terça-feira, 11 de julho de 2017

Você é o que as pessoas acham que você é

Eu tenho fama de brava aqui na escola.

Eu não me considero brava, mas nessas horas lembro de uma professora de semiótica da faculdade que dizia que no final das contas você é o que as pessoas acham que você é. É uma frase pesada, né?

A gente cresce ouvindo "seja você mesmo" "não importa o que os outros pensam de você" e um dia vem essa mulher e joga na nossa cara assim "Venham aqui, jovens inocentes. Isso aí é mentira, tá? Foda-se quem você acha que você é. O que as pessoas enxergam é o que importa e não estamos falando de aparência, mas de personalidade mesmo." E a triste verdade é que ela tem razão: não adianta nada você ser uma pessoa incrível se as pessoas não veem isso em você. Mas a culpa é sua ou deles? Não descobri a resposta ainda.

Acho que todo mundo já se pegou por aí se autodefinindo através do olhar alheio. E eu queria muito saber como faz pra não fazer isso.

Eu me acho engraçada. Me acho educada. Sou claramente introvertida. Um pouco explosiva sim, mas nunca no trabalho, mais nas relações pessoais.

Mas o pessoal aqui me acha brava. Do mesmo jeito que o ex me achava incapaz e eu acabei acreditando nele.

Como eu lido com isso? Eu controlo minhas reações, eu faço cada movimento de caso pensado, eu planejo 20 vezes antes de falar alguma coisa pra alguém. E eles continuam me achando brava.

Domingo tivemos a aplicação de uma prova bem importante, uma certificação de Cambridge. 47 alunos. Há instruções claras de que a primeira parte da prova tem que ser feita a lápis. Na hora do intervalo passei para recolher as folhas de resposta da primeira parte e uma das fiscais (que é professora aqui da escola) me disse, meio nervosa:

"Ai Paula, desculpa, não foi culpa minha, eu li todas as instruções, mas teve uma menina que preencheu o gabarito a caneta"

Por que cazzo ela estava nervosa? Por que me pediu desculpas?

Porque segundo todo mundo aqui eu sou brava.

Eu simplesmente recolhi as provas e respondi "Fica tranquila, fulana, claro que não foi culpa sua."

Eu não quero ser brava. Ninguém gosta de gente brava. Mas eu não sei o que fazer, de verdade.


Leslie Knope is my spirit animal 

5 comentários:

  1. Eu sou o contrário. As pessoas me acham de boas, fofinho e amorzinho, sendo que EU SEI que sou ogro. Mas nunca sobressai esse lado. Eu acabo acreditando nelas e até me beneficio disso Hahahahah

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    1. Hahah no caso o olhar do outro te beneficia, né? Aproveita.

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    2. felipe não é fofinho nada!=p

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  2. "Como eu lido com isso? Eu controlo minhas reações, eu faço cada movimento de caso pensado, eu planejo 20 vezes antes de falar alguma coisa pra alguém. E eles continuam me achando brava."

    Nossa, me abraça porque essa é a história da minha vida profissional. Também já não sei mais como lidar, não.

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  3. eu passo pela mesma coisa, mas são os alunos q me acham braba. os alunos que me conhecem me acham braba, mas gostam de mim. uma menina disse uma vez uma coisa maravilhosa ao meu respeito: q eu sou ruim, mas sou boa.

    pior é chegar em turmas novas e saber a fama q eu tenho com quem não estudou comigo. Dou aula prum nono ano q não falava na minha aula no primeiro mês. Eles não falavam entre si nem comigo. Aquilo me desesperava. Até que foi transferida pra turma, uma menina q tinha sido minha aluna no sexto ano. A garota me odiava na época, eu brigava muito com ela. Só que, ao chegar na turma, ela disse pra todo mundo q eu era legal, aí o pessoal passou a falar comigo. Recentemente, umas meninas me disseram q me viam no corredor ano passado e me achavam esquentada. E, meu deus, a única paciência que tenho na vida reservo pro trabalho. Tento ser muito cuidadosa com aluno. Peço desculpas se tiver que pedir, converso na boa, especialmente com os mais velhos, sempre relevo o vacilos, mas a fama que fica é a de braba e marrenta. como lidar?

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