terça-feira, 20 de julho de 2010

Minhas férias

Assim, só pra dizer que as duas últimas semanas de Julho serão longas e sofridas. Porque eu mais uma vez me enfiei em um curso de professores de Inglês, só que este aqui sem os gringos divertidos.
Desta vez, para meu deleite, tenho uma tutora alegrinha e saltitante que aaaaaaaaaama todos os professores/ coordenadores/ porteiros da escola e adora contar histórias chatas e compridas que não tem nada a ver com a aula. E por causa das histórias chatas e compridas ela se perde, esquece onde estava, pula textos inteiros, enfim. Além disso tenho colegas de sala que pronunciam "curse" quando deveriam pronunciar "course" ( e cada vez que fazem isso matam um bebê panda, que fique claro) e o ar condicionado da sala desconhece meio termo - ou nos matará congelados ou carbonizados.

Pelo menos tem uma maquininha de nescafé free no térreo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Te conheço?

Já tinha acontecido antes. Numa famigerada "peruada" (um carnavalzão fora de época da faculdade de Direito do Largo São Francisco) uma menina me puxou de lado e berrou: "LEMBRA DE MIM?????????".

(Parênteses: quem aborda um incauto no meio da rua e pergunta "lembra de mim?" não vai pro céu. Porque a chance do incauto não lembrar e passar por uma situação muito constrangedora é, digamos, 99%.)

Enfim. Olhei, olhei e aos poucos (apesar de alcoolizada) fui me lembrando:"Claaaaro. Você é amiga da P... (um minuto) irmã do... M... (mais um minuto)... lá de Varginha... (mais dois minutos - berra) LEMBREI! VOCÊ É A PRIMA DO ROGÉRIO FLAUSINO!!!!! "(porque, sim, essa era a única maneira pela qual nos referíamos a ela - a prima do vocalista do Jota Quest). Lembrei o nome da pessoa? Claro que não.

Hoje aconteceu de novo. Na sala de espera do médico um sujeito de meia idade me aborda:
"Ooooooooi! Tudo bem?" Pergunta da minha mãe, da minha irmã, da cidade da minha mãe. Ele obviamente me conhece. Eu? Não faço a menor idéia de quem seja. Vou respondendo às perguntas, com aquela cara de pastel, enquanto ele segue falando: "puxa, sua irmã está em Brasília? Brasília é muito bom, você conhece?" Eu quase morrendo por dentro, olhando para a porta do consultório e xingando a décima geração do médico que não me chamava. Cinco minutos mais longos da minha vida. Sou finalmente chamada e, quando saio da consulta, graças a deos o cara não está mais lá.

Só horas depois, voltando pra casa, me lembro que é o marido de uma prima (não me culpem, eu tenho uns 30 primos) que eu não via sei lá, há uns dez anos. E ele deve, a esta hora, estar comentando com a mulher dele o quanto eu sou mal educada, que nem perguntei dela e dos dois filhos deles.

Memória pra quê, minha gente?

terça-feira, 13 de julho de 2010

Alice meets o Senhor dos Anéis

Eu sei que este post está terrivelmente atrasado, mas só consegui assistir a Alice do Tim Burton hoje, numa cópia pirateada. Até pensei em assistir no cinema, 3D, crianças a rodo gritando na minha orelha, mas depois de ouvir algumas opiniões pouco abonadoras sobre o filme acabei desistindo e optando por esperar uma "cópia alternativa" mesmo.

Eu amo a Alice. Desde sempre. Desde que eu tinha cinco anos, nem sabia ler ainda e ganhei uma edição do círculo do livro com as ilustrações do desenho da Disney (que é na verdade uma mistura do 'País das Maravilhas' e do 'Através do Espelho') - aquela Alice de vestidinho azul e tiara preta, o gato cor de rosa, as rosas brancas pintadas de vermelho, as flores falantes. Mais tarde, a história completa e finalmente o original, em inglês. Também sempre fui fascinada pela figura e pela história do Lewis Carroll, por toda a criação dele. É claro que, quando soube que o Tim burton seria responsável pela versão cinematográfica do livro, fiquei ansiosa.

Porque eu também amo o Tim Burton. Desde Edward Mãos de Tesoura assisti cada filme que ele fez salivando, encantada com os universos que ele criava. E neste quesito ele não decepcionou - a Alice dele é visualmente belíssima, arrebatadora e fez com que eu me arrependesse de não ter assistido no cinema. Mas a história...

Eu já tinha sido avisada e não, não vi o filme esperando ver a minha Alice de infância retratada nele. Todo mundo sabe que o Tim Burton se apropriou dos personagens e criou outra história. Esse não é o problema. O problema é que o que ele criou é uma bosta. Um clichezão da heroína em busca de si mesma que nem de longe lembra a clima de sonho e de brincadeira do Lewis Carroll. Ele fez um filme sisudo, sem graça, um arremedo de Alice meets Senhor dos Anéis, um roteiro tão desleixado, tão sem surpresas que dá até nervoso.

A Fantástica Fábrica de Chocolate já tinha sido bem mais ou menos e agora isso. Tim Burton, faça-nos um favor: pare de mexer com a nossa infância.


Update: achei isso aqui no blog Puxa Cachorra! e estou rindo muito.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Gosto é como...

Post inspirado pela coleguinha Bruna

Um dia, quando eu ainda morava com a minha irmã, ela se virou pra mim, muito séria, entre uma cerveja de fim de sexta feira e outra e disse:
"Olha só, preciso te falar uma coisa."

"Fala."

"Eu não gosto do Woody Allen."

"Oi?"

"Eu detesto o Woody Allen. Eu não gostei de nenhum dos filmes dele que você me fez assistir. Não achei graça nenhuma. Aliás, tenho meio nojinho dele, com aquela cara de velho-pedófilo-tarado-comedor-de-enteada."

"Tá."

"Pronto, desabafei. Agora nunca mais me abrigue a assistir nada dele, ok?"

Claro que na minha concepção egoísta de mundo eu não tinha obrigado ninguém a assistir os filmes do Woody Allen. Tinha apenas sugerido que eles eram ótimos e que deveriam portanto ser considerados como opção válida para a sessão pipoca do domingo. Mas minha irmã, percebendo (ou concluindo, vá) que os tais filmes eram importantes pra mim, os assistiu por anos sem reclamar, até que um dia não suportou mais (deve ter sido depois de Desconstruindo Harry) e teve coragem de por fim àquela tortura.

Um tempo atrás fiz queridão assistir a um dos meus preferidos do diretor, A rosa púrpura do Cairo. Meu namorado tampouco achou a coisa mais sensacional do mundo. Depois desse vimos O sonho de Cassandra e Vicky, Cristina Barcelona, e queridão dormiu no meio de A era do rádio. Acho que vou desistir antes que ele se rebele, como fez minha irmã. Se bem que se rebelar as vezes é saudável, faz bem para o fígado e para a consciência.

A propósito, de uma vez por todas - eu não acho a menor graça em Star Wars e pra mim Fellini só presta La dolce vita, tudo bem?