sábado, 19 de julho de 2014

Coisas que só quem cresceu na igreja católica vai entender

Tempos atrás uma moça do trabalho que frequenta a igreja Batista resolveu me perguntar coisas sobre a igreja católica tipo "por que vocês acendem velas?" ou "o que é aquela bolachinha branca que vocês comem?" Achei engraçado ela ter me incluído nas perguntas já que última vez que eu fui à missa foi há 4 anos e foi sem querer. Um amigo do namorado se casou e, sendo muito católico, fez a cerimônia com missa completa, calculem meu desespero. Daí ontem um lindo postou esse link http://www.buzzfeed.com/norbertobriceno/things-people-who-grew-up-going-to-catholic-church-will-u?s=mobile no facebook e eu só pude: rir.

Só quem cresceu indo à igreja católica vai entender a alegria de ouvir o padre anunciando os recados da paróquia porque recados = missa terminando. E o drama da hóstia - pode morder? Eu achava que morder a hóstia era como mastigar Jesus, então eu a apertava com a língua contra o céu da boca e ficava aquela massaroca grudada, um horror. Tinha também o constrangimento de cumprimentar estranhos na hora do "paz de Cristo" - qual é o número mínimo? Pode cumprimentar só a mãe? Se o crush sentar perto pode aproveitar e dar um beijinho no rosto ou é só a mão mesmo? 

E a catequese? Quem fez catequese entende a invejinha dos colegas que são escolhidos para fazer as leituras lá na frente. Ou, no meu caso, o alívio de não ter sido eu. Quem fez catequese sabe como é chegar bem quietinho e sentar no fundão para evitar o olhar reprobatório da catequista na missa seguinte quando faltou na missa anterior. E confissão  antes da primeira comunhão gente, qual o propósito? Calculem os pecados terríveis que uma criança de 11 anos cometeu na vida:
"Padre, eu colei na prova, fiz uma caricatura da professora e belisquei minha irmã."

Quem cresceu indo à missa conhece as técnicas de fingir que sabe a letra daquele hino que não está no folheto, de ajoelhar sentado, de simular gripe na missa de sábado de aleluia, também conhecida como "missa infinita". Também já quis ser o anjinho da procissão, já bateu de porta em porta arrecadando prenda para o bingo, já foi a Aparecida acender vela do seu tamanho pra pagar promessa da avó, já se confundiu com o sinal da cruz. 

Eu me confundo até hoje. Mas eu não vou mais à igreja. Só se for sem querer.

Um comentário:

  1. Eu poderia ter escrito esse post! Minha experiência é idêntica, juro!

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