terça-feira, 10 de dezembro de 2013

3.5

Percebi que ano passado não fiz post de aniversário. Pudera, passei o dia em casa, de atestado, por conta de um pé torcido e com a internet cagada. Bom humor lá nas alturas. Enfim.

Faço 35 hoje. Trinta e fucking cinco. Aos 35 anos minha mãe já estava casada há 10 anos, já tinha comprado uma casa e tinha duas filhas alfabetizadas. Eu não vou ter filhos e pago a primeira parcela da minha dívida habitacional de 25 anos com a caixa econômica dia 28 deste mês.

Aos 35 Marie Curie já tinha descoberto o rádio.

Aos 35 Madonna já tinha fundado sua própria gravadora e vendido uns 60 milhões de discos.

Aos 35 Meryl Streep já tinha recebido dois Oscar.

Aos 35 Maria Esther Bueno já tinha vencido 7 finais de Grand Slam.

Aos 35 Agatha Christie já tinha publicado 5 livros.

Aos 35 Valentina Tereshkova já tinha sido a primeira mulher a ir para o espaço.

Aos 35 Viviane Araújo já tinha posado pelada 9 vezes

Aos 35 minha maior contribuição para humanidade deve ter sido o Bingo Corporativo para Reuniões Pedagógicas. E ainda assim a autoria do mesmo não pode ser comprovada. Mas eu ensinei muita gente a falar inglês. E algumas dessas pessoas devem lembrar de mim quando assistem a um filme sem legenda ou fazem uma apresentação para os gringos da ~firma~. Cada vez que um aluno tem aquele momento de iluminação e me diz sorrindo "Puxa, por que é que ninguém tinha me dito isso antes?" ou retruca que odiava inglês mas olha, até que eu estou gostando, eu acho que fiz alguma coisa que valesse a pena.

Tenho 35 anos e fiz muito pouco. Mas tenho toda vontade do mundo de fazer muito mais.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Acho que o post abaixo ficou meio "white people problems". Desculpa gente, não sou assim não.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Meu cabelo, minhas regras

Meu cabelo é cacheado. Eu sempre fui partidária e apoiadora dos cachos.

Quando era adolescente eles eram compridos, brilhantes, definidos e volumosos. Lindos. Mas aí o tempo, os hormônios, os maus-tratos foram aos poucos deixando meus cachos cada vez mais ralinhos, cada vez mais sem vida, sem definição.

Comecei a usar mais curto, tipo chanel. Rolava todo um bingo cabelo cacheado, do qual já falei neste post.

Depois de um tempo fui cortando, cortando, até radicalizar. Usava joãzinho e adorava, me sentia poderosa. De vez em quando marcava um xis no bingo do cabelo curto com um "quando você vai deixar crescer?" ou "ah, tá bonito, mas cabelão é tão mais feminino."


No começo do ano resolvi deixar crescer de novo. Porque o cabelo é meu, faço o que eu quiser. Para fugir do efeito capacete que cabelo cacheado faz quando começa a crescer, apelei para a química. E gostei, me julguem. Tô aqui toda trabalhada na progressiva e feliz da vida. Como era feliz com os cachos. E com a quase ausência de cabelo. E agora que eu alisei tô tendo que lidar com a patrulha da chapinha, com a galera do "não renegue seus cachos!" "não se curve à ditadura da beleza!" Ó. Preguiça.

Desistam, mulheres. Vai ter sempre alguém cagando regra sejam vocês lisas, cacheadas, carecas.

Meu cabelo não me define. É só uma parte de mim que se renova e que por isso eu posso mudar o quanto eu quiser. Ainda bem, porque pensa numa nêga que não sossega com cabelo.

sábado, 23 de novembro de 2013

Coxinhas (nos dois sentidos)

Eu queria saber se paulistano sempre foi burro mesmo ou é um negócio que vem acontecendo de uns anos pra cá. Porque o que eu vi ontem só burrice explica.

Fomos ao Paris 6 ontem. Lugar famosinho, tipo bistrô francês. Foco no tipo, porque é bem tipo mesmo.

Começa com a fila na porta nível Outback de shopping no sábado a noite. Galera de pé, na calçada, enquanto garoava. Se minha amiga já não estivesse lá dentro eu teria dado meia volta e ido ao Sancho, sem discussão.

Entrei. Apertadinho, lotado e com um decoração cafona. E UM banheiro. Sério. Se eu fosse o dono investia alguns dos milhões de reais que ele deve estar ganhando vendendo carpaccio com três fatias de carne a 37 reais num banheiro a mais, porque né. Fila pra toilete é coisa de balada tosca.

Daí você olha o cardápio. Imenso, interminável, cada prato com um nome francês bem afrescalhado (ainda que seja apenas um croquete de carne) acompanhado do nome de uma celebridade qualquer. Cafooona. Debaixo do pastel de queijo a Ellen Roche, a historinha: "Em homenagem à eterna musa da televisão brasileira"

Ellen Roche e eterna musa da televisão brasileira na mesma frase. Apenas ~risos~ Acho que podemos encerrar a resenha com essa informação. Mesmo porque depois do carpaccio com três fatias meus amigos resolveram ir embora pra se arrumar para uma festa. Os outros dois que não iam à festa e eu decidimos que não dava pra ficar lá e na tentativa de exorcizar tanta coxinhice rumamos para o baixo Augusta.

Fomos parar em um bar na Frei Caneca que serve espetinho de coxinha. Sim, vocês leram certinho. Temos foto do cardápio. Sim, como é que ninguém tinha pensado nisso antes?

O de coxinha tinha acabado, fiquem com o de bolinha (inha?) de queijo.

Saímos de um restaurante de coxinhas e fomos um que serve espetinho de coxinha. Muito melhor que o pastel de queijo a Ellen Roche, certeza. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Há um ano

Eu não sei porque eu amo Barcelona. Quer dizer, eu sei sim. Uns (muitos) anos atrás eu assisti a um filme chamado "Albergue Espanhol" que só pode ter sido patrocinado pela secretaria de turismo da cidade de tão linda-maravilhosa que ela aparece lá. Me apaixonei. Fiquei com aquelas cores na cabeça pra sempre, mas coragem de fazer as malas, parcelar uma passagem e ir sozinha, isso eu não tinha não.

Muito tempo depois eu conheci esse moço dos olhos azuis-verdes de quem vocês já ouviram falar bastante por aqui. E esse moço é filho de catalão e me levou pra conhecer Barcelona. Eu falei um pouquinho do quanto amei a cidade aqui.

Eu não sei porque eu amo o Mika. Ele faz uma música pop gostosa, com letras bobinhas, quase adolescentes, muito diferente de tudo que tinha me tocado até então. Mas eu amo. É meu cantor preferido.

E quis uma dessas coincidências incríveis que o Mika estivesse fazendo um show em Barcelona na mesma época em que eu estava lá há exatamente um ano. Em um dos quatro dias apenas que eu passei na cidade. Num lugar pequenininho a duas quadras do hotel que já estava reservado meses antes.


I could put a little stardust in your eyes/ Put a little sunshine in your life/ Give me a little heart to feel the same/ I wanna know if I'll see you again/ If I'll see you again

E eu juro que quase consigo ouvir minha voz cantando junto nesse vídeo. Dia mais lindo da vida.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sobre tatuagens

Eu tenho duas tatuagens. E detesto ambas.

Detesto porque são feias mesmo, mal feitas, tosquinhas, lembranças de uma época em que eu fazia as coisas sem pensar. Eu ainda faço muitas coisas sem pensar, mas poucas impactam minha vida a longo prazo, digamos assim.

Mas enfim, são minhas. São parte da minha história e nunca me ocorreu me livrar delas por alguns motivos: primeiro porque são únicas - eu desenhei cada uma, ninguém no mundo tem duas coisinhas toscas no corpo iguais. Segundo porque remoção a laser é cara e dolorosa e elas ficam relativamente escondidas, então ok. Terceiro porque ficam em partes do meu corpo (pé e cóccix) nas quais eu definitivamente não gostaria de ter tatuagens maiores, portanto excluo também a possibilidade de cobri-las. Morrerei com elas.

Quando eu fiz a primeira, a do cóccix (sim, eu tenho um tramp stamp, me julguem), telefonei para minha mãe no interior animadíssima para contar a novidade. Minha mãe é aquela mulher descolada, sabem, que saiu de casa super cedo, trabalhou fora a vida toda, fala palavrão e viaja sozinha desde sempre, muderrrna mesmo.

Pois ela começou a chorar do outro lado da linha.

