sexta-feira, 16 de junho de 2017

Dez horas e meia

Ontem eu sentei em um café com um moço às 15h00 e saí de lá com ele à 1h30 da manhã.

Sim, nós passamos dez horas e meia sentados em um café conversando sobre música, cinema, livros, séries, sobrinhos, relacionamentos, terapia, youtubers, buquês de periguetes (mais informações a respeito aqui). Nós passamos dez horas e meia conversando sem álcool envolvido (mesmo porque se rolasse álcool não teríamos sobrevivido a dez horas e meia provavelmente).

Eu nem sabia que era possível passar dez horas e meia conversando com uma pessoa. Eu possivelmente nunca fiz isso na vida.

O que isso significa? Talvez não muita coisa.

Não sei se vou ver esse moço de novo (eu gostaria, na verdade, mas não sei) mas uma coisa é certa: tem gente legal no mundo sim. E eles estão nos lugares mais improváveis - inclusive num aplicativo de celular.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sonhos

Eu vou voltar para a terapia semana que vem. Eu fiz terapia uma vez em 2014, numa época em que falecido e eu quase nos separamos mas acabamos superando. Quer dizer, hoje eu vejo que a gente nunca superou de verdade mas isso é assunto pra outro post.

Minha terapeuta em 2014 era jungiana e eu amava contar meus sonhos pra ela. Esses dias lembrei de um sonho da época e de como o significado dele (ou que ela atribuiu a ele, vá lá) fez muito sentido então e faz mais ainda hoje, 3 anos depois.

Eu sonhei que estava em uma pensão. Era uma pensão escura, feia e suja, no centrão de São Paulo. Ele estava comigo. Entramos num quarto e na parte de cima de um beliche tinha um cara deitado. Ele fumava e batia as cinzas no chão. Nos ofereceram comida. Meu ex não quis. Eu também não queria, mas a pessoa insistiu e eu acabei comendo e achando a comida bem gostosa.

Depois de ouvir meu sonho a terapeuta me falou do simbolismo da comida como uma espécie de passagem para outro universo. Falou das Brumas de Avalon, que eu nunca li, e do Labirinto do Fauno, que é um dos meus filmes preferidos da vida. Ela me falou sobre como, ao entrar na sala do homem pálido, Ofelia é orientada a não comer nem beber nada lá dentro, pois ao fazer isso ela ficaria presa naquele mundo (que era horrível mesmo, no caso).



A pensão era minha vida sem ele. E naquele momento de separação ela me parecia muito ruim. Ao comer a comida eu aceitava fazer parte daquele mundo e ao constatar que a comida era boa eu passava aceitar que talvez ele não fosse tão terrível assim.

Em 2014 nenhum de nós dois teve coragem de aceitar a comida. Em 2017 eu fui obrigada a engolir o que me foi oferecido e no começo foi bem amargo. Ainda é de vez em quando, mas cada dia menos. E nem de longe horrível como no meu sonho.

sábado, 10 de junho de 2017

Why don't you love me?

Eu estava assistindo "Edifício Paraíso" (é uma série bem legalzinha da Fernanda Young, passa no GNT) e em um dos episódios toca uma música linda e tristíssima no final. Amo música triste, etc. Joguei a letra no google e falhei miseravelmente em encontrar a música, apelei para o shazam. Achei, a música é essa (espero que vocês estejam de bom humor):



Fiquei obcecada por esses caras porque sou assim com música. A voz dele gente, meo deos. E sei lá aparentemente eles são um banda de bar, tem vídeos deles com 120 visualizações, menos que "Sr. fofinho comendo ração".

E tem essa:




pick up the pace, it's only a broken heart (vou tatuar isso, mentira nem vou mas...) 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Tenho conversado muito e há muito tempo já sobre essa "vontade-de-largar-tudo-e-fazer-alguma-coisa-completamente-diferente." Acho que todo mundo já passou por isso. Eu amo o que eu faço mas hoje, infelizmente, não vejo mais sentido em investir nisso, em me qualificar mais ainda (eu já sou bem qualificada para os padrões dos profissionais da área e tals mas cês sabem né, o céu é o limite). O que eu poderia investir hoje e que seria uma passo à frente na minha carreira seria em treinar professores, mas  numa área subvalorizada, tratada como bico, os professores são mal pagos e não tem dinheiro para se qualificar, ou seja. Tamo tudo fodido. E como professora de adultos ultimamente o que tenho visto é um monte de alunos desmotivados, cansados, trabalhando demais e que não enxergam o inglês como algo que realmente vai acrescentar alguma coisa na vida deles: é só mais uma dentre as milhares de obrigações que eles já tem na vida.

Daí a gente fica nessa brincadeira de "vou largar tudo e vender marmita vegana" ou "vou aprender costura no SENAC e fazer lingerie vintage" mas parece tudo tão absurdamente distante e irreal que eu só fico aqui inerte fazendo o que eu sempre faço. Inércia foi a palavra dos últimos anos, na verdade, e isso é muito triste. 

