segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A capital federal

Se a gente for parar para pensar, a idéia toda de Brasília é uma loucura. Coisa de nêgo megalomaníaco mesmo. Ir lá pros cafundós do Brasil, no meio do nada, só pó, e erguer uma cidade daquele naipe, só com uma mania de grandeza daquelas que nem Freud daria jeito.
Pois seu JK fez. E cinquenta anos depois minha irmã resolveu se instalar naquela terra atrás do marido funcionário do banco do Brasil. Porque lá, se não é funcionário público, está tentando ser. E a cidade é bonita, né? Diferente das que a gente está acostumado, diferente do aperto de São Paulo, com nossas ruas estreitas comportando duzentas faixas para carros. Porque na capital federal, onde paulistano enfia cinco faixas eles colocam três. E roda-se que é uma beleza.
Há claro, a secura, a terra vermelha que entra nos pulmões, nos olhos, nos cabelos, há fixação que aquele pessoal tem com carros amarelos - nunca vi tantos num lugar só. Mas no geral gostei bastante. Fiz os programinhas de turista, congresso, catedral, palácio da Alvorada. A simetria, a perfeição, tudo tão ajeitadinho, impressionaram essa paulistana acostumada com a bagunça e a sujeira dessa metrópole.

Mas Brasília para mim é na verdade agora um cenário de novela mexicana. Desde que a minha irmã se mudou, em Junho, ela e minha mãe se comportam como se ela tivesse ido para a Finlândia,e não para um lugar a uma hora e meia de avião daqui. Ela chora quando eu chego, chora quando eu vou embora, chora se eu não telefono dzendo que cheguei bem. Minha mãe chora porque não está lá com as duas juntas, chora quando não está aqui, chora quando fica muito tempo lá longe daqui. E eu, que não choro, sou o monstro sem sentimentos.

Brasília, eu sei que você não tem nada a ver com isso, mas desse jeito vai ficar difícil gostar de verdade de você, viu?

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