Daí vocês imaginem a minha cara, sentada num ponto de ônibus a caminho da faculdade sete horas da manhã, com o cóccix coçando horrores e ouvindo minha mãe moderna e descolada dizer que "preferia que eu estivesse grávida a ter feito uma tatuagem."

A segunda eu consegui esconder dentro dos tênis e botas o inverno inteiro. Um dia fez calor e eu cheguei na casa dela no fim de semana e disse: "Mãe, tô grávida". Antes que ela enfartasse apontei para o meu pé direito: "Mentira, mas fiz outra tatuagem."

Mais alguns dias de drama.

Isso já se vão aí uns 13 anos. E de uns tempos pra cá começou a me dar uma vontade doida de compensar minhas tatuagens feias com uma absurdamente linda e num lugar onde todo mundo veja. Eu só não sabia bem o que seria.

Daí eu comprei essa saia:


E consegui me imaginar com estas mergulhadoras fofas espalhadas pelo meu ombro e braço.

Mas eu estou aqui só divagando.

Porque eu tenho 34 anos e ainda morro de medo da minha mãe.

domingo, 20 de outubro de 2013

Promessa é dívida

Ontem no trabalho, depois de me ouvir dizendo que hoje as sete e meia da manhã eu estaria largando para os meus primeiros 5 quilômetros oficiais, a secretária da escola riu e disse:

"Sabe o que eu vou estar fazendo amanhã as sete e meia? Virando pro outro lado pra dormir mais umas quatro horas."

Eu ri também. Porque era bem isso. Tem que querer mesmo, ainda mais sendo o primeiro Domingo do horário de verão.

Eu não ia. Já tinha decidido. Estava há três semanas sem treinar por vários motivos e, sendo essa quitter que todo mundo conhece bem, eu tinha aceitado o fato de que mais uma vez ia morrer na praia. Mas na quinta feira, ao ser informado da minha decisão de não ir, namorado virou pra mim:

"Como não? Vai sim, nem que seja pra andar."

E na sexta eu fui treinar. Fiz quatro quilômetros sem achar que ia morrer e resolvi contrariar minha própria natureza. Acordei 5:15 da manhã e descobri que tipo de gente pega ônibus num Domingo as seis da manhã: gente que toma saquê no bico dentro do coletivo.

No metrô vi mais um bando de meninas de rosa, senhoras, gordinhas, mães, tudo. Na concentração encontrei uma colega das antigas. E fui.

Corri cinco quilômetros. Não andei em momento algum. Fui devagar, naquele ritmo de quem não treinava há três semanas, mas fui. Sempre correndo. Vi o centrão de São Paulo lindo, passei por lugares pelos quais, 10 anos atrás na mesma época do ano, eu tinha passado bêbada na Peruada do Largo São Francisco. E para minha amiga Bruna, que curte coincidências, lá vai uma: toquei para os meus alunos na aula ontem Roar, da Katy Perry e fiquei com a música na cabeça o dia todo. Pois foi a primeira que tocou no meu random assim que passei a largada. E não dá pra desistir com Katyzinha na sua cabeça cantando

I got the eye of the tiger, a fighter, dancing through the fire
Cause I am a champion and you’re gonna hear me ROAR

Porque as vezes é bom contrariar a própria natureza..

terça-feira, 17 de setembro de 2013

A saga continua

Mais um causinho para ilustrar que o povo do rh da NET seleciona funcionários na base daquele teste de encaixar peças redondas nos buracos redondos. E contrata os que tentam encaixá-las nos buracos quadrados.

Avô da colega morreu e com isso a avó dela resolveu mudar de casa. Colega telefona para solicitar as devidas providências.

"Boa tarde, estou ligando porque meu avô faleceu e minha avó está se mudando. Gostaria de trocar a titularidade do plano e o endereço de instalação."

"Somente o titular pode solicitar essa mudança, senhora."

"Moça, o titular morreu."

"Um momento senhora."


"Realmente, senhora, somente o titular pode solicitar isso."

"Só se for através de sessão espírita, moça! Posso encaminhar a certidão de óbito ou qualquer coisa assim?"

"Um momento senhora."


"Senhora, qual o nome do novo titular?"


"É a minha avó, dona Schelebts da Silva."

"E qual é seu grau de parentesco com o novo titular?"


"Er... Neta?"

"E qual é o nome do novo titular?"



"Er... Schlebts da Silva."

"E qual o estado civil dela?"



"Er... Viúva."

"E qual é a profissão do novo titular?"

"Psicóloga."

"Qual o grau de escolaridade do novo titular?"


"Cê tá me gozando, né?"

"Não entendi, senhora, qual o grau de escolaridade do novo titular?"

(Suspiro audível) "Superior completo..."

E assim seguiu a conversa, da qual a colega não recorda mais detalhes. Como se precisasse.

E a titularidade não foi trocada.

Beijos no coração, NET.


OBS: Eu tenho amigos que já trabalharam como atendentes e sei que eles tem que seguir um roteiro de perguntas, são monitorados e tals, mas admitam que esse diálogo beirou o surreal, por favor.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Não venha para o mundo dos NETs

Vou contar uma historinha só para vocês entenderem que a capacidade humana de fazer merda, assim como a ~zuêra~, ela não tem limites.

Cancelamos, namorado e eu, nosso contrato com s Sky. Nada contra a Sky, até tenho amigos que tem, gosto da Gisele Bündchen, etc, mas não estava mais compensando pagar tv a cabo e internet separadas então resolvemos ir para o mundo dos Nets.

Primeira data de instalação, sexta-feira passada das 8 ao meio-dia. Técnico apareceu na sua casa? Nem na minha. Telefono para a central, confirmo o endereço e ganho apenas um "pois é, o técnico não foi, tem que remarcar." Oi? Cadê o "desculpe o incômodo, o técnico não foi, tem que remarcar." Nada. Remarco para quarta-feira seguinte, no mesmo horário. Não vou correr, não vou fazer compras, perco minha manhã livre esperando os bonitos.  Nada. Mais uma vez ligo bufando na central , confirmo meu endereço pela décima vez e a conversa é a mesma, o técnico simplesmente não apareceu. Não dá pra contatar o cara e saber se aconteceu alguma coisa? Não. Sabem por que?

PORQUE ELES NÃO SABEM QUEM É O TÉCNICO DESIGNADO PARA AQUELE TRABALHO.

Juro.

Sério.

Remarco mais uma vez, para sexta-feira. Na hora de confirmar o endereço pela décima primeira vez o atendente tem um momento de iluminação - "Ah, mas o endereço está errado, aqui está bloco 2 e não 1."

Gente.

Gente.

"Moço, eu confirmei meu endereço onze vezes, não é possível que ninguém corrigiu."
"Não senhora."
"Moço, mas se o técnico veio até aqui duas vezes e o endereço estava errado porque cazzo ninguém ligou para confirmar?"
"Não sei informar, senhora."



Sexta-feira. Estou eu aqui de novo esperando Godot o técnico da NET. Namorado voltou de viagem cedinho, deu um cochilo e umas 10 da manhã saiu para o trabalho. Encontra os técnicos da NET na portaria. Eles estão com o endereço errado.



Estão ligando para a NET para ver se eles autorizam a instalação com o endereço errado.

"Moço, mas não corrigiram?"
"Pois é, não corrigiram."
"Mas eu confirmei 12 vezes."
"Mas não corrigiram."

Finalmente localizam a minha ligação na quarta-feira  xingando até a última geração da NET  confirmando o endereço pela décima segunda vez e autorizam a instalação.

Fim.

Dicas do He-man, coleguinhas - não venham para o mundos dos NETs. Eles simplesmente não tem a menor ideia do que estão fazendo.



terça-feira, 10 de setembro de 2013

Eu acho que já passou da hora do pessoal do departamento de engenharia de tráfego da prefeitura de São Paulo admitir que errou. Juntar todo mundo, mandar uma galera embora e reconhecer - deu merda.

Vejam o Largo da Batata, por exemplo. Está em obras há tanto tempo que desconfio que estão na verdade cavando um buraco para a China. E nessa quebração sem fim interrompem ruas, mudam o sentido do trânsito, interditam calçadas e desativam pontos de ônibus. Essa última ação, aliás, me faz duvidar seriamente do diploma de curso universitário de quem quer a tenha planejado.

