segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Não seja esta pessoa

Acho que poucos pais leem meu blog, mas caso algum leia vim aqui deixar meu apelo.

Eu coordeno uma escola de idiomas, como muitos de vocês devem saber. Esta é a época do ano quando eu enfio minha bunda na cadeira e de lá não levanto até ter conferido as notas de todos os alunos no sistema. E SEMPRE tem os serumaninhos que estão devendo um monte de notas porque não entregaram lição, redação, tarefa online, nada. E sobra pra mim ligar para os pais desses serumaninhos para dar esta agradável notícia. Se um dia vocês forem pais destes serumaninhos que não fazem lição de casa, peço que não sejam estes tipos de pais:

- O pai que acha que a culpa é nossa porque não amarramos o cidadão na carteira e o obrigamos a fazer lição na base de chicotada.

- O pai que houve essa mesma ladainha há 3 anos e ainda se mostra surpreso "não acredito que ele não fez!"

- O pai que finge que vai tomar providências mas as benditas lições continuam não aparecendo.

- O pai que fala com o moleque ao mesmo tempo que fala comigo:

"Sr. pai, o joãozinho não fez a lição"

"Joãozinho, vem cá, a coordenadora falou que você não fez lição"

"Ele precisa entregar até dia tal"

"Aí Joãozinho, é pra entregar até dia tal" 

- O pai cumpadi Washington que não sabe de nada, inocente: "Nossa, mas eu perguntei ontem se ele tinha feito as lições e ele falou que tinha"

- O pai que manda o moleque ligar de volta pra mim pra tirar satisfação.

E por fim, não seja também o moleque me liga jurando de pés juntos que "fez as lições online mas o sistema não salvou"

O sistema sempre salva.

Beijos da tia.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Sobre ser fascinado por alguma coisa

Don't ask me how mas entrei no buraco negro da internet e fui parar neste programa britânico chamado Mastermind:



Não tem legenda e eles falam super rápido com aquela delícia de sotaque britânico super fácil de entender, mas basicamente é um game show de perguntas e respostas onde os participantes tem 90 segundos para responder o máximo possível de questões sobre um assunto que eles dominam muito. Até aí nada de novo sob o sol, é um formato de programa que existe há muito tempo, mas olha, não deixa de ser fascinante. Neste episódio especificamente os participantes estavam respondendo sobre:

 - O período entre 1920 e 2007 de um time de futebol que pelo que entendi joga na segunda divisão inglesa
- Benjamin Britten, um compositor, maestro e pianista inglês falecido em 1976 (valeu wikipedia)
- A cidade de Veneza
- O período entre 1609 e 1960 na história de Ulster, uma província no Norte da Irlanda
- O período da lei seca nos Estados Unidos

E as perguntas, gente, elas são super difíceis. Não é nada tipo "Quando Veneza foi fundada?" não. É coisa nível "qual o nome do padre que caiu e quebrou a perna na ponte x de Veneza no dia 21 de Julho de 1842?"

Eu juro que eu entendo que uma pessoa seja fascinada por um time de futebol x ou por Veneza mas a lei seca? Como assim existe uma pessoa que sabe absolutamente tudo sobre a lei seca nos Estados Unidos (porque acreditem, pra responder essas perguntas tem que saber tudo). O mundo é tão incrível, tem tanta coisa incrível nele, por que alguém escolheria ser especialista na lei seca, gzuiz?

Desconfio que eu tenho algum nível de déficit de atenção porque não consigo me interessar nesse nível por nada, na verdade em nível nenhum. Eu me interesso por tudo, eu quero saber tudo. Se você estiver disposto a me explicar física quântica de um jeito que eu entenda eu vou querer saber. Eu não tenho hobbies porque pra mim ter um hobby implica em estar profundamente envolvido com alguma coisa e eu não consigo estar. Eu quero aprender a costurar, a fazer comida vegana, a correr direito, a falar Francês e nessa ânsia toda eu acabo não aprendendo nada, o que é muito frustrante.

Entretanto, eu estou verdadeiramente fascinada por esse programa. Talvez eu me torne uma especialista em Mastermind. Talvez um dia eu vá ao Mastermind responder perguntas sobre o Mastermind. Mas tem uns três episódios de Joana, a virgem pra eu assistir antes disso. E alguns capítulos de Uma breve história do tempo pra ler. E uns vídeos de culinária vegana e gatinhos. E uma fase do Candy crush pra passar. E talvez correr uns 3 quilômetros (tô fora de forma). E... e... e...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

É tudo verdade

Vira e mexe eu conto os causos que acontecem aqui na escola e galera acha que eu invento, tipo o tiozinho que entrou só pra perguntar se era verdade que não pode comer Hellmann's porque Hellmman's significa homem do inferno. Mas eu juro, gente, é tudo verdade. Não tem fanfic nesse cafofo não e pro causo de hoje tenho ibagens.

Ontem uma mulher passou por aqui perguntando se estávamos contratando professores para o próximo semestre porque ela morava perto e tinha experiência na rede. Respondi que sim (se tem uma coisa que eu tô sempre precisando nessa vida é professor), ela agradeceu e disse que ia mandar o currículo.

Muito que bem.

Hoje tô quieta na minha sala, as meninas da secretaria me chamam: Paula, encomenda pra você.

Não é meu aniversário e eu não comprei nada pela internet ultimamente.

Chego na secretaria e já sou recebido por aquele cheiro pavoroso de perfume de tia velha que emana de uma sacola de presente embrulhada em papel celofane.

"Aquela mulher que falou com você ontem que deixou."

Gente.

Gente.

Não quero nem falar no quão inapropriado e sem noção é você mandar presentes para o responsável por te contratar para uma vaga de emprego. Vamos focar na encomenda.


Constavam no kit, caso vocês não consigam ver muito bem: 

3 bolinhas de plástico coloridas de 1,99
1 sabonete Francis
Meia dúzia de papais noéis feios
1 DVD do Hobbit
1 DVD Matrix Revolutions
2 cartões de natal que tocam musiquinha
1 caneta marca texto usada
3 plumas coloridas
1 bloco de papel com o nome e o e-mail da remetente carimbado em todas as folhas
O currículo da pessoa
Tudo isso coberto deliciosamente por um perfume que vai me acompanhar até as 9 da noite hoje, quando eu conseguir tomar um banho. 

Cogitou-se despacho pra arrumar emprego e daí eu me pergunto o que aconteceu com as boas e velhas velas e farofa, porque despacho com DVD eu acho ultra moderno. Na verdade a secretária da escola, que é crente, acreditou mesmo que era um despacho e soltou um "tá repreendido em nome de Jesus!" 

Depois dessa eu hoje tô só a Roberta Miranda:





terça-feira, 22 de novembro de 2016

Rocky Horror Show

Eu era adolescente quando assisti a Rocky Horror Show pela primeira vez, na TV aberta, numa madrugada insone dos anos 90. Eu fiquei fascinada pelos figurinos malucos, pela história nonsense, anárquica, meio trash e tosca como só os anos 70 seriam capazes de fazer. Também amei as músicas pegajosas e vivia cantando Time Warp e Hot Patootie. Rocky Horror Show era um ode à zuera quando a zuera nem existia. Na verdade Rocky Horror Show inventou a zuera. Como superar Tim Curry de corset rebolando e cantando "I'm a sweet transvestite, from transexual Transylvania"?



