segunda-feira, 3 de agosto de 2015

As palavras do meu pai

Caso alguém não tenha lido a home da UOL hoje, o Zé Dirceu foi preso de novo em uma operação chamada Pixuleco. Porque não basta ir para a cadeia, ainda tem a humilhação de ser pego em uma operação batizada com o nome do irmão craqueiro do Fuleco. 

Essa história toda apertou um botãzinho aqui na minha memória. Porque Pixuleco era uma palavra do meu pai. 

Sim, meu pai tinha palavras que eram só dele. Pelo menos era assim que eu as encarava quando era criança porque ele era a única pessoa que as usava. Pixuleco era uma delas: era como meu pai se referia a pouco dinheiro. Uma coisa barata tinha custado "uns pixulecos". Se eu queria um sorvete ele dizia: "vê aí se tem uns pixulecos na minha carteira". 

Para o meu pai as pessoas não ficavam tristes: ficavam sorumbáticas ou macambúzias, o que é absurdamente mais sério do que estar só #chateada. E aos domingos, dia de passear no meu lugar preferido do mundo, a feirinha do Masp (sim, eu era uma criança esquisita), ele me acordava de manhã dizendo "Vai tomar banho, Paulinha, que hoje é dia de ver os numismatas e os filatelistas", embora as barraquinhas de moedas e de selos nunca tenham sido minhas preferidas. E para o seu Adelphi os lugares não ficavam longe: ficavam na casa do chapéu.

É engraçado ver uma palavra que pra mim era só dele por aí, na boca de todo mundo. É reconfortante. também. É como se um pedacinho dele tivesse voltado para me dar um oi. 




2 comentários:

  1. <3

    Um beijo enorme pra ti! De agora em diante sempre vou lembrar de voce e do seu pai quando ler sobre o pixuleco... =D

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  2. nunca ouvi pixuleco, mas uso macambúzia o tempo todo. hahahaha



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