Dois pontos de ônibus viraram um, bem na frente da estação de metrô da Faria Lima. Juntaram os dois numa posição intermediária e pronto. O resultado até o povo de humanas (prazer) consegue visualizar - o dobro de passageiros e de coletivos no mesmo espaço. Todo dia, seis e meia da manhã, cinco, seis ônibus se acumulam um atrás do outro sem poder ultrapassar porque tem gente lá na frente que precisa embarcar. Uma beleza. Perdemos dois, três sinais abertos até conseguir sair dali. Não é brincadeira - levo 20 minutos da Lapa até a Faria Lima e mais 20 para percorrer dois quarteirões da mesma avenida. Coisa de gênio.

Cês juram que precisa ir pra faculdade pra fazer isso? Cês juram?

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Meus primeiros 5k

A história que eu vou contar é mais velha que o implante de silicone da Susana Vieira mas vamos lá.

Galera que acompanha o blog já leu meus lamentos e reclamações sobre atividade física aquiaquiaqui e, ufa, aqui.

Eu posso ficar dando desculpas até amanhã e vão ser sempre só isso: desculpas. O fato é que eu gosto de me considerar uma das últimas representantes do sedentarismo orgulhoso mas de uns tempos pra cá eu simplesmente não estava feliz - tava chateada com meu corpo, com minha falta de energia, de fôlego, enfim. Estava precisando me mexer.E como vocês podem observar nos links acima, fora esportes com bola (que são obviamente pouco recomendados para pessoas que usam óculos) e artes marciais (que não combinam com minha dificuldade de contato com gente que eu não conheço) só me sobrava uma coisa para tentar - corrida.

Na verdade eu já tinha tentado corrida muito tempo atrás, quando um ex-namorado formado em educação física cismou de me treinar. O namoro acabou, o treino também. Ficou a lembrança de que meu corpo responde lindamente à corrida e que não era uma coisa que eu achava tão abominável assim. Daí surgiu a ideia de, ao invés de correr por aí a esmo, estabelecer uma meta: participar de uma corrida de 5 quilômetros.

Eu sei que hoje em dia todo mundo é maratonista e com isso minha meta de 5k pode soar extremamente humilde, mas é um começo. Ter um objetivo me animou. Percebi que foi isso que sempre me faltou em toda a minha história com atividade física, já que eu nunca precisei, por exemplo, emagrecer.

Fiz o quarto treino hoje. Estou enfrentando essas manhãs geladas que tem feito em São Paulo com extrema dignidade. O prazo é 20 de outubro, quando rola uma corrida para a qual já me inscrevi, inclusive. Eu me conheço e sei que há grandes chances disso tudo ser só uma empolgação inicial e é por isso mesmo que estou contando pra todo mundo. Quando mais gente souber, mais vergonha eu vou ter de não cumprir.

Dia 21 de Outubro eu posto a medalha. Aguardem e confiem.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Sertinho

Só pra dizer que eu recebi um e-mail da receita federal dizendo que eu estava na malha fina e tals, e já estava em pânico achando que ia ter que pagar um milhão de reais pro governo. Daí namorado, que é muito mais inteligente que eu, disse:

"Qual é o e-mail do remetente? Porque eu duvido que a receita federal chame a malha fina de malha fina."

Fui olhar o e-mail: malhafina@receita.gov.br



Nada como conviver com gente esperta, né?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Burrice level extreme

Olha.

Xará me entende. Só ela.

Porque a burrice, ela não tem limites.

Chefe foi convencido pela ONG de uma galerinha bem intencionada u-hu a contratar um estagiário estrangeiro pela bagatela de 2500 reais por mês. Eu que não sou besta nem nada vi logo que era fria porque nem a galerinha bem intencionada da ONG me garantiu que o tal estagiário seria nativo de língua inglesa ou espanhola, daí já viu. Eu coordeno uma escola de inglês, minha gente, vou fazer o que com uma criatura que não fala português nem é nativo do inglês 40 horas semanais? Não quis.

A equipe da outra escola do chefe quis. E ontem uma eslovaca muito simpática apareceu por lá depois de três horas de condução. Porque a outra escola do chefe fica no Itaim Paulista. Cês tem ideia de onde fica o Itaim Paulista? Ó, nem eu, só sei que é longe pra cacete. É extremo da zona Leste. Assim, muito extremo. É onde a definição de "quebrada" começa a deixar de fazer sentido porque lá nem quebrada é mais, é fim do mundo mesmo.

E vocês sabem onde a galerinha bem intencionada da ONG instalou a eslovaca?

No Brooklin.

O Brooklin é zona-sul-rica. Google maps vai me ajudar a mostrar pra vocês o que significa se deslocar do Brooklin ao Itaim Paulista de transporte público, lembrando sempre da lindeza que é o mesmo aqui em São Paulo:



Chefe questionou a ideia de jerico da galerinha bem intencionada da ONG de alojar a eslovaca do outro lado do planeta. Recebeu essa belíssima resposta:

"Ah, a gente achou que Itaim Bibi e Itaim Paulista era a mesma coisa."

A.mesma.coisa.

Agora chefe tá lá, com uma eslovaca que não vai conseguir cumprir 40 horas semanais por conta da burrice level extreme da nêga da ONG.

Tô quase dando nome dos caras aqui pra queimar o filme deles porque olha. Merecem, sim ou com certeza?

segunda-feira, 29 de julho de 2013

História de bêbado

Mais uma da série "conto o milagre mas não conto o santo". Mesmo porque, dessa vez, eu nem conheço o santo, só os reportadores do milagre, enfim.

Diz que aconteceu com uma moça assim, já de meia idade, numa cidade do interior. Moça essa conhecida por ser boa de papo e de copo. E numa noite dessas, de muito papo e muito mais copo, eis que a moça chega em casa nos braços de Baco, carregada pela luz branca que protege os bêbados. E dorme.

Lá pelas tantas, no meio da madrugada, ela acorda com um barulho, um tremelique debaixo da cama. Se apavora, meodeosdocéo, tô bêbada ainda? O tremelique persiste, o barulho idem. Eu moro sozinha, gente, que raio de barulho é esse? Reza um pai nosso apesar de não acreditar em assombração. Tô sonhando, vou voltar a dormir. E volta.

Acorda na manhã seguinte com aquele gosto de cabo de guarda chuva na boca. E sente outro tremelique. Fodeu, pensa, tem coisa debaixo dessa cama. Mune-se de uma coragem sabe-se lá de onde e dá uma espiada. Para sua surpresa, dá de cara com um jabuti.


Ops

Ela olha o bicho, o bicho a olha de volta. Que porra é essa, meo deos, eu moro no terceiro andar, como esse jabuti veio parar aqui? Telefona para a amiga que estava com ela na noite passada.

"Margarete do céu, tem um jabuti debaixo da minha cama (da série - frases que você acha que nunca vai pronunciar na vida) O que que eu faço com esse bicho?"

"O jabuti é seu, sua louca. Você comprou no bar ontem a noite."

"Mas como assim eu comprei um jabuti? Como é que você me deixou comprar um jabuti?"

"Eu ainda te convenci a comprar um só, você queria levar dois!"

E foi assim que nossa personagem ganhou um animal de estimação. Da próxima vez que amigo meu enfiar o pé na jaca, vou fazer questão de dizer "fulaninho bebeu tanto que quase comprou um jabuti." 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Me julguem

Como uma amiga disse certa vez, não tenho paciência para riponguice pois já passei cinco anos na FFLCH  acompanhando os originais que deram origem à qualquer série. Dito isso, minha tendência seria portanto rejeitar imediatamente um sujeito barbudo, com o olho pintado, enrolado numa manta peruana tocando acordeom. Mas isso é absolutamente lindo, desculpa gente:

sábado, 29 de junho de 2013

Diálogos imaginários publicáveis

Dia desses, enquanto eu curtia um sushi de lula em um restaurante na Liberdade, o Laerte entrou com alguns amigos e se sentou à mesa ao lado da minha. Depois de todo "aimeodeosdocéo o Laerte está aqui do lado vou tomar um litro de saquê e falar com ele (corações)" que obviamente não aconteceu, fiquei imaginando como eu explicaria o Laerte para dona Pierina, filha de italianos nascida na roça há uns 100 anos, também conhecida como minha falecida avó.

