quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Conselho de classe - a verdade

Esta é uma obra de ficção, mas não deixa de ser baseada em fatos reais.


Eu sabia que ia sobrar para mim quando a diretora me lançou aquele olhar de garoupa arrependida e perguntou se eu não podia arredondar a nota do Zezinho para cima. Só mais essa vez. Eu poderia argumentar que eu já arredondei tanto a nota do Zezinho para cima que daqui a pouco ela será candidata a uma cirurgia de redução de estômago, mas ao invés disso usei um golpe baixo - apelei para a única professora abaixo da de Inglês (eu, no caso) na cadeia alimentar do colégio:

"E em Arte? Ele não ficou de recuperação em Arte também?"

A colega imediatamente sentiu a puxada de tapete e retrucou:

"Mas o Zezinho não entregou nenhum trabalho esse ano e não veio na recuperação. Eu não posso simplesmente inventar uma nota para ele!"

Eu não me daria por vencida - era uma questão de honra.

"Como não pode? Claro que pode. Eu mesma inventei nota para uma meia dúzia de alunos nesse conselho no ano passado, não foi, diretora?”

Eu apelei, admito. Invocar favores prestados em conselhos de classe anteriores é perigosíssimo. Corre-se o risco de ressuscitar mágoas enterradas há anos em café frio e bolacha Maria. Mas a professora de Arte conseguiu apelar mais:

“A gente não pode reprovar o Zezinho dessa vez?”

Silêncio. No hay banda. A professorada se entreolha não acreditando que ela, logo ela, toda tímida e riponguinha, teria coragem de mencionar o imencionável. A diretora leva alguns segundos para processar o absurdo, toma um copo de água em um gole só e responde:

“Professora, como é que eu vou explicar para um pai que o filho passou em Matemática e mesmo assim vai repetir de ano?”

“Porque ele passou em Matemática, talvez...” Ela insistiu. O que o desespero não faz.

“ Mas o Zezinho teve um ano difícil, vocês sabem. Perdeu o voo para a Disney e o Ipad novo no mesmo dia. O menino ficou abalado. A gente precisa dar uma chance a ele...”

“Se ele reprovar em Arte nós podemos pelo menos alegar falta de talento. Não vou arredondar, Inglês que arredonde.”

Traidora. Quando eu achei que poderia contar com a solidariedade de outra professora-com-cuja-matéria-ninguém-se-importa, ela me passa uma rasteira dessas. Penso em tentar o terceiro representante dessa categoria, o professor de Educação Física, mas essa é a única matéria na qual Zezinho passou fora Matemática. Decido fazer drama.

“Mas pessoal, é por isso que ninguém respeita professor de Inglês. Vocês tem noção do que é ouvir quase diariamente ‘Inglês reprova?’ Isso abala a autoestima da gente.”

A colega traidora não se comove:

“Ué, com Arte é a mesma coisa.”

“MAS INGLÊS É IMPORTANTE DE VERDADE, PÔ!”

Digo e na mesma hora percebo que foi um pouco demais. Todos me olham como se eu fosse a pessoa mais sem coração do mundo enquanto a colega começa a tremer o beicinho e ameaçar choro. No momento em que ela começa a verter lágrimas percebo que perdi a batalha. Mais um ano e Inglês não reprovou ninguém. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A fé e o conselho de classe

A pedido da coleguinha Juliana, estou ressuscitando um post do meu blog antigo sobre conselhos de classe. As vezes bate saudade do cafofinho, então de vez em quando vou fazer um vale a pena ler de novo do saudoso Tia Paula vai à guerra.


Último período letivo é sempre o mesmo calvário. Haja reunião de pais, trabalho extra, plantão de dúvidas para tentar salvar do inferno da repetência aquelas almas que passaram o ano todo vagando pelo purgatório da recuperação paralela, sem se preocupar muito em descolar um lugarzinho no céu da aprovação. Porque a verdade é que não há sermão no mundo capaz de convencer alunos infiéis de que o caminho da vida eterna após as provas finais será bem mais agradável se for pavimentado por boas ações (e notas) ao longo do ano. Não. Eles parecem preferir a penitência de ir à escola em Dezembro.

Mas, eu disse “infiéis”? Injustiça. São, ao contrário, muito devotos. Creem numa instância superior, acima do bem e do mal, capaz de decidir se serão abençoados com o meio ponto que falta ou condenados a continuar na mesma série no ano seguinte. Tal instância chama-se conselho de classe. Este, ao contrário de Santo Expedito, não se comove com orações e promessas, ou alguém já viu por ai alguma faixa com os dizeres: “AGRADEÇO AO CONSELHO DE CLASSE PELA GRAÇA ALCANÇADA”? Melhor mesmo é apelar para o santo da causas impossíveis  Mas, com tanta criancinha doente pra salvar, algo me diz que nem ele vai dar jeito nisso. Haja vela!

Coisas para se fazer antes do fim do mundo

Esclarecendo que listei apenas as ideias que podem ser realizadas até dia 21, descartando portanto coisas óbvias do tipo "pegar o Clive Owen".

- Nadar pelada (quem já fez garante que é ótimo).

- Fazer uma listinha de pessoas para mandar tomar no cu. (E mandar, pessoalmente, por telefone,. por sms, pelo facebook, como der).

- Assistir Conta comigo pela 5464756238 vez.

- Gritar "VAAAAAAAAIIIIIII CURÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍNTIA" na janela da vizinha mala que reclama de barulho toda vez que tem jogo.

- Pintar o cabelo de roxo igual ao da Kelly Osbourne (me deixem).

- Usar o short de paetê que eu comprei para o ano-novo. (é lindo, um desperdício o mundo acabar e ele ficar na minha gaveta).

- Terminar de ler A rainha do castelo de ar. (Não é de se espantar que o Stieg Larsson tenha morrido logo depois de escrever esse livro. Se ler já é um sofrimento, imaginem como foi escrevê-lo).

- Aprender a cantar Elle me dit sem errar.

- Comer baião de dois e tomar cachaça no Mocotó.

- Comer  torta de damasco e bacon e tomar chupitos no Sancho.

- Cantar Roupa Nova com a minha irmã. (Eu te amo e vou gritar pra tooooodo mundo ouvir...)

- Tomar a última cerveja num boteco qualquer desde que tenha mesa de plástico da Skol.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Parte II - Marselha e Lyon

Depois de quatro dias em Barcelona rumamos para a França. Pouco mais de 1000 quilômetros até Paris, que resolvemos dividir passando uma noite em Marselha e outra em Lyon antes de finalmente chegarmos À capital.

Os catalães bem que nos avisaram sobre Marselha com aquela cara de "Aff, mas o quê vocês vão fazer lá, pelamor" e até que eles tinham razão. Num dia ensolarado e sem as obras e os tapumes bloqueando a praia Marselha talvez seja mais agradável, mas confesso que deixar a colorida Espanha e chegar numa França cinza e esburacada foi um certo choque.

Almoçamos em um restaurante no que deveria ser a avenida do porto (se desse para ver o mar atrás dos caminhões e das barreiras), numa cidade meio bagunçada e cheia de torcedores de um time turco (namorado disse o nome um milhão de vezes, não adianta, não lembro) que jogaria naquela noite contra o Olympique de Marseille. Acho que os turcos ganharam. Só mais tarde descobrimos que as vielas por trás dali escondiam lugares muito mais agradáveis, com bistrôs fofinhos, fontes e ruas de paralelepípedo. Faltou só o tiozinho com o acordeom, mas esse vimos bastante em Paris. Marselha se redimiu nos 45 do segundo tempo e deixou uma vontadezinha de voltar um dia no verão.


Uma tentativa de jantar a beira-mar 


Ignorem os óculos tortos e foquem no fundo fofinho.


 É um porto, gente, eu esperava o que? Ibiza?

Dia seguinte toca arrastar mala até Lyon, mas só depois de um desvio programado de umas três horas para almoçar na Suíça (me senti o Vitor Fasano, agora). Passei pouquíssimo tempo em Genebra, muito menos do que o necessário para formar uma opinião real sobre o lugar, mas a que ficou foi que a cidade é muito... suíça. Arrumadinha, limpinha, certinha como um relógio. Comi um fondue igual a quase todos os outros que já comi na vida em um restaurante de portugueses (pois é pois é pois é), tirei umas fotos no lindo lago Genebra e seguimos de volta para o território francês. A Suíça ganhou um check-in bobo no meu trip advisor e vai ficar em stand-by. Posso dizer que pisei lá, mas não que conheci o lugar.


Sim, o lago é uma lindeza só. 



Riqueza define

Primeiro momento "desculpa, sociedade": se eu soubesse que Lyon era tão legal talvez tivesse pulado Genebra para chegar lá mais cedo. O fato é que, dividida por dois rios, Lyon tem uma cara linda de cidade antiga, tradicional mas moderna ao mesmo tempo. Fizemos a "turistada" que deu tendo chegado lá as seis da tarde - seguindo a recomendação da recepcionista do hotel, subimos de funicular até o topo da cidade velha para dar de cara com uma vista deslumbrante. De lá fomos descendo a pé, curtindo as ruazinhas com restaurantes antigos e outros mais descolados, lojinhas coloridas, gente velha, jovem, todo mundo aproveitando a noite de sexta. Terminamos em um bar cheio de adolescentes, tomando um monte de chope (nos confundimos com o cardápio, achamos que era uma jarra e na verdade eram 10 pints) enquanto na TV passava uma vídeo-retrospectiva de aniversário da Fanny, que a julgar pela moça emocionada na mesa ao lado, já viu dias melhores.


Eu sei que está desfocado, sou cega não, mas é da câmera alheia e no momento é o que temos.






