sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Porque certas coisas nunca mudam

O post abaixo foi retirado do me blog antigo, hoje fechado por motivos de força maior. Ele serve bem para ilustrar como, seis anos depois, certas coisas ainda não mudaram...



Eu tinha dito que não postaria em Julho e aqui estou, voltando atrás. Não consigo calar a boca mesmo. 

Acontece que voltei a ser aluna. E do tipo pouco talentosa para a matéria, o que espero possa me ajudar a me tornar uma professora melhor quando as aulas retornarem.
Há cerca de um mês, por conta de dores persistentes nas costas, voltei a fazer aulas de natação. No início atribuí minha falta de jeito aos vários anos longe da piscina e perto da cerveja e do McDonald’s. Aliem isso à minha notória aversão por academias e pelo povo que as frequenta e voilá: teremos alguém que se sente muito, mas muito desconfortável dentro de um maiô. 
Comecei muito bem meu programa de exercícios: faltando à primeira aula (mas por acaso vocês esperavam que eu fosse à natação quando faz nove graus em São Paulo? E daí que a piscina é aquecida?). Na segunda aula perdi cerca de dez minutos tentando colocar a maldita touca de borracha e só não fui mais humilhada pela minha total ausência de técnica porque nado na hora do almoço e não há mais ninguém na piscina além da professora naquele horário. “Vai melhorar”, me consolei, “só estou um pouco fora de forma”. Quatro semanas depois, no entanto, as coisas ainda não evoluíram. Enfim, nadar absurdamente mal tendo em volta de mim vidros que proporcionam uma bela visão do meu fracasso a todos os funcionários e alunos da academia tem sido um belo desafio ao meu excesso de preocupação com o que os outros acham. E a paciência da professora tem me deixado um pouco menos desconfortável e me incentivado a não desistir (claro que os seis cheques de 135 reais deixados na secretaria também me incentivam bastante).
Fiquei pensando. Se nadar de costas em linha reta é uma tarefa muitíssimo árdua para mim, porque aprender inglês não pode ser tão difícil quanto para certos alunos? A diferença é que eu posso simplesmente me conformar com a minha falta de talento já que meu objetivo não é chegar às Olimpíadas e eles, bem, eles cedo ou tarde terão que aprender essa merda nem que seja só para passar no vestibular. E eu é que terei que me virar em quatrocentas para colocar isso na cabeça deles. 
Vida de professor de Educação Física é bem mais fácil. Prontofalei.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Seria cômico se não fosse trágico

Todo mundo já ouviu isso alguma vez na vida. É sim, um tremendo clichê, coisa que euzinha procuro evitar mas, coleguinhas, depois de ler a história que contarei a seguir vocês entenderão que não poderia haver outro título para este post.

Irmã do meu chefe também tem uma escola de inglês, sabem? E, dia desses, funcionária nova na secretaria recebeu uma ligação do PS. O marido, motoqueiro, tinha sofrido um acidente. Mocinha vai embora do trabalho desesperada, meo deos, primeira semana no emprego e já uma dessas, e o marido, gente, teria sido grave?

Mocinha chega aos prantos no PS. Marido está em bem mas a moça que estava com ele infelizmente não sobreviveu.

Opa, que moça, meu senhor? Secretária presta atenção. Logo ali uma família chorando a perda do seu ente querido na garupa de uma moto - vai conversar com eles. Era sua filha que estava na garupa, senhora? Era sim. E a senhora conhecia o moço que conduzia a moto?

LÓGICO, MINHA FILHA, ERA NAMORADO DELA.


Tá, não tem graça porque a moça morreu mas gente? Nunca aquela história de "nada está tão ruim que não possa piorar" fez tanto sentido.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Nota de agradecimento

Aquele livro na estante sempre exerceu uma atração estranha sobre mim, um misto de curiosidade e repulsa. Com uma belíssima foto de uma barata em tamanho natural na capa, conheço gente que não teria encostado nele. Eu encostei. E um dia abri.