Vó: Mas ele é homem?
Eu: É homem sim.
Vó: Por que ele se veste de mulher?
Eu: Porque ele gosta. Porque ele tem vontade de saber como é ser mulher.
Vó: Então ele é travesti.
Eu: Mais ou menos, vó, travesti é uma pessoa que se identifica com o sexo oposto, que se sente como alguém do sexo oposto. Ele só gosta de se vestir de mulher.
Vó: Mas ele gosta de... namorar homens, então.
Eu: Também, eu acho. Mas ele tem uma namorada. Uma mulher. Ele é bissexual.
Vó: Mas pode isso? Ou você gosta de homem ou gosta de mulher.
Eu: Pois é, tem gente que gosta dos dois.
Vó: No meu tempo não tinha isso.
Eu: Tinha sim, vó, só que as pessoas tinham que fazer isso escondido, e hoje elas podem contar pra todo mundo que fazem.
Vó: É, né?
Eu: É. Quer dizer, nem pra todo mundo, ainda tem uns imbecis por aí que acham que é doença.
Vó: Hoje em dia o povo acha que tudo é doença, né?
Eu: Pois é.
Vó: Mas me explica isso aí direito, Paulinha, pra ver se eu entendi - ele é homem, mas gosta de se vestir de mulher. Mas ele não quer ser mulher. E ele namora uma mulher que não liga dele usar saia e maquiagem. Mas ele já namorou homem também.
Eu: É mais ou menos por aí, vó.
Vó: E depois vocês dizem que velho é que complica as coisas, francamente...

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Manual do manifestante de facebook

Os protestos chegaram com tudo e prometem ser a grande onda desse inverno, junto com o fondue gourmet de queijo de cabra albina e a calça do Beetlejuice. Se você não quer ficar fora dessa mas não curte aglomerações ou mora em Conceição do Mato Dentro, aqui vão algumas dicas para mostrar sua revolta contratudoissoqueestáaí nas ~redes sociais~ e evitar blocks desnecessários.

1) Antes de compartilhar qualquer coisa dê uma pesquisada. Sua mão não vai cair, prometo. Existe um site maravilhoso chamado Google que te conta em segundos se aquela história da renúncia da Dilma saiu em algum veículo oficial de informação ou foi inventada pela gangue dos comentaristas de portal de notícia.

2) Aprenda um pouco de história. Só um pouquinho. Nem precisa ir longe não. Caso você seja muito novinho, rola perguntar para a sua mãe se nos anos 90 o Brasil era, tipo assim, a Suíça, antes de ficar postando que  o Lula foi o único que fodeu tudo.

3) Longe da tia aqui ser a paladina da norma culta na internet, mas montagem com erro de português tem grande chance de ser falsa. E ainda te deixa mal com os caléga.

4) Por último, e o mais importante. Nunca, jamais, em tempo algum  faça isso. O gigante acordado vai pegar seu cobertorzinho e chorar na cama de desgosto se der de cara com uma coisa dessas. O que, pensando bem, não seria uma má ideia.

#vemprarua

terça-feira, 18 de junho de 2013

Beijo para a vizinhança

Vocês sabem que meu condomínio é o puro creme do milho e amor no coração, né? Amo todos que moram lá, menos as crianças que berram na minha janela e os comentaristas do Facebook.

Como eu já contei antes, moro no térreo. Morar no térreo, apesar das crianças gritonildas, tem suas vantagens, a saber: um quintalzinho de 2 por 2 e uma vista para o gramado, o que é muito mais agradável do que uma vista para a marginal Tietê. O quintalzinho 2 por 2, aliás, recebeu recentemente uma cobertura daquelas tipo zetaflex.

Pois bem. A colocação da cobertura em si foi uma novela, reunião aqui, discussão ali e no final decidiu-se que não, o quintalzinho NÃO é área comum do condomínio e portanto cada apartamento do térreo poderia colocar a sua da cor que bem entendesse.

Namorado colocou - telhas transparentes com estrutura bege, da cor das paredes. Vizinho de muro colocou também - a dele com estrutura branca. Tudo lindo, todo mundo feliz com a cobertura até que...

Até que um desocupado filho de uma que ronca e fuça tirou lá do apartamento dele uma foto das coberturas lado a lado e foi enchouriçar no facebook - cadê a padronização, virou bagunça, mimimi... Galera comentando revoltada, é, ninguém respeita, que várzea, imagina na copa, aff. E eu me segurando pra não responder educadamente sugerindo ao autor da denúncia que fosse carpir uns bons lotes já que todos nós sabemos que esse sim é o grande mal que assola essa nação - a falta de lote pra carpir. Sei que a revolta do zetaflex não durou muito e logo o tópico da cobertura ficou soterrado debaixo dos pedidos de indicação de faxineira ou reclamações sobre o estacionamento.

Mas eis que essa semana desocupado se empolgou com as manifestações, que lindo, o Brasil acordou, u-hu e resolveu pendurar sua bandeirona na varanda. Recebeu uma belíssima notificação porque, oi, cobertura de cor diferente pode, bandeira na varanda não pode, tá no RI, cabô.

O que uma pessoa civilizada faria? Deixaria a bandeira lá mais uns dois dias só pra atazanar e depois guardaria o lábaro estrelado, certo? Mas claro que essa opção não válida para o desocupado. Desocupado resolvei usar do expediente que todo escroto usa quando é pego fazendo cagada: apontar a ~cagada~ dos outros. Foi lá e desenterrou o assunto do zetaflex.

Tô aqui contando até 10 para não mandar nêgo praquele lugar, sério. Só não faço porque sou fina. E porque o bom senso me diz que não é legal ter inimigos que sabem onde você mora. 


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Piri piri piri pi pi piri

Canta aí Gretchen, sua linda:



Não, pera. Não é desse piri piri que eu estou falando e sim da bela e pacata cidade do interior de Goiás chamada Pirenópolis, mais conhecida pelos locais como "Piri". 

Foi lá que tu pegou o Guilherme Fontes, Sandy, adianta negar não.

Então, Pirenópolis. Em Pirenópolis não tem Santander (beijo, Santander), não tem caixa 24 horas e tinha eu e minha irmã com 50 reais pra passar dois dias. A primeira reação foi "ah, beleza, a gente passa tudo no cartão". Depois da terceira tentativa frustrada de comprar cerveja começamos a nos sentir numa dimensão paralela na qual escambo ainda é uma forma de comércio e bateu aquele mini-pânico, que se dissipou no quarto restaurante, esse sim equipado com uma abençoada maquininha da Cielo.  

Aceita AmEx? 

Em Pirenópolis tem uma pousada na qual o dono apenas não tinha se ligado que era feriado prolongado e nos alugou um quarto por uma noite só a preço de banana. 


O dono é desligado, mas é limpinho, recomendo.

Em Pirenópolis tem ruas de pedra e empadão goiano recheado com frango, batata e uma linguiça apimentada de brinde ali no meio. Tem um inglês muito louco que faz o melhor molho de salada do universo (segundo a minha irmã - eu trouxe um vidro fechado pra casa e ainda não provei). Tem cachaça, licor de Baru (uma castanha local) e bate-bolas (só que sem as bolas) pedindo um real e fazendo uma vozinha fina por todos os lados.

Lindeza


Tiro foto de comida, me julguem.

Tem cachoeiras com prainha, tem Antártica que no Centro-Oeste é melhor que Brahma, tem as cavalhadas que eu fiquei chateadíssima de perder por uma semana. Os bate-bolas, aliás, são na verdade uma sobra das cavalhadas, já que as crianças usam as máscaras do cavaleiros. Tem igrejas centenárias, quase bicentenárias. Tem hippies, muitos, como era de se esperar. E tem o sotaque delícia do povo dali, uma coisa meio mineira, meio nordestina. 

Brasil profundo (L)


Sô adventure ~risos~ 


Gostei de ti, Piri. Volto logo, prometo. 

Beijo do boi.

terça-feira, 4 de junho de 2013

O julgamento final

(Baseado em um conto de Somerset Maugham, The Judgment Seat)

O cenário se assemelha a uma repartição pública. Ao fundo, vê-se uma mesa na qual um homem digita sem parar em um computador velho. Vez ou outra ele dá tapas no monitor como que para fazê-lo funcionar melhor. Em sua mesa há também uma pilha de papéis, vários carimbos e um souvenir de Bariloche, daqueles com um pinguim dentro. A esquerda há um banco de madeira comprido no qual várias pessoas estão sentadas aguardando sua vez. Na ponta mais à direita estão duas mulheres e entre elas um homem. A mulher da esquerda aparenta ser mais jovem que o casal, mas os três têm uma expressão ao mesmo tempo cansada e apreensiva. Além disso, o homem e a mulher da direita estão molhados.

Na ponta do banco vê-se uma mesa maior, mas igualmente bagunçada. Atrás dela, um homem magro e calvo fuma impacientemente. Sobre a mesma, além dos papéis e carimbos, há uma plaquinha na qual se lê: "Deus". Diante da mesa está um filósofo, este de barba grisalha, vestindo um blazer de veludo marrom com cotoveleiras de couro.