Aff 

Daí veio a montagem em São Paulo. Fiquei sabendo pelo irmão do namorado, outro fascinado pela peça. Quando ele me disse que o Marcelo Médici faria o dr. Frank-n-furter e sabia que eu tinha que ir de qualquer jeito. Sabe pessoa que nasceu pro papel? Ele mesmo. Na semana da apresentação cunhado me manda mensagem perguntando se eu ia fantasiada. A gente tinha visto no facebook fotos de um povo vestido de Magenta, Rif Raf e Columbia na semana da estréia e pessoas, não sei se vocês sabem mas se fantasiar tá no meu top 10 "coisas que eu gosto de fazer" ou seja: foi facinho me convencer. Corri atrás de uns apetrechos para me fantasiar de transylvanian (esse povo desmaiado que aparece no comecinho do vídeo): um terno preto, óculos de 1,99, chapéuzinho de aniversário. Era o que dava em cima da hora. E fui.

Só eu e cunhado fantasiados hahahaha. Só. nós. dois. E os transylvanians nem estão na peça, então quem estava lá e não viu o filme nem sabia quem a gente era, mas me diverti horrores e arrependimento? Não trabalhamos. Cunhado inclusive subiu no palco pra dançar o Time Warp com o elenco no fim da peça. Foi lindo, Marcelo Médici fez jus ao nosso amado dr. Frank-n-furter, a versão em português das músicas ficou ótima e o elenco tá todo de parabéns. Rocky Horror Show é muito amor e tem no Netflix gente, aproveita e vem dividir esse amor comigo hahahaha.


It's just a jump to the left/ And then a step to the right.



Don't dream it/ Be it 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Para Amanda

Amanda é libriana como a mãe dela, mas família Foltran Borges não liga pra essas coisas de signo não. Ela tem oito anos e gosta de Frozen, de desenhar e do livro da menina bonita do laço de fita. Também gosta de coentro e uva passa na comida, é das minhas, essa garota. Ela fala rapidinho, com os rr de carioca, eu falo porta do interior de São Paulo. Ela calça 34 e usa roupas tamanho 12: vai ser alta como eu, a minha sobrinha. Talvez mais. Ontem assistiu Mulan e já roubou a camiseta da mãe que diz "Fight like a girl".

Doutrinada com sucesso (Pra quem quiser: a camiseta é daqui)

Quem adota uma criança mais velha perde algumas primeiras vezes (primeiros passos, primeiras palavras, etc). Mas a vida, gente, ela é essa sucessão de primeiras vezes. Domingo fomos patinar no gelo. Eu devia ter a idade dela quando patinei no gelo, então não lembro como era. Até que não fiz feio não, mas como ser adulto é muito chato eu só conseguia pensar que, gente, não posso me quebrar nessa pista, tô cheia de trabalho na escola e meu plano de saúde não cobre Brasília. Já ela em dois minutos estava no meio da pista, cuidando do menino pequeno que tinha entrado com e gente (e que a gente não conhecia) porque ela é dessas. 

Tem um adesivo da Jolie colado no meu celular: virei oficialmente tia de menina. Amanda entrou na minha vida há um mês, mas parece que esteve sempre, desculpem o clichê. 

Amanda, minha linda, o mundo é lugar difícil, mas você está em boas mãos. Se tem uma coisa que as Foltran Borges sabem fazer é criar mulheres foda. E a gente está pronta pra deixar o seu mundo tão bonito quanto você deixou o nosso. 


Quando você vai encontrar sua sobrinha pela primeira vez e vocês estão com a mesma roupa

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Lembrete

Talvez seja o verão, a proximidade do momento em que eu vou ter que colocar biquíni na frente de um monte de gente que eu conheço mais ou menos, meu aniversário chegando (os "enta" cada vez mais próximos, deos). Ano passado foi a mesma coisa: de uma hora para outra eu comecei a ficar obcecada com o meu corpo.

Fora a adolescência, que costuma ser complicada, no geral eu sempre fui bem resolvida com o meu corpo. Sou magra, branca, 1, 69, padrãzinho. Um pouco de celulite, uns vasinhos estourados, a bunda já esteve melhor, mas nada que realmente incomodasse. Uso o mesmo número de roupa desde os 18 anos, nunca briguei com balança, tava tudo bem. Mas ano passado, nesta mesma época do ano, me peguei numa clínica de estética fazendo um tratamento bem dolorido para "gordura localizada", a.k.a. os quadris que minhas antepassadas italianas me deixaram de herança. Minha irmã ganhou olhos azuis, eu ganhei quadris. Sim, é ridículo eu estar incomodada com isso. Mas eu, a bem resolvida, a desconstruidona, tava lá gastando dinheiro com um negócio que é no mínimo inócuo, no pior cenário de todos perigoso.

Esse ano eu estava quase caindo na mesma armadilha, porém:



Meu corpo é ótimo, saudável, me leva pra onde eu quero e é só isso que eu preciso. Cuido dele para que ele se mantenha assim, não para que ele mude e se adeque ao padrãozinho doido que eu inventei porque né? Eu já sou padrãozinho. E se eu que tô super dentro do esquema de vez em quando entro nessa bad, não consigo nem imaginar a luta que é para quem está longe do padrão.

Gatíneo da positividade pra ajudar a gente nesses dias ruins

Este post foi só um lembrete para mim mesma que está tudo bem. E que é pra eu parar de criar minhoca na cabeça. Talvez sirva pra vocês também. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Porque eu odeio cursinhos

ENEM tá chegando, galerinha já está estourando a pipoca para acompanhar o show dos atrasados, aquela maravilha toda que a gente conhece. Hoje enquanto eu tomava café na padaria o Bom Dia São Paulo estava mostrando uma reportagem x sobre os preparativos para o ENEM em um cursinho e já me deu aquele ruim no estômago logo cedo.

Eu tenho pavor de cursinho.

Eu fiz cursinho durante seis meses (daí decidi prestar vestibular pra Letras e ninguém precisa de cursinho pra passar em Letras e larguei) e foi horrível. Eu dei aula em cursinho anos depois e foi um pesadelo.

Quando eu estudava eu tinha só uma professora mulher, a de Literatura. Todos os outros professores eram homens, a maioria jovens. Eram especialistas em piadas machistas e homofóbicas e não faziam nenhum esforço para manter distância das alunas adolescentes apaixonadinhas que tentavam se aproximar deles, pelo contrário. Vi professor pegando aluna, vi aluna no colo do professor.

"Ain, mas aos 17, 18 anos essas minas já deram mais que chuchu na cerca, tão se jogando em cima dos caras, eles comparecem"


Tem uma relação de poder muito errada nissaí, amigolino, e se você não enxerga isso não tô com paciência pra explicar não, beijo. Outro dia teve textão de professor no facebook querendo biscoito porque ~respeita~ aluna adolescente e minha vontade foi de soltar logo o carimbinho Damires do "não faz mais que a sua obrigação" mas né, fiquei quieta porque não estava na TPM e meu eu sem TPM não treta nas internets.



Uns anos depois da faculdade fiquei do outro lado da sala no cursinho. Mais uma vez, de mulheres, só eu e a professora de Redação. A história se repetia, as mesmas piadinhas, aquele desrespeito massa com as professoras, etc. Um dia entrei na sala e um moleque estava na lousa desenhando uma piroca e berrando "AÍ Ó, ESSE AQUI É PRA PAULA!". Quando fui reclamar na coordenação ouvi do superior (homem, claro): "Ah Paula, deixa quieto, é coisa de moleque". Fora o odinho que eu tenho até hoje daqueles malucos que vão dar aula fantasiado ou tocando violão, as famigeradas "aula-show". Aula-show my ass meus senhores, imagina o coitado lá no meio da fuvest cantando musiquinha pra lembrar fórmula de física (e decorar fórmula não adianta nada né, migo, tem que saber aplicar).

Eu tenho amigos queridos e muito competentes que dão aula em cursinho até hoje e eu tenho certeza que eles se esforçam para que as coisas sejam diferentes. Eu sei que muitos deles, inclusive, fazem um trabalho lindo de formação dessa galera. Sei que a molecada tá vindo aí mais livre, mais consciente, menos preconceituosa. E eu sei, sim, que "not all cursinhos". Mas eu traumatizei. Tenho pavor e acho que cursinho é um negócio pelo qual ninguém deveria ter que passar.