Além disso eu tenho essa invejinha das pessoas que tem hobbies de verdade, sabem? Que fazem coisas que elas gostam quando não estão trabalhando. O falecido escalava. Tenho uma amiga que pedala longas distâncias. Um colega que faz guitarras. Eu não tenho. Eu venho aqui, escrevo no blog, saio pra tomar umas cervejas, começo uma série nova e fim. Até que ontem caiu no meu colo uma coisa que me pareceu algo que eu REALMENTE gostaria de fazer: um curso de sommelier de chá.

Sim, isso existe e pra mim parece incrível. O curso é profissionalizante e tudo, tem até TCC. Eu poderia ter uma nova profissão gente!

(Não que eu realmente esteja considerando sommelier de chá uma opção de carreira né, como faz, tem vaga na Catho?)

Mas enfim, eu queria muito fazer isso. Só que custa caro. Bem caro. Mas eu tenho um dinheiro guardado e juro que amei tanto essa ideia que estava a fim de pagar, daí entrei em contato com a instituição pra saber sobre a inscrição e basicamente me passaram uma conta de pessoa física e disseram: deposita uma parte do valor do curso aí e já tá inscrito.

Eu meio que faço isso da vida né gente, vendo curso de inglês. E NÃO é bem assim que funciona. Mandei um e-mail pedindo uma minuta de contrato padrão e a pessoa me respondeu que entregariam o contrato no primeiro dia de aula, em Agosto.

Mas gente, vem cá. Como é que as pessoas esperam que eu deposite 1500 reais na conta de um estranho sem ter um contratinho me garantindo que esse curso existe, que se não existir eles devolvem meu dinheiro, que se eu desistir eu pago uma taxa, etc etc. As pessoas realmente fazem isso?

Tô esperando resposta da galera ainda, pra ver se me mandam o contrato. Há muito tempo eu não ficava tão animada com alguma coisa, espero sinceramente que dê certo. Cruzem os dedos aí.




quinta-feira, 1 de junho de 2017

Então estamos assim:

Minha menstruação está atrasada mais de uma semana e por mais que eu tente racionalizar o tanto que é impossível eu estar grávida (assim, impossível, impossível nível Jesus Cristo não porque rolou sex mês passado porém impossível pois: 3 métodos anticoncepcionais bem seguros aliados, enfim), por mais que eu tente né? Já fiz dois testes de farmácia. Não tô grávida. Mas tô com uma TPM do cão como eu não tinha desde que coloquei o DIU. Aparentemente meu corpo é uma velha carola me punindo por ter transado depois de 6 meses de abstinência. Enquanto isso vou fazer é mais um teste e tomar um chá de canela pra dormir tranquila.

Pra ajudar semana passada um estelionatário me engambelou no caixa eletrônico do Santander, usou minha digital e fez um empréstimo seguido de saque de 2 mil reais. Abri ocorrência e o banco indeferiu pois se ele usou minha digital eu autorizei e pronto. Telefonei xingando muito na agência, me pediram pra registrar um b.o. e ir lá que iriam cancelar o empréstimo. Aparentemente não vou ficar no prejuízo porém: não sabemos ainda.

Tive que ir à delegacia fazer o b.o. pois estelionato não dá pra fazer online. O escrivão estava fumando um Hollywood enquanto digitava meu boletim num teclado apoiado numa revista enrolada. Me senti num filme nacional ruim dos anos 80.

On the bright side: tenho botas novas tão lindas que me casaria com elas se fosse legalmente aceito.



Estou inchada, com cólicas, mal humoradíssima e devendo 2 mil reais pro Santander mas esfriou e posso desfilar por aí com essas lindezas.

Sobreviverei.

Obrigada pela compreensão.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Daí eu saí com esse moço que era muito bonitinho e me levou cupcakes no primeiro date. E ele era lindo, fofo, um papo gostoso. Trocamos uns beijos na porta do bar enquanto o uber não chegava e achei ótimo (tínhamos tomado umas cervejas), mensagens todo dia, marcamos de sair em seguida, fomos ao cinema, etc.

Daí nos beijamos no cinema, ele me levou pra casa e na hora da despedidas nos beijamos de novo e: zero química.

Nada.

Niente.

Rien.

Foi tipo beijar o primo feio depois de encher a cara na festa de natal da família.

Ficou aquela torta de climão no carro, chamei ele pra subir mais porque né, já estava ali mesmo, ele recusou e... sumiu. Como era de se esperar.

Daí essas coisas acontecem e eu penso em como a vida é injusta porque né? Tão bonito e gente boa o moço, mas atração que é bom até teve mas acabou rapidinho.

Next.



quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dia nacional da adoção

Hoje, 25 de Maio, é celebrado o dia nacional da adoção.

Quem acompanha meu blog sabe que no dia 8 de Outubro do ano passado eu me tornei tia da Amanda, que foi adotada aos oito anos pela minha irmã.

As pessoas que olham de fora às vezes não sabem muito bem como reagir diante de uma adoção, principalmente uma adoção tardia, como foi o caso dela. E elas falam muita besteira.

"Nossa, sua irmã adotou uma criança de oito anos? Ela é muito corajosa, né?"

Deixa eu contar uma coisa pra você, cara pálida. Ter um filho nesse mundo de merda que a gente vive é meio que um ato de coragem mesmo, chego a dizer quase de rebeldia. Mas adoção não requer coragem não. Requer a vontade e a capacidade de entregar seu coração pra uma pessoa que até um mês atrás você não conhecia. A gente faz isso o tempo inteiro. É amor que chama.