Tudo lindo assim mesmo.

Rolou todo um apego com Lyon. Como eu disse antes, sou dessas. Precisa de pouco pra me conquistar, sou facinha.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Parte I - Espanha

Namorado observou com bastante propriedade que tirei muitíssimo mais fotos de Valls que de Madri. Porque sou dessas.

Situada a cerca de uma hora de Barcelona, Valls não é exatamente o que se pode chamar de "Espanha profunda", mas com seus 20 mil habitantes e praças com restos de pedras que datam do ano de 1300 (a cidade, segundo meu sogro, nascido ali há 77 anos, data do ano 800), ela não deixa de ser um assombro para essa moça vinda de um país que acabou de completar 500 anos. A medida que nos afastávamos de Madri a paisagem ganhava contornos diferentes, com touros gigantes no alto das colinas, casas de pedra ao fundo, novas cores nas árvores amarelas que crescem à beira do caminho (avelãs, disse o namorado sem muita certeza). Na cidade, bandeiras listradas de vermelho e amarelo pendem das sacadas centenárias e nas placas e no rádio surge uma língua bonita e estranha cheia de tês e de ós. Uma filha rebelde do Francês  e do Espanhol, o Catalão é cheio de personalidade e, para mim, um mistério completo. Os nativos se esforçavam para falar castelhano perto da brasileira que não sabe nada da língua deles de verdade. Eu vejo que não fácil para eles e agradeço a atenção enquanto aprendo um bona nit aqui, um si us plau ali.

Tô mentindo não, olha o touro gigante aí.

 A praça com pedras de 700 anos

De Valls seguimos para Masmollets, um vilarejo com meia dúzia de casas de pedra e um restaurante no qual sou apresentada à calçotada. A calçotada é o tipo de coisa que você só vai comer se conhecer um nativo de lá, pois é servida exclusivamente ali, entre Novembro e Janeiro. Trata-se de um tipo de cebola cultivada na região de um jeito que a deixa comprida e fina, com um formato próximo ao de uma cenoura. Só cresce no frio. Ela é cozida na brasa e comida com a mão, retirando-se a casca e a mergulhando inteira em um molho especial. Chega à mesa em enorme quantidade, faz um sujeira danada e é deliciosa. Para acompanhar, vinho servido no purrón, uma jarra coletiva da qual todos bebem mirando o líquido que sai do bico fininho sem encostar os lábios no mesmo. Eu não me arrisco e fico com a taça. Come-se calçotada até não poder mais e em seguida ainda temos cordeiro, alcachofra, linguiça e butifarra negra, uma espécie de embutido feito com sangue (esse eu pulei). De sobremesa, crema catalana, a versão deles do creme brulée. É toda uma celebração em torno da comida que é bonito de ver. Eu como demais, bebo demais, e volto para o hotel com a sensação de ter participado de alguma coisa especial.

Masmollets

 Calçots esperando para ir para a brasa

Calçots prontinhos para ser comidos e o purrón no meio

Daí a coisa das fotos. Madri é linda, opulenta. Ela se coloca na sua frente como aquela coisa monumental e diz: "Me admire". Valls e Barcelona, para onde rumei no dia seguinte, por outro lado, te abraçam e dizem: "que bom que você veio, fique a vontade." E a gente fica.

Sempre fui fascinada pela terra de Gaudí e ela não me decepcionou em momento algum. Apesar de ter o arquiteto por todos os lados Barcelona é muio mais que as curvas e mosaicos que ele criou. É lindíssima, amigável, acolhedora. Não é aquela cidade na qual você tropeça em turistas por todos os lados (menos na Sagrada Famíla, claro), é um lugar para realmente entrar no clima dos moradores de lá. Deixar a câmera de lado um pouco e enxergar a cidade como só olhos (e não as lentes) conseguem. Comer tortillas de todos os jeitos, descobrir que misto-quente lá chama biquíni e andar, andar, andar muito. Barcelona merece que você veja cada pedacinho dela.

Momento "foto de turista" em La Rambla 

Daí você está andando e tropeça em Gaudí, esse lindo .

Sim, eu tiro fotos de gatos aleatórios. Esse estava na lojinha de cacarecos do parque Güel.

E Barcelona me deu o show do Mika num lugar pequenininho e cheio de adolescentes. Só por isso ela já moraria o meu coração pra sempre.

Dá um sorrisinho, bé, vamos ver o Mika daqui a pouquinho.

(L) (L) (L) (L) (L)

No próximo capítulo - França.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Das compras inúteis

Estou arrumando as malas para passar 15 dias nazoropa. Entre um check list enorme e todo o desespero de, até quarta-feira que vem, só poder usar as roupas que eu não vou levar, minha mãe trouxe da casa dela algo que, sei lá, ela achou que eu poderia querer usar na viagem:

Eu comprei essa coisa em 2003. Eu era estudante universitária fodida. Não tinha a menor perspectiva de ir nem pra Campos do Jordão, imagina para algum lugar onde essa coisa fosse realmente necessária. And still, eu comprei. E usei. Nas duas vezes em que fez menos de 10 graus em São Paulo nos últimos dez anos. Embora tenha sido barato (acho que custou 30 reais, o que na época correspondia a 15 dias de almoço no bandejão), numa relação custo-benefício ele ainda saiu caríssimo. E não, não vou levá-lo para conhecer Londres porque ele é meio grande e com meu atual corte de cabelo joãzinho fica parecendo que estou careca. Além de rolar toda uma vibe "excursão da terceira idade pra Monte Verde" nele. 

Lembrei então deste post da coleguinha Bruna, sobre coisas caras e inúteis que já compramos nessa vida. Decidi listar as minhas sabendo que obviamente nada vai bater um berimbau, uma bota peruana ou CD do Shaquille O'Neal, mas ainda assim, estão bem colocadas no quesito "inutilidade".

1. Uma edição nova de Casa Grande e Senzala - Muitíssimo inútil por três motivos: a) Eu me formei em Letras, não em História ou Ciências Sociais; b) A matéria que tinha esse livro na bibliografia era optativa e c) Tinha pelo menos uns 10 exemplares dele na biblioteca da FFLCH para emprestar. 

2. Uma camisa vermelho-sangue da Zoomp - Inutilidade grau 9 porque era horrenda, tinha mangas compridas bufantes (naipe cantor de mambo) AND botões dourados AND gola chinesa. Não leva 10 porque foi usada uma vez numa festa brega. 

3. Um CD do Counting Crows por causa dessa música - Bem inútil porque todas as outras músicas são chatérrimas. Serviu para a gente decorar a letra de Mr. Jones e pagar de super fã na balada (sim, tocava Mr. Jones nas baladas que eu frequentava).

4. Uma faca de cortar queijos em formato de: queijo. - Quão inútil é uma faca que só serve para UMA coisa e pode ser substituída por qualquer outra faca?

5. Comprei e dei de presente para o namorado: uma lata com 379 DVDs de shows de blues - absurdamente inútil porque a gente nem gosta de assistir DVD de show e acha blues meio chato, ainda por cima. 

Minha sorte é que eu sou um raríssimo caso de consumista muquirana, o que me impede de gastar grandes quantias em coisas toscas, mas ainda assim. Sempre tem mais alguma porcaria que a gente TEM CERTEZA que precisa comprar, senão nunca mais vai ser feliz na vida.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ah, os anos 90!

Muitos posts atrás escrevi sobre como éramos felizes nos anos 90, sendo descabeladas e usando vestido florido com coturno. Porque a moda nessa época era isso, essa coisa meio brecholenta, tudo tinha cara de barato ou de herdado da prima mais velha. E sim, era praticamente tudo pavoroso. Os anos 90 testemunharam a ascensão do sutiã aparecendo, da calça santropeito e, o horror, o horror, do cabelo repicado estilo Jennifer Aniston na primeira temporada de Friends.


Nem nela ficava bom, imagina na gente.

Daí que moda é aquela coisa cíclica e blábláblá e galera resolveu chafurdar na lama dessa década perdida como se lá houvesse alguma coisa para se aproveitar. E decidiram que no verão 2013 toda fashion victim que se preze vai usar bustiê.


Mostra pras bunitas o que é um bustiê, titia.

Não é por ser curto, gente. Não é porque a barriga fica aparecendo. É só porque é feio mesmo. Muito feio. A maioria parece sutiã e a menos que você seja a Cindy Lauper nos anos 80 ou a Dita von Teese há grandes chances de ficar parecendo um pinup gone wrong. Experiência própria. Eu era da turma da camisa de flanela, mas por pressão social (aka mãe dizendo que eu me vestia feito um moleque) tenho minhas fotos com um belíssimo exemplar preto com bolinhas brancas desse troço e a palavra para definir minha expressão é: desgosto.  Na época eu já achava esquisito. Agora então não tem desculpa. 

Já ressuscitaram a calça santropeito e agora o bustiê. Se lembrarem da jaqueta jeans do Hard Rock Café eu não me responsabilizo, sério. 


Linda, só que não.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sobre o dia do Saci

Verdade seja dita quando criança eu nunca comemorei Halloween. Mas eu sou velha, né, na primeira vez que eu pisei numa escola (Instituto Santa Amália, lá na Saúde) ainda tinha governo militar. A gente desfilava de soldadinho de papel crepom no Sete de Setembro e aprendia todos os hinos de tudo nas aulas de música da tia Irma. Aliás, devo ser a última geração que sabe o hino da independência sem ser a versão "Japonês tem sete filhos." Fui saber o que era dia das bruxas na escola de inglês quando tinha uns 10 anos. E nessa época só os Fisks da vida falavam nisso.

