terça-feira, 15 de junho de 2010

A cada quatro anos

Em 78 eu cheguei cinco meses atrasada para o evento.

Em 82 eu estava ocupada demais desenhando nas paredes da sala e não tive tempo de acompanhar toda a movimentação.

Em 86 eu me lembro de um domingo (devia ser domingo, pois eu estava em São Caetano na casa da minha tia). Lembro de estar no colo do meu pai, entre meu tio e minha mãe. Lembro de um pênalti perdido (França? Itália?) e do meu pai e meu tio se segurando para não falar palavrão na frente das crianças.

Em 90 devia ser dia de semana, pois meu pai não estava. Lembro de deitar no canto entre a parede e a cama no quarto da minha mãe, com minha irmã e o vizinho de cima. Lembro que era contra a Argentina. Lembro de um gol dos hermanos e de um chinelo atirado na TV em um momento de indignação.

Em 94 meu pai, um homem sábio, não me deixou ir à Paulista comemorar com meus primos.

Em 98 meu pai não estava mais por perto mas houve churrasco, porradinha com vodca vagabunda, um francês FDP e marmanjos chorando feito criança.

Em 2002 houve madrugadas em claro, briga de bar no jogo contra a Inglaterra e litros de chope as oito da manhã na final.

Em 2006 o Bussunda morreu e eu passei o último jogo em um velório.

Em 2010 faço questão – Ainda que muita gente se ache superior por detestar, Copa do Mundo pra mim não pode, não deve passar em branco. Até a final, Brasil, pra gente ter mais dias de trabalho pra enforcar.

Um comentário:

  1. Em 94 eu estava grávida. 9 meses. Quando o Baggio foi bater o penalti saímos todos da sala. Considerávamos perdida a copa. Só minha irmã acreditou. E gritou GOOOOLLLL mais ou menos uns 2 minutos depois que o locutor já tinha gritado. A ficha demorou a cair.

    O resto da tarde/noite foi recebendo telefonemas pra saber se minha filha já tinha nascido.

    A de 2002, nunca fiquei tantas vezes tão bêbada pela manhã. E fui ver os jogadores chegando na Esplanada. Acabou a cerveja dos supermercados num raio de 10km do local. A cerveja era vendida quente pq ninguém esperava tanta gente, esperando por tanto tempo os jogadores chegarem.

    E agora, em 2010, tomara que eles vençam. Tomara que eu possa levar meus filhos pra ver os jogadores na Esplanada dos Ministérios.

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