segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Parte I - Espanha

Namorado observou com bastante propriedade que tirei muitíssimo mais fotos de Valls que de Madri. Porque sou dessas.

Situada a cerca de uma hora de Barcelona, Valls não é exatamente o que se pode chamar de "Espanha profunda", mas com seus 20 mil habitantes e praças com restos de pedras que datam do ano de 1300 (a cidade, segundo meu sogro, nascido ali há 77 anos, data do ano 800), ela não deixa de ser um assombro para essa moça vinda de um país que acabou de completar 500 anos. A medida que nos afastávamos de Madri a paisagem ganhava contornos diferentes, com touros gigantes no alto das colinas, casas de pedra ao fundo, novas cores nas árvores amarelas que crescem à beira do caminho (avelãs, disse o namorado sem muita certeza). Na cidade, bandeiras listradas de vermelho e amarelo pendem das sacadas centenárias e nas placas e no rádio surge uma língua bonita e estranha cheia de tês e de ós. Uma filha rebelde do Francês  e do Espanhol, o Catalão é cheio de personalidade e, para mim, um mistério completo. Os nativos se esforçavam para falar castelhano perto da brasileira que não sabe nada da língua deles de verdade. Eu vejo que não fácil para eles e agradeço a atenção enquanto aprendo um bona nit aqui, um si us plau ali.

Tô mentindo não, olha o touro gigante aí.

 A praça com pedras de 700 anos

De Valls seguimos para Masmollets, um vilarejo com meia dúzia de casas de pedra e um restaurante no qual sou apresentada à calçotada. A calçotada é o tipo de coisa que você só vai comer se conhecer um nativo de lá, pois é servida exclusivamente ali, entre Novembro e Janeiro. Trata-se de um tipo de cebola cultivada na região de um jeito que a deixa comprida e fina, com um formato próximo ao de uma cenoura. Só cresce no frio. Ela é cozida na brasa e comida com a mão, retirando-se a casca e a mergulhando inteira em um molho especial. Chega à mesa em enorme quantidade, faz um sujeira danada e é deliciosa. Para acompanhar, vinho servido no purrón, uma jarra coletiva da qual todos bebem mirando o líquido que sai do bico fininho sem encostar os lábios no mesmo. Eu não me arrisco e fico com a taça. Come-se calçotada até não poder mais e em seguida ainda temos cordeiro, alcachofra, linguiça e butifarra negra, uma espécie de embutido feito com sangue (esse eu pulei). De sobremesa, crema catalana, a versão deles do creme brulée. É toda uma celebração em torno da comida que é bonito de ver. Eu como demais, bebo demais, e volto para o hotel com a sensação de ter participado de alguma coisa especial.

Masmollets

 Calçots esperando para ir para a brasa

Calçots prontinhos para ser comidos e o purrón no meio

Daí a coisa das fotos. Madri é linda, opulenta. Ela se coloca na sua frente como aquela coisa monumental e diz: "Me admire". Valls e Barcelona, para onde rumei no dia seguinte, por outro lado, te abraçam e dizem: "que bom que você veio, fique a vontade." E a gente fica.

Sempre fui fascinada pela terra de Gaudí e ela não me decepcionou em momento algum. Apesar de ter o arquiteto por todos os lados Barcelona é muio mais que as curvas e mosaicos que ele criou. É lindíssima, amigável, acolhedora. Não é aquela cidade na qual você tropeça em turistas por todos os lados (menos na Sagrada Famíla, claro), é um lugar para realmente entrar no clima dos moradores de lá. Deixar a câmera de lado um pouco e enxergar a cidade como só olhos (e não as lentes) conseguem. Comer tortillas de todos os jeitos, descobrir que misto-quente lá chama biquíni e andar, andar, andar muito. Barcelona merece que você veja cada pedacinho dela.

Momento "foto de turista" em La Rambla 

Daí você está andando e tropeça em Gaudí, esse lindo .

Sim, eu tiro fotos de gatos aleatórios. Esse estava na lojinha de cacarecos do parque Güel.

E Barcelona me deu o show do Mika num lugar pequenininho e cheio de adolescentes. Só por isso ela já moraria o meu coração pra sempre.

Dá um sorrisinho, bé, vamos ver o Mika daqui a pouquinho.

(L) (L) (L) (L) (L)

No próximo capítulo - França.

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