A questão é: pensa numa coisa que é divertida pra criança. Comer doces, se fantasiar, tomar susto. Daí as crianças das escolas de inglês contavam para as que não estudavam lá e elas se animavam e um dia, quando eu percebi, tudo quanto era escola comemorava o Halloween. Mas aí eu já não estudava em uma há tempos.

Sim, não tem nada a ver com as nossas tradições. Como papai noel vestido de veludo vermelho também não. Quem se importa? Curtir uma coisa não exclui a outra, não me torna menos brasileira. E cada um que me vem com "abaixo halloween, viva o dia do saci" me dá vontade de perguntar quantas folias de reis já participou na vida, se sabe dançar maracatu ou falar tupi. Não vejo mal nenhum em ensinar para as crianças as tradições de outros países. Não me impede de ensiná-las as do país dela. Aliás, deixa eu contar um segredo para vocês - criança pode se divertir um pouco, viu? Não vai virar marginal se não for educada 24 horas por dia, sete dias por semana.

E, pela última vez, dia do Saci já existe, podem olhar no calendário - é o dia do folclore, dia 22 de Agosto. Não é culpa minha se nesse dia, ao invés de contar histórias bacanas (que eu aprendi lendo a Turma do Chico Bento, aliás) da mula-sem-cabeça ou do Curupira as professoras simplesmente dão uma máscara de Saci para as crianças pintarem. Querer comemorar dia do Saci no dia do Halloween é criancice, é picuinha. É "aaaai, se eles podem eu também poooooosso."

Cresçam, por favor. Beijos.

Ziraldo virou um velho chato e gagá mas o Pererê é simpático.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Tensão entre as partes


O texto a seguir foi escrito no longínquo 2006, no meu primeiro blog, hoje desativado. Ressuscito o mesmo aqui para celebrar o dia dos professores, meus colegas que além dos parabéns merecem um milhão de reais porque não tá fácil pra ninguém.

Suspiro dolorosamente. Depois de quatro horas com a segunda série, chego à conclusão de que, no fundo, a bruxa da história de João e Maria foi incompreendida. Afinal, a pobre mulher constrói a casa dos seus sonhos, toda de doces, para que um dia surjam dois pestinhas esfomeados e acabem com ela? Forno neles! E aposto que os irmãozinhos alemães seriam praticamente crianças de internato suiço perto dessas aqui, que nesse momento se ocupam colando no rosto umas das outras os adesivos que deveriam estar no livro. 

Procuro uma alternativa: mostro a eles meu material, para que vejam como ficou bonito com os adesivos coloridos todos nos lugares certos, mas é inútil. Grudar animais na testa dos colegas é obviamente muito mais divertido. Quando Matheus 2, o gordinho que vive de uniforme sujo, solta um berro agudo e contínuo porque Matheus 3 assoou o nariz em sua camiseta, chego a considerar a focinheira. Infelizmente, creio que métodos educacionais tão revolucionários ainda encontram certa resistência da parte de alguns pais conservadores. Me contento em dar um rolo de papel higiênico a Matheus 3 e mais uma cartela de adesivos a Matheus 2, que milagrosamente se cala e em seguinda enche o cabelo da garotinha da frente, que chorava copiosamente, com carinhas amarelas felizes. Prefiro acreditar que ele tentou alegrar a menininha. O papel higiênico se mostra uma tática igualmente genial: Me distraio por dois segundos separando uma briga e o rolo se torna artilharia pesada na guerra de cuspe que estourou no fundão. Já há baixa de cinco crianças quando consigo intervir, operação que demanda certa logística, uma vez que preciso me arrastar entre as carteiras para evitar ferimentos mais sérios advindos de uma bola de papel molhado bem colocada. Quando chego, quase ilesa (salvo uma tampa de caneta no olho), ao foco da batalha, sou cercada por uns vinte soldadinhos, todos com comunicados importantíssimos provenientes do QG:

"Tropas inimigas às 10 horas!"

"Baixa na trincheira 8!"

"Soltei um pum!"

"O Lucas 5 cortou meu cabelo!"

"O Caio está comendo cola!"

"A Talita não sabe amarrar o sapato!"

Me pergunto quem foi que disse que essas crianças têm que ir à escola? Aqui definitivamente não é o lugar delas. Deveriam estar no circo,no zoológico, ou no exército, locais que certamente contam com profissionais mais qualificados para lidar com situações desse tipo.

_ Bem, é para isso que elas vão à escola.- Argumentaria alguém.- Para se civilizar.

Pobre desavisado! Ignora o fato de que não há lugar menos indicado para ensinar a um pequeno a arte de viver em sociedade. A sala de aula é o próprio Vietnã, ou pior: Ambiente opressor, desconhecido, cheio de criaturas que surgem do nada dispostas a se degladiar por, sei lá, uma caneta que brilha no escuro.

Ouço um palavrão. Enquanto me ocupo limpando as crianças atingidas na terrível batalha de cuspe, um tênis passa voando a uma distância perigosa da minha cabeça, acertando em cheio a caixa de duzentos lápis de cor da menina da primeira carteira. Esta começa a chorar convulsivamente enquanto, no fundão, alguém grita:

"Tia, o Thomas falou bunda!"

Diante da menção da palavra proibida a sala vem abaixo. Os gritos histéricos provenientes de manifestações de apoio ou repúdio a tão desprezível vocábulo tomam conta do ambiente, e quem passa do lado de fora imagina que uma centena de rebeldes se apossam da classe nesse momento. “Bunda”! Isso é o melhor que você pode fazer? Conheci menininhas de primeira série capazes de proferir palavrões que fariam corar um caminhoneiro!

Competir com os gritos é inútil. Eles são trinta e dois e eu, apenas uma, exausta, descabelada, prometendo sair dali direto para uma clínica de esterelização. Mas como não pensei nisso antes? A psicologia reversa é a solução. Sento-me atrás da mesa e aguardo, em silêncio, que eles prestem atenção em mim. Afinal de contas os pequeninos são razoáveis. Não estou tratando com insurgentes iraquianos, mas com crianças espertas e absolutamente capazes de compreender que, em determinado momento, terão que se calar e acatar minhas ordens sem dar um pio. O barulho aos poucos vai se dissipando, acendendo em mim a esperança de que, com sorte, em mais duas horas conseguirei passar a lição de casa.

"Tia, o Thomas falou bosta!"

Monstrinhos! Em três segundos o quase silêncio que levou uma hora para ser estabelecido se retira como uma tropa derrotada e me abandona no meio da trincheira tomada, ferida, indefesa e a mercê de trinta e duas almas que, tão jovens, não têm mais salvação. Agora entendo que as janelas tipo basculante não são apenas fruto de uma arquitetura sacana que pretende matar professores e alunos sufocados pela falta de ventilação. São também uma maneira eficiente de impedir defenestrações, voluntárias ou não, de mestres e pupilos. Estou a ponto de me render, quando um som que só pode ter vindo dos céus anuncia o cessar-fogo e reestabele em mim a fé – o sinal que indica o fim da aula, e que traz com ele as tropas aliadas: As inspetoras de corredor. Os pestinhas se enfileiram como prisioneiros de guerra para seguir as abençoadas mulheres que os manterão afastados de mim pelo menos até amanhã. No caminho um deles, como num tratado de paz, me dá um bombom. Não são uns anjos esses meus alunos?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O mistério do 875-C

Eu moro na Lapa e dou aula diariamente na Faria Lima, o que significa que o 875-C, também conhecido como Lapa-Metrô Santa Cruz pelos não íntimos é meu companheiro de todas as manhãs. Eu gostaria menos dele se o pegasse no meio do caminho, porque ô ônibus para ficar cheio, mas como pego no ponto inicial vou sentada tranquilinha ouvindo minha música ou terminando o último livro da trilogia Millenium (um beijo literatura recreativa), então tudo bem.

Mas tem uma coisa que me intriga no 875-C, e são seus passageiros. Porque seus passageiros tem uma atração especial pela porta de saída do mesmo. Isso não é novidade, pensarão vocês, afinal, usuários de transporte público parecem mesmo se sentir compelidos a se instalar nos lugares onde causarão o maior transtorno possível, mas no caso do 875-C a coisa tomou proporções assustadoras. A ponto de o coletivo estar completamente vazio (com assentos disponíveis, inclusive) enquanto a galera se espreme de pé lá no fundo, mesmo que vá descer muitos pontos adiante.

Eu lhes pergunto, coleguinhas: por que? O que leva aquelas pessoas a rodear e se agarrar à porta de saída como se ela fosse uma tábua de salvação? Como se ela fosse a garantia deles para o reino dos céus?

Eu pensei em uma explicação possível. Eles tem medo de perder o ponto. Mais do que medo, eles tem uma verdadeira fobia de não conseguir desembarcar e serem condenados a passar toda a eternidade fazendo o trajeto Lapa-Metrô Santa Cruz. Aquele velhinho que senta no fundo do ônibus das 7 todo dia, por exemplo, perdeu o ponto na Joaquim Floriano em 1983 e hoje mora ali naquela assento. A família procura por ele até hoje e nem desconfia que ele foi tragado pelo 875-C. Milhares de paulistanos dados como desaparecidos nos últimos anos na verdade apenas não conseguiram descer do ônibus no ponto certo.

Só pode ser, gente.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Mais uma do Jambalaia

Daí ontem teve o mais-aguardado-que-final-de-copa-do-mundo-Brasil-Argentina sorteio das vagas de estacionamento do Jambalaia. E eu fui naquele bom humor esperando muita polêmica, muita confusão (beijos Valeishka) e, com sorte, uma visita do Polícia 24 horas porque aquela turma gosta.