Quem sabe um dia, né?

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Depois que parei de tomar anticoncepcional minha vida tava um sossego só (mentira, tava meio deprê e cheia de espinhas) e eu não tinha mais TPM. Não tinha mesmo. Às vésperas da menstruação ao invés de desejar morte lenta e dolorosa ao cidadão que resolveu colocar crédito em 475 celulares diferentes no caixa do mini extra eu estava andando por aí parecendo o pequeno Wilber dos sobrinhos do Athayde (só idosos entenderão). Até essa semana.

Essa semana eu consegui me meter em duas tretas de internet no mesmo dia: uma com gente que acha que tudo bem proibir criança de frequentar restaurante e outra com azmagra que em todo post sobre as dificuldades das pessoas gordas aparecem lá para berrar: "AIN E AZMAGRA? AZMAGRA TAMBÉM SOFRE. AZMAGRA NÃO ACHAM ROUPA PP". Eu não vou discorrer sobre estes assuntos aqui porque já perdi muito tempo nas tretas fazendo isso, mas a moral da história é: cês tão tudo errado e eu tô certa.

E eu espero sinceramente que seja TPM mesmo pois deos me livre me tornar o tipo de pessoa que arranja treta na internet.


Euzinha esses dias (à esquerda, no caso)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Precisamos falar sobre: filmes dos anos 80 que ninguém assistiu mas deveria

Na verdade é só um ~risos~. A Juliana pediu indicação de filmes dos anos 80/90 para passar para os alunos dela do sexto ano e obviamente abriu uma cratera sem fundo no twitter. Surgiram os clássicos, goonies, de volta para o futuro. labirinto, conta comigo, feitiço do tempo. E lá pelas tantas eu lembrei de um dos meus filmes preferidos dos anos 80 e que eu nunca ouço ninguém falar: Viagem Insólita.

Eu assisti Viagem Insólita dezenas de vezes quando era criança. Muitas mesmo. Cada vez que eu ia à locadora meu pai me olhava desanimado: "de novo esse?" Sim, de novo. Viagem Insólita conta a história de um militar que topa participar de um experimento para ser miniaturizado e inserido na corrente sanguínea de um coelho. Obviamente o experimento dá ruim e ele vai parar dentro do corpo de um cidadão completamente hipocondríaco e daí começa todo o perrengue pra sair de lá já que em breve o tenente ficará sem oxigênio. O filme é maravilhoso por muitos motivos e vou listá-los agora (lembrem-se que estou confiando no meu eu de 10 anos já que eu não assisti de novo depois de adulta, então me perdoem se vocês acharem uma bosta):

- Tem o Dennis Quaid xófem dando um caldo absurdo.
- Tem o Martin Short que era tipo o rei das comédias bestas nos anos 80.
- Tem a Meg Ryan porque a Meg Ryan estava em todos os filmes dos anos 80.
- Foi produzido pelo Spielberg.
- Tem efeitos especiais ótimos (pelo menos para a época, né?)
- É muito informativo sobre o corpo humano (pelo menos o meu eu de 10 anos achava né?)
- É uma mistura de ação, ficção científica, aventura e comédia daquelas que só os anos 80 conseguiram produzir.

Procurei no Netflix e infelizmente esta jóia do cinema de entretenimento não está lá, mas vocês são espertos, né? Vão dar um jeito de achar porque vale muito a pena.


Muito amor por esse VHS <3 i=""> 

sábado, 15 de outubro de 2016

31 perguntas para quebrar um silêncio constrangedor

Dos blogs da Ju e da Amanda. Porque todo garota dos anos 90 ama cadernos de perguntas

1. Você gosta de coentro ou acha que tem gosto de sabonete?
Eu amo coentro e irei protegê-lo

2. O que você acha de áudios do WhatsApp?
Só acho chato porque tem horas que eu não consigo ouvir já que vivo no ônibus (e não tenho fones de ouvido), ou em aula e tal. Mas reconheço a praticidade e as vezes a gente precisa ouvir a voz da pessoa sim

3. Você também comia o chocolate da Turma da Mônica pelas bordinhas?
Sim, acho que todo mundo fazia isso. 

4. Qual é a melhor consoante do alfabeto?
Gosto do X, em português eles tem tantas possibilidades hahaha

5. Qual é a primeira rede social que você vê de manhã?
Twitter

6. Você acha que existe alguma bala melhor que 7 Belo?
Não gosto de bala nenhuma

7. Que cor você acha menos confiável?
Se for para roupas, amarelo. Odeio amarelo. E acho marrom meio esquisitão também.

8. Qual foi o último filme que você viu e odiou?
Assisti "Ave César" dos Irmãos Coen e parece um filme feito assim num fim de semana. Achei bem ruim mesmo. 

9. Qual animal parece mais simpático, um pato ou um golfinho?
Patos, obviamento. Golfinhos não são confiáveis.

10. Toddy ou Nescau?
Não tomo nenhum dos dois há uns 20 anos. 

11. Você acha que bebês conversam uns com os outros?
Er... não. 

12. Sabia que todo mundo é feito de poeira de estrelas?
Bonito isso né? Você leu num livro? 

13. Ouro Branco ou Sonho de Valsa?
Ouro Branco. Chocolate branco é chocolate sim. 

14. Qual era seu desenho favorito na infância?
Muppet babies e o fantástico mundo de Bob.

15. Que série você jamais reveria?
Gilmore Girls. De gente adulta fazendo merda basta eu nessa vida.

16. Qual personagem do Harry Potter você menos gosta?
Eu não tenho referência nenhuma de Harry Potter, não li os livros, não vi os filmes. 

17. Qual é sua opinião sobre barrinhas de cereal?
Pedacinhos de papelão com açúcar. Não, obrigada. 

18. Com quem você dividiria um Bis?
Eu daria logo o Bis inteiro porque nem gosto de Bis. 

19. O que você faria se achasse R$ 50 na rua?
Colocaria na carteira e iria gastando conforme o necessário. Provavelmente créditos para o bilhete único.

20. Quanto tempo uma comida precisa estar na geladeira para você considerar ela velha?
Não confio no tempo, confio no cheiro.

21. Qual é seu número preferido?
5.

22. Qual é o aplicativo mais inútil do seu celular?
Meu celular tem 8G, portanto não posso me dar ao luxo de manter aplicativos inúteis hahaha

23. Quem você tiraria do elenco de “Friends” se fosse obrigado?
A Rachel, sem sombra de dúvida.

24. Você é contra ou a favor de comer macarrão com arroz?
Macarrão com arroz não sei mas lasanha com arroz é amor demais. 

25. Qual foi a última vez que você precisou usar a Fórmula de Bhaskara?
Não tenho a menor ideia.

26. Você acha que dá para morrer de overdose de rúcula?
Copiando a resposta da Amanda, tomara que não, porque eu amo rúcula.

27. Quanto tempo você levou para entender como funciona o Snapchat?
Nem tentei.

28. Qual é sua opção favorita no restaurante por quilo?
Feijão.

29. Você gosta de “Sorry” do Justin Bieber?
Adoro. E amo o clip também.

30. Você prefere passar muito frio ou muito calor?
Calor. Frio me deixa muito mal humorada. 

31. Você está dormindo e sobe uma barata na sua cara. Você prefere continuar dormindo e nunca saber ou acordar e fazer alguma coisa?
Continuar dormindo mas quase certeza que eu acordaria porque meu sono é absurdamente leve. 