Deus (para o homem de barba): Então você não acredita em mim? (irritado, para o homem na outra mesa) Ôôô Gabriel, tinha que mandar esse cara pra cá logo hoje que teve naufrágio? (aponta para o banco) Olha como é que está isso aqui! (volta para o homem de barba): Não acredita mesmo?

Filósofo: Não.

Deus (suspira e olha para cima, desanimado): Sabe, tipos como você sempre existiram, mas de uns tempos pra cá eles têm aparecido TODO santo dia. Estou pensando em criar um departamento especializado. (Entrega uma ficha para o filósofo) Faça o favor de preencher esta ficha com seus motivos para não acreditar em mim e depois de protocolar no quinto andar você volta, certo?

Filósofo (pega a ficha e lê em voz alta):Marque o código correto. Você não acredita em Deus porque:
01 Foi vítima de uma grande tragédia e acha que se Deus existisse você não teria passado por isso.
02 Odeia acordar cedo aos domingos e acha que o ateísmo é uma boa desculpa para não ir à missa.
03 Está indignado com a miséria e as guerras e acha que se Deus existisse não permitiria atrocidades como essas.
04 Decidiu ser ateu para posar de bad boy e faturar umas menininhas na escola católica.
05 Acha que religião é coisa de gente inculta, pobre e a atrasada que não tem mais o que fazer da vida a não ser rezar e assistir novela.
06 Outro. Explique.


Eu fico com 06. (Devolve a ficha para Deus sem preencher)

Deus (irritado): Cidadão, um navio naufragou e matou dúzias de pessoas. Tá todo mundo ali, ó (aponta para o banco) aguardando atendimento. Desse jeito eu não consigo fazer o meu trabalho e, acredite: não tem ninguém que possa fazer por mim.

Filósofo: Você nega a existência do Mal?

Deus (impaciente): Não, não nego.

Filósofo: Pois é. O Mal existe e você não pode fazer nada para evitá-lo. Portanto, não é (faz aspas com os dedos) "Todo poderoso".

Deus (acende um cigarro): Lá vem...

Filósofo: MAS... Se você PODE evitá-lo e não o faz, você não é infinitamente bom.

Deus bate a cabeça na mesa.

Filósofo (triunfante): Eu me recuso a acreditar em um deus que não é (aspas com as mãos) "Todo Poderoso" nem infinitamente bom.

Com o cigarro na boca Deus preenche rapidamente a ficha recusada pelo filósofo.

Deus: Você acha que foi o primeiro a se achar espertão e chegar aqui com estes argumentos? Devia te mandar pro inferno por falta de originalidade, mas ok. Motivos aceitos. Passa lá com o Gabriel (devolve a ficha) que ele carimba e já te manda pro limbo. Tem uma van saindo daqui a 15 minutos. Próximo!

O filósofo pega a ficha contrariado e senta-se em um banco próximo enquanto Gabriel atende outra pessoa. A mulher e o casal molhado se aproximam da mesa de Deus.

Deus: Os três de uma vez? Ótimo, agiliza o atendimento. (Deus observa a poça d'água que se forma sob John e Mary) Gabriel, pega um paninho pra secar essa coisa, por favor. (Olha para John e Mary) Vocês estavam no naufrágio, eu suponho...

John: Sim, Senhor.

Deus (para Ruth): E você, dona sequinha?

Ruth: Eu sucumbi de desgosto ao saber da morte do meu amado.

Deus: Vocês eram casados, então...

Mary(dando um passo a frente): Não Senhor, ele era casado COMIGO.

Deus (dando um sorrisinho sacana): Aaaahn, garanhão. Será que agora a coisa vai ficar animada por aqui?

John (ofendido): Senhor, por favor... Eu fui um marido fiel a minha vida toda...

Ruth (envergonhada): Nos apaixonamos, é verdade...

John: Como Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Homero e Penélope...

Deus (impaciente): Tá, tá, corta. Então vocês dois nunca...

Ruth: Não, não, claro que não! Sou uma mulher decente e temente a De... ao Senhor! Eu jamais me envolveria numa relação pecaminosa com um homem casado. Ao contrário - escolhi dedicar minha vida aos outros (com uma ponta de orgulho) Eu cuidava de órfãos! Esqueci de mim, abdiquei de minha juventude e minha felicidade pelos pobres.

Deus (bocejando): E você, John...

John: Eu fui um bom marido, Senhor. Jamais abandonaria minha esposa ainda que isso custasse minha alegria. Eu também abri mão da minha felicidade em respeito aos valores morais.

Deus apóia os rosto na mão e cotovelo sobre a mesa. Está quase dormindo. Aponta para Mary.

Deus: E você não tinha idéia dessa história, imagino...

Mary (orgulhosa): Eu sabia de tudo, é claro. Mas aguentei calada até o final pois sou uma mulher cristã e o que De... o que o Senhor uniu, homem ou mulher nenhuma pode separar. Suportei a dor de saber que me marido era apaixonado por outra mulher porque sei que era isso que o Senhor esperava de mim...

Deus: Quer dizer que vocês três levaram uma vida de merda e estão descaradamente botando a culpa em mim? Tem graça!

John: Mas senhor... Nós estávamos apenas seguindo seus ensinamentos. Eu fui um homem bom... Eu poderia ter sobrevivido ao naufrágio se não tivesse tentado salvar minha esposa. No entanto...

Deus: No entanto... Imagine só que maravilha seria sua vida se ela tivesse morrido e você não. Você estaria livre dessa chata (aponta para Mary) e poderia se casar e ser feliz para sempre com essa... outra chata (aponta para Ruth).

Mary (indignada): Mas era dever dele como marido fazer de tudo para me salvar!Ainda mais tendo me feito sofrer como ele fez!

Ruth: Eu concordo com ela. Isso só prova que ele é o homem generoso e abnegado pelo qual eu me apaixonei.

Deus (rindo): Tá ouvindo, Gabriel? Quando esposa e amante concordam, é porque eu não posso fazer mais nada. (acende um cigarro)

John: Nós só estávamos sendo bons, senhor.


Deus (irritado): Bons pra quem, colega? Pra vocês mesmos é que não foi. (suspira) Olha, é um saco, isso. Vocês acham o que? Que foi fácil colocar o pessoal para escrever aquele monte de coisas? Foi um trabalho do cão! Séculos, milênios, pra quê? Pra nêgo ler de qualquer jeito e ainda interpretar como bem entende. Não sei por que galera acha que eu me preocupo tanto com essas coisas de sexo e tals. Tivessem prestado atenção iam ver que até simpatizo com uma certa... Irregularidade no assunto. Bando de gente burra! Se eu soubesse que ia ser assim, tinha prestado concurso pro Banco do Brasil.

O último comentário de Deus gera grande comoção entre os três, que começam a discutir entre si e com o Todo-Poderoso. Este, cada vez mais irritado, berra:

Deus: Chega! Acabou! Já deu! Chega aqui, filósofo!

O filósofo se aproxima. Deus aperta um botão vermelho sobre sua mesa. Imediatamente um alçapão se abre no chão e os três caem.

Deus: E aí? Sou ou não sou todo poderoso? Um botãzinho e puf. Livre o mundo desses infelizes. Fiz um favor à humanidade e isso prova que também sou imensamente bom. Gabriel, encerra por hoje que eu tô de saco cheio. Vamos tomar uma cerveja, filósofo?

Deus pega o casaco e sai de cena, seguido pelo filósofo. As luzes se apagam. Fim.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Eu não nasci de óculos mas vou morrer com eles

Já tem algum tempo que eu ando brigando com minhas lentes de contato. Uso um, dois dias, elas já começam a incomodar. Troco, compro caixinha nova, esterelizo, mudo o produto de conservação, nada. As vezes no fim do dia meu olho já estava vermelho e incomodado.

Primeiro oftalmologista, em Outubro, decretou - é alergia. Usa o colírio tal, um mês sem lentes, vamos ver. Nada. Continuava a mesma coisa.

Segundo oftalmologista faz uma bateria de exames e joga a bomba: é ceratocone, deformação na córnea, baby, só piora, BUM! Fui para casa arrasada, achando que ia ficar cega dali a um mês, me vendo na fila de transplante de córnea, um drama. Conversa com um, conversa com o outro, uma amiga me indica um outro médico, especialista em córnea, professor, pesquisador, fodão, enfim. Vou lá.

Terceiro oftalmologista descarta o ceratocone, diz que é consequência de astigmatismo alto e o meu é baixo (a miopia é que é galopante). Examina de novo - conjuntivite crônica, causada pelo uso inadequado de, adivinhem, lentes de contato.

