quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Dia dos pais

Reunião no colégio discute os eventos do ano todo, inclusive os distantes, como dia dos pais. Alguém sugere um jogo de futebol. Outra veta, alegando que pode sair briga (justo, já que homens em torno de uma bola voltam a ter dez anos de idade). Por mim, acho que o evento ideal seria um campeonato de truco e uma garrafa de uísque de presente, mas guardo minha opinião e sigo ouvindo. Lembrei do pai do Chris (Everybody hates Chris, gênio), que de dia dos pais pediu para ficar em paz. Acho que os nossos gostariam disso também. Podíamos fazer um evento na escola só para as mães e para as crianças e deixar os homens em casa, assistindo futebol de cueca.

Na falta de idéias consistentes, começou-se a discutir as opções de presente que a escola envia todo ano. Entre canecas, kit-churrasco e chinelos, uma professora se manifestou dizendo que um chaveiro com a foto da criança, sugerido anteriormente, era um presente "meio chinfrim".

Prazer, eu fui criança nos anos 80. Meu pai, naquele tempo, recebeu da escola presentes que fariam o chaveiro estufar o peito de orgulho.

Houve a escova de sapatos, decorada por mim mesma com tinta plástica em cores que fariam Pollock se morder de inveja. Não que seu Adelphi tenha, algum dia na vida, engraxado os próprios calçados.

Mas a dona escova sentia-se sozinha no armário, pobrezinha. Para sua alegria, no ano seguinte, ela ganhou um companheiro - o sr. cabide de madeira, igualmente coberto com tinta em cores escalafobéticas. Imagino a satisfação das camisas do meu pai diante de tão bela companhia.

E o que dizer da flanela? Num ano de menos sorte, meu genitor tornou-se o feliz proprietário de uma flanela decorada com uma belíssima impressão a guache da minha mãozinha. Um presente com uma utilidade tão óbvia que agora me escapa. Isso sem mencionar os porta-lápis de palito de sorvete e os igualmente pavorosos presentes de dia das mães, como uma tábua de bater carne na qual lia-se um "Mamãe te amo" pirografado.

Pais de hoje, diante de uma caneca borrada, sorriam e pensem em seus predecessores - vocês têm sorte.

2 comentários:

  1. e os igualmente pavorosos presentes de dia das mães, como uma tábua de bater carne na qual lia-se um "Mamãe te amo" pirografado.

    A minah tá guardada até hoje na gaveta da cozinha, GENTE?

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  2. Eu já fiz um CINZEIRO de uma massinha gosmenta e depois pintei como se tivesse acabado de fugir da APAE. Papai deve ter amado.

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