segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"Balada"

Amiga minha fez aniversário e alegou que não queria fazer "programa de velho" tipo sentar num bar e ficar enchendo a cara como todos os anos. Optou pela famigerada "balada".

Eu pisei numa "balada" pela última vez há exatos dois anos e meio e apenas com o nobre objetivo de beijar Queridão, que viria em seguida a se tornar meu namorado. Porque eu não gosto de "balada". Eu não gosto da música, não gosto das filas, não gosto da bebida cara e detesto o tipo de gente que costuma ir a estes lugares. Uma "balada" é o único lugar onde a máxima de tratar bem o consumidor não vale - os frequentadores são tratados como lixo e ainda assim voltam toda semana.

Enfim, amiga decidiu reunir as pessoas em uma casa noturna muito famosa no interior paulista. Queridão acionou seus contatos no local e nos conseguiu entradas vip para o camarote, não sem antes ser aconselhado a chegar cedo. Enrolados com outros compromissos, não conseguimos aparecer no local antes da meia noite, e nos deparamos com a tradicional fila quilométrica - sim, a vip. A fila dos pagantes era um quarto. Fazia frio, a paciência já estava pela metade e decidimos pegar a fila pagante já que por lá ainda pratica-se a consumação e beber nós iríamos mesmo. Ainda assim foi tudo de uma desorganização absurda - em determinado momento abrimos espaço para que um cadeirante entrasse e junto com ele cerca de dez pessoas aproveitaram a brecha para passar na nossa frente. O segurança? Nem tchum. Nível de paciência desceu mais um pouquinho.Peguei minha comanda e fiquei esperando queridão pegar a dele. Segurança foi me empurrando pra dentro: "Não pode ficar aqui fora, dá treta, dá treta." Quase gritei: "Só se der treta pra você, pra mim não vai dar nada!"

Encontrei amiga lá dentro. Primeiro comentário: "Menina, como tem biscate e mano nessa balada!". Tive que concordar. Uma breve olhada pelo local confirmava a impressão - 90% das mulheres presentes se vestiam como putas e 90% dos caras como michês. Me senti numa festa "Pimps and Whores" lá da faculdade circa 2001. Fora que, antes de pegar qualquer menina lá dentro eu aconselharia aos rapazes que pedissem a identidade dela. Parecia excursão ao Playcenter meets Pussycat dolls. Nível de paciência descendo.

Balada errada, alguém me dirá. Bom, eu não frequentos esse tipo de lugar - não sei quais são os certos e nem tenho muito interesse. Queridão foi ao bar e voltou com uma vodca mais batizada que a gasolina do posto do Zelão na vila Xurupita. Que deve ter custado 20 reais a dose. A medida que o lugar foi lotando foi ficando mais difícil a convivência. Nível de paciência zerou. Decidimos que estávamos velhos demais para aquilo e fomos pra casa antes que a fila do pagamento se tornasse mais um desafio épico e ainda encaramos a clássica dupla de moleques bêbados questionando comanda no caixa.

É isso, estou velha. E como tal, devo fazer programas de velho - passar a noite sentada, comendo, bebendo de verdade e a um preço um pouquinho mais honesto, sem fila, sem bêbado passando a mão na minha bunda, sem ter que disputar espelho de banheiro com meninas tirando foto, sem segurança mal humorado. Old age, here I go.

4 comentários:

  1. Eu confesso que precisei chegar aos 24 anos pra perceber que as baladas são isso aí. E me lembro exatamente o dia e o local: The Edge, Barra Funda,2006. Mas você, senhorita, já havia percebido isso em nossa mais tenra idade. Remember?

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  2. Hehe, pois é, Bruna. O que a gente não faz pelos amigos, né não?

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  3. É...

    Estamos velhas.
    Mas eu ainda topo um Pub com música bacana. Ocasionalmente... aliás, se depender de Marido, muuuuuuiiiito ocasionalmente.

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  4. Na minha opinião, perceber que "balada = mico" não é nem questão de velhice, e sim de bom senso (e tem muita gente por aí que chega aos 40 sem juntar nem um pingo).

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