sexta-feira, 21 de julho de 2017

Professional and life coach, apaixonado por viagens e empreendedorismo

Tem um negócio que tá bem na moda por aí e olhando de longe até me parece bem útil, que é o coaching. A princípio a ideia é boa, é ter uma pessoa preparada do seu lado que, olhando de fora, tem tem uma visão global das coisas que você anda fazendo de errado e pode te guiar para você voltar pro rumo e conseguir atingir um objetivo x. Não que a gente não seja capaz de tomar decisões acertadas por conta própria, mas eu mesma me vi perdidaça na minha carreira por muitos anos e só tipo mês passado consegui focar e tomar uma decisão verdadeiramente útil nesse sentido. Eu fiz isso sozinha mas talvez um coach pudesse ter me ajudado a fazer isso muito mais rápido.

Mas aí você começa a observar como algumas pessoas andam levando esse conceito de coaching. Elas vendem o negócio como um milagre. Como garantia de sucesso a curtíssimo prazo, é tipo "se objetivo é passar num concurso pra magistratura no fim do ano? A gente resolve." 

Dia desses fui desavisada parar numa palestra sobre coaching. E o palestrante tava lá, falando dos "coachees" dele (não é cliente, tá, é coachee) e descrevendo um super case de sucesso (na opinião dele - e que merda é essa de "case"? A gente tem uma palavra perfeitamente adequada em português caceta). Era uma cara que queria passar num concurso pra polícia federal e não tinha disciplina pra estudar e ao final do processo de coaching ele tinha guardado o video game no armário e não jogava mais, tava estudando direitinho todo dia depois do trabalho.

Daí eu pergunto pra vocês, coleguinhas: um adulto passado dos seus 30 anos precisou pagar alguém pra dizer pra ele que, né? Se ele não parar de jogar video game ele não vai passar em concurso nenhum. Oi? 

E a palestra? Um punhado de slides com imagens bonitas de topos de montanhas, encruzilhadas, horizontes, acompanhados de clichês corporativo-motivacionais do tipo: "Se você acordar amanhã só com as coisas pelas quais você ficou grato hoje, com o que você vai acordar?" Ah gente, vá pra puta que pariu. Fora os testes de personalidade tirados da internet (eu sou Águia, viu?). Dá a impressão que qualquer zé ruela que leu os livros do Augusto Cury pode virar coach. Não precisa ser psicólogo, não precisa ter estudado o comportamento humano, nada disso. 

No final o cara sugeriu que a gente se juntasse com alguém que não conhecia pra fazer um "mini-coaching" com essa pessoa. Olha que maravilhoso, 45 minutos de palestra e a gente já estava habilitado pra fazer o trabalho dele. Não tive alternativa a não ser ir embora.

Olha bem pra minha cara de quem ia participar de uma palhaçada dessas. 



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