Em homenagem aos anos 90: agenda da Pakalolo estrumbada de papel

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Como ser paulistano - curso básico

São Paulo definitivamente não é para principiantes. Outro dia eu estava lembrando do tempo em que circulavam por aqui umas vans de transporte clandestino, que andavam com a porta aberta e o cobrador de pochetinha gritando o itinerário a cada ponto que passava "PIQUERI FREGUESIA DO Ó PONTE DO LIMÃO". Isso foi em 2002 e eu brincava de Velozes e Furiosos São Paulo edition quase todo dia pra ir da USP até a casa da minha tia no Jardim Patente. O moço que trabalha aqui na escola riu e disse "Paula, lá na quebrada ainda tem". Pois é.

De vez em quando aparece carioca reclamando que paulistano é muito chato e caga regra até pra usar escada rolante (sim, aqui ficar parado no lado esquerdo da escada é pior que xingar a mãe), mas cês já viram a quantidade de gente que circula no metrô por aqui no horário de pico? Ou a gente bota regra na bagaça ou pelo menos um vai morrer por dia naquele mar de gente. É que quem vê de fora não tem noção do que é desembarcar na Luz e ter UMA escada rolante disponível para 832 mil pessoas saindo do trem ao mesmo tempo.

Eu só ando de trem uma vez por mês quando vou ao Morumbi levar os relatórios dos alunos particulares para a escola à qual eu presto serviço. Na última vez estava lá subindo as 9 mil escadas da estação Pinheiros (que é mais profunda que a minha fome 5 horas da tarde em dia frio) quando reparei nuns cartazes anunciando umas luzinhas do lado de fora dos vagões para avisar que eles estão lotados.

Sim.

Imaginem a reunião que deu origem a essa ideia maravilhosa:

"O povão está reclamando que o metrô é muito lotado, chefe."

"Aff, essa história de novo. Pobre reclama de tudo. Os trens são tão novinhos, tem lata de lixo pra tudo quando é lado, tudo limpinho, não tá bom já? Ainda querem conforto?"

"Talvez se a gente diminuísse o intervalo entre os trens..."

"E contratar mais condutores? Cadê orçamento pra isso? Cês acham que o dinheiro dá em árvores?"

"Expandir a rede com novas linhas, então, nem pensar..."

"VOCÊS ESTÃO LOUCOS? Estamos enrolando há anos com a linha laranja para parecer que estamos fazendo alguma coisa.  Não.tem.condições."

"Já sei, vamos colocar umas luzinhas nos vagões para indicar que eles estão lotados, daí o cidadão pode esperar passarem mais uns cinco até ele conseguir entrar."

"Essa ideia é muito imbecil, o cidadão não consegue enxergar que o trem está lotado?"

"Naaah, mas a gente vende como modernidade, inovação, benefício ao trabalhador. A gente coloca um código de cores pra ficar lúdico."

"Sei não..."

"E ainda dá pra superfaturar a instalação das luzes!"

"Aí sim heim! Podem fazer o orçamento!"

Pois é gente. São Paulo não é para principiantes.


Geraldinho rindo na cara do cidadão paulistano



terça-feira, 4 de outubro de 2016

The great big news

Então eu disse no post anterior que tinha uma novidadona pra contar mas que precisava de autorização porque ela envolve outra pessoas. Pois a autorização saiu e venho por meio desse post informar que virei tia! Após uma gestação de cerca de dois anos o processo de adoção da minha irmã saiu e a partir da semana que vem uma menina de oito anos terá um lar de verdade, uma mãe, um pai e um gato mal-humorado que esperaram demais por isso (o gato talvez não ~risos~).

A gente não tem ideia do que é uma adoção até estar envolvida com ela. Do quanto se investe emocionalmente no processo, do quão complicado parece às vezes. A gente ouve histórias lindas, outras tão difíceis. A gente acha que não vai dar. A gente descobre que na verdade tem mais gente querendo adotar do que crianças prontas para a adoção. E quando ela vem, do tamanho do cuidado que a gente tem que ter com tudo e como cada passo daquela criança em direção à família dela.

Minha irmã mora em Brasília e adoção tardia tem muitas regras de adaptação (há etapas a serem seguidas para apresentar a família, para ter gente dormindo em casa) então eu só vou conhecer minha sobrinha no natal, mas é impressionante como ela já muda  a percepção da gente sobre um milhão de coisas. Tô feliz demais por ter uma pessoinha tão esperada chegando na minha família.

2017 vai ser um ano especial para a família Foltran Borges, eu tenho certeza.

Seja bem vinda, Amanda, "aquela que deve ser ser amada". Tia Paula já providenciou seu primeiro All Star e sua primeira edição de Alice no País das Maravilhas.

(Esse é o símbolo da adoção - os lados do triângulo representam a criança, os pais adotivos e os pais biológicos, entrelaçados pelo coração que representa o amor. Não tem foto da Amanda porque eu acho que ainda não pode, mas acreditem, ela é linda de morrer. É alta e tem um cabelão cacheado daqueles que vai dar um afro maravilhoso no futuro, se ela quiser) 

Tá tudo devagar, tá tudo uma loucura

Tá tudo meio devagar mas tá tudo corrido pra caramba. Tá devagar porque não tem novidade (quer dizer, tem sim, novidadona, mas preciso de autorização pra contar). Tá corrido pra caramba porque peguei dois alunos particulares no período da manhã e agora oficialmente estou trabalhando das 8 às 8 e sábados. Fora que Outubro é sempre caótico com dia das crianças, dos professores, reunião de pais e Halloween, tudo pra eu organizar by myself with a little help from my team.

Sobre os alunos particulares: é aquela loteria e pode ser que você tenha que passar três horas por semana com um eleitor do Bolsonaro e tals, mas dessa vez eu dei sorte. Os dois tem mais ou menos a minha idade e são legais, conversadores, questionadores e inteligentes. Um é dono de uma empresa que desenvolve aplicativos de celular e o outro já fez seu primeiro milhão numa empresa de investimentos sem falar inglês. O legal de dar aula particular é essa possibilidade de conhecer gente tão fora do meu meio. Estas aulas particulares aliás, vão patrocinar minha segunda novidade (além da novidadona que assim que estiver autorizada eu volto pra contar): estou prestes a riscar mais um item da minha bucket list e levar minha mãe para a Itália no aniversário ela, em Março. Vai ser também minha chance de fazer as pazes com Roma, que me recebeu fria, chuvosa e lotada quando fui pra lá no começo de 2015. De lá os planos são Lisboa, que eu ainda não conheço. Tem tanta coisa pra planejar e tão pouco tempo, hotel, passaporte, translados. Minha primeira viagem planejada praticamente sozinha. A primeira viagem internacional da minha mãe. A vida é cheia de primeiras vezes e eu espero que essa seja linda (e que eu e dona Neide não nos matemos pelo caminho porque esse é nosso jeitinho de amar - se isso não é uma música do Raça Negra, deveria ser).

A parte boa é que dessa vez as fotos estão garantidas, já que fui procurar fotos minhas em Roma e achei um total de 0.


É esse o tipo de foto que eu tiro quando viajo, dsclp

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O assunto é: reforma do ensino médio

Sobre a qual não vou opinar pois: não li os detalhes, tudo que eu sei veio de posts revoltadinhos nas redes sociais. Mas aí tô lá de boas na rede que tem os parentes e dou de cara com cidadão dizendo que se tivessem abolido educação física nos anos 90 ele teria sido um adolescente mais feliz. Detalhe: a pessoa em questão é professor de inglês, ou seja, passou a vida profissional inteira ouvindo "inglês reprova, tchítcher?"e agora tá achando bonito desvalorizar o trabalho dos coleguinhas.