Como esse diagnóstico é bem menos aterrador que ceratocone e esse homem afinal vê centenas de córneas deformadas todos os anos, resolvo ficar com ele mesmo. Ao ser informado que costumo adquirir minhas lentes em caixinhas fechadas nas óticas da Lapa, quase tem um treco:

"Se você precisar de uma dentadura vai comprar uma pronta, por acaso? Se precisar de prótese na perna? Então, com lente é a mesma coisa, tem que ser sob medida. E não, não pode nadar, dormir nem ir à praia com elas."

Ou seja, tudinho que eu venho fazendo há, digamos, 20 anos.

Resumindo: estou de proibida de usar lentes até zerar essa conjuntivite do mal (que pode ser que não zere, fml) à custa de muito colírio e pomada. Por conta daquelas coisas que a mãe da gente diz pra não fazer e a gente continua fazendo porque né? Mãe é tudo terrorista.

Enfim, tô aqui cagada, sem lentes, me enchendo de corticoides sem saber se vai resolver e se a gente tem que ser Pollyana nessa vida pelo menos tive uma boa desculpa para adquirir armações novas finíssimas.

E vocês que usam lente de contato, coleguinhas, ouçam a tia Paula e nada de comprar na Fotótica, ok?

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Papo profundo

Porque eu e namorado somos pessoas que discutem assuntos profundos e relevantes para a sociedade. Apenas para ilustrar, compartilho nosso diálogo de ontem.

Namorado está de férias nos Estados Unidos e ontem estava em Las Vegas.

"Hoje eu fui visitar a loja do Trato Feito."

"E aí, foi legal?"

"Ah, hoje em dia é mais uma loja de lembranças do programa do que qualquer coisa. E pra variar a brasileirada gritando, putos porque os caras do programa não estavam lá."

"Aff, mas é lógico que os caras não ficam lá, ou você acha que a Honey Boo Boo ainda mora naquela casa tosca do lado da linha do trem?"

Somos cultos, lidem com isso.


Finesse ~risos~

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O inferno dos perdedores de livros emprestados

Aos que me conhecem pessoalmente ou virtualmente, vou logo avisando: eu não sou essa pessoa engraçada e agradável que aparento ser. Eu não sou uma cidadã respeitável. Eu não deveria estar solta por aí interagindo com outros seres humanos.

Eu perco livros.

Eu perco livros que não são meus.

Sim, caríssimos, vocês entenderam. Eu perco livros emprestados, sou ou não sou um perigo para a sociedade?

Começamos a história no banheiro masculino de uma lanchonete não muito católica na esquina da Consolação com a Paulista. O feminino estava sendo utilizado, pela demora era tóxico, eu estava apertada e com pressa, blábláblá. Já no ônibus em direção ao trabalho, me dou conta: o livro!

(Pausa para contar a história do empréstimo porque é boa. Um rapaz que trabalha comigo ganhou o exemplar de uma moça pela qual ele anda interessado. O caso é que o livro é em inglês, língua que ele não domina e ficou com vergonha de dizer isso a ela. Pediu para que eu lesse e contasse a história pra ele, e não querendo ser eu aquela que vai atrapalhar uma história de amor, topei.)

Pois o livro ficou no banheiro masculino de uma lanchonete não muito católica na esquina da Consolação com a Paulista. Eu não podia voltar para pegar pois estava atrasada - fui no caminho pesquisando o bendito em livrarias e sebos virtuais - nadica de nada. Fui no street view achar o telefone do lugar na fachada do mesmo - não havia. Joguei o nome no google - telefone desligado. Eu estava condenada a arder no inferno daqueles que perdem livros emprestados (que segundo um colega seria "um lugar em q vês todos teus livros favoritos, mas antes de alcançá-los, teus inimigos os rasgarão e rirão perante a ti, arremessando-os em seguida numa gigante fornalha"mas resolvi tentar a sorte e voltar lá depois da aula - vai que.

"Moço, eu esqueci um livro aqui hoje de manhã..."

Moço do caixa abre um sorrisão e puxa a lombada de capa roxa de alguma gaveta: "Mas logo no banheiro masculino, gata?"

Dou aquele sorriso amarelo que diz "longa história" e ele continua:

"Sorte sua que fui que entrei logo depois e eu gosto muito de livros, viu? Tava cuidando bem desse aqui, pena que eu não sei inglês."

Me entregou: "Que bom que você voltou pra buscar."

Estou salva. Desse inferno pelo menos, graças ao caixa da lanchonete não muito católica na esquina da Consolação com a Paulista que gosta de livros.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Não sei, me deu vontade de dizer isso.

Eu já fui aquela moça que julga outras moças pela maneira como elas se vestem, pelas escolhas que elas fazem com relação aos seus corpos, pelo jeito como elas decidiram exercer sua sexualidade.

Mas um dia eu percebi que eu também era julgada. Pelo meu cabelo curto, pelas minhas cervejas no fim de tarde, pelos palavrões soltos aqui e ali. Porque ter cabelo curto, beber cerveja e falar palavrão talvez não sejam coisas de ~menina~

E perceber isso me libertou. Me ajudou a me aceitar, a resgatar uma autoestima jogada na lama por anos de comparações e julgamentos injustos. Me ajudou a entender que a menina da saia curta talvez apenas se sinta bonita e feliz daquele jeito como eu me sinto com meus óculos enormes e meus lenços na cabeça. E que eu sou bonita assim. E que todas são bonitas em suas várias cores, tamanhos e comprimentos de roupa. E que a menina que beija e dá pra quantos quer pode estar apenas sendo livre e não tentando compensar alguma coisa.

Porque não julgar não melhora apenas sua relação com o mundo. Melhora sua relação com você mesma.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Huge ego, sorry.

Acho que todo mundo já deve ter tido o desprazer de cruzar, no Facebook, com aquelas imagens do House com frases pau-no-cu pride tipo "eu não sou antipático, só não consigo fingir que amo todo mundo". Eu gostaria que todo mundo que postas essas coisas lesse esse texto. Se vocês estiverema fim de se indispor com os cálega podem colar o link do post nos comentários do próximo que colocar isso na sua timeline.

Eu curto muito o House, sabem? Mas o dotô me parece estar bem longe de ser um exemplo de felicidade e saúde mental, isso sem mencionar o fato de que ele é um personagem fictício. Porque na vida real um doutor House, por mais genial que fosse, não duraria um mês. O mesmo povo que posta essas imagens se orgulhando de ser imbecil não sobreviveria uma semana ao lado dele, já que a turminha do movimento "falo na cara" é a primeira que se ofende e faz "mimimi você é grosso" quando leva coice de seus pares.

Ser mal-educado não é legal. Se orgulhar de não dar bom dia pro porteiro porque "não é obrigado" só atesta o quanto você é idiota. Sinceridade e agressão gratuita são coisas completamente diferentes. Mau-humor faz parte da vida mas gente esperta se recolhe e fica na sua ao invés de usá-lo para justificar patadas. Ser querido é bom. De verdade.

E o Hugh Laurie, que é um lindo, provavelmente concordaria comigo.


Cês tem alguma dúvida disso?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Constrangimento pouco é bobagem


Outro dia teve palestra da ~firma~ com o tema "gestão de pessoas". Como agora sou coordenadora achei que de repente seria uma oportunidade de aprender alguma coisa diferente da minha área, sei lá. Me inscrevi.

Eu estava enganada.

Eu estava muito enganada.

Eu estava absurdamente enganada.

Eu estava tão enganada que olha, faltam advérbios.

Nem vou mencionar todo o clichê corporativo-motivacional-liderança-proatividade-pensar-fora-da-caixa e blábláblá porque essa foi a parte boa em comparação ao que veio depois.

No final o palestrante nos fez formar um trenzinho e massagear as costas da pessoa da frente enquanto a pessoa de trás massageava as nossas.

Um.trenzinho.de.massagem.





Nem quando eu jantei no meio de um show de strip em Buenos Aires rolou tanto constrangimento.

Foi isso gente, só queria desabafar.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Festa na janela da tia Paula


Os cinco leitores assíduos deste cafofo sabem que habito um condomínio cheio de gente fina, elegante e sincera que chamo aqui de Jambalaia. Pois bem.