Pois é. Dei sorte e não dei. A sorte é que fui sorteada logo no começo, escolhi uma vaga relativamente boa (relativamente porque na verdade só existe UMA vaga boa mesmo naquele condomínio) e pude ir cedo para casa (porque naquele ritmo o negócio deve ter ido até duas da manhã). O azar foi que aparentemente meus vizinhos tomaram algum tipo de chá de educação e todo mundo se comportou. E eu, que estava preparada até para filmar algum barraco e ganhar milhares de views no youtube, fiquei chupando o dedo.

That's my life.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Da série perguntas idiotas, respostas cretinas

O condomínio onde eu moro, que chamarei aqui de Jambalaia, tem um grupo no facebook. E o grupo do Jambalaia é uma coisa tão maravilhosa que todo mundo deveria ter acesso a ele. Se bem que toda vez que eu passo por lá minha já escassa fé na humanidade diminui um pouco, então é melhor deixar quieto. Contentem-se com meus relatos:

Eu poderia falar da vizinha que filma quem grita na janela em dia de jogo para dedurar para a síndica e ainda vai bater no peito no grupo que foi ela mesma. Ou do cara que posta para reclamar que as luzes do elevador estão muito claras. Ou dos CAPS LOUCOS. Mas hoje vou me ater ao tópico de perguntas idiotas, respostas cretinas e lançar mais um desafio aos coleguinhas.

Galera discutindo a má educação do povo na piscina e tals. Fulana posta essa lindeza:

"POIS É, SE SE A PISCINA ESTÁ SEMPRE CHEIA, COMO É QUE VOU USAR?"

Algumas sugestões para a vizinha:

- Comprar uma cobertura duplex com piscina nos Jardins.
- Nadar de madrugada.
- Esperar chover para ir à piscina.
- Fazer cocô na piscina e esperar todo mundo sair correndo para se refrescar sossegada.

E vocês, coleguinhas? Podem sugerir alternativas para que nossa amiga use a piscina em paz?




terça-feira, 18 de setembro de 2012

O diário da bicicleta parte I

Descobri que o único, mas único mesmo, exercício físico que me dá prazer de verdade é pedalar. Qualquer investimento em outra modalidade vai ser dinheiro jogado fora, taí meu maiô e meus óculos de natação que não me deixam mentir.

Parênteses:
(Eu se que tem gente que gosta, mas como natação é chato. Chato, chato, chato, uma hora indo de um lado para o outro sem ver ninguém, sem ouvir uma musiquinha. A criança hiperativa dentro de mim não dá conta.)

Namorado então trouxe da casa dos pais a bicicleta dele e eu fiquei me perguntando de que jeito eu, a criatura mais cagona do universo, aquela que tem medo de banana boat, colocaria a magrelinha para circular no trânsito de São Paulo. Geral duvidou, mas enfim - vamos por partes.

Hoje foi o primeiro dia da Lola (é uma música do Mika, me deixa) em São Paulo. A levei para fazer compras pela Lapa de Baixo, que não é exatamente o que se pode chamar de "movimentada". Basicamente são ruas de mão única e uma ou outra de mão dupla mas com poucos carros. Em determinado momento, por um erro de cálculo (aka "coisas que você não presta atenção quando é pedestre") não consegui entrar na rua que precisava pois era contra-mão e fui obrigada a cair na Ermano Marchetti para fazer o retorno. Aí sim - carros, ônibus, motoqueiros Tá gente, foram só dois quarteirões e um sinal fechado, mas ainda, né? Lola se comportou muitíssimo bem assim como a moça que a guiava, não tive medo, prestei atenção a tudo e não fiz nenhuma merda. Parece pouco mas lembrem-se: estamos falando da pessoa que teve um ataque de pânico em um banana boat.

Próximo passo - atravessar o viaduto da Lapa para visitar a bicicletaria e comprar um selim novo que esse vai acabar me matando.

domingo, 16 de setembro de 2012

Ingressos comprados

Quem me conhece sabe que eu não sou dada a essas coxinhices nem a ficar esfregando minha alegria na cara dos outros, mas não tô me aguentando e vou fazer isso aqui no bloguinho que é mais ~reservado~que o facebook.

PUTA QUE O PARIU EU VOU VER O MIKA AO VIVO EM BARCELONA!



Ufa, passou. Beijos.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

DIA-DE-CONTAR-O-QUE-ESTAVA-FAZENDO-QUANDO-AS-TORRES-GÊMEAS-CAÍRAM

Eu já contei essa história no meu blog antigo, mas como ninguém leu vou reeditá-la aqui porque ela merece.

Hoje, como todo mundo sabe, é DIA-DE-CONTAR-O-QUE-ESTAVA-FAZENDO-QUANDO-AS-TORRES-GÊMEAS-CAÍRAM. Eu não estava fazendo nada de interessante, na verdade, se não me engano estava no meio de uma aula de Sintaxe na faculdade e vi a coisa toda pela TV da lanchonete, mas enfim. Meu ex-chefe tem uma história muito melhor.

Conta ele que estava no meio de uma apresentação para futuros clientes (ele é publicitário) quando a secretária o interrompeu e disse que "dois boeings tinham se chocado no World Trade Center." Meu ex-chefe, que nunca foi a pessoa mais normal do mundo, entendeu que "dois boys tinham se jogado do World Trade Center"  e retrucou, bem alto, irritadíssimo pela interrução: "PÔ FULANA, E ME DIZ AÍ QUAL É A RELEVÂNCIA DE DOIS OFFICE BOYS SUICIDAS NO CENÁRIO MUNDIAL?"

A menos que você estivesse lá, duvido que alguém vai aparecer com uma história melhor de 11 de setembro.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

E se fosse...?


Primeiro episódio da série - "E se fosse...?"

Estamos com um problema de infiltração no apartamento. Semana passada a construtora mandou uma engenheira para fazer a vistoria. Ela olhou, constatou que era coisa do ralo do chuveiro, preencheu uma ficha imensa e disse que telefonaria para agendar o reparo. Telefonou e agendou para a semana seguinte (ontem de manhã).

Eu não sei vocês, coleguinhas, mas dentro do meu nível de atividades diárias 11 horas já não é bem mais manhã. Enfim, outro engenheiro apareceu.

"Bom dia senhora, vim fazer a vistoria."

"A vistoria foi feita semana passada, hoje seria o conserto."

"Ah é? Mas me disseram que hoje era a vistoria. Quem fez a vistoria semana passada?"

(Tipos, meu filho, a engenheira veio aqui e preencheu uma ficha enorme. Fez o que com ela, enfiou no cu?)

"Não sei o nome dela, vocês não tem o protocolo da visita?"

"Não."

(Não, senhoras e senhores. Não. Eles constroem prédios de 18 andares mas não guardam uma porra de um protocolo.)

"Então qual é o problema aqui mesmo?"

(Protocolo, gente, protocolo!)

Mostro de novo a infiltração.

"Ah, tá, peraí que eu vou ver se tem um pedreiro de construtora no prédio para fazer o conserto."

Pedreiro apareceu e aparentemente resolveu o problema.

E SE FOSSE PROFESSOR?

"Bom dia, eu vim aqui ensinar o present perfect para vocês."

"Mas a professora ensinou o present perfect para a gente semana passada."

"Ah é? mas me disseram que eu tinha que ensinar o present perfect hoje. E agora, o que eu vou ensinar para vocês?"

"..."

"Peraí que eu vou ver se tem algum professor aqui na escola que saiba o que eu tenho que ensinar hoje, já volto."

E SE FOSSE MÉDICO?

"Bom dia, eu vim aqui fazer sua cirurgia de mudança de sexo, senhor."

"Não, doutor, a mudança de sexo foi semana passada."

"Ah, é, enfermeira? Mas me disseram que hoje era cirurgia de mudança de sexo. Então o que é que eu tenho que operar hoje?"

"..."

"Peraí que eu vou ver se tem algum médico aqui no hospital que saiba o que eu tenho que operar hoje, já volto."

Mas é engenheiro, né? Curso superior, e tals. Tivesse mandado o pedreiro logo na primeira visita já estava tudo resolvido há tempos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O bingo do cabelo cacheado

Confesso que a ideia não foi minha. Veio pelo twitter através das coleguinhas Rafa e Gizah, mas acho que toda mulher de cabelo cacheado já passou pelas mesmas coisas, tantas vezes e tão repetidamente que dá vontade de andar por aí com uma cartelinha riscando cada opinião idiota sobre nossos cachos que nós ouvimos por aí. Seguem alguns exemplos:

"E aí, quando você vai fazer a progressiva?"
"Quer bom que PELO MENOS sua raiz é lisa."
"Ai, cabelo cacheado dá taaaanto trabalho."
"Seu cabelo é cacheado mas é BOM, né?"
"Mas ele sempre foi enroladinho assim?"
"Assim como o seu ATÉ que é bonito, mas tipo Vanessa da Mata não dá."

Quero morrer quando topo com minhas aluninhas cacheadas de seis, sete anos ostentando aquele escovão. Minha mãe nunca alisou meu cabelo. Nunca. Minha primeira escova veio por vontade própria aos 20 anos e eu detestei, me olhava no espelho e não me reconhecia. Quando criança nunca ninguém me disse que meu cabelo não era legal, pelo contrário, e na adolescência eu morria de orgulho dos meus cachos escuros e compridos. Por que agora, adulta, eu deveria ter algum problema com eles?

E se eu não tenho problema nenhum com eles, por que os outros deveriam?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Aventuras no baixo Augusta

Coleguinha Bruna me contou outro dia que foi a um bar cujo nome não direi mas que fica na Lapa. E o lugar queria fazer o hippie-roots na decoração, com uns bancos de madeira, balcão podrinho, iluminação deficiente, faltava só o chão de terra batida para nêgo se sentir no bar do sô Vicente em São João Batista da Canastra. Mas ao contrário do bar do sô Vicente, onde você pega sua própria cerveja, come porção de torresmo peludo e faz xixi na casa do dono, o lugar servia sushi e Stella Artois long neck. E quando você acha que não dá pra ficar mais hipster do que boteco roots que serve sushi, eis que ela me conta que a trilha sonora do lugar era jazz. Juro.

