quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Desengolindo os sapos

Oi seus lindos, tudo bem?

Antes de prosseguirmos acho bom dar um avisinho: se você veio hoje procurando os textos engraçadinhos habituais, pode pular esse aqui e voltar semana que vem - hoje eu vou falar sério.

Eu até entendo a cabeça das pessoas, sabem? Eu entendo que nós fomos programados, desde os tempos das cavernas, talvez, a acreditar que é assim que as coisas funcionam. Eu entendo por que eu já estive desse lado.

Eu também já achei que, porque uma menina deitou ao lado de um cara, ela necessariamente vai ter que ficar com ele.
Eu já acreditei, um dia, que uma garota de saia curta está pedindo para um sujeito mexer com ela.
Eu já tive plena convicção de que se um homem bolina uma mulher apagada de bêbada o problema é dela, que é adulta e assumiu as consequências de tomar um porre.

Mas eu mudei. Eu evoluí. Eu não permiti que décadas de ideias erradas me transformassem numa pessoa que não consegue ver a gravidade das coisas.

Não estou irritada nem com raiva das pessoas. Ninguém tem culpa de ter sido criado e educado dentro de padrões equivocados. Mas tem culpa de não se informar e não tentar aceitar que, olha, de repente não é como você sempre acreditou. E eu sei que é difícil se despir de tudo que a gente sempre achou que fosse verdade absoluta. Chega a doer. Mas vale a pena.

P.S.: O fato de ter acontecido no Big Brother, realidade supostamente frequentada por "gente inferior", não muda em absolutamente nada a situação. Podia ter acontecido em qualquer lugar. Na festa de formatura da faculdade. Ou naquela casa em Peruíbe que você dividiu com 20 pessoas no carnaval de 2003.

P.P.S.: Se a moça diz que foi consensual, ok. Melhor pra ela. O que me assusta são as reações do tipo "mas mesmo que não fosse, a culpa é dela." ou "vocês estão exagerando, foi só uma bolinadinha." Nunca é só uma bolinadinha, beijos.

6 comentários:

  1. são essas "bolinadinhas" que podem acabar com a vida de alguém.
    queria ver se fossem com a filha deles.

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  2. Olha,acho que você está coberta de razão em não aceitar o senso-comum: "mulher assanhada quer ser estuprada".Mas nem dá pra gente julgar a situação: mal se podem ver as imagens, a menina não acusou o cara e a gente nem ouviu o que ele tem a dizer. Sinceramente, seria errado agora julgar o moço, por uma coisa que a gente nem viu, que pode ter sido simulada. Mais uma vez reafirmo: sorte do kassab, porque a galera esqueceu da crackolândia e mais uma vez polemizou um assunto de que pouco sabia e reproduziu na internet, sem qualque reflexão. Mas, entendo também, que seu post não é sobre o fato em si, mas sobre os discursos que circulam na net.

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  3. Bruna, tem mais de 20 minutos de movimentação. Ela está parada o tempo todo. Quando questionada ela disse que não se lembrava de nada e, no dia seguinte, orientada pelos advogados da Globo, ela diz que foi consensual.
    Como eu critiquei na na nossa última conversa no café, eu não estou polemizando sem saber. Aliás, eu evitei falar qualquer coisa até agora exatamente para não apontar o dedo na cara do fulano com a pecha pesadíssima de estuprador.
    Sim, não dá pra saber exatamente o que aconteceu. Sim, é preciso que haja apuração. E não, não acho que seja um fato menor que o problema da cracolândia, é só outro problema.
    O que me deixa chocada é a reprodução em massa de piadinhas idiotas, vindas, pasme, quase que exclusivamente de mulheres.

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  4. eu nem falo mais nesse assunto porque as coisas absurdas que são ditas me cansam, me deixam com medo do mundo. é machismo, é racismo, é um inferno.

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  5. Ai, Bruna, deixa pra lá. Talvez eu esteja dando mais atenção ou me incomodando mais do que eu deveria. Mas um convite para ir ao samba eu aceito!

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