sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Oi, tô produtiva hoje?

Dedico este post ao meu professor de teoria da tradução back in 2004. Ele era (é?) um senhorzinho norueguês fofuxo, com cara de papai noel se este tivesse desistido da barba e deixado só bigode, com uns olhos azuis daqueles que devem ter derrubado mocinhas inocentes lá pelos anos 50 e uma bunda enorme. Sério, nem combinava um senhorzinho norueguês com aquela bunda de passista da Beija-Flor. Eu rezava para ele não ir às aulas de calça clara, porque eu era a nerds (mentira, era cegueta mesmo) que sentava na primeira fileira e tinha dificuldade de me concentrar quando ele aparecia de calça bege. Porque, gente, era mesmo uma bunda muito fora de lugar.
Olha minha dificuldade de concentração se manifestando. Perdi um parágrafo falando da traseira do dr. norueguês. Enfim, devo a ele o pouquinho que sei sobre tradução (era matéria optativa) e algumas histórias bem boas que qualquer dia eu conto. Lembro do sofrimento que eram as traduções que ele nos mandava, dos incontáveis e-mails trocados no grupo da yahoo discutindo possibilidades, soluções, palavras mais adequadas. Este professor me ensinou que tradução pode ser um trabalho delicioso, mas é difícil, trabalhoso e deve ser feito com muito cuidado porque quando uma pessoa traduz um texto, está na verdade o reescrevendo. E olha a responsabilidade de reescrever o texto de outra pessoa. Lembrei dele na hora quando li este post no Querido Leitor.

Gente? Como assim um tradutor profissional, que deve ter sido bem pago pra traduzir um livro que tem cara de best-seller, traduz "We ran like the fucking Nile", como "Corremos mais que o fodido do Rio Nilo" ? Alguém faz um favor e introduz a noção de uso para essa pessoa? Porque, né? Vocês vão me ver cantando Meteoro da Paixão no meio da galera no rodeio de Osasco antes de ouvir algum brasileiro dizer: "O fodido do meu carro quebrou de novo" ou "Aquela fodida daquela professora me deixou de recuperação." 

E não foi a primeira vez, heim? As primeiras edições de Harry Potter vinham com "spelling books" traduzidos como "livros de soletração." Livros de fucking soletração. Num.livro.sobre.magia.

Já pode ir lá reivindicar o emprego desse povo?

3 comentários:

  1. Nunca vou me esquecer de um filme do Mel Gibon no qual ele estava assistindo um jogo de basquete e na legenda aparecia "moça, moça, moça, moça".

    Alguns segundos depois notei que ele estava dizendo "miss, miss, miss, miss" e o tradutor tinha um senso de humor muito distorcido.

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  2. LIVROS DE SOLETRAÇÃO, hahaha. É quase tão ruim como o "acessório de crime" e os "arenques vermelhos" que constam nas legendas de algum filme baseado em Agatha Christie, acho que Witness for the Prosecution.

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