Lembrei desse lugar porque sábado fui parar em um do mesmo nível com agravante - fica na hipsterlândia, vulgo "Baixo Augusta". Também não vou dizer o nome para não correr o risco de galera vir aqui me xingar, mas só digo uma coisa: bar que só serve long neck. I rest my case. Deveria ter ido embora assim que olhei o cardápio, mas já viu, né? Já estava lá, sentada, com fome e com sede, ok, a gente toma duas, come qualquer coisa e vai para outro lugar. Pega que essa coisa de "toma só duas e vai para outro lugar" não existe na minha vida. Fiquei.

Não é uma questão de pobreza ou pão-durice (ok, é sim), mas vejam: eu gosto de beber. Eu gosto de beber cerveja. Eu gosto de beber muita cerveja e diante deste cenário não dá para sentar em um bar que só serve long neck sem deixar quase 100 reais na saída. E eu não estou podendo, coleguinhas. Decoração tipo "você está num filme do David Lynch", porções pretensiosas e serviço ruim, cheio de garçons descoladinhos que esqueciam meu pedido. Isso sem falar da desgraça de um Mojito com gengibre (Mojito é a coisa mais perfeita que já criaram em termos de drinks, pra quê cagar colocando gengibre?) e rum de quinta que me deu uma dor de cabeça daquelas que dá vontade de ir para a luz no dia seguinte. Fim de carreira. Tipo de lugar que desafia a essência tosca do baixo Augusta.

Da próxima vez vou ao Ibotirama, só digo isso.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Paternidade consciente

Dia desses professora chega me dizendo que está tendo problemas com uma aluna adolescente, que a menina não se interessa pela aula, se recusa a falar inglês, fica apática e não participa, enfim, SE COMPORTA COMO ADOLESCENTE. O nome da fofa? Dayanny Katherine (esse eu inventei para preservar a menina, mas é algo nesse nível).

Fui puxar a ficha de Day para ver notas do semestre anterior, reuniões com os pais, etc. E descubro que ela tem mais duas irmãs estudando na escola, Suellen Tathianny e Jéssika Emmanuelly (inventei também, mas eu não minto, senhores, é bem por aí).

Daí eu lhes pergunto, coleguinhas: pqp, o quê será que essa mãe fumou antes de batizar essas pobres coitadas? Um CD do Calcinha Preta? Bebeu um balde de creolina? Porque sinceramente, nem isso explica.

Não é a toa que Day anda rebelde. Dayanny Katherine eu me chamasse, fogo no carro dos meus pais eu já teria colocado.

Detesta criança não procria, gente. Pra quê castigar desse jeito depois que já nasceu?

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Não existe amor na fila dos frios


Aquela cena linda que todo mundo já conhece - casal com fome resolve passar no supermercado para garantir o lanche do fim de domingo. No Záffari. Do shopping Bourbon. Muita criança, muita família carregando algo que parece uma mudança mas é só a tralha dos filhos, muito velhinho, muita gente que não sabe o que está fazendo nem no planeta Terra, que dirá no Záffari do shopping Bourbon num domingo a noite.

Casal quer queijo. Pensa que há bandejinhas pré-fatiadas? Claro que não. Há uma fila quilométrica num balcão de frios pilotado por três atendentes que, tomando conta juntos de uma tartaruga, deixariam a bichinha fugir. E há muitas velhinhas.

As velhinhas da fila dos frios são um caso que merece estudo. Esta é, de longe, a parte preferida delas no mercado inteiro. Elas pedem quilos e quilos de frios estranhos (presunto e queijo é para os fracos), perguntam detalhes de cada uma das 13 marcas de salame e mandam o peito de peru voltar três vezes porque as fatias não estão na espessura certa. É quase um hobby para elas - algumas jogam tranca, outras infernizam atendentes na fiambreria do Záffari. As velhinhas compram tantos frios que fazem a gente se perguntar se por acaso estaríamos na iminência de um ataque nuclear e só elas foram avisadas. Por essas vocês já imaginam nosso desgosto ao dar de cara com uma fila digna de brinquedo da Disney cheia de senhoras.

Acontece que a fila dos frios não é composta apenas pelas velhinhas. Ela também atrai bastante aquele pessoal citado lá em cima que passa pela vida como se tivesse acabado de cair de um disco voador a caminho de Saturno. É justamente esse povo que chega no balcão após passar quase meia hora esperando e... não tem a menor ideia do que quer comprar. Você está lá atrás, morrendo de fome, cogitando abrir um polenguinho que está dando sopa quando vê o cidadão ali, olhando para a cara do atendente como se de lá pudesse surgir alguma inspiração divina que dissesse quais frios, afinal, ele deve comprar. Porque vejam, meia hora não é tempo suficiente diante do mundo maravilhoso dos salames, queijos gordos e lombinhos defumados que se apresenta diante do pobre incauto. E quando este, após minutos de seríssima ponderação, resolve quer vai levar o presunto, eis que o atendente põe tudo a perder: "Sadia ou Perdigão, senhor?" Nesse momento duas pessoas se matam na fila. Enquanto isso nós, que queremos só 200 gramas de queijo prato, somos obrigados a esperar até criar raízes ao lado de um gorgonzola gigante.

Sendo então essa sucursal do inferno já descrita, a fila dos frios não se contenta e nos apresenta outro tipo que testa nosso amor ao próximo - o cara-que-compra-frios-por-fatia. Vejam bem, coleguinhas - talvez eu até compreenda que você compre frios por fatia se for pobre ou morar sozinho. Não é este, obviamente, o caso do cara que pede 25 fatias de mussarela. Eu disse 25. Para aquele atendente que faz o Patrick do Bob Esponja parecer um ganhador do Nobel de Física. Vão imaginando o drama. Quando o segundo cara-que-compra-frios-por-fatia encosta no balcão o casal já cogita cometer suicídio à la Didi Mocó ou assassinar alguém. Ao invés disso, entretanto, segue aguardando não-tão-pacientemente-assim sua vez.



Não há amor possível na fila dos frios, coleguinhas. 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Aos meus avós

Diz que ontem foi dia dos avós. Não sei bem porque não os tenho há muito tempo. Avô nunca tive, morreram muito, mas muito antes de eu nascer. Como meus filhos, pelo menos por parte de mãe, não terão também.

Dos meus avôs sei pouca coisa. O materno era um italiano de olhos azuis profundos que ele, de sacanagem, deixou como herança só para minha irmã. A imagem vem de um retrato desses antigos, ovalados, que pendiam nas paredes das casas há trinta anos. É a única imagem, e é a que minha mãe tem dele também. Ele morreu quando ela tinha três anos, atropelado na porta de casa. Na frente dela, embora ela não se lembre. História tristíssima, daquelas que hoje em dia leva-se anos de terapia e remédios para se recuperar mas que em 1956 a única coisa a se fazer era seguir vivendo.

Do paterno nunca vi o rosto. Na verdade não sei absolutamente nada sobre ele, onde nasceu, quando morreu, para que time torcia. Sei que devia ter um senso de humor questionável, pois batizou seu primogênito (meu pai) com o nome de uma marca de cigarro.

As avós eu conheci. Tenho fotos no colo delas, e é engraçado ver o quanto as duas eram diferentes.

A materna, outra italiana bonita, de olhos verdes, cabelos escuros e uma genética danada que fez cinco filhas iguaizinhas a ela. Morreu antes do tempo, eu tinha quatro anos, minha mãe 28. Envelheceu cedo, talvez pelo fardo de criar 9 filhos sozinha e nas fotos em que me carrega está lá, uma senhorinha grisalha de óculos e vestido estampado aparentando muito mais do que os sessenta e tantos anos que devia ter na época. Mais tempo tivesse, teria sido provavelmente aquela avó clichê italiana, que empanturra os netos de comida e começa o molho da macarronada de domingo na sexta-feira.

A paterna era linda. Vaidosa, aparecia lá em casa para pintar os cabelos de vermelho vibrante. Sempre maquiada, elegante, cara de dama da sociedade. Fumava muito e carregava com ela um cinzeirinho portátil, com uma gavetinha, para não jogar as cinzas na calçada. Não sabia cozinhar nem contar histórias, e parecia preferir deliberadamente os netos loiros de olhos claros. Lembro dela nos mandando endireitar as costas e nos lambuzando de protetor solar que "essa coisa de ficar bronzeado é coisa de ralé." Morreu quando eu era adolescente, no momento em que eu meu pai ia perdendo a luta dele contra o câncer. Eu tinha dores maiores (pelo menos era assim que eu sentia) para chorar.

É curioso a gente sentir falta de quem a gente nunca teve. Eu sinto. Principalmente tentando imaginar como estes quatro estariam lidando com o mundo de hoje, tão diferente do deles.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ai gente...

Seguem dois diálogos acontecidos ontem:
Fulano por telefone: "Oi, é você que está dando aulas de inglês no condomínio?"
Eu: "Sou eu sim."
Fulano: "Então, eu queria fazer aula de espanhol."
Eu: "Desculpe, eu não dou aula de espanhol, só de inglês."
Fulano: "Ah, mas o papelzinho no elevador dizia 'inglês e espanhol'"
Eu: "A moça que fez deve ter escrito errado, vou falar com ela."
Fulano: "Mas você não tem ninguém aí para dar aula de espanhol? Não é uma escola?"
Eu: "Não, eu sou professora particular."
Fulano: "Ah, tá, desculpa."