"Olha, a tia da prima da cunhada da minha avó adotou um menino mais velho e nossa, ele deu tanto trabalho..." 

Três palavras pra você: Suzane Von Richthofen. Dando um tempo na zoeira, vamos lá:
a) Eu estou te contando sobre minha sobrinha e a única coisa que você consegue me oferecer é uma visão absurdamente negativa de algo que está me deixando feliz? Você é uma pessoa horrível.
b) Filhos dão trabalho. Às vezes as coisas não saem mesmo como o planejado mas eu garanto que quase nunca tem a ver com o fato da criança ter sido adotada ou não. Os Nardoni eram filhos biológicos e olha que gente boa heim?
c) Adoção tardia certinha, dentro da lei, é acompanhada por psicólogo, assistente social e uma série de profissionais para garantir que aquela criança e os pais tenham todo o suporte necessário para se adaptar à nova vida. Isso minimiza bastante as chances de alguma coisa "dar errado". (Mas não elimina, infelizmente. Durante o processo de adoção é comum ouvir histórias de crianças devolvidas, por mais absurdo e cruel que isso possa parecer)

"Agora ela vai engravidar, cer-te-za!"

No caso da minha irmã foi exatamente isso que aconteceu ~risos~ (sim, minha irmã engravidou um mês depois da chegada da Amanda, Cecília will be in da house em Junho) MAAAAS: você nem conhece a minha irmã, queridinho. Nem sabe se ela e meu cunhado tinham alguma dificuldade pra conceber. Nem sabe se eles estavam tentando. Esse comentário é invasivo,desnecessário e exclusivamente baseado no senso comum, além de ser ofensivo considerar que a adoção é "o que deu pra fazer já que o filho biológico não veio". Se houvesse uma gota de verdade nessa bendita crença poderíamos fechar todas as clínicas de fertilidade do mundo já que a solução para casais com dificuldade de engravidar é tão simples né. Basta adotar um filho e bum: gravidez na sequência garantida.

"Ah, mas deve ser outra coisa ter um bebê assim, com a carinha da gente."

Não, não é. E se você quer ser pai/mãe por isso, não seja. Seus motivos estão completamente equivocados.

"Que sorte a dela encontrar vocês!"

Quem tem sorte somos nós, amigo. Garanto.

Tudo que eu disser sobre a Amanda hoje vai ser um punhado de clichês e embora clichês sejam expressões que, repetidas à exaustão, perderam o significado, no caso dela é tudo verdade. Ela é sim um serzinho iluminado, lindíssima por fora e por dentro, cheia de defeitos como todo ser humano, com manias e birras de criança de oito anos e uma alegria que faz com que a gente esqueça por um momento que ela viveu quase uma década longe de nós. Eu vejo a pele negra dela, aquele cabelo cacheado maravilhoso, e me dói demais imaginar que ela vai passar por coisas que eu e minha irmã, branquinhas do cabelo liso, nunca passamos e nem iremos passar na vida. E me dá vontade de colocá-la num potinho e protegê-la de toda maldade do mundo, mas eu não posso fazer isso. Eu só posso tentar garantir o tempo inteiro que ela saiba o quanto é inteligente, capaz e linda sim. Perfeita.





<3 nbsp="" p="">

terça-feira, 23 de maio de 2017

Eu só acho engraçado que...

... toda vez que o assunto da separação vem à tona alguém me diz: "eu nunca entendi mesmo o jeito como ele te tratava à vezes"

Estão perdoados, queridos. Eu estava lá o tempo todo e só fui entender agora. 


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ria da minha vida antes que eu ria da sua

Alguém peloamordedeos me salve de mim mesma porque olha. Só passo vergonha nessa vida.

Semana passada encontrei uma mãe no bebedouro da escola e lembrei que a filha dela tinha perdido algumas aulas porque estava doente. Cheguei toda solícita:

"Oi, tudo bem? Ela está melhor?"

Mãe me olha com cara de "oi"?

"Ela quem?"

A mãe era outra. Essa tem um filho adolescente que vem aos sábados e passou aqui durante a semana só para pegar um café. 

Sábado estou na secretaria e avisto um pai de aluno antigo já da escola. O pai também já estudou aqui, inclusive foi meu aluno. Dou aquela acenada empolgadinha querendo fazer a simpática já que tenho fama de brava por aqui. 

Era outro pai x, de aluno novo, que nem me conhecia e me olhou como se eu fosse doida. 

Domingo. Estou conversando com um crush no whatsapp e ele me falando que tinha ido ao show da banda de uns amigos dele. Me manda um vídeo da banda. Eu acho que é ele no vídeo mas não tenho certeza porque o clipe é de 2011 e ele é japonês né, rola uma dificuldade. Assisto ao vídeo 500 vezes, dou print, vou comparar com as fotos do tinder. Mando os prints pros amigos em busca de uma segunda opinião. Demoro uns 10 minutos nesse processo até que ele se dá por vencido e diz: "você percebeu que sou eu no vídeo, né?" 