Eu sou do team que detestava educação física. Entretanto, me arrependo bastante da má vontade com a qual eu encarava aquelas aulas, já que ter me tornado uma pessoa mais atlética só teria trazido benefícios pro meu eu adulto. Ninguém é obrigado a gostar ou ser bom em esportes - eu era horrível, usava óculos desde os 8 anos de idade e vocês sabem que esportes com bola e óculos não combinam muito. Também tinha uma coordenação péssima, que talvez pudesse ter se desenvolvido um pouco melhor se eu tivesse curtido as aulas de educação física ao invés de ficar de mimimi odeio esporte odeio suar mimimi. Repito: ninguém é obrigado a gostar ou ser bom, mas desvalorizar a matéria com base na sua experiência pessoal de criança ruim de bola é apenas infantil. Fora a pau no cuzisse que geralmente anda por trás desse discurso de "eu detestava educação física, preferia ficar lendo".

Daí começa o muro das lamentações das pessoas-que-eram-as-últimas-escolhidas na queimada: "ain, eu sofria bullying porque não sabia jogar vôlei" "ain, mas quem era ruim em matemática era o bonzão, o malandrão"

Coleguinhas, talvez esta informação choque vocês mas vocês não estudaram num high school de filme americano.

No meu colégio (público, por sinal) não tinha esse endeusamento da burrice não. Pelo contrário, repetente era estigmatizado, era aquele cara maior no fundão com quem a gente não queria andar. E eu até era zoada por ser ruim no vôlei, mas estava longe de ser uma outcast da turma só porque não gostava da educação física. E tinha mais um monte de gente ruim e a vida seguia porque não dá pra ser bom em tudo é?

Resumindo, coleguinhas teachers: olhem um pouco pro próprio rabo e reparem que tem gente que também acha que nosso trabalho não serve pra nada. Um beijo no coração.


Mariah me representa

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sobre o dia mundial sem carro

Eu não tenho carro. Na verdade eu nem sei dirigir, tirei carteira de motorista há uns 20 anos e fora a fiorino que transportava galinhas do pai de uma amiga em 1997 nunca mais me atrevi a pegar um carro.

Pra mim faz todo sentido do mundo não ter carro - eu moro no centro expandido, num bairro nobre, a 10 minutos de uma estação de metrô e mesmo antes disso morava a duas quadras de uma avenida onde passavam ônibus que demoravam 20 minutos para chegar ao centro. Minha casa antiga ficava a um quilômetro do meu trabalho, a nova fica a três. Eu trabalho em horários alternativos (começo cedão ou na hora do almoço) e estou sempre no contra-fluxo. Perto do meu trabalho e da minha casa há médicos, dentistas, supermercados, academias, parques, etc. Eu tenho dinheiro pra pegar táxi ou uber de madrugada. Meu namorado e minha mãe tem carro (minha mãe tem uma pickup, inclusive) então se eu preciso fazer uma viagem mais longa ou carregar muitas coisas posso contar com eles. Eu sou muito privilegiada por não precisar de um carro.

Outro dia vi um vídeo de uma atriz global lado B que não lembro o nome dizendo que usa transporte público pra tudo. Onde a bonita mora? Na avenida Paulista. É fácil pregar o uso de ônibus e metrô morando na Paulista.

Mas Paula, e o cara que mora no Grajaú?  Pois é, se a pessoa mora no Grajaú e trabalha em Moema por exemplo, pegar transporte público pra trabalhar é uma merda. É esperar três ônibus passarem direto porque estavam lotados demais e se espremer no quarto para não chegar atrasada. Não dá pra pedalar do Itaim Paulista até a Vila Madalena a não ser que você seja atleta e tenha uma bicicleta mega-blaster-foda. E um chuveiro na firma quando chegar. Para grande parte da população de São Paulo se foder para pagar um carro em 458 prestações é o único jeito de ter um pouquinho mais de dignidade no dia a dia.

Resumindo: essas iniciativas de "viva em São Paulo sem carro" ou "vá de bike para o trabalho" são muito bonitas, muito bem intencionadas. E absurdamente elitistas. Servem pra gente que mora em bem, trabalha perto de casa, faz horários alternativos. Pra galera que atravessa a cidade e trabalha das 8 às 6 não serve. Não tem glamour nenhum.

Daí galerinha privilegiada tipo eu acorda no Dia Mundial Sem Carro (que é basicamente todo dia para a maioria da população de São Paulo) e acha que está fazendo um puta favor para a cidade pegando ônibus naquele dia. Amiguinhos, eu conheço vocês. Cês não aguentariam um 847P em horário de pico não. Chorariam em posição fetal diante da multidão na catraca da estação Corinthians-Itaquera segunda-feira as 7 da manhã, mas porque andaram 5 estações de metrô um dia já vão sair por aí advocando que noooossa, sim, claro que dá pra viver em São Paulo sem carro, nosso prefeitão é maravilhoso, fez ciclovia e busão com ar-condicionado e conexão USB.

Pra vocês até dá. E ainda assim vocês não vivem. Então fiquem quietinhos aí que em política de transporte público cês não tem que se meter. Ou tem que pelo menos ter um pouco de empatia e reconhecer que o caminho pra que transporte público seja verdadeiramente viável e digno por aqui ainda é longo.

Feliz dia mundial sem carro procês também.


Apenas mais um dia comum no metrô paulistano


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Minha vida com o DIU

Eu contei aqui um tempo atrás que estava no processo para colocar o DIU de cobre e como as coisas estavam se desenrolando. Pois no dia 13 de Julho eu consegui finalmente colocar o negócio e vim aqui pra dizer como estão as coisas até agora.

O que tinham me dito sobre colocar o DIU:

Que dói. Muito. Absurdamente. Que fulana quase desmaiou, que siclana não conseguiu colocar sem sedação. Dica: não veja vídeos de simulações da colocação. Mais uma vez: NÃO VEJA VÍDEOS DE SIMULAÇÕES DA COLOCAÇÃO

Que as cólicas e o fluxo menstrual aumentam depois da colocação. Inclusive essa foi umas das primeiras perguntas que o ginecologista me fez, como eram minhas cólicas e meu fluxo antes da pílula.

Que cabelo e pele sem hormônios ficam uma bosta.

O que aconteceu comigo: 

Doeu. Muito. Eu que sou valente pra dor e aguento bem (quase nunca, nunquinha tomo analgésico) dei um gritinho abafado dentro do consultório e passei o resto do dia a base de buscopan e bolsa de água quente. Eu estava de férias, mas definitivamente não ia rolar ir trabalhar depois. Fora isso eu passei os tês dias seguintes com a sensação de que meu útero estava dançando ragatanga, o que foi bem incômodo para uma pessoa que nunca tinha cólicas.

Quando o ciclo menstrual normalizou as cólicas não vieram. Nunca tive e continuo não tendo. O fluxo diminuiu até, em volume e tempo. Passou de cinco dias para quatro. Eu só tinha esquecido que ovular também é incômodo pra caramba.

Cabelo tá lindo, pele sempre foi boa e continua. Por enquanto estou só tendo que lidar com a neura do DIU ter saído do lugar toda hora, embora pela dor que eu senti na colocação imagino que se ele realmente se deslocar eu vou saber.

Pra mim a grande diferença veio mesmo foi nas minhas alterações de humor. Eu tinha alterações de humor bizarras e totalmente desproporcionais que não tinham necessariamente relação com a TPM. Com muita frequência eu virava um poço de choro e desespero pelos motivos mais imbecis. A TPM também era brava, eu ficava mal-humoradíssima, chorona e desesperada por açúcar e nesses dois meses eu não senti nada.

Por enquanto tá bom, tá tranquilo. Acho que valeu a pena a dor e a ragatanga no útero. Vamos acompanhar.



Útero feliz passando pra dizer olá

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Como ser perfeitamente infeliz

Trabalho está meio parado hoje então arrumei um tempinho para traduzir esse texto/cartum do Oatmeal que achei absurdamente lindo e relevante. Faria um bem danado pra todo mundo lê-lo, então passei pro português para que mais gente aproveite.