Como eu moro no térreo, ao chegar em casa fui espiar o elevador para ver o que cazzo estava escrito lá. E estava escrito "Paula - professora particular de inglês - telefone tal - e-mail tal". Ao lado de um anúncio do Yázigi. Analfabetismo funcional mandou lembranças.

Mais tarde...
A amiga que faz minhas unhas está de férias e num momento de desespero decidi marcar hora com a manicure oficial do condomínio.

Eu: "A senhora é a fulana de tal, que faz unha no condomínio?"
Ela: "Sou eu sim."
Eu: "Eu queria marcar um horário para amanhã as 3 da tarde, pode ser?"
Ela: "Pode ser as 4?"
Eu: "Pode."
Ela: "Não, olha, deixa eu ver, se meu marido vier buscar meu neto mais cedo pode ser as 3."
Eu: "Não, deixa as 4 mesmo, não tem problema."
Ela: "Não, olha, eu vou ver e te interfono, tá bem?"
Eu: "Olha, eu vou estar trabalhando, não adianta me interfonar, é melhor me ligar.. Deixa as 4 mesmo."
Ela: "Acho que pode ser as 3 sim, eu te interfono para avisar."
Percebendo que não adiantava explicar, desisti. Meio dia e pouco hoje estou na casa da minha mãe usando a internet quando namorado me telefona:

"A empregada me ligou, diz que a manicure tá te interfonando lá."

Ligo para a manicure:

"Dona fulana, eu avisei que não ia estar em casa."
"Ah é, mas a gente marcou as 13 ou as 3?"

Ai gente...

sexta-feira, 20 de julho de 2012

De como eu vou morrer flácida e pelancuda

Começou com um post num fórum e eu resolvi desenvolver.

Eu já tentei ir à academia. Juro. Já tentei as caras, as baratas, as de velhinhos.

Como eu frequentava em horários alternativos (a tarde, meio da manhã) nas caras eu costumava cruzar com aquelas biscats clichê de ~acadimia~: as moças que malham de cabelo quilométrico solto, macacão estampado, meião e paninho cobre-bunda. Tipo, minha filha. Seus peitos tão aí pra todo mundo ver explodindo no macacão, que recato é esse de não mostrar a bunda? Simplesmente não faz sentido. Daí eu lá, de calça de moletom e abadá do carnaval de Ouro Preto 2004, tinha que ficar implorando pela atenção dos professores por motivos de: não dá pra competir.

Nos tempos de pobreza, nas academias baratinhas, eu cruzava não com as biscats, mas com os caras. Os caras assim, meio pedreiros, que até ontem estavam malhando com halteres feito de tijolo. E né, nada contra, acho ótimo que hoje em dia todo mundo possa frequentar academia e tal, mas mesmo de calça de moletom e abadá do carnaval de Ouro Preto 2004 eu me sentia meio constrangida porque era a única mulher no recinto naquele horário. 


Tentei as de bairro, pequenas e cheias de velhinhos. E as velhinhas me dava um ralo nos aparelhos puxando sei lá quantos quilos mais do que eu. Desisti por motivos de: humilhação a gente passa diariamente por coisas diversas, não preciso pagar por isso.

Tentei Pilates. Até gostei no começo, mas depois de dois meses fica chatérrimo passar uma hora fazendo exatamente as mesmas coisas toda aula. Também pode ser incompetência minha que não evoluía e era obrigada a continuar com os mesmo exercícios. Além disso custa caro, mais caro que academia chique, desisti por motivos de: tédio e pobreza.

Estou considerando comprar uma bicicleta porque eu comprovadamente gosto de pedalar. Mas ao mesmo tempo sou cagona e dificilmente terei coragem de botar a magrela para rodar no trânsito lindo de São Paulo.

Acho bom eu pelo menos manter o peso, porque se depender de exercício físico vou morrer flácida, pelancuda e gorda.

Will me entende ,olha só.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Brás Cubas

Hoje em dia é cool ter gatos. Mas eu e minha irmã (hipster-mode-on) amávamos gatos muito antes de ser moda. Amávamos gatos quando não havia ração-especial-light-reforçada-com-vitaminas-para-filhotes-com-problemas-do-trato-urinário, quando não havia instagram para colocar fotos "artísticas" dos bichanos, quando ainda era aceitável fazer cara de nojinho ou de medo diante dos pequenos felinos domésticos. A Suzy foi a primeira, o grande amor, a malhada que morreu velhinha e desdentada dentro da casinha do cachorro. A dona de um gênio péssimo, que detestava crianças e só gostava de verdade do meu pai (mas desconfio que fosse interesse na barriga quentinha e macia dele). A que sumiu no dia da nossa mudança para o interior e foi encontrada dormindo dentro da estufa de doces do bar da família. A mãe da Téia, outro gênio tão ruim que não aceitou uma segunda mudança de casa e teve que ficar com o vizinho para desespero geral da nação.

Um dia, eu já morando em São Paulo, Suzy já tinha nos deixado há alguns anos, minha irmã me telefona:
"Temos um gato. Um vira-latas siamês. Podemos chamá-lo de Miguel, como Miguel Reale?"
"Aff, pelamordedeos, ter que ficar explicando o nome do gato pra todo mundo. Por que não Brás Cubas?"
"Ai, belas merdas, vamos ter que ficar explicando do mesmo jeito. Mas eu gostei, vai, pode ser Brás Cubas."

E assim foi. Brás Cubas se tornou um siamês lata gordo e anti-social, capaz de passar três dias dentro do sofá para não ter que se relacionar. Foi castrado aos dois anos e como aquele que lhe dá nome, não vai deixar a nenhuma criatura o legado da nossa miséria (piadinha que tentei, sem sucesso, fazer no veterinário). Mora com a minha irmã em Brasília e eu o amo não como uma pessoa, mas como um serzinho tão especial e capaz de dar tanta alegria, que acho que ele é mais do que gente. Ele é melhor do que gente. Ele simplesmente é. Ele retribui o amor que lhe é dado da forma como sabe, miando, se esfregando na nossa perna, pulando em cima do teclado no meio de um trabalho importante, correndo para a porta do apartamento quando ouve o alarme do carro lá no térreo. Porque amar um gato é, acima de tudo, compreender que nem sempre vai ser como nós gostaríamos. Mas que vai ser sempre lindo e surpreendente.


Não tô aqui pra ser sociável, tô aqui pra ser lindo.


domingo, 15 de julho de 2012

Para Roma com amor

Eu confesso - minha alma hipster tem vontade de se encolher e chorar no cantinho cada vez que alguém diz: "Eu nem gosto de Woody Allen e adorei o último filme dele!" ou "Adoro Woody Allen mas tem uns filmes mais antigos dele que são duros de engolir." Porque olha, de fã para empolgado: diz que curte Woody Allen mas não gosta de Tudo que você sempre quis saber sobre sexo... = poser.

Dito isso, assisti ontem Para Roma com amor. E achei meia-boca. Como Meia noite em Paris, foi feito para arrebatar quem nunca na vida tinha assistido a um filme do Woody Allen. A diferença é que Meia noite em Paris é bom. Para Roma com amor é... preguiçoso. Parece um cozidão requentado de outros filmes do diretor misturado com histórias bobinhas de dar dó, como a do casalzinho do interior que se perde em Roma. Amo alguns personagens, como o superego/conselheiro amoroso feito pelo Alec Baldwin, a psiquiatra esposa do personagem do Woody Allen, o agente funerário/tenor de chuveiro. Mas a impressão geral que fica é a da preguiça mesmo, é a do "mais do mesmo".

Woody Allen faz um filme por ano. Roteiros originais, e isso é sim, admirável. Continuo o amando do fundo do meu coração, continuo achando sua obra impressionante, mas Para Roma com amor foi uma mancada. Quem mandou botar Robert Benigni (ew! ew! ew!) no elenco?

P.S.: Li agora que a história do casalzinho foi baseada em um filme do Fellini e estou me sentindo burríssima. Mas achei bobinha assim mesmo.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

As leis universais do transporte público

1) Todas as pessoas que estão sentadas em um ônibus no qual você está em pé só vão descer no ponto final.

2) Assim que você, estando em pé, decidir mudar de lugar dentro do coletivo, a pessoa sentada perto da qual você estava subverterá a lei número 1 e desembarcará.

3) Uma velhinha entrará no ônibus assim que você, morto de cansaço, resolver se render e sentar no banco preferencial.

4) Se você ignorar um ônibus cheio e decidir esperar pelo próximo o mesmo demorará cinco vezes mais do que o habitual para passar.

5) Caso o coletivo subverta a lei supracitada, ele estará cinco vezes mais cheio que aquele que você deixou passar.

6) Num ônibus relativamente vazio aquele tiozão barrigudo com a camisa faltando um botão vai se instalar em pé bem ao lado do assento onde você se encontra. E você não estará na janela.

7) Num ponto lotado todas as pessoas estão esperando o mesmo ônibus que você.

Eike delícia!


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Idiocracy

Olha, não tem um dia na minha vida em que eu não me pergunto se o roteirista de Idiocracy tinha noção de que o que ele estava escrevendo era uma profecia, não um filme, apenas.

Oi, você não conhece Idiocracy?

Como eu amo todos os meus cinco leitores e tenho certeza que eles são gente de melhor espécie, faço questão de elucidar o que é Idiocracy. Dá o play, macaco.