Não lembro quantos anos eu tinha, mas lembro de ter passado horas rindo de chegar quase às lágrimas com  o relato daquele cucaracha vivendo nos Estados Unidos num tempo tão, mas tão distante. Eu era uma menina de classe média nascida em 78 e criada a leite com pera em apartamento acarpetado, mas me identificava tão completamente com aquele barbudo que contava histórias de internações por conta de uma doença que eu não entendia direito, de ditadura, de política e de choque cultural. Coisas que eu só podia mesmo imaginar o que eram. Eu ria de coisas que só fui compreender muitos anos depois, eu me emocionava com as partes que deveriam ser tristes mas que na voz dele ficavam apenas melancólicas. Eu amava o jeito como ele escrevia. Era como se ele estivesse ali, sentado na minha frente, contando aquelas histórias. Era como se ele fosse meu amigo mesmo. Reli tantas vezes que sei até hoje algumas passagens de cor. Guardei aquele livro comigo por anos, como um pequeno tesouro. Foi durante muito tempo meu preferido, tão amado a ponto de eu escondê-lo a cada visita da minha tia, verdadeira dona do exemplar, com medo que ela resolvesse pegá-lo de volta.

Hoje faz 25 anos que Henfil morreu e esse texto é meu pequeno agradecimento a ele por ter sido meu amigo .

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Feliz ano novo

Deixo uma sugestão para os camelôs que por ventura decidam trabalhar em Copacabana no Réveillon 2013-2014. Ao invés de vender chapéus brancos, varinhas de neon ou oferendas, eles podem diversificar os negócios oferecendo aos turistas camisetas com os dizeres: "Réveillon em Copacabana - eu sobrevivi."  Porque sim, coleguinhas, é uma questão de sobrevivência.

Antes de mais nada deixa eu dizer que amo o Rio. Amo mesmo e já expressei todo esse amor nesse post aqui. Mas no ano-novo esse amor é colocado um pouquinho a prova, não vou mentir para os senhores.

Virada do ano em Copacabana é meio aquela coisa que todo mundo sabe que é roubada mas se sente na obrigação de fazer uma vez na vida - e tem que fazer mesmo porque é lindo, incrível e não se parece em nada com qualquer queima de fogos que você já tenha visto por aí, mas siga os conselhos da tia: se for, fique hospedado em Copa, porque a logística de chegar até lá é aterradora até para os padrões paulistana usuária do transporte público. 

Primeiro que não é só chegar e pegar o metrô, não senhora, tá pensando que é bagunça? Tem que comprar um bilhete especial que ter permite embarcar só no horário especificado. Daí você chega na estação 10 minutos antes do horário do bilhete e já tem uma multidão de gente se espremendo nas catracas esperando dar o horário. E quado dá rola todo o estouro da boiada, e como essa coisa de transporte público é muito inteligente você fica na plataforma esperando o trem por mais uns dez minutos enquanto no sentido contrário, que é para onde ninguém quer ir, passam uns quatro carros. Daí o trem finalmente chega e já vem lotado de um jeito que você pensa "olha, se der um pau nesse negócio e o ar condicionado falhar morre todo mundo, sério." O calor é inacreditável. Isso se você conseguir embarcar no primeiro. Mini ataque de pânico a caminho. 

Entretanto, contrariando todas as possibilidades, você chega e Copacabana está lá, linda como sempre, cheia de gente de todos os tipos (e é isso que eu amo no Rio) vestida de branco, dourado, prateado, colorido e só desejando que o ano seguinte seja bom. Você encontra seu pedacinho de areia, faz contagem regressiva, assiste aos fogos, toma espumante com os amigos e pensa: ah, nem foi tanto perrengue assim. Até que você decide voltar.

Há uma fila para pegar o metrô na volta. Ou melhor, há uma fila gigantesca para entrar na estação. Uma fila que dá voltas no quarteirão, uma fila tão zoneada que está na cara que ela nem existe, que está todo mundo é furando a dita cuja em algum ponto. Você está meio bêbado, cansado, melado de areia e espumante, seu voo de volta sai dali a cinco horas e você dá de cara com uma fila que parece que só vai acabar no dia 4. Não existem táxis, não há possibilidade de ir a pé. Entro na fila sem esperanças, mas ó que dá pra fazer. Uma tia bebíssima atrás de mim fica gritando "imagina na copa!", uma família de uns seis franceses com cara de perdidos entra na minha frente (nota mental: aprender a dizer "o fim da fila é para lá" em várias línguas) mas incrivelmente a coisa anda e em 20 minutos estou no trem que está vazio. Chego ao hotel salva (mas não sã), com todos os meus documentos, dinheiro e  celular. Sobrevivi.

Rio, ainda te amo. 364 dias por ano.