Como ser perfeitamente infeliz

Eu não sou uma pessoa feliz. Quando eu digo isso aos outros, eles entendem que eu sou infeliz.

Eles assumem que meu status é binário: ou eu sou de uma alegria triunfante ou de uma tristeza absoluta.

Eles não reconhecem um espectro, apenas dois estados: feliz ou infeliz.

Mas eu nunca me senti “feliz”. Eu já senti alegria. Eu já senti êxtase.

Mas estes sentimentos são efêmeros.

Ser feliz implica em permanência.

Implica que você completou todos os pré-requisitos.

E agora você pode sentar no topo da sua imensa pilha de “feliz”, para sempre.

Implica que você ganhou.

Que você derrotou o chefão.

Que você conseguiu.

Você é um triunfo.

Você é incrível.

Você é completo.

Quando eu desabono essa ideia de felicidade, o contra-argumento é sempre o mesmo:
“Ah, você sabe, é tudo uma grande jornada”

Mas também não é isso.

A conversa sobre a “jornada” vem sempre acompanhada da ideia de que a jornada é alegre, rica em sorrisos e diversão e risadas.

Além disso, jornadas requerem pontos finais, senão você não é o Frodo, você é só um sem-teto vagando por aí com joias roubadas.

O problema com “feliz” é bem parecido com o problema com Plutão.

Muitos anos atrás Plutão perdeu seu status de planeta e isso causou um grande alvoroço.

Mas Plutão nunca foi o problema.

Nossa definição de “planeta” é que era o problema. “Planeta” vem de uma palavra grega que significa “vagante” e era usado para descrever corpos que se movem no céu em um fundo fixo de estrelas.

Era um jeito vago de descrever uma coisa complexa.

Um planeta se move em uma órbita fixa ao redor do sol?

Ele vai abrindo um caminho dentro desta órbita?

Ele tem luas?

Ele tem que ser de um tamanho específico?

Estas foram as perguntas que foram levantadas quando esclareceram a definição de “planeta”.  Foram perguntas inteligentes que rebaixaram Plutão.

Plutão não é mais um planeta porque nossa definição de planeta não era muito boa.

Eu não sou feliz porque nossa definição de “feliz” não é muito boa.

É uma palavra monocromática usada para descrever um espectro rico e doloroso dos sentimentos humanos.

Nosso senso de felicidade é tão frágil, ele pode ser destruído apenas pelo questionamento da sua existência.

Talvez eu seja diferente.

Talvez eu tenha nascido ansioso e irritado e seja desse jeito que eu encontro paz no universo.

Talvez eu seja realmente muito triste e todo mundo esteja sentindo algo que eu não estou.

Ou talvez eles estejam mentindo pra caralho.

Isso é irrelevante.

Porque eu não sou feliz e não finjo ser.

Ao invés disso, eu sou ocupado.

Eu sou interessado.

Eu sou fascinado.


Eu faço coisas que são significativas para mim, mesmo que elas não me façam “feliz”.

Eu corro.

Eu corro 30 quilômetros de uma vez.

Eu corro montanha acima até meus dedos caírem.

Eu corro até os meus pés sangrarem, minha pele queimar, meus ossos gritarem.

Eu leio.

Eu leio livros longos e complicados sobre coisas inteligentes.

E eu leio livros curtos e bobos sobre coisas muito idiotas.

Eu leio até que as histórias deles sejam mais interessantes que as pessoas ao meu redor.

Eu trabalho.

Eu trabalho 12 horas por dia.

Eu trabalho até não conseguir pensar direito e esquecer de comer e a luz lá fora diminuir até um brilhozinho cansado.

Eu trabalho até meu cheiro começar a ficar esquisito.

Quando eu faço essas coisas eu não estou sorrindo nem irradiando alegria.

Eu não estou feliz.

Na verdade, quando eu faço essas coisas, na maioria das vezes eu estou sofrendo.

Mas eu faço porque elas significam algo para mim.

E eu acho que elas são instigantes.

Eu faço estas coisas porque eu quero ser atormentado e desafiado e interessado.

Eu quero construir coisas e quebra-las depois.

Eu quero ser ocupado, e belo e repleto com dez mil partes móveis.

Eu quero que machuque para que eu possa curar.

Eu não sou infeliz.

Eu sou só ocupado.

E interessado.

E está tudo bem.








Projeto casas - Spirare Lapa

Outro dia, observando prédios por aí, percebi o seguinte: edifícios classe média antigos, desses dos anos 80, tem nomes de mulher. O meu por exemplo se chama edifício Regina. Edifícios antigos de rico, 100 metros quadrados pra cima, varandão, etc, tem nomes franceses (Maison blébléblé, Versailles etc). Já os novos classe média, esse com um monte de prédios de 20 andares, 2 churrasqueiras e uma piscina curtem mesmo é essa embromazzione de colocar -are no fim das palavras e achar que é italiano. Esse é exatamente o caso do condomínio onde morei por 4 anos, o Spirare Lapa. Spirare, entretanto, não é uma palavra inventada e significa "expirar" em italiano, ou seja, faz tanto sentido para batizar um prédio quanto Hexa II. Enfim, estou desviando do assunto.

No Spirare eu fui morar com mozão e aprendi a brincar de casinha na vida real. Montamos nosso cantinho, ajeitamos nossa rotina, adotamos uma gata e fomos descobrindo as dores e delícias da vida de casal. Mozão organizadíssimo, o geminiano mais virginiano do mundo. Eu bagunceira, sagitariana espírito livre que sim, consegue dormir com a consciência tranquila sabendo que há UM copo sujo na pia. Nos entendemos, não sem um bom golinho da deliciosa paciência de vez em quando, mas estamos aí, depois de 4 anos de escovas de dentes juntinhas. 

No Spirare eu também fui apresentada à classe-média-emergente também conhecida como "conheço meus direitos". Galera que até ontem morava na casa dos pais em Pirituba (nada contra gente, Pirituba é show) e começou a se achar ~rico~ porque comprou um apê na Lapa de baixo que de rica não tem nem o nome. O grupo dos moradores no facebook era um show de horror - toda postagem começava com "É UM ABSURDO!"  mas síndico mesmo ninguém quer ser, né? 

Nosso apartamento ficava no térreo, o que eu particularmente achava ótimo por motivos de: detesto elevador. Só era chato mesmo no Domingo, quando dava pra ouvir as comemorações no salão de festas quase como que se fossem na minha sala. Nada contra comemorações, mas você sabem: está por vir ainda o dia em que seu vizinho fará uma festa tocando músicas que você curte. Fora convidado escorado na minha varanda pra bater papo, eu achava uma delícia. 

O Spirare era legal. Tinha uma piscina (na qual eu fui 3 vezes em 4 anos) e quero-queros no gramado, mas ficava numa rua perigosa e muito longe do trabalho do mozão, e por isso saímos de lá para meu décimo primeiro endereço, de onde escrevo hoje. 

Foi uma jornada longa e difícil, porém divertida. Espero sinceramente demorar muito para ter um décimo segundo endereço, porque na lista de coisas detestáveis de se fazer na vida mudança está certamente no top 10.  


Parzinho de vaso com a main na varanda do apê



Mozão e a gata tirando um cochilo num Domingo qualquer

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Notícias de Elza

Eu relutei em escrever esse texto porque admitir o fracasso nunca é legal, mas as vezes é necessário.

Não deu certo. Elza e Peppa não se acertaram, não teve Feliway, nem floral, nem técnicas mil que dessem jeito. Peppa vivia escondida com medo de ser atacada, não comia, não bebia água. Vomitava. Elza não entendia porque havia partes do apartamento nas quais ela não podia entrar. Miava, reclamava. As duas estavam tristes, estressadas.

