segunda-feira, 21 de junho de 2010

Meme literário: 10 livros

Vi no blog da Amanda e não resisti, pois taí uma coisa que eu amo - livros. Lá vai:


O livro que você mais gostou

Não consigo escolher um livro só, porque os meus contos preferidos do Cortázar estão espalhados em volumes diferentes, mas o argentino tinha que estar na minha lista. Ler Cortázar é uma viagem, é assustador, emocionante, recompensador. No começo não é fácil, dá um certo trabalho, um estranhamento. Mas no final vale cada linha.

Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano por tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.
Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio.
Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura.
Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella.
Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mi como una luna en el agua.

(O jogo da amarelinha)


O livro que você mais odiou

O Xangô de Baker Street – Jô Soares. Taí um livro que é um desperdício, pois parte de um pressuposto ultrainteressante e tinha tudo para ser divertidíssimo, mas é chato. Irremediavelmente chato. É ler e ter a impressão que única coisa que o Jô Soares quer é nos mostrar como ele sabe tudo sobre qualquer assunto e como ele teve trabalho pesquisando cada detalhe milimétrico das histórias do Sherlock Holmes e da vida no Rio de Janeiro no século XIX. Fique puta ao ver uma história tão legal ser atropelada pelo ego do gordo.

O livro mais barato que você comprou


Demian – Hermann Hesse. Eu tenho um tio muito querido, engraçado, paciente, bom cozinheiro, culto e me lembro de, quando criança, ter visto vários livros do Hermann Hesse na prateleira dele. Quando vi esse livro no chão, em cima de um plástico, no meu caminho até a Barra Funda, lembrei dele na hora e não pensei duas vezes. O vendedor queria dez reais mas não tinha troco pra cinquenta – acabou me vendendo por cinco.
Foi há um tempão, então me lembro pouco da história – lembro que é um livro forte e bonito. Queria ler outra vez, mas perdi meu exemplar numa das minhas muitas mudanças.

O livro mais caro que você comprou

Casa Grande e Senzala – Gilberto Freyre. Como eu compro muito livro em sebo e adoro um pocket, meu livro mais caro nem foi tão caro assim. Acho que é mais uma questão de custo-benefício. Comprei para fazer um trabalho de Literatura Brasileira V na faculdade, imaginem. Era uma matéria optativa, faltavam pouquíssimos créditos para eu me formar e eu sei lá o que me deu na cabeça de comprar um livro caro e que eu podia tranquilamente ter emprestado da biblioteca. Achei que seria um bom investimento, sei lá. Talvez fosse, se eu fosse socióloga, não professora de inglês, né?
Enfim, li dois capítulos, abandonei a matéria e esse tijolão, por incrível que pareça, sobreviveu às mudanças e continua na minha estante.

O livro que mais te fez ter a atenção nele
O Senhor das Moscas – William Golding. Eu tinha acabado de ler “O apanhador no campo de centeio” e comentei com um professor de inglês, que me disse: “Quer se surpreender mesmo? Leia O Senhor das moscas”. Peguei o livro sem pretensão nenhuma e acabei lendo em dois dias, sem parar. É realmente surpreendente, original e tenso, muito tenso. Fala do despertar da agressividade em um grupo de meninos perdidos em uma ilha (e apesar de não ter assistido Lost sinto que eles beberam um pouco nessa fonte). Não tem como largar antes do final.


O livro que menos te fez ter a atenção nele

O Estrangulador – Manuel Vázquez Montalbán. Um amigo me emprestou porque ele adorava. É cheio de referências,o que eu acho ótimo, é sempre uma oportunidade de ir atrás de coisas novas. Mas no caso deste aqui são tantas, tantas, e tão obscuras que chega um momento em que a gente começa a achar que o autor está tirando uma a nossa cara, rindo da nossa ignorância. E começa a dar preguiça de procurar tudo e a gente acaba ficando perdido. Enfim, terminei de ler assim, nas coxas, para poder devolver logo (porque meu amigo realmente gostava do livro) e não prestei a menor atenção.

O livro que você mais recomenda

O Túnel – Ernesto Sábato. Recomendo porque Sábato é um escritor argentino não muito conhecido por aqui (pelo menos tenho a impressão que não) e o Túnel é um dos livros mais fodas que eu já li. Começa com o personagem principal na cadeia confessando um assassinato. A partir daí ele começa a descrever as situações que o levaram a cometer este crime (o ciúme que ele sentia da amante) e é impossível não se identificar com as pequenas neuroses cotidianas que culminaram naquele ato extremo. E aí é que está a genialidade da coisa – dá uma aflição terrível se identificar com um cara que desde o começo nós já sabemos que matou alguém.

O livro que você menos recomenda

As vinhas da ira – John Steinbeck. Há pouco tempo falei deste livro para uma amiga e comentei que era o Vidas Secas americano. É a história de uma família de pequenos produtores rurais que, em plena Depressão, decide abandonar o miserê do meio-oeste dos Estados Unidos para tentar a sorte na Califórnia. São mais de 600 páginas do mais puro sofrimento, não porque o livro é ruim, mas pela sucessão de desgraças que acontecem na história. O final deve ser o mais triste que eu já li, fácil. Se você não é masoquista, passe longe.
Detalhe: essa capa aí ao lado é a edição que eu li, do meu pai, aquelas capas duras do Círculo do Livro.

A série que você mais gosta

Para gostar de ler. Amo essa coleção. É feita para ensino fundamental (quinta a oitava série) e faz exatamente o que ela se propõe – ensina a ler. Através dela na sexta, sétima série, conheci Drummond, Rubem Braga, Lygia Fagundes Telles, Luís Fernando Veríssimo, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Stanislaw Ponte Preta, enfim, a nata do conto e da crônica brasileira. É delicioso, inclusive para adultos.

O livro mais velho que você já leu

A Odisséia – Homero. Não se sabe exatamente quando ele foi escrito, mas diz que foi antes de Cristo, então bota velho nisso. E é um livro ótimo, muito, mas muito legal mesmo, com uma história comprida e cheia de detalhes dos quais eu não lembro direito. Mas o grande barato de ler os clássicos gregos é descobrir que milhares de referências que nós temos até hoje vieram dali, de algo que foi escrito há tanto tempo.

3 comentários:

  1. O Sabato (O Túnel) foi você que me apresentou. Curti muito. E eu depois acabei lendo um "sobre heróis e tumbas" ou algo assim, que eu li por uma questão de honra 5oo chatas páginas.

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  2. Estou doida pra fazer esse meme também, mas estou guardando pro mês que vem, pros posts de julho ficarem mais interessantes

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  3. Queria ter um blog só pra fazer um post igual!

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