sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A vida sem a pílula

Começou com uma conversa meio bêbada com a Bruna num samba no Bixiga e virou uma epifania, risos.

Eu estava mais uma vez falando sobre o término e sobre como eu me sinto as vezes até culpada por estar tão bem. Eu não sinto vontade de falar com ele, eu não sinto falta dele, eu vejo as fotos e não sinto saudosismo nenhum, nem das partes boas, das viagens, de nada. Eu estou feliz como há muito tempo eu não ficava. E a culpa obviamente de vez em quando dá lugar ao medo de que eu esteja vivendo em negação e que daqui a pouco a bad bata linda, bata forte e me atropele.

Mas ontem, meio bêbada naquele samba no Bixiga, eu percebi que a bad não vai bater não porque a verdade é que eu sou outra pessoa agora e existe um motivo muito concreto pra isso: eu parei de tomar pílula em Julho.

Oi Paula, como é que é?

Tudo que eu vou dizer a gora é baseado no dataPaula, ok? Nada substitui um médico. Vou falar de como ter parado de tomar pílula me tornou uma pessoa diferente e de como nessa jornada sem hormônios eu conheci um monte de mulheres com histórias parecidas mas isso não quer dizer que vai ser igual pra todo mundo.

Uma moça num grupo de contracepção não hormonal disse que perdeu o medo de dirigir depois que parou com o anticoncepcional. Outra que criou coragem e abriu o próprio negócio. Aparentemente ter testosterona em níveis normais no corpo faz isso pela gente. Seis meses depois de ter parado eu percebo finalmente que eu estava meio castrada. Sem vontade, sem tesão e quando eu falo de tesão não é só sexual não, é na vida, é de tudo. Eu não tenho mais aquelas alterações de humor pavorosas, eu consigo controlar minhas emoções de um jeito mais eficiente. Claro que não funciona sempre, eu sou humana, mas eu não tenho mais a sensação de que meu humor é um carro desgovernado. E eu realmente acho que eu posso fazer o que eu quiser (e claro que não ter o falecido na minha orelha buzinando que eu não consigo ajuda bastante).

A vida sem pílula pra mim está sendo boa demais. Recomendo.


17 anos depois e a gente continua gata, dsclp

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