Não sei vocês, cinco leitores, mas no meu mundo se você tem menos de 12 anos, as 11 da noite tem que estar de banho tomado, dentes escovados, de pijama, jogando play station no conforto do seu quartinho. Infelizmente meus vizinhos não concordam com isso e 11 da noite uma horda de batutinhas pré-adolescentes  fica rondando o condomínio batendo bola e conversando naquele tom de voz muitíssimos decibéis acima do recomendado pela OMS. E apesar do Jambalaia ter quadra, playground e uma área externa relativamente grande, os batutinhas gostam mesmo é de se reunir no banco que fica bem ao lado da minha janela (e eu moro no térreo, vejam bem).

Ontem, 10 e meia, festinha no banco não dava sinais de que ia acabar logo. Eu gosto de sofrer, sabem, seus lindo, e acordo 5:30 da manhã todos os dias. Precisava dormir, mas a galerinha do barulho não deixava. Apelei para minha técnica infalível de colocar a cara na janela pra ver se eles se tocavam, mas aparentemente a técnica infalível falha miseravelmente quando usada com menores de idade. Fiquei uns 30 segundos encarando a patota até um deles me reconhecer, já que metade das crianças do condomínio estuda na escola que eu coordeno: "Olha, é a professora de inglês!" Me recolhi satisfeita para, dois segundos depois ouvir a conversa continuar rolando.

"Ela é sua professora da escola?"

"Não, ela dá aula no schlebts institute."

"Ah, ela é chata?"

"Não, a da escola é muito mais chata."

Diante dos rumos da conversa, pensei em avisá-los de que estava ouvindo tudo, mas achei mais divertido deixá-los continuar. Dali pra frente foi um tal de malhar tudo quanto era professora do colégio, falar que meus óculos estavam diferentes (sim, tenho óculos de sair e de ficar em casa), perguntar se eles tinham a professora no facebook e piriri pororó 11 da noite e nada da patota se recolher. Estava quase ligando para a portaria que não quero ser eu a mala que manda o filho dos outros dormir, mas enfim... Deu 11:30 alguma mãe abençoada chamou o primeiro e os outros foram seguindo seu caminho.

Daí eu penso que essa molecada fica cacarejando até 11:30 da noite ao lado da janela alheia e ainda tem assunto pra falar na escola no dia seguinte. Olha. Tô considerando pó de mico no banquinho da próxima vez.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Anne, eu te entendo

Post uma semana atrasado, mas ok, vocês entendem, é a vida, o trabalho, o calor, enfim.

Anne Hathaway levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante, cês sabem, né? Não assisti Les Misérables por motivos de: musical, mas não duvido que ela tenha merecido. Mas o mundo é aquela coisa injusta, né? Anne tava lá, linda de morrer apenas porque nasceu assim, ganhou um Oscar e galera só conseguiu focar no vestido dela que, verdade seja dita, era feio mesmo, sem graça até umas horas, mas de novo, who cares? Estaria maravilhosa até de vestido mullet da Eskala, então cês cala a boca tudo.

O que eu reparei mesmo em todas as fotos de red carpet dela foi outra coisa. Foi o cabelo. Que estava arrumadinho, o joãozinho caiu super bem nela (de novo, até uma peruca de nylon laranja cairia) mas olha. É uma coisa que só quem tem cabelo joãzinho entende. É aquela sensação de "o cabelo tá crescendo e não, eu sei que não tá bom". O sorriso dela diz isso. Tá quase pedindo desculpas como quem diz "daqui a pouco vai estar mara, gente, mas enquanto isso parece um capacete".

Peruquinha de playmobil feelings

Eu não sou a Anne Hathaway. Tô nem perto. A única coisa que temos em comum é o cabelo joãzinho e eu sei o parto que é quando a gente resolve que quer tê-lo comprido de novo. É triste. Até o bichinho tomar forma  e ter tamanho suficiente para a gravidade fazer sua parte ele vai ficando daquele jeito que parece que foi encaixado na nossa cabeça tipo peruquinha de playmobil. E não há lenço ou tiara que resolva, só força de vontade.

A minha está falhando há alguns meses, admito. De repente me dá a louca e eu corro pra Jura mandando ele tosar de novo. Mas estou aqui para desejar sorte à Anne nesta empreitada, Tamos aí contigo, sua linda, eu e todas as moças que um dia já deixaram um joãozinho crescer. Beijos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Não é gourmet se eu consigo fazer em casa

Daí leio na Vejinha (onde mais?) a notícia da inauguração de uma pastelaria gourmet em algum bairro nobre aqui da capitar. Um dos itens do cardápio inclui um pastel de linguiça defumada com cogumelos e provolone. Diante da descrição dos ingredientes, sou obrigada a concordar com a colega (bem) mais entendida de cozinha que eu, a Ilá, que diz: "se eu consigo fazer em casa não é gourmet, pronto."

Aliás, qual a necessidade? É pastel. É gostoso, calórico, todo mundo ama e isso é tudo que eu posso dizer sobre ele. A dona Idalina, lá do bar do Luiz Fernandes na zona Norte, faz o melhor pastel de palmito do universo, recheio cremoso, massa sequinha. O de camarão leva purê de abóbora e catupiry. Melhor da galáxia. Vê lá se ela coloca no cardápio "pastel de camarão gourmet" e cobra 10 dinheiros por cada um? Claro que não. Dona Idalina sabe das coisas. Por acaso o pastel de pizza da Maria lá no Pacaembu (tomate temperado picado bem pequenininho, mussarela de primeira, puro amor em forma de fritura de imersão) leva um "gourmet" do lado?

Mas nããão. Na coxinholândia legal mesmo é pagar 15 reais num pastel porque tem champignon no meio e se sentir na obrigação de achar uma delícia porque né, custou 15 reais.Qual será o próximo passo? Churrasco grego gourmet, com file mignon e pimentões indonésios? Acarajé gourmet, frito no óleo trufado?

Por fim, o dono do lugar trabalhou 487 anos no Fasano. Amigo, você trabalhou 487 anos no Fasano e o máximo que conseguiu foi abrir uma pastelaria? Tá de parabéns. Agora deixem minha coxinha em paz, por favor.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Quando Fevereiro chegar

Eu até devo ter passado por aquela fase pré-adolescente boboca que se acha melhor que todo mundo só porque descobriu o roquenrol e que por consequência detesta carnaval. Confesso que não lembro, mas pode ter acontecido. Fora estes dois ou três anos, o que eu posso dizer é que sempre amei a festa. Venho de uma família foliã, de primos que se vestiam de mulher atrás do bloco, mãe que fazia questão de costurar minhas fantasias, primas mais velhas que me levavam à matinê para garantir mais umas horas de bagunça, tio que passava a madrugada vendo e comentando o desfile na TV.

Pulei carnaval de clube, daqueles regados a muita marchinha e, mais na adolescência, axé.  Mais que isso, comi muito cachorro quente na saída e esperei o dia raiar na rua apenas porque "no carnaval podia".  Voltava para casa a pé, pendurada na minha irmã, levando pão e cumprimentando as tias que varriam as calçadas, coisa de quem morava numa cidade de 30 mil habitantes. O carnaval, aliás, é minha única lembrança boa dessa cidade.  Meu primeiro porre foi com bombeirinho num baile de carnaval, dei meu primeiro beijo atrás das coxias enquanto no palco rolava "Alô paixão, alô doçura." Fiz camisetas escrito "acho que vi um gatinho" na frente e "mas nem foi você" atrás e saí com as amigas pra levar litros de espuminha no cabelo. Já beijei um, já beijei dois, já beijei três em Ouro Preto. Encontrei o amor num carnaval.

Eu entendo quem não gosta, juro. Meu pai mesmo não curtia, sempre foi de ficar no canto dele, meio alheio à bagunça. Mas não condenava ninguém. Não fazia muxoxo quando alguém botava no desfile, não questionava a necessidade da minha mãe de costurar 1897 lantejoulas no meu bustiê de baiana, não passava quatro dias pregando a superioridade do rock sobre o samba. Não perdia tempo declarando que, oh, carnaval é coisa de desocupado, de país subdesenvolvido, é desculpa pra galera não trabalhar. Ele aproveitava para dormir até tarde, passar o dia inteiro de bermuda e chinelo e ler até o necrológio do jornal.

Acho que você já entendeu, coleguinha, que esse texto é pra você. Você que está lá no facebook classemédiasofrendo, reclamando do dinheiro que o governo gasta no carnaval, pregando que gente inteligente vai pro carnarock, fazendo slutshaming com quem está simplesmente exercendo sua liberdade de mostrar o corpo e beijar quem quiser não só no carnaval mas em qualquer época do ano.

