terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Sobre livros

Para alguém que ama livros eu mantenho uma atitude bem peculiar com os meus. Não me apego a eles (com exceção, obviamente, das obras completas do Lewis Carroll na linda capa dura amarela). Gosto de emprestá-los, ou melhor, faço questão de emprestá-los de coração tão aberto que não me importo que eles não voltem, desde que façam tanta diferença para quem os levou quanto fizeram pra mim. Perdi a conta de quantos livros eu vi desaparecer das minhas prateleiras, mas como tudo é questão de reciprocidade no universo os volumes que se foram nunca deixaram um espaço vazio - foram sempre preenchidos por outros, surgidos misteriosamente, emprestados por alguém que nunca os pediu de volta. Porque se você me emprestar um livro terá que pedi-lo de volta e eu o devolverei sem mágoa nenhuma. Mas ninguém nunca me pediu.

Se eu gosto de um livro quero compartilhá-lo. Preciso fazê-lo. Da minha estante já se foram, para nunca mais voltar, "Jangada de Pedra" e "Todos os nomes", do Saramago, "O Senhor das moscas", "Espere a primavera, Bandini", "O mundo de Sofia", "O apanhador no campo de centeio", "Por quem os sinos dobram", "O túnel", "Demian" e tantos outros. Não tenho a menor idéia de quem os tem agora, mas não importa. O que importa é que outra pessoa deve ter gostado tanto deles quanto eu, mas um retorno positivo é sempre bem-vindo.

Como hoje de manhã, quando uma pessoa muito querida me escreveu um e-mail todo delicado me agradecendo depois de terminar de ler "A menina que roubava livros". Este livro não foi exatamente compartilhado, mantive meu exemplar (que também me fora dado por um amigo querido) e comprei um novo para presentear no natal.

É pra isso que servem os livros. Para dividir alegria, para deixar um dia meio morto com uma carinha mais saudável. E só custou um muito obrigado.

2 comentários:

  1. Um colega de trabalho resolveu tomar uma atitude em relação ao livros deles: não os empresta de jeito nenhum "porque não voltam".

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  2. Eu tb concordava com a colega da Bruna. MOR-RO de ciúmes dos meus livros, mas hj já consigo me desapegar. O problema é que, pra comprar outro exemplar, alguns deles não são tão baratos assim.
    Mas a felicidade que me dá quando alguém gosta de um livro supera tudo isso.
    Beijos!

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