quinta-feira, 24 de junho de 2010

Histórias de Copa

Lembrei de uma história bem oportuna para essa época. 2002, copa do mundo no Japão e Coréia. Geral acordando de madrugada para assistir aos jogos da seleção e xingando que não dava para matar o trabalho. Eis que o Brasil chega na final contra a Alemanha. Jogo no domingo, tipo sete horas da manhã.

Eu e minha irmã estávamos na casa da minha mãe no interior. Combinamos de ver o jogo no vizinho, sem esculhambação já que era muito cedo e tudo. Mas aí nossos amigos bebuns não colaboram e um deles, dono de uma pizzaria na cidade, nos telefona no intervalo - vem pra cá que eu abri a chopeira!

E daí que não eram nem nove da manhã? Se um cidadão de bem não pode se comportar como um vagabundo irresponsável em uma final de Copa do mundo, quando vai poder, não é mesmo? Toca para a pizzaria. E toca encher a cara muuuito antes do meio dia. E toca seguir bebendo depois do apito final. E toca pegar uma kombi velha do pai de não sei quem, encher de bêbados e sair pela cidade batendo na lataria, porque senso de ridículo é para os fracos. Depois de horas naquele estado deplorável e vendo que a bagunça no centro da cidade ameaçava miar, alguém teve a idéia mais brilhante de todas - pegar a kombi e ir até a cidade vizinha, onde, diziam, a festa estava mais animada.

Claro, mas antes decidimos (eu e irmã) passar em casa. Precisávamos de um banho, almoço e roupas limpas para seguir em frente. Mal abri o portão minha irmã subitamente se lembrou de que sua última refeição tinha sido uma porção de provolone na pizzaria do nosso amigo, cerca de cinco horas antes, e correu em desabalada carreira em direção à cozinha. Lá, deparou-se com uma fumegante panela de feijoada e atirou-se a ela como a uma tábua de salvação. Enquanto ela batia aquele prato de pedreiro minha mãe entrou na cozinha e reparou em um detalhe que até então passara despercebido por nós duas:

"Patrícia, onde está sua calça?"

Só então minha irmã percebeu que, realmente, naquele momento, ela não vestia a parte de baixo do seu traje. Desesperou-se:

"Minha calça? Sei lá onde está minha calça!" Começou a chorar, mas sem desgrudar do prato de feijoada "Porra, mãe, perdi minha calça!"

Inconformada com a situação, dona Neide vai até a varanda e retorna, pouco depois, com um jeans nas mãos:

"Estava na porta da sala, sua pinguça! Ave Maria, que vergonha!"

Patrícia respira aliviada se segue comendo. Cinco segundos depois começa a chorar de novo:

"E a minha bandeira do Brasil? Porra, perdi minha bandeira!"

E esta realmente não foi mais encontrada. Preciso responder se conseguimos sair de casa depois dessa?

5 comentários:

  1. HAHAHAHAHAHA! A cara da Paty fazer isso! Mas agora não mais, que ela é uma senhora casada...
    Beijos a eles!

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  2. Nossa!
    Essa foi ótema! Irmãs servem pra isso mesmo né?

    A minha final de 2002 também foi superbacana.
    Só vou dizer que dps de beber o dia inteiro (eu e minha irmã) fomos ao Porão do Rock (ROCK em negrito, por favor) cantando "a lenda dessa paixão..." completamente roucas... dentre outras loucuras.

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