Enfim. Um exemplo clássico de como as pessoas estão emburrecendo a níveis alarmantes são os fóruns de discussão. Eles funcionam assim:

Eu dou a minha opinião. E como ela é MINHA e eu sou um gênio, ela é a única que importa. Porque eu sou a pessoa mais importante do mundo e é claro que por isso qualquer opinião que seja contrária à MINHA é automaticamente uma besteira sem tamanho. Mas não basta eu deixar bem claro o quanto a SUA opinião está equivocada. Como você é uma criatura de discernimento limitado, a melhor maneira de mostrar o quanto a MINHA opinião é única válida não é argumentando de maneira coerente. Sendo eu essa pessoa de inteligência superior e você essa ralé ignorante que só fala bobagem, eu preciso responder seu comentário da maneira mais ofensiva possível para garantir que você vai entender que a MINHA opinião é a que presta e a SUA é um lixo. 

Infelizmente você parece não se dar conta da sua condição de acéfalo, e tem a audácia de rebater minhas ofensas totalmente justificáveis não com argumentos embasados (porque você é burro e eu sou esperto, lembre-se), mas com palavras de baixo calão. Não seria muito mais fácil aceitar de vez que a MINHA opinião é a única que vale? 

Entendeu ou quer que eu desenhe?


P.S.: O blogger está sacaneando a minha formatação e eu não tenho a menor ideia do porquê deste highlight branco no texto. Ignorem, por favor.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Uma dama

Mando um SMS para um amigo  (que é gay e sim, esta informação é importante).

"Quero almoçar e ver o filme novo do Woody Allen sexta-feira, vamos?"

Segundos depois, a resposta:

"Desculpa, não reconheço seu número mas adorei o convite!"

Ligo pra ele:

"Perdeu meu número e achou que era paquera, seu biscate?"

"Hahahaha, pior que achei mesmo! Troquei de celular e não tive tempo de passar a agenda."

Quer dizer, tô soando como homem. Falta de delicadeza, a gente vê por aqui.



sexta-feira, 22 de junho de 2012

Manual prático para o bom uso do guarda-chuva

Existem coisas difíceis nessa vida. Acordar cedo, fazer pão, assistir aos filmes da Gwyneth Paltrow, por exemplo. E, embora "usar o guarda-chuva" aparentemente não devesse constar nessa lista, para boa parte dos habitantes de São Paulo tal ação está, inclusive, no top 5 de coisas difíceis. Porque olha, só isso explica o potencial de certas pessoas de transformar guarda-chuvas em armas nesses dias em que São Pedro não dá uma trégua. Visando portanto o bem estar e a segurança da população, cataloguei algumas dicas simples para o uso adequado do guarda-chuva em locais de alta densidade demográfica. Seguem-nas:

1) Guarda-chuvas protegem, adivinhem, da chuva. Marquises também. Se você tem o primeiro, deixe a segunda para quem não o tem. Gente que anda com o guarda-chuva aberto debaixo da marquise perde 5 pontos na carteira de pedestre. Oi, não existe carteira de pedestre? Aí Kassab, com tanta lei inútil, fica a dica.


Exemplo prático de como NÃO usar seu guarda-chuva

2) Um guarda-chuva aberto aumenta em no mínimo um metro o espaço que você ocupa no universo. Pense nisso antes de atravessar portões ou ultrapassar transeuntes em calçadas estreitas.

3) Antes de abrir seu "dispositivo para proteção contra intempéries" verifique se não há ninguém por perto que possa ter o olho furado por uma vareta perdida.

4) Antes de sacudir seu guarda-chuva no intuito de secá-lo no ponto de ônibus verifique se não há ninguém por perto que possa tomar um não solicitado banho de água fria.

5) Por fim, coloque esta merda dentro de um saco plástico quando entrar no prédio para não transformar a portaria e o elevador em pântanos. A sociedade civilizada agradece.




quinta-feira, 21 de junho de 2012

Tamô de volta

Meu pai era o que Luís Fernando Veríssimo chamaria de "São Paulino teórico". Tinha lá seu time do coração, mas sendo de uma personalidade pacata por natureza, xingar juiz, berrar "chuuuupa" na janela ou passar duas horas gritando "Ê Ô" em pé no meio de um monte de cuecas no estádio eram atitudes que definitivamente ninguém esperava dele. Ficou difícil, com isso, incutir nas filhas esse gene são paulino, se bem que na minha irmã quase funcionou. Ela teve camisa oficial e chorou com eliminação na Libertadores de  94 e tal. Foi ao Morumbi uma vez, no fatídico jogo contra o São Caetano que terminou com Serginho morto em campo. Depois acho que traumatizou.

Comigo não deu. Até brinquei de ser tricolor na época em que era fácil, começo da década de 90, mas me empolgar mesmo? Não rolou. Foram aí uns 18 anos sem me animar com futebol.

Mas aí veio queridão. E com ele o Corinthians. Eu não sou corinthiana, vejam bem. Tudo a favor dos corinthianos, mas acho que minha apatia com o futebol não combina com a paixão dessa turma pelo seu time. Não acho justo me incluir como parte deles. É bonito de ver o quanto eles participam, o quanto sofrem, o quanto torcem. É um amor de verdade, que não beira o fanatismo. É claro que toda  torcida, ainda mais uma do tamanho da do Parque São Jorge, tem seus maus elementos, seus zé-ruelas, aquele povo que não sabe brincar. Mas é injusto pintar toda uma nação corinthiana baseado naquela meia dúzia (centena? milhar?) de idiotas que não entendem que futebol de verdade é amor no coração, puro, desinteressado, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. E, sobretudo, o que eu mais gosto nos corinthianos é que eles se preocupam com seu time. Apenas. Tão nem aí se os outros ganham ou perdem. Não são como outros torcedores que hoje estão mais ~chatiados~ pelo Curíntia ter se classificado do que por seu próprio time ter perdido.

Não sou corinthiana. Mas sou fã dos corinthianos. E por eles eu digo: que venha o Boca. Ou o Universidad do Chile. Os futuros habitantes do Itaquerão baterão no peito de orgulho do seu time independente do resultado. Tenho certeza.


Muito amor pelos corinthianos, sérião.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Da arte de se superar

Passei um trabalho para o quinto ano. Consistia em colar uma foto de um lugar qualquer e escrever CINCO frases descrevendo esse lugar em inglês. Coisas mega complexas tipo "Conceição do Mato Dentro is beautiful and small. It's located in onde Judas perdeu as botas..." e por aí vai. Nada que eles não tivessem feito a exaustão em sala de aula, e ainda mandei tudo muito explicadinho para nenhuma mãe encher o saco.

Dia da entrega o moleque me aparece com um texto de página inteira escrito em português contando que em tal lugar no feriado o tio Zelão fez bolo, a tia Maricota quebrou o pé e o cachorro Felisberto se perdeu. Detalhe: escrito com a letra da mãe. Coloca em cima da minha mesa e diz:

"Então, minha mãe pediu para você me dizer como é que se escreve isso em inglês."



Pais - mestres na arte de se superar. Sempre.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Reunião de condomínio

Quem nunca foi não sabe o que está perdendo, só digo isso. Acho que o único lugar onde as pessoas vão mais dispostas a brigar que em reunião de condomínio é em octógono de MMA. Eu ontem fui à primeira do meu novo lar e já decidi - não perco mais nenhuma porque o potencial de barraco lá é nível reunião de diretoria no Divino Futebol Clube (beijo, Avenida Brasil).

Já odeio: a mulher do 22 (números fictícios, pessoar) que quer botar a construção de mais duas churrasqueiras no próximo orçamento. Nós já temos duas churrasqueiras, minha senhora, não quer lista de espera compra um cinco dormitórios com varanda gourmet. E fala num tom acusatório, indignado, do tipo "É UM ABSURDO EU TER QUE ESPERAR ATÉ AGOSTO PARA USAR A CHURRASQUEIRA!" Faltou completar com um "IMAGINA NA COPA!"

Já odeio também: o cara do 54. Durante a discussão das alternativas para o estacionamento complicado, surge a proposta da instalação de um sistema de pallets, que pelo que eu entendi são umas plataformas deslizantes para que não haja vagas presas. Daí o sujeito entra com o famigerado e detestável argumento de autoridade furado: "Olha, eu sou corretor de imóveis então peço que PELAMORDEDEUS  não coloquem pallets porque eles desvalorizam o imóvel em 30%." Oi, 30%? Mais alguém achou o número meio, digamos, exagerado?  A construção de um lixão ao lado de um prédio pode desvalorizar um apartamento em 30%, mas pallets no estacionamento? Jura? Mas o cara é "autoridade" e a galera acredita.

Já amo: A síndica. Porque precisa ter uma paciência de Gandhi para não mandar galera tomar no cu falando com ela daquele jeito, como se ela não morasse lá e não tivesse interesse em melhorar as coisas. E pelo seguinte diálogo.

Condômino indignado: "E enquanto o bicicletário não fica pronto eu guardo a minha bicicleta onde?"

Síndica: "Dentro do seu apartamento."

Porque se fosse eu, imaginem o que eu teria respondido.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Causos Juninos

Esse ano, como de costume, não escapei de trabalhar na famigerada festa junina do colégio. Entretanto tive um pouco mais de sorte e fui escalada para o turno da manhã, que, como podemos imaginar, é muuuuito mais sossegado que o da tarde, já que a família brasileira acorda depois das 10 e demora para colocar pai, mãe, filhos, cachorro e avó no carro.

Qual a novidade então, não é coleguinhas? Afinal, esse bloguinho só tem graça quando a tia aqui se dá mal, eu sei. Entretanto, este ano, fui apresentada a uma nova categoria de pais sem noção na festa junina - a louca das prendas.

A louca das prendas passa de barraca em barraca escarafunchando sem vergonha nenhuma as caixas de prendas, tentando avaliar qual tem coisas melhores e é digna, portanto, de sua atenção. Seu filho lindo só vai brincar nas barracas cujos prêmios façam jus aos 3 reais que ela pagou por isso. O que a louca das prendas parece não saber é que prenda de festa junina é tudo a mesma merda. Carrinho de plástico, batom vagabundo, iô-iô, caderneta, elástico de cabelo, boneca feia, bola barata.