Levei Elza para minha mãe. Minha mãe mora numa casa grande, com um quintal imenso cheio de folhinhas e pedrinhas e lugares para Elza pular e se esconder. Cuidamos de cortar as rotas de fuga e agora ela está lá. Está feliz e adaptada, só falta cavar um lugarzinho na cama da vovó (por enquanto serve o cobertor de onça devidamente colocado na cadeira da cozinha). Peppa também voltou à rotina. Demorou um pouco para perceber que a casa estava segura de novo e que ela não seria atacada pela frajola intrusa.

Eu fiz o que pude pela frajolinha - dei amor, dei comida, dei cuidado e agora providenciei um lar amoroso pra ela. Morro de saudade, mas fico tranquila sabendo que ela está bem cuidada, gordinha e feliz.

Refestelada no quintal da vovó

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Prometo que não falo mais de Masterchef (só mais uma vezinha)

Voltei para o que eu espero que seja meu último post sobre masterchef porque bodeei geral com essa última edição e não pretendo acompanhar a próxima. Mas eu fiquei genuinamente putaça com essa história do crowndfunding para a hamburgueira do Leonardo e vim fazer textão aqui porque é pra isso que a gente faz blog: para emitir opiniões não solicitadas.

a) O crowdfunding deu ruim, galera chiou, os caras desistiram e fizeram textão magoadinho explicando que não estavam pedindo dinheiro e sim "propondo uma nova experiência em empreendedorismo". Pra mim isso é só um nome bonito para "deem dinheiro para pessoas ricas ficarem ainda mais ricas em troca de um avental autografado por um vencedor de reality show ~risos~"

b) Os bonitos obviamente não leram "A arte de pedir" da Amanda Palmer, que é a rainha do crowdfunding. Ela basicamente ensina que primeiro você cria um relacionamento com as pessoas, depois você pede dinheiro pra elas. A tal Bel Pesce (gente, nunca tinha ouvido falar?), sócia dele, pelo jeito já tinha feito isso antes e contava com uma fanbase disposta a financiá-la. O Leonardo e outro carinha lá não. Lição (espero que) aprendida: ser bonito e ganhar reality show não quer dizer que você tenha um relacionamento com as pessoas.

c) O que eles fizeram é desonesto? Não é. Não sou sommelier de ajuda e cada um gasta seu dinheiro no que quiser. É picareta e totalmente descolado da realidade? É sim senhor.

d) O cidadão venceu o Masterchef, cozinhou com chefs estrelados em cozinhas profissionais e quer empreender numa hamburgueria? Tenha santa paciência, moço.

e) Por fim, a arrogância do rapaz de meter a cara num esquema desses começa a dar razão pro povo do mezanino gritando "Bruna! Bruna!" na final do programa.



Sorriso de quem jamais apelaria pra um esquema tão cara de pau. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Meus centavos sobre a final do Masterchef

Ontem teve final do Masterchef né gente? Band tratou o negócio feito Oscar, arrastou até a hora que deu, explicou meme, fez a gente aturar aquela desgraça daquele Raul-sou-publicitário-coleciono-bonequinhos-vou-de-bermuda-em-casamento e no final deu o óbvio: Leonardo ganhou.

Pra começar Leonardo tinha nem que estar ali, né queridos? O moço se arrastou o programa inteiro, estava sempre na eliminação, fez UM prato digno de nota o programa inteiro mas contou com a simpatia dos chefs, deu sorte de SEMPRE ter um pior que ele e no final levou o troféu apenas por ser bonitinho e carismático. 

A Bruna era chatérrima no programa né? Estridente, infantil (com aquela mania de dar nome aos bichos que ela tinha que cozinhar) e cafoninha (as tiaras senhor, as tiaras), ainda deu o azar de ser pintada como a bruxa fofoqueira que tramava contra o pobrezinho do Leonardo. Daí na final ainda juntou aquele povo chato todo (eu detestava todos, dsclp, só gostava da Gleice e da Raquel) no mezanino fazendo torcida organizada pra ela que era logo pra pintar o Léo de sofredor solitário e garantir a redenção final do mocinho batalhador oprimido por aquelas pessoas ruins. 

Eu fui dessas que detestou a Bruna do começo ao fim do programa, até o último minuto, mas a diferença de tratamento que ela recebeu entre o povo lá dentro e aqui fora ontem me fez questionar algumas coisas:

a) A Bruna talvez seja chatinha mesmo, estridente, infantil e cafona na vida real. Existe gente assim no mundo, vai saber. Mas lá dentro me parece óbvio que ela criou amigos, estreitou laços e ganhou uma torcida que a admirava e sabia do que ela era capaz. Ou seja: era uma pessoa legal. E ótima cozinheira. 

b) O Léo é bonito, carismático, bem nascido. Entretanto lá dentro só arrebanhou antipatia, talvez por ter sido tão protegidinho dos chefs, talvez por ser mais introvertido, talvez por ser babaca mesmo, não temos como saber. 

O Masterchef está na terceira edição e agora parece que os caras finalmente aprenderam a fazer reality show. É óbvio que a edição sacou o potencial do Léo de virar queridinho e criou pra ele uma trajetória de superação, do cozinheiro meia-boca porém lindo e bom moço que supera todos os obstáculos e no final se torna campeão. Para a Bruna sobrou o papel da vilã, da ambiciosa insuportável capaz de qualquer coisa para alcançar seus objetivos, até passar por cima de um "cara tão gente boa" quanto o Léo. Só que a Bruna cozinhava melhor. Desde sempre. E pra dar esse troféu para o Leonardo galera teve que fazer malabarismo. E fez. 

Eu xinguei muito a Bruna no twitter. A personagem que ela criou (ou criaram pra ela) não me agradava, aliás me incomodava bastante. Mas também nunca defendi o Léo, pois conhecia as limitações dele e tô velha demais pra cair na armadilha do "bonitinho e lutador." Só que hoje fui parar na página da Bruna no facebook e o que está rolando lá não é para amador não - é muita gente destilando muito ódio gratuito em cima de uma pessoa só. É desumano e eu espero que ela tenha bastante estrutura e apoio para passar por isso. 

E que fique claro que a campeã moral dessa bagaça será sempre a Raquel, beijos. 

 Ótima cozinheira e com belíssimos cabelos hidratados

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Projeto casas - Lapa

Para contar a história da minha casa na Lapa preciso fazer uma digressão: na época em que eu morava na Alameda Santos minhas melhores amigas na faculdade (uma delas continua sendo até hoje) moravam em uma república na Lapa, mais especificamente num condomínio na Lapa de baixo chamado Central Parque Lapa (apenas Central para os íntimos). O Central Parque é uma instituição da Lapa. Ele é tão imenso que ouso dizer que todo mundo está a no máximo de três graus de separação de alguém que mora/ morou lá. Eu passava muito tempo no apartamento 8, entrada não lembro, passeio 2 do Central, dormia lá nos finais de semana, talvez ficasse mais lá do que na Alameda Santos.

As meninas se mudaram, a república acabou e, uns anos depois, lá por 2003, minha mãe que morava em Boituva conheceu meu padrasto, que morava em São Paulo. Eles se casaram e minha mãe se mudou para a casa dele, que ficava: no Central Parque Lapa. No prédio exatamente em frente ao das meninas. A Lapa já fazia parte da minha vida muito antes de fazer.

Daí eu fui pra Sorocaba né? Bebi, comi, ri, aqueci meu coração mas minha alma paulistana gritou de saudade e eu tive que voltar. E lá fui eu me instalar no passeio 2 do Central Parque Lapa.