Isso porque em 2011 ele já tinha o braço fechado de tatuagem mas né? Meu histórico de dificuldades com rostos me fez ser cautelosa. 

Hoje estou saindo do dentista e vejo de longe na mesma calçada um cara que parece ser o moço com quem eu saí na quinta-feira mas não tenho certeza. Em minha defesa esse moço é desses hipsters barbudos magrinhos genéricos de jaqueta da Adidas que parecem clonados e moram todos na Augusta. E estava de óculos escuros. Diante dos últimos acontecimentos, escolho fingir que não vi.

Cinco minutos depois recebo uma mensagem: "Oi, acho que eu cruzei com você na Pio XI agora pouco".



Alguém me ajuda gente, tá cada dia mais difícil ser eu.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Amor nos tempos do tinder

A parte boa de ser solteira é a gente se apaixonar semana sim semana não.

Primeiro me apaixonei pelo cara grandão que tocava guitarra, tinha uma filha e morava longe. Porque além de ele ser lindo, ele me chamava de baby, tinha Kate Nash na playlist e odiava o Paris 6. Esse moço deve ter começado a namorar pois um dia nunca mais me deu notícias e depois me bloqueou no whatsapp (doeu um pouquinho, mas a verdade é que eu só descobri sem querer quando fui mandar mensagem pra um amigo que tinha o mesmo nome que ele e vi que não tinha mais foto dele nos meus contatos).

Depois teve o publicitário com cara de príncipe, de moço que a gente vê na televisão, meio Caco Ciocler jovem meets Tiago Iorc. Esse moço me chamou pra um rolê de rap e tinha tatuagens de cadeia no peito e no tornozelo (a do tornozelo inclusive tenho certeza que foi feita com caneta bic). Eu gostava dessa mistura de carinha de moço pra casar com corpinho de boy treta. Mas aí esse moço se mudou pro interior e a gente ainda se fala de vez em quando, mas já deu tempo de desapaixonar.

Em seguida veio o professor de biologia barbudo com cara de mau que gostava de Carl Sagan, Neil Gaiman e filme de samurai. Tinha sobrinhos lindos, uma voz grossa delícia e um papo melhor ainda, mas no fim das contas ele só queria mesmo era compartilhar nudes (dele, no caso ~risos~). Nunca saímos do whatsapp.

O da semana é o principezinho loiro e fofo que tem sotaque do interior de São Paulo, fala holandês e toca violão clássico. O date foi bonitinho, com direito a restaurante francês e todos esses clichês. Quero ter filhos baixinhos e bilíngues com ele. Pelo menos até semana que vem.




segunda-feira, 24 de abril de 2017

Hoje é dia de reclamar

Cês me desculpem o post meio genérico mas é que vou reclamar do trabalho então quanto mais genérico melhor.

Eu trabalho numa escola de inglês cês sabem né?

E os nossos alunos, quando terminam o curso, fazem uma prova de certificação internacional e não pagam nada por isso, etc.

E eu sou a pessoa que inscreve esses bonitinhos para essa prova.

O processo de inscrição tem 495 passos e todos eles podem dar errado em algum momento e, acreditem, eles dão.

Pra começar a maioria dos alunos é menor de idade e por isso eu não tenho no sistema o CPF deles. Então pra facilitar peço para eles preencherem uma ficha com nome completo, e-mail, CPF e um código que eles recebem junto com os livros didáticos que são as informações que preciso para fazer a inscrição.

Eles entregam a ficha com o e-mail ilegível (e se eu cadastrar errado eles não conseguem confirmar a inscrição).
Eles erram o próprio CPF.
Eles colocam o código faltando número.

Daí eu corro no telefone para consertar tudo isso.

Quando vou colocar o código do livro ele está: inválido.

Por que ele está inválido, tia Paula?

Porque até semestre passado o código não precisava estar cadastrado no sistema para ser validado, agora precisa. E ninguém avisou a gente.

Daí eu corro no telefone avisando aos alunos que eles tem que cadastrar o código no sistema para que eu consiga fazer a inscrição. E o prazo rolando.

Daí nos 45 do segundo tempo (ou 54, se for jogo do Palmeiras) eu consigo inscrever todo mundo.

Cês pensam que acabou?

Pra poder fazer a prova no fim do semestre os alunos tem antes que fazer um simulado online que é obrigatório. Teoricamente eles receberiam por e-mail um link com as instruções para fazer tal simulado até dia tal.

Teoricamente porque dois dias depois da data prevista ninguém tinha recebido nada. Ligo para a central de suporte e a resposta é: "ah, muitos e-mails estão bloqueando as mensagens porque são em massa, melhor você entrar no sistema e enviar esse link um por um pros alunos"

Sei lá, a gente tem uns 4 mil alunos fazendo essa prova todo semestre. VOCÊS PODIAM TER PREVISTO QUE ESSE VOLUME DE E-MAILS SENDO ENVIADOS DO MESMO SERVIDOR NO MESMO DIA IA DAR RUIM, NÉ?

Não previram. E lá fui eu enviar os links e senhas um a um para os alunos. E telefonar para garantir que eles receberam porque também tinham prazo.

Mas esperem, isso não é tudo!

O prazo para fazerem os simulados encerrou sábado. Hoje tecnicamente eu teria acesso aos resultados e poderia alocar os alunos para fazer prova no local mais conveniente para eles.