Eventualmente a louca das prendas se rende e deixa sua criança brincar na barraca que quiser. Para seu horror o pequeno vai mal e só tem direito a um prenda mais mequetrefe ainda da caixa de consolação e, o absurdo do absurdo, escolhe logo aquele iô-iô de plástico de 1 real. Pensam que ela se conforma? Ela inferniza tanto o coitado que o convence de que aquela prenda é uma bosta e resolve trocá-la, mas não o faz, obviamente, na mesma barraca, porque naquela barraca todo mundo já sabe que o iô-iô é da caixa de consolação. A louca das prendas vai até a minha barraca:

"Oi, ele pode trocar esse iô-iô por aquele carrinho ali?"

Aquele carrinho ali sendo um Hot Wheels de metal da caixa dos cinco acertos na boca do palhaço. Reconhecendo a tia que já tinha fuçado em todas a minhas caixas mais cedo, retruco:

"Se ele não pegou aqui não pode trocar."

"Ah, que absurdo, ele é criança, É SÓ UM CARRINHO."

Gente querendo levar vantagem em prenda de festa junina - sério, cadê o botãzinho para parar o mundo?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Pérolas da publicidade


Publicitários do meu Braseel, não quero generalizar, mas vocês tem que admitir que alguns dos seus coleguinhas se esforçam bastante para queimar o filme da categoria.

Não bastasse os gênios que produzem comerciais de produtos de limpeza pintando as mulheres como criaturas  cuja maior alegria na vida é passar as tardes limpando limo do banheiro, agora a turma dos carros resolveu tirar uma com a nossa cara também.

O spot de rádio do Fiat Brava é uma das coisas mais cretinas que eu ouvi nos últimos tempos e olha, dado o Festival de Besteira que Assola o País (by Stanislaw Ponte Preta), taí uma façanha. O comercial sugere que o cidadão compre um Fiat Brava porque, como o carro é rápido, ele vai chegar mais cedo ao trabalho, vai impressionar a chefe, ela vai pedir uma carona no final do expediente e, ao chegar em casa, vai convidá-lo para subir. De onde se conclui que:

A) Mesmo sendo chefe ela não tem carro porque dirigir "é coisa de homem" (século XIX mandou um beijo).
B) Se você tiver um Fiat Brava sua chefe vai querer dar para você.

Porque quando não estão esfregando o chão ou limpando ranho de criança, é isso que as mulheres fazem - andam por aí indo para a cama com os caras só porque eles tem carros bacanas.

Responsáveis por essa obra-prima, dica: carro não é critério para transar com um homem, mas nível de babaquice sim. E por esse referido critério vocês já perderam qualquer chance que tinham de comer alguém.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

PS do Ensino Fundamental

Estou lá na sala dos professores tomando um café frio quando a coordenadora entra com uma pinça na mão solicitando a presença da professora X:

"Professora, você que é mais jeitosa, pode me ajudar? É que o Joãzinho (sempre ele!) enfiou a tampinha de trás da caneta no ouvido."

Professora X vai até a sala da coordenação. Após cuidadoso exame, conclui que é melhor encaminhar o "acidentado" ao pronto-socorro mais próximo. Volta para a sala dos professores.

"Ué" comento "Dei aula agora na sala do primeiro ano e o Joãzinho não veio hoje."

"Não foi o Joãzinho do primeiro ano" esclarece a colega "Foi o do nono."

Agora vejam vocês, coleguinhas - e pensar que o espermatozoide que deu origem ao Joãzinho  do nono era o mais esperto do bando...

terça-feira, 22 de maio de 2012

Das coisas que irritam

Tive que assumir um aluno numa empresa. A aula dele começa as 7 da manhã.

Não é que eu goste de acordar cedo, mas, sinceramente? Das coisas que me incomodam na vida madrugar deve estar lá na vigésima colocação. Não ligo mesmo, inclusive funciono melhor de manhã. O caso é que a empresa é longe. Digo, longe para os padrões de uma pessoa que não tem carro - fica no shopping Cidade Jardim.

Namorado me levou hoje - demora 20 minutos. De ônibus será uma hora e meia, agora calculem a que horas a peoa aqui terá que sair de casa. Mas nem é disso que estou reclamando.

O lugar é muito bonito, muito fino como já era de se esperar pela localização, mas sinceramente? Não foi feito para pessoas.

Como eu já disse, é um saco chegar lá de ônibus. E calculo que boa parte das pessoas que trabalham lá (seguranças, faxineiros, recepcionistas, estagiários) não tem carro.

Não há UM lugar que seja para tomar um café. Não há uma lanchonete, uma máquina de moedinha, não tem nem uma tia vendendo bolo e café coado na rua, como de costume. Nada. O único lugar para se almoçar ali é o próprio shopping, que é feito para a classe AAA e por isso mesmo só conta com restaurantes caríssimos.

E a recepção da torre corporativa? Enorme, chiquérrima. Não tem um sofá para contar a história. Pessoa chega mais cedo e espera lá, de pé. Ou sentada num banco de madeira do lado de fora, o que com a temperatura que anda fazendo é bem agradável.

Não é luta de classes. Não é raiva de rico. É só um odinho de leve pelo descaso total com quem não faz parte daquele mundo - e que, por ironia, é quem faz aquilo tudo funcionar.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Manual prático de bons modos em reuniões de pais

Inspirado pelo  post da coleguinha Bruna.

Reunião de pais: professora de História, daquelas antigas no colégio. Saco na lua de aguentar lenga-lenga de pai nível "mas ela estuda tanto, por que essas notas??" ou "ele está passando por uma fase difícil, sabe, professora?". De repente uma mãe se supera:

"Ah, professora, eu sei que ela vai mal em História, mas também, né? Pra que serve saber essas coisas de Napoleão, de segunda guerra?" Ao que nossa querida mestra laconicamente responde:

"É verdade, mãe, a senhora tem razão. Você por exemplo tenho certeza que não sabe nada sobre nenhum desses assuntos e tá aí, né? Sobrevivendo."

Outra, reunião, outra mãe, mesma professora:

"Mas professora, ele vai ficar mesmo de recuperação?"

"É, mãe, não tem jeito ele foi muito mal na prova final."

"Mas essa resposta aqui, sobre os fatos que desencadearam a Segunda Guerra Mundial, não está certa?"

"Não, esses foram os fatos que desencadearam a Primeira Guerra Mundial."

"Ah, professora, mas Primeira, Segunda Guerra, não é tudo a mesma coisa?"

"Olha mãe, acho que os judeus, principalmente, discordariam da senhora."

Pais do meu Brasil, deixo a sugestão: melhorem ficarem quietos da próxima vez.

domingo, 13 de maio de 2012

A faca mais afiada da gaveta parte II - a missão

Namorado diz que eu sou destrambelhada. Acho justo. Meus problemas com atenção, pensamento rápido e resolução de problemas me levaram a desistir, por exemplo, de dirigir, atividade essa que me torna instantaneamente um perigo em potencial para mim e para a sociedade.

Namorado deveria, entretanto, conhecer os pais do colégio onde trabalho. Imagino que sua opinião sobre mim mudaria na mesma hora.

Ontem de manhã tivemos a ~maravilhosa~ festinha de dia das mães. As genitoras amam. As professoras enlouquecem tendo que, um dia a mais na semana, tomar conta não só das crianças que correm feito loucas por todos os lados bem dos adultos que aparentemente não fazem ideia do que estão fazendo lá.

E não sabem mesmo, coleguinhas. Ontem estava eu mais uma vez correndo de um lado para o outro atrás de nem lembro o que quando sou interrompida por uma mãe aflita:

"Professora, sabe o que é? Meu marido perdeu o carrinho do meu filho em algum lugar aqui na festa. Se alguém encontrar você poderia me devolver?"

"Claro, como é o carrinho?"

"É um carrinho de bebê. Do meu filho mais novo."

UM.CARRINHO.DE.BEBÊ. O pai tinha perdido o carrinho onde ele transporta o filho que ainda não sabe andar.

Quase perguntei se o bebê não estava no carrinho na ocasião. Porque dada as circunstâncias, né?

Pais do meu Brasil fica o pedido: antes de procriar façam pelo menos um teste psicotécnico, por favor.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Desconstruindo mitos - no inverno as pessoas ficam mais elegantes

Aconteceu hoje no metrô, mais uma vez. Estava eu sentadinha na linha amarela em direção à Faria Lima quando avistei a moça parada na porta do vagão. Minha primeira vontade foi de dar um toque, sabem. Avisá-la que aquilo que ela tinha vestido de manhã não era uma legging e sim uma meia calça grossa e que o que colocou por cima disso não era um vestido de lã e sim um suéter meio comprido. Em seguida imaginei que a notícia de que estaria praticamente de bunda de fora dentro do transporte coletivo deixaria a moça um pouco ~chatiada~ e ela precisaria de um abraço, então achei melhor deixar para lá.

Não foi a primeira. Eu não sei sinceramente qual é a dificuldade dessas moças em colocar uma peça de roupa esticada contra a luz e perceber que, olha, ficou transparente. O frio chega e as fias todas começam achar que meia calça de lã (quer dizer, de acrílico né gente?) e legging são a mesma coisa. Não são. Definitivamente. Inverno é aquela época do ano na qual nós somos obrigados a conviver com pessoas vestindo coisas parecidas com essas:



Podem chamar os Mythbusters - essa história de que as pessoas ficam mais elegantes no inverno é BA-LE-LA.