terça-feira, 5 de julho de 2016

Projeto casas - Avenida Paulista

Eu sempre fui fascinada pela avenida Paulista, desde criança. De pequena ia lá duas vezes por ano, no número 800 e pouco, onde ficava meu oftalmologista. Adolescente, passei a ir toda semana ao cinema, às matinês da Woodstock na rua da Consolação (alerta de idade avançada) ou só bater perna com as amigas mesmo. A gente dizia que ia crescer e morar juntas num prédio perto do Trianon.

A gente cresceu, se separou, mas não é que anos depois eu fui mesmo morar na Paulista? Quer dizer, na Alameda Santos, pertinho do metrô Brigadeiro (é quase a mesma coisa vá), no primeiro ano da faculdade em 2000. Conheci três meninas que moravam num pensionato de freiras nos Jardins que a gente chamava de "conventinho" e elas, doidas para se livrar da rigidez das irmãs, convenceram os pais a montar uma república. Nos mudamos as quatro para o apartamento de dois quartos no nono andar coladinho com o América.

No meu quarto eu tinha uma cama e uma cômoda doadas e um quadro do Friends da minha roommate que eu detestava: talvez a Tati leia isso então desculpa, Tati, mas parecia que os seis estavam me olhando, não importava em que lugar do quarto eu ficasse.


This!

Daí aquele oba-oba de morar sozinha pela primeira vez. A gente começou a fumar, a gente atravessou a Paulista bêbada de madrugada pra comprar mais cerveja no Extra da Brigadeiro, a gente fez caipirinha com limão do Habib's, a gente acordou no sábado de manhã desviando dos boys umas das outras dormindo no sofá, batemos cartão no Prainha Paulista, bar dos engravatados que ficava na esquina. Engraçado que a gente não tinha dinheiro pra nada, mas o chopinho da sexta a noite era sagrado. A gente aprendeu a cozinhar, a limpar banheiro, a economizar energia elétrica, a comprar os produtos mais baratos no mercado. A gente fez muito arroz de forno com mussarela e carne moída no domingo. A gente começou a se estranhar lá pelo meio do ano e em Novembro eu fui ~convidada a me retirar~

Em retrospecto eu não acho que tenha realmente acontecido nada de mais. Acho que faltou mesmo maturidade de todo mundo para lidar com os pequenos perrengues de dividir sua rotina com gente que você não conhece direito porque fácil: não é. Morei quase um ano no 927 da Alameda Santos e fui muito feliz lá apesar de todas as tretas.


A única foto que achei da república da Alameda Santos. Eu amava esse sofá listrado. Tapei a carinha das meninas porque não tenho mais contato com elas e não sei se elas gostariam de fazer uma participação especial neste bloguinho. 



A fachada da rep segundo o google street view

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