Mas é claro que 600 escolas acessando o mesmo sistema ao mesmo tempo não ia dar certo, né? Tá fora do ar. E a galera tá arrancando os cabelos porque todo mundo quer alocar seus alunos o quanto antes senão só sobram aquelas escolas lá nos cafundós do Judas.

E depois de alocados, os alunos tem que confirmar a inscrição por e-mail até dia tal senão não fazem a prova. E os jovens, vocês sabem, não olham e-mail, ou seja, vou ter que telefonar pra todo mundo de novo lembrando de confirmar.

Eu estou há um mês lidando com isso. Um.fucking.mês.


É só o que eu tenho a dizer a respeito

domingo, 23 de abril de 2017

Talvez eu queira que você leia isso, talvez não

Tenho pensado muito em você nos últimos dias. Acho que é normal. Foram 9 anos e eu até gostaria de brincar de brilho eterno de uma mente sem lembranças mas não vai rolar. 
Eu sinto saudade de você. 
Eu ainda lembro dos seus olhos verdes e do seu sorriso de dentes tortos por causa do trompete. 
Eu não esqueço como eu gostava do jeito como você puxava conversa com todos os caixas de supermercado e garçons do mundo. 
Eu admirava a maneira como você se preocupava com todo mundo. 

Mas no final você não se preocupou comigo.

Nosso relacionamento não acabou no dia 9 de Janeiro. Acho que nenhum relacionamento acaba de um dia para o outro.
Ele já tinha acabado quando você decidiu mais uma vez que iria escalar sozinho ao invés de tirar ferias comigo.
Já tinha acabado quando nós discutimos na frente dos seus amigos porque você tinha decidido participar de uma corrida no dia e horário da comemoração do meu aniversário.
Já tinha acabado quando você defendeu uma atitude escrota que me chateou muito só porque a pessoa escrota em questão era sua amiga. 
Tinha acabado anos antes quando, em tom de brincadeira, você me disse: "eu quero ter filhos, mas não com você" (eu nunca quis ter filhos mas hoje percebo que nós deveríamos sim ter terminado naquele dia, porque essa frase foi agressiva demais. E eu ainda fiquei por mais 2 anos depois disso) 
Já tinha acabado quando você cobria todas as suas atitudes paternalistas com o manto do "eu me preocupo com você" 

Você não se preocupava comigo, você se preocupava com sua imagem de bonzinho. 

E ainda assim eu às vezes sinto sua falta porque antes de começar a acabar a gente foi sim muito feliz.  

Mas eu acho que é normal. E que uma hora vai passar.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

As aventuras de tia Paula solteira

Pra vocês verem né:

Conheci o boy no tinder e a gente foi conversando. Barbudo, alto, gordinho, mora perto. Meu número. A gente se viu uma vez, tomamos um café, demos uns beijinhos, tudo como manda o figurino, mas daí não batia de nos encontrarmos. Ele tem uma filha adolescente que mora com ele, difícil sair a noite, depois fui viajar duas semanas, minha mãe ficou lá em casa, enfim.
Eu já tinha reparado que o barbudinho fazia a linha carente, seja por ser mesmo ou por achar que mulher curte, enfim. Era um tal de bom dia minha vida, boa noite meu amor de uma cara que eu tinha beijado uma vez que estava incomodando.

Daí a gente combinou de se encontrar de novo. E ele não deu sinal de vida. Não atendeu celular, não respondeu mensagem. Mandou whatsapp meia noite como se nada tivesse acontecido perguntando se eu estava acordada. Fiquei putaça, mandei à merda, ele sumiu 4 dias. Daí tentou de novo e como eu não tarra fazendo nada e ele era mesmo bem gatinho resolvi dar corda. Só que naquele dia eu não podia. E deixei claro bem cedo que não podia, não dei o cano nele como ele tinha feito comigo.

Ele?

Ficou bravinho e disse que eu seeeempre tinha alguma coisa mais importante pra fazer do que ver ele. E começou a mandar mensagem de cinco em cinco minutos cobrando que eu não respondia.

38 anos na cara, macaca véia né?

Bloqueei. Não quis nem argumentar porque o alarme de barca furada estava não apenas apitando, estava berrando "SAI DESSA MINHA FILHA QUE ESSE BOY É TRETA"

Mas daí vocês veem como ser mulher é uma merda. No começo das nossas conversas ele me mandou uma foto que tinha tirado durante uma corrida matinal e eu comentei que trabalhava na frente daquela praça, que coincidência. Bloqueei o boy treta e ele sabia onde eu trabalhava. E o medo?

"Ah, mas tem mulher louca que vai fazer escândalo no trabalho dos ómi também"

Deve ter, né? Mas nenhuma ameaça a integridade física do cara, no máximo vai arranhar o carro dele. Já um cara de 1,85 e 100 quilos que eu nem conheço direito mas deu sinais de ser meio descompensadinho pode me ameaçar sim. E muito. E por nada, só por achar que "tem direito".

Tô nova nessa coisa de solteirice mas já aprendi uma lição: só digo pro boy onde eu trabalho depois de ele conhecer minha mãe.


