quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Para Amanda

Amanda é libriana como a mãe dela, mas família Foltran Borges não liga pra essas coisas de signo não. Ela tem oito anos e gosta de Frozen, de desenhar e do livro da menina bonita do laço de fita. Também gosta de coentro e uva passa na comida, é das minhas, essa garota. Ela fala rapidinho, com os rr de carioca, eu falo porta do interior de São Paulo. Ela calça 34 e usa roupas tamanho 12: vai ser alta como eu, a minha sobrinha. Talvez mais. Ontem assistiu Mulan e já roubou a camiseta da mãe que diz "Fight like a girl".

Doutrinada com sucesso (Pra quem quiser: a camiseta é daqui)

Quem adota uma criança mais velha perde algumas primeiras vezes (primeiros passos, primeiras palavras, etc). Mas a vida, gente, ela é essa sucessão de primeiras vezes. Domingo fomos patinar no gelo. Eu devia ter a idade dela quando patinei no gelo, então não lembro como era. Até que não fiz feio não, mas como ser adulto é muito chato eu só conseguia pensar que, gente, não posso me quebrar nessa pista, tô cheia de trabalho na escola e meu plano de saúde não cobre Brasília. Já ela em dois minutos estava no meio da pista, cuidando do menino pequeno que tinha entrado com e gente (e que a gente não conhecia) porque ela é dessas. 

Tem um adesivo da Jolie colado no meu celular: virei oficialmente tia de menina. Amanda entrou na minha vida há um mês, mas parece que esteve sempre, desculpem o clichê. 

Amanda, minha linda, o mundo é lugar difícil, mas você está em boas mãos. Se tem uma coisa que as Foltran Borges sabem fazer é criar mulheres foda. E a gente está pronta pra deixar o seu mundo tão bonito quanto você deixou o nosso. 


Quando você vai encontrar sua sobrinha pela primeira vez e vocês estão com a mesma roupa

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