Você não sabe o que está perdendo. E tem todo direito de continuar assim. Mas não é melhor que a galera que corre atrás do trio, assim, só pra te informar.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Porque certas coisas nunca mudam

O post abaixo foi retirado do me blog antigo, hoje fechado por motivos de força maior. Ele serve bem para ilustrar como, seis anos depois, certas coisas ainda não mudaram...



Eu tinha dito que não postaria em Julho e aqui estou, voltando atrás. Não consigo calar a boca mesmo. 

Acontece que voltei a ser aluna. E do tipo pouco talentosa para a matéria, o que espero possa me ajudar a me tornar uma professora melhor quando as aulas retornarem.
Há cerca de um mês, por conta de dores persistentes nas costas, voltei a fazer aulas de natação. No início atribuí minha falta de jeito aos vários anos longe da piscina e perto da cerveja e do McDonald’s. Aliem isso à minha notória aversão por academias e pelo povo que as frequenta e voilá: teremos alguém que se sente muito, mas muito desconfortável dentro de um maiô. 
Comecei muito bem meu programa de exercícios: faltando à primeira aula (mas por acaso vocês esperavam que eu fosse à natação quando faz nove graus em São Paulo? E daí que a piscina é aquecida?). Na segunda aula perdi cerca de dez minutos tentando colocar a maldita touca de borracha e só não fui mais humilhada pela minha total ausência de técnica porque nado na hora do almoço e não há mais ninguém na piscina além da professora naquele horário. “Vai melhorar”, me consolei, “só estou um pouco fora de forma”. Quatro semanas depois, no entanto, as coisas ainda não evoluíram. Enfim, nadar absurdamente mal tendo em volta de mim vidros que proporcionam uma bela visão do meu fracasso a todos os funcionários e alunos da academia tem sido um belo desafio ao meu excesso de preocupação com o que os outros acham. E a paciência da professora tem me deixado um pouco menos desconfortável e me incentivado a não desistir (claro que os seis cheques de 135 reais deixados na secretaria também me incentivam bastante).
Fiquei pensando. Se nadar de costas em linha reta é uma tarefa muitíssimo árdua para mim, porque aprender inglês não pode ser tão difícil quanto para certos alunos? A diferença é que eu posso simplesmente me conformar com a minha falta de talento já que meu objetivo não é chegar às Olimpíadas e eles, bem, eles cedo ou tarde terão que aprender essa merda nem que seja só para passar no vestibular. E eu é que terei que me virar em quatrocentas para colocar isso na cabeça deles. 
Vida de professor de Educação Física é bem mais fácil. Prontofalei.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Seria cômico se não fosse trágico

Todo mundo já ouviu isso alguma vez na vida. É sim, um tremendo clichê, coisa que euzinha procuro evitar mas, coleguinhas, depois de ler a história que contarei a seguir vocês entenderão que não poderia haver outro título para este post.

Irmã do meu chefe também tem uma escola de inglês, sabem? E, dia desses, funcionária nova na secretaria recebeu uma ligação do PS. O marido, motoqueiro, tinha sofrido um acidente. Mocinha vai embora do trabalho desesperada, meo deos, primeira semana no emprego e já uma dessas, e o marido, gente, teria sido grave?

Mocinha chega aos prantos no PS. Marido está em bem mas a moça que estava com ele infelizmente não sobreviveu.

Opa, que moça, meu senhor? Secretária presta atenção. Logo ali uma família chorando a perda do seu ente querido na garupa de uma moto - vai conversar com eles. Era sua filha que estava na garupa, senhora? Era sim. E a senhora conhecia o moço que conduzia a moto?

LÓGICO, MINHA FILHA, ERA NAMORADO DELA.


Tá, não tem graça porque a moça morreu mas gente? Nunca aquela história de "nada está tão ruim que não possa piorar" fez tanto sentido.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Nota de agradecimento

Aquele livro na estante sempre exerceu uma atração estranha sobre mim, um misto de curiosidade e repulsa. Com uma belíssima foto de uma barata em tamanho natural na capa, conheço gente que não teria encostado nele. Eu encostei. E um dia abri.



Não lembro quantos anos eu tinha, mas lembro de ter passado horas rindo de chegar quase às lágrimas com  o relato daquele cucaracha vivendo nos Estados Unidos num tempo tão, mas tão distante. Eu era uma menina de classe média nascida em 78 e criada a leite com pera em apartamento acarpetado, mas me identificava tão completamente com aquele barbudo que contava histórias de internações por conta de uma doença que eu não entendia direito, de ditadura, de política e de choque cultural. Coisas que eu só podia mesmo imaginar o que eram. Eu ria de coisas que só fui compreender muitos anos depois, eu me emocionava com as partes que deveriam ser tristes mas que na voz dele ficavam apenas melancólicas. Eu amava o jeito como ele escrevia. Era como se ele estivesse ali, sentado na minha frente, contando aquelas histórias. Era como se ele fosse meu amigo mesmo. Reli tantas vezes que sei até hoje algumas passagens de cor. Guardei aquele livro comigo por anos, como um pequeno tesouro. Foi durante muito tempo meu preferido, tão amado a ponto de eu escondê-lo a cada visita da minha tia, verdadeira dona do exemplar, com medo que ela resolvesse pegá-lo de volta.

Hoje faz 25 anos que Henfil morreu e esse texto é meu pequeno agradecimento a ele por ter sido meu amigo .

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Feliz ano novo

Deixo uma sugestão para os camelôs que por ventura decidam trabalhar em Copacabana no Réveillon 2013-2014. Ao invés de vender chapéus brancos, varinhas de neon ou oferendas, eles podem diversificar os negócios oferecendo aos turistas camisetas com os dizeres: "Réveillon em Copacabana - eu sobrevivi."  Porque sim, coleguinhas, é uma questão de sobrevivência.

Antes de mais nada deixa eu dizer que amo o Rio. Amo mesmo e já expressei todo esse amor nesse post aqui. Mas no ano-novo esse amor é colocado um pouquinho a prova, não vou mentir para os senhores.

Virada do ano em Copacabana é meio aquela coisa que todo mundo sabe que é roubada mas se sente na obrigação de fazer uma vez na vida - e tem que fazer mesmo porque é lindo, incrível e não se parece em nada com qualquer queima de fogos que você já tenha visto por aí, mas siga os conselhos da tia: se for, fique hospedado em Copa, porque a logística de chegar até lá é aterradora até para os padrões paulistana usuária do transporte público. 

Primeiro que não é só chegar e pegar o metrô, não senhora, tá pensando que é bagunça? Tem que comprar um bilhete especial que ter permite embarcar só no horário especificado. Daí você chega na estação 10 minutos antes do horário do bilhete e já tem uma multidão de gente se espremendo nas catracas esperando dar o horário. E quado dá rola todo o estouro da boiada, e como essa coisa de transporte público é muito inteligente você fica na plataforma esperando o trem por mais uns dez minutos enquanto no sentido contrário, que é para onde ninguém quer ir, passam uns quatro carros. Daí o trem finalmente chega e já vem lotado de um jeito que você pensa "olha, se der um pau nesse negócio e o ar condicionado falhar morre todo mundo, sério." O calor é inacreditável. Isso se você conseguir embarcar no primeiro. Mini ataque de pânico a caminho. 

Entretanto, contrariando todas as possibilidades, você chega e Copacabana está lá, linda como sempre, cheia de gente de todos os tipos (e é isso que eu amo no Rio) vestida de branco, dourado, prateado, colorido e só desejando que o ano seguinte seja bom. Você encontra seu pedacinho de areia, faz contagem regressiva, assiste aos fogos, toma espumante com os amigos e pensa: ah, nem foi tanto perrengue assim. Até que você decide voltar.

Há uma fila para pegar o metrô na volta. Ou melhor, há uma fila gigantesca para entrar na estação. Uma fila que dá voltas no quarteirão, uma fila tão zoneada que está na cara que ela nem existe, que está todo mundo é furando a dita cuja em algum ponto. Você está meio bêbado, cansado, melado de areia e espumante, seu voo de volta sai dali a cinco horas e você dá de cara com uma fila que parece que só vai acabar no dia 4. Não existem táxis, não há possibilidade de ir a pé. Entro na fila sem esperanças, mas ó que dá pra fazer. Uma tia bebíssima atrás de mim fica gritando "imagina na copa!", uma família de uns seis franceses com cara de perdidos entra na minha frente (nota mental: aprender a dizer "o fim da fila é para lá" em várias línguas) mas incrivelmente a coisa anda e em 20 minutos estou no trem que está vazio. Chego ao hotel salva (mas não sã), com todos os meus documentos, dinheiro e  celular. Sobrevivi.

Rio, ainda te amo. 364 dias por ano.