Descobertas

Aos onze anos eu descobri que era hora de começar a ter vergonha das minhas bonecas.


Aos quinze anos eu descobri que um coração partido dói muito mais que uma topada no dedão.

Aos quinze também descobri que um coração partido cura-se com sorvete e sapatos novos.

Aos dezesseis anos eu descobri que detestava Clarice Lispector e amava Lygia Fagundes Telles.

Aos dezoito anos eu descobri que uma das pessoas que eu mais amava no mundo podia me machucar completamente sem querer partindo em silêncio numa manhã de sábado.

Aos vinte e um descobri que cheques pré datados, um dia, caem.

Aos vinte e dois descobri que três minutos parecem três horas diante de um teste caseiro de gravidez.

Aos vinte e dois descobri também que havia chegado o dia em que menstruar não seria uma chateação, mas um alívio.

Aos vinte e três descobri que três horas parecem três minutos ao lado do cara certo.

Aos vinte e três também descobri o quanto o cara certo pode estar errado.

Aos vinte e cinco descobri que não tinha nascido para ter cabelos compridos.

Aos vinte e oito descobri que seria escrava da tintura castanho médio da L'Oreal para sempre.

Aos trinta descobri que o amor pode ser tranquilo.

Fiz trinta e dois sexta-feira passada, e descobri que ainda não sei passar protetor solar direito. Tá ardendo, tia!

Comentários

  1. HAHAHA! A do protetor é a melhor! Dá-lhe Caladryl!
    Sério, muito lindo, e tudo faz muito sentido. Pena que a gente só descobre na porrada, mesmo.
    Beijo enorme e parabéns!!! :)

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  2. Putz, vou ser piegas: que lindo seu texto!

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