliz de tanto que eu chorei as pitangas por causa dele por aí.

Agora observem essa mocinha. Olhem esse cabelo, essa pele, essa cinturinha, esse sorrisinho levemente sem jeito. Espiem a confiança com a qual essa garota se enfiou nesse shortinho minúsculo e se bandeou pra uma festa a fantasia qualquer.

Eu fico indignada de na época não enxergar o quanto eu era bonita e interessante e o quanto eu podia ter feito um milhão de coisas mas fiquei chorando pelos cantos apenas porque eu achava que eu não merecia nada melhor que um gordinho nerd barbudo que me tratava feito lixo. Eu queria poder dar uns tapas na cara dessa mocinha insegura e dizer pra ela o quanto ela era incrível e o quanto ela era capaz de fazer o que ela quisesse.

Façam isso pelas suas meninas, por favor. Digam o tempo todo que elas são maravilhosas, inteligentes, bonitas e capazes porque o mundo é bem merda e ele vai fazer de tudo pra que elas achem o contrário.

domingo, 23 de julho de 2017

Curry de peixe e samosas

Quando eu me separei eu decidi que eu precisa concentrar todos os esforços possíveis em ficar bem. Com isso eu parei de fazer algumas coisas que eram parte da minha rotina tipo ir à academia, ler e cozinhar. Desde o dia 9 de Janeiro eu não fazia uma comida pra mim. Desde o dia 9 de Janeiro eu também não escrevia no meu livro "Uma pergunta por dia".

(É um livro que eu ganhei de aniversário. Ele tem uma pergunta pra cada dia do ano e espaço para responder por cinco anos. As perguntas podem ser simples, só pra te situar no tempo, tipo "qual foi o último filme que você assistiu?" ou mais reflexivas)

Daí ontem eu resolvi pegar o livro de novo. E a pergunta para hoje era:


Domingão, sozinha em casa, não tive escolha amiguinhos. Me arrisquei nas samosas (que eu nunca tinha feito) e num curry de peixe (fazia direto, é uma das coisas que eu preparo que eu mais gosto de comer). As samosas fiz com massa de pastel pois achei que fazer a massa seria uma passo grande demais pra quem está retomando a cozinha aos poucos. O recheio de batata, cenoura, couve-flor e brócolis ficou delícia demais e finalmente descobri o que é que o Gopala (um restaurante indiano que eu amo lá na Paulista) usa que deixa tudo com aquele gostinho de Gopala: feno-grego. Só faltou um chutney caprichado, na próxima eu faço.



O curry de peixe foi o melhor que eu fiz até agora, desculpa galera. Cominho, pimenta e garam masala com legumes e o peixe cozido no tomate e leite de coco e muuuuito coentro no final. Ficou bão demais minha gente.


Cozinhei só pra mim, tomando um vinho branco baratinho e ouvindo Lily Allen. No final deixei a cozinha limpinha e saí pra tomar um sorvete.

E assim a vida vai realmente voltando aos trilhos. Não sei se comida indiana cura tudo, mas olha, aquece o coração de um jeito. Recomendo demais.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Professional and life coach, apaixonado por viagens e empreendedorismo

Tem um negócio que tá bem na moda por aí e olhando de longe até me parece bem útil, que é o coaching. A princípio a ideia é boa, é ter uma pessoa preparada do seu lado que, olhando de fora, tem tem uma visão global das coisas que você anda fazendo de errado e pode te guiar para você voltar pro rumo e conseguir atingir um objetivo x. Não que a gente não seja capaz de tomar decisões acertadas por conta própria, mas eu mesma me vi perdidaça na minha carreira por muitos anos e só tipo mês passado consegui focar e tomar uma decisão verdadeiramente útil nesse sentido. Eu fiz isso sozinha mas talvez um coach pudesse ter me ajudado a fazer isso muito mais rápido.

Mas aí você começa a observar como algumas pessoas andam levando esse conceito de coaching. Elas vendem o negócio como um milagre. Como garantia de sucesso a curtíssimo prazo, é tipo "se objetivo é passar num concurso pra magistratura no fim do ano? A gente resolve." 

Dia desses fui desavisada parar numa palestra sobre coaching. E o palestrante tava lá, falando dos "coachees" dele (não é cliente, tá, é coachee) e descrevendo um super case de sucesso (na opinião dele - e que merda é essa de "case"? A gente tem uma palavra perfeitamente adequada em português caceta). Era uma cara que queria passar num concurso pra polícia federal e não tinha disciplina pra estudar e ao final do processo de coaching ele tinha guardado o video game no armário e não jogava mais, tava estudando direitinho todo dia depois do trabalho.

Daí eu pergunto pra vocês, coleguinhas: um adulto passado dos seus 30 anos precisou pagar alguém pra dizer pra ele que, né? Se ele não parar de jogar video game ele não vai passar em concurso nenhum. Oi? 

E a palestra? Um punhado de slides com imagens bonitas de topos de montanhas, encruzilhadas, horizontes, acompanhados de clichês corporativo-motivacionais do tipo: "Se você acordar amanhã só com as coisas pelas quais você ficou grato hoje, com o que você vai acordar?" Ah gente, vá pra puta que pariu. Fora os testes de personalidade tirados da internet (eu sou Águia, viu?). Dá a impressão que qualquer zé ruela que leu os livros do Augusto Cury pode virar coach. Não precisa ser psicólogo, não precisa ter estudado o comportamento humano, nada disso. 

No final o cara sugeriu que a gente se juntasse com alguém que não conhecia pra fazer um "mini-coaching" com essa pessoa. Olha que maravilhoso, 45 minutos de palestra e a gente já estava habilitado pra fazer o trabalho dele. Não tive alternativa a não ser ir embora.

Olha bem pra minha cara de quem ia participar de uma palhaçada dessas.