Voltar a morar com a mãe depois de 5 anos não é fácil não. Tem briga, tem aquela demanda por uma satisfação que desacostumei a dar. Mas também tem roupa lavada e passada num passe de mágica, colo e café quentinho 6 horas da manhã. O apartamento do meu padrasto abrigou vários amigos sem teto naquele processo de sai-de-apartamento-procura-apartamento-aluga-apartamento. E o Central me ensinou a amar a Lapa, amor esse que eu já declarei aqui mesmo nesse cafofo. Acreditem em mim: a Lapa é incrível, a Lapa é amor. Toda vez que eu falo da Lapa lembro da velhinha no documentário sobre os bairros paulistanos: "Eu não moro em São Paulo, moro na Lapa"


A entrada do Central numa foto roubada da internet



Pra variar não tem foto no apartamento da minha mãe mas tem na república das meninas, meu aniversário circa 2000 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

A FFLCH

A FFLCH é a Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP. Eu me formei lá num longínquo 2006 e hoje voltei para buscar meu diploma porque esse é meu jeitinho.

A FFLCH continua a mesma. O escadão para chegar ao prédio da Letras, o café horroroso da cantina,  o cheiro de maconha misturado com pão de batata, as lousas nas paredes dos corredores que foram substituídas por lousas nas portas das salas. O pessoal continua muito criativo nas mensagens que escreve lá. Na fila da seção de alunos vou ouvindo as conversas e dando aquele sorrisinho que significa tanto been there, done that quanto só podia ser na Letras mesmo. Inclusive, gostaria aqui de me desculpar publicamente por todas as vezes que acusei a seção de alunos da Letras de ser uma zona: 10 anos depois meu diploma estava lindão dentro de um envelope na gaveta P do arquivo. Não tinham incinerado ele.

Quando eu entrei em 2000 (yes, yes, levei seis anos para me formar) pré requisito pra estudar lá era ter pelo menos uma saia indiana no armário ou um chinelinho de couro fedido. Hoje em dia a Letras USP deve ser a maior concentração de side cut e tinta fantasia de São Paulo. Contei uma hippie roots apenas. Os tempos mudam.

 A vida era difícil no começo dos anos 2000. A gente não tinha dinheiro pra nada mas pra festa sempre tinha. A gente se divertia com pouco, nunca comprava roupa nova então improvisava usando umas das outras. A gente se apaixonava e desapaixonava na velocidade 5 do créu, curtia bad por causa de macho que durava uma festa open bar. A vida era difícil mas era leve, não tinha prestação de apartamento, pressão pela maternidade, dieta, carreira.

Me deu uma baita saudade. Do café ruim, do cheiro de maconha misturado com pão de batata, das banquinhas de livros. Como é que eu nunca tinha reparado no quanto a FFLCH é bonita enquanto estava lá?

Li uma vez que a gente olha para o passado com os olhos do presente e por isso ele parece melhor ou pior do que foi na verdade. Meus olhos do presente me dizem que meus tempos na FFLCH foram bons. Deu até vontade de prestar vestibular pra sentar naquelas carteiras velhas de novo, agora estudando História ou Ciências Sociais. Será que me deixam entrar lá de botinha e cabelo careta?


Bagunçada que só mas aff tão linda

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Pra você que não gosta de Pokémon

- Crianças autistas que não saíam de casa há anos estão saindo e interagindo com outras crianças para caçar pokémons.

- Está rolando uma campanha para que as pessoas coloquem lure (um trocinho que atrai pokémons) em hospitais infantis e centros de doação de sangue. Assim as crianças internadas não precisam andar muito para caçar as bichinhos e talvez pessoas caçando perto dos hemocentros decidam entrar e doar sangue.

- Os pokéstops (lugares onde os jogadores podem conseguir mais bolas para caçar os pokémons) ficam em lugares públicos como igrejas, esculturas, arte urbana, pontos de interesse. Dá para fazer um tour pelos grafites da Vila Madalena seguindo os pokéstops e sábado eu descobri que existe um ~coreto mal assombrado~ no bairro de uma amiga minha.

- As pessoas estão andando, se exercitando atrás dos pokémons. Um conhecido meu, super sedentário, contou que andou 5 km outro dia. Se exercitar atrás de pokémons não me parece muito diferente de andar na esteira da academia assistindo ao Datena. Na verdade é diferente sim, é bem mais divertido.

- O Pokémon Go utiliza uma tecnologia chamada realidade aumentada: por enquanto ela é usada prioritariamente em jogos (vários, não só o Pokémon Go) mas já existem aplicativos que usam a realidade aumentada para observar estrelas, em guias turísticos e até para ajudar daltônicos a enxergar as cores com mais precisão. Além disso, há estudos sobre como utilizar essa tecnologia na medicina, engenharia e controle de tráfego aéreo, além de outras áreas, especialmente a educação.

- Eu trabalho, cuido de uma casa e duas gatas. Saio com meus amigos, converso com minha família, estudo, assisto minha séries. E jogo pokémon. Uma coisa não exclui automaticamente as outras não.

- Se você postou isso recentemente, tenho más notícias para você


A primeira é que não existe indício absolutamente nenhum de que essa frase é do Einstein. Einstein era um cientista, cientistas são curiosos e buscam novidades - grandes chances de que ele estaria curtindo uma tecnologia que tem mostrado que pode ser útil em várias áreas do conhecimento humano. A segunda é que a tecnologia facilita a interação e traz conhecimento, não contrário. Você pode usar o instagram para conhecer lugares novos, aprender receitas, ter dicas de moda e exercícios, mas se você só segue gente que posta selfie a culpa é sua, não da tecnologia.  A terceira é que reclamar de gente grudada no pokémon enquanto está grudado no facebook, no candy crush ou no snapchat não faz muito sentido, né?

- Pra terminar: não estou tentando convencer ninguém a gostar. Você pode detestar, achar idiota, não querer falar sobre isso. Mas não vale ter raiva de quem curte, achar babaca quem joga. E não custa nada se informar um pouquinho - lembrem-se: pessoas inteligentes são aquelas que estão abertas a se informar e a aprender. E pokémon go é legal sim, desculpa.



terça-feira, 2 de agosto de 2016

Projeto casas - Edifício Cidinha

Previously on "Projeto Casas": Abracei a bad, a bad me abraçou e eu passava tardes ouvindo life for rent da Dido e chorando. Decidi largar tudo e voltar pra perto da família.

Minha mãe ainda morava em Boituva, mas minha irmã tinha se mudado para Sorocaba, uma cidade de cerca de 600 mil habitantes, a uma hora de São Paulo. Ela estudava direito numa faculdade particular da cidade, eu tinha só mais uma matéria para cumprir na USP: embarquei nessa doideira de mudar de emprego, de cidade, de vida em uma semana e fui morar no edifício Cidinha.

O edifício Cidinha é um predinho de 3 andares que fica numa avenida movimentada, perto da rodoviária em Sorocaba. Era velhinho mas tinha TV a cabo (um luxo naquele 2004), 3 quartos, muitos armários embutidos, 4 mulheres e um gato. Eu e minha irmã ficávamos cada uma em um quarto e as outras duas meninas dividiam o terceiro. O prédio não tinha porteiro nem portão automático, então perdemos as contas de quantas vezes atiramos as chaves pela janela para as visitas subirem.

Morei lá só seis meses, mas foram seis meses de muita festa, muito bar, muito mulher enfiada no corsinha 98 da minha irmã cantando Roupa Nova, almoços de domingo disputadíssimos e muito, muito amor, que era tudo que eu estava precisando naquele momento.

O Cidinha era aquele coração de mãe que recebia todo mundo que estava longe da família por algum motivo e ele me deu amigos para a vida toda (sem nomes, you know who you are!) Muita gente tem histórias de lá. Como eu compartilho meus posts no facebook, espero que alguns amigos leiam e venham aqui dividir as deles.

Quem já ficou bêbado no Cidinha, manifeste-se por favor!


Teve festa de aniversário surpresa no Cidinha? Teve sim senhor


Todo mundo tão lindo, tão xófem. Aquele poster do Picasso lá atrás aguentou nem sei quantas mudanças e existe até hoje