Sai macho

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Quando eu me separei bateu aquele medo de ficar sozinha, né?

Não ficar sozinha-encalhada-sem-ómi, esse medo eu nunca tive. 

Eu também sempre me orgulhei de ser aquela pessoa que se dá super bem consigo mesma, que vai ao cinema sozinha, que aprecia a própria companhia.

Daí eu me separei. E todo mundo correu para me ajudar naquela hora. Todo mundo me ligava, me tirava de casa, inventava programas, coisas pra fazer. E eu sou muito grata a todos por isso. Só que naquela ânsia de ser socorrida eu não tive tempo de reaprender a estar sozinha.

Mas uma hora passa né? Porque todo mundo tem sua vida e tals. Não dá pra todo mundo ficar comigo o tempo inteiro. E eu nem espero isso deles. E de repente eu estava sozinha comigo mesma de novo. E eu não estava feliz.

Eu sei que é só uma fase e que daqui a pouco eu vou estar de bem comigo de novo, mas por enquanto não tá muito bom não.


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Um contra o outro

Daí no primeiro dia em Lisboa choveu sem parar e o jeito foi embarcar num hop on hop off pra tentar ver um pouco da cidade. E entre as descrições dos pontos turísticos na gravação tocavam músicas portuguesas. E tocou essa, que me fez procurar o grupo e me deixou obcecada:



Anda
Desliga o cabo
Que liga a vida
A esse jogo
Joga comigo
Um jogo novo
Com duas vidas
Um contra o outro

Já não basta esta luta contra o tempo
Este tempo que perdemos a tentar vencer alguém
E ai fim ao cabo
Que é dado como um ganho
Vai-se a ver desperdiçarmos
Sem nada dar a ninguém

Anda
Faz uma pausa
Encosta o carro
Sai da corrida
Larga essa guerra
Que a tua meta
Está deste lado da tua vida

Muda de nível
Sai do estado invisível
Põe o modo compatível
Com a minha condição
Que a tua vida
É real e repetida
Dá-te mais que o impossível
Se me deres a tua mão

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens (2x)

Anda
Mostra o que vales
Tu nesse jogo
Vales tão pouco
Troca de vício
Por outro novo
Que o desafio
É corpo a corpo

Escolhe a arma
A estratégia que não falha
O lado forte da batalha
Põe no máximo o poder
Dou-te a vantagem
Tu com tudo
E eu sem nada
Que mesmo assim desarmada
Vou-te ensinar a perder

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens (2x)



Mais um presente que Lisboa me deu <3 nbsp="" span="">

sábado, 1 de abril de 2017

Os homens que odeiam as mulheres que tiram fotos beijando golfinhos ou Tinder: um estudo de caso

Daí eu fui parar no Tinder, né?

Vocês conhecem o Tinder: é aquele lugar incrível onde pessoas decidem se querem transar com outras pessoas baseadas em meia dúzia de fotos e, se tiver sorte, uma descrição engraçadinha. Eu, sendo mulher hétero, tarra procurando homem hétero. E homem hétero, minha gente, homem hétero tem mania de cada coisa que eu vou contar pra vocês.

- Selfie no elevador: porque aparentemente homem hétero não tem espelho de corpo inteiro em casa. Deve ser um item que só vende no vale dos homossexuais.

- Selfie dentro do carro: deve ser para esclarecer que tem carro, né? Deveriam então tirar foto ao lado do veículo pra gente saber qual é. Não que eu me importe, se eu um dia testemunhar um crime espero que os bandidos fujam de fusca ou Uno antigo, etc.

- Foto hang loose: ou qualquer outro gesto com as mãos. Hang loose e heavy metal tem bastante saída, mas as vezes aparece um joinha ou um v. É babaca, não façam.

- Selfie no travesseiro: pra transmitir aquela ~sensualidade~.

- Foto com cachorro ou gato: a gente saber que é uma tentativa sem-vergonha de caçar like. Com gato principalmente.

- Foto na corrida: olá moço, quer dizer que você regularmente gasta 150 reais ou mais em kits vagabundos de corrida. Você e mais um bilhão de paulistanos de classe média, seu floquinho de neve especial.

- O cavaleiro sem cabeça: na maioria das vezes é casado, obviamente. Mas as vezes não é e diz que "não gosta de se expor". Agora eu pergunto: quem diabos dá like num cara que não cumpriu praticamente o único requisito pra conhecer alguém naquela merda?

- Os homens que odeiam as mulheres que tiram fotos beijando golfinhos: honestamente, eu não beijaria um golfinho. Acho golfinhos pouco confiáveis e sei que os animas neste tipo de atração turística são maltratados, então escolho não tomar parte nisso. Por outro lado, também não conheço ninguém que tenha uma foto beijando um golfinho, portanto não sei se isso realmente é algo que acontece tanto a ponto de reclamarem. De qualquer maneira, há sim toda uma categoria de homem hétero no Tinder que deixa bem claro que não dá like em mulheres que tiram fotos beijando golfinhos. Direito deles, vejam bem, eu também deixo de dar like por causa de foto besta mas não declaro isso no meu perfil, tipo "Se você tem foto em frente a torre Eiffel sai daqui".

E pra encerrar:

- Os homens que gostam de futebol, de churrasco, dos parça, mas não de mulher: só isso explica o tamanho da lista de exigências no perfil.


Clarice Linspector ~risos~

quinta-feira, 30 de março de 2017

Porque às vezes a gente precisa chorar um pouco

E no último dia da viagem eu chorei no chuveiro.

Pode ter sido a garrafa de vinho de 2,49 euros que eu comprei no Dia% e que eu tinha tomado sozinha.

Pode ter sido mesmo a tristeza de deixar Lisboa, um lugar que em pouquíssimo tempo tocou meu coração de um jeito que eu não esperava. 

Mas pode ser também porque, no último dia, encasquetei de pensar em você. 

Essa viagem foi planejada sem te incluir quando ainda estávamos juntos. Teve sim ares de afronte, já que nos últimos tempos suas únicas prioridades eram suas viagens de montanhismo, nunca nossas viagens como casal. E isso me machucava demais porque viajar com você era uma coisa que eu gostava muito de fazer. Mas, ao mesmo tempo, nossas viagens juntos sempre foram muito suas. Você planejava tudo, escolhia as datas, reservava os hotéis, alugava os carros, lia os mapas, escolhia os roteiros. Eu só ia. 

Essa viagem foi minha. Só minha. Eu planejei, comprei, paguei, organizei tudo. Sozinha. Eu morri de orgulho de mim mesma, metendo a cara na cidade, mapa na mão, andando, me perdendo, me virando. E no último dia eu quis demais que você tivesse me visto fazendo tudo isso apenas porque você não achava que eu seria capaz. 

E eu tive raiva de mim por pensar em você. E acho que foi por isso que eu chorei (mas o vinho de 2,49 euros definitivamente ajudou). 

Não é justo. 

Mas é a vida.


Lisboa me recebeu fria e chuvosa mas no fim do dia me deu um arco-íris de presente. Fui embora morta de amor jurando que volto.

terça-feira, 14 de março de 2017

Manda sifud

Daí tarra toda trabalhada na desilusão com os ómi porque ómi só serve pra isso mesmo né, pra decepcionar geral e tals. Segue o diálogo com uma amiga de 20 anos que é uma das pessoas mais maduras que eu já conheci:

Eu: Pqp a gente é gata, gente boa, inteligente, paga nossas contas
Eu: Gosta de dar, não enche o saco que mais que esses ómi quer?

Miga:  A questão é essa mesma, quando a muié é top atrapalha o homi de ser um merda, ele fica sem desculpa pra ser merda                      

Eu: Hahahaha                      

Miga: Aí ele corre e arruma uma esfunhanhada e mete o louco kkkkkk                      

Eu: Ou ele vira um fdp manipulador e faz ela se sentir uma merda                      
Eu: Que era o meu caso                      

Miga: Isso aí é manifestação de ser um homi merda kkkkkkk querer q a topper se sinta menos topissima                      
Miga: Absurdo                      
Miga: Manda sifud                      



Trágico

quarta-feira, 8 de março de 2017

As mulheres da minha vida

Tem quatro mulheres nessa foto. Uma está escondidinha na barriga da minha irmã, chama Cecília e vai conhecer esse mundão em Junho (geminiana, help).

Quando minha irmã foi pega de surpresa por essa gravidez (descoberta uma semana depois da chegada da Amanda, imaginem o desespero) eu desejei secretamente desde o início que fosse uma menina. Claro que que a gente vai amar anyway, etc mas nós, mulheres Foltran Borges, sabemos criar mulheres. E quando eu soube que era Cecília, e não Caio, que crescia naquela barriga, rolou um alívio sim, não vou mentir pros senhores.

Minha mãe saiu de casa aos 18 anos com um diploma de ensino médio e uma passagem de trem nas mãos. A cidadezinha de 30 mil habitantes a 100 quilômetros de São Paulo era claramente pequena pra ela. Já trabalhava desde muito cedo, a penúltima de 9 irmãos, criados pela minha avó sozinha, que tinha ficado viúva muito jovem.

Minha mãe também ficou viúva jovem, 40 e poucos anos, duas adolescentes tristes e confusas pra cuidar. Trabalhou muito, dormiu pouco, construiu uma casa sozinha (não levantou parede, mas cês entenderam) e mandou nós duas pra faculdade. A gente também ralou, acordou cedo, pegou ônibus de madrugada. Valeu muito a pena. A Paula de 38 anos está exatamente onde a Paula de 18 anos gostaria que ela estivesse. Independente, pagando as próprias contas, viajando, fazendo o que gosta, se amando. A Paula de 18 anos já sabia que não queria casar nem ter filhos. A Paula de 18 anos no meio do caminho esqueceu disso um pouco, mas já tinha aprendido que não precisava de homem pra nada. As mulheres Foltran Borges nunca precisaram.

Eu detesto quando, principalmente no dia de hoje, se referem a nós mulheres como "guerreiras". A gente leva tanto chumbo de tudo quanto é lado desde que nasce que a gente não tem escolha. A gente luta porque é o único jeito. E vamos continuar lutando pra que quem sabe um dia a Amanda e a Cecília, ou as filhas, ou as netas delas possam viver num mundo mais justo.

Amo vocês.


terça-feira, 7 de março de 2017

Elogios

Daí eu saí com esse moço e ele disse, rindo, que eu era uma contadora de histórias.

E esse foi o melhor elogio que ele podia ter feito pra mim.


quarta-feira, 1 de março de 2017

Please Like Me

Talvez, assim, só talvez eu tenha comemorado cedo demais. Ontem a bad bateu feio, bateu rude e me deixou chorando e sem ar ao fim de um episódio de Please Like Me.

Não foi por causa dele. Nem sei mais porque foi. Mas de repente veio toda aquela ansiedade, aquela sensação de que vai ser tudo uma merda daqui pra frente, de que nunca mais ninguém vai me amar, etc etc. Quem já passou por uma separação conhece o sentimento. Bateu a tristeza de novo.

Pode ter sido o fim do remédio (e a consulta com o psiquiatra que eu por relaxo só consegui marcar pra dia 14) ou o fim de um carnaval daqueles no qual eu vi a plaquinha escrito "limites" e passei mostrando o dedo do meio. Foi o carnaval da catarse, eu diria. E me deixou mal.

Tenho saudade dele não. Nenhuma. Mas tô morrendo de medo do que vem pela frente.



Inclusive assistam Please Like Me pois: muito amor. Mas melhor não fazer isso se estiver meio triste 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O clubinho dos pais sem noção

Ontem eu descobri que tem A mosca no Netflix. Pra quem não sabe do que eu estou falando é um filme do Cronenberg de 1986 no qual o Jeff Goldblum cria um sistema de teletransporte e, quando vai testar nele mesmo, uma mosca entra na cabine, dá um ruim geral e ele começa a se transformar no inseto. Basicamente é isso.

Eu tenho uma memória nítida de ter assistido a esse filme quando era criança e, sendo um clássico do terror trash resolvi assistir de novo ontem.

E gente.

Gente.

Meus pais já deveriam ter ganhado a medalhinha de pais mais sem noção do mundo se você levarem em consideração que assisti Alien, O exorcista, O bebê de Rosemary e Poltergeist quando era criança. E eu amava A pequena loja dos horrores, ou seja: filmes adequados para minha idade na época, não trabalhamos mas A mosca passou de todos os limites. Eu adulta quase dei uma vomitadinha ontem, COMO É QUE MEU PAI ME DEIXOU ASSISTIR AQUILO COM 10 ANOS? Mais, como é que não fiquei traumatizada pra vida?

Engraçado é que eu também me lembro claramente de um dia na locadora ter pedido para alugar Uma linda mulher e ele ter respondido que não era filme de criança. Porque sexo (e bem do meia boca) não podia mas corpos em decomposição e possessão demoníaca tava beleza.

Essas coisas devem ter me estragado de algum jeito, não é possível. Só não descobri ainda como.


Oi, cês já almoçaram?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A vida sem a pílula

Começou com uma conversa meio bêbada com a Bruna num samba no Bixiga e virou uma epifania, risos.

Eu estava mais uma vez falando sobre o término e sobre como eu me sinto as vezes até culpada por estar tão bem. Eu não sinto vontade de falar com ele, eu não sinto falta dele, eu vejo as fotos e não sinto saudosismo nenhum, nem das partes boas, das viagens, de nada. Eu estou feliz como há muito tempo eu não ficava. E a culpa obviamente de vez em quando dá lugar ao medo de que eu esteja vivendo em negação e que daqui a pouco a bad bata linda, bata forte e me atropele.

Mas ontem, meio bêbada naquele samba no Bixiga, eu percebi que a bad não vai bater não porque a verdade é que eu sou outra pessoa agora e existe um motivo muito concreto pra isso: eu parei de tomar pílula em Julho.

Oi Paula, como é que é?

Tudo que eu vou dizer a gora é baseado no dataPaula, ok? Nada substitui um médico. Vou falar de como ter parado de tomar pílula me tornou uma pessoa diferente e de como nessa jornada sem hormônios eu conheci um monte de mulheres com histórias parecidas mas isso não quer dizer que vai ser igual pra todo mundo.

Uma moça num grupo de contracepção não hormonal disse que perdeu o medo de dirigir depois que parou com o anticoncepcional. Outra que criou coragem e abriu o próprio negócio. Aparentemente ter testosterona em níveis normais no corpo faz isso pela gente. Seis meses depois de ter parado eu percebo finalmente que eu estava meio castrada. Sem vontade, sem tesão e quando eu falo de tesão não é só sexual não, é na vida, é de tudo. Eu não tenho mais aquelas alterações de humor pavorosas, eu consigo controlar minhas emoções de um jeito mais eficiente. Claro que não funciona sempre, eu sou humana, mas eu não tenho mais a sensação de que meu humor é um carro desgovernado. E eu realmente acho que eu posso fazer o que eu quiser (e claro que não ter o falecido na minha orelha buzinando que eu não consigo ajuda bastante).

A vida sem pílula pra mim está sendo boa demais. Recomendo.


17 anos depois e a gente continua gata, dsclp

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Valentine's day

A chance de eu um dia casar na igreja deve estar beirando o 1%, mas se um dia acontecer a música já está escolhida:   <3 nbsp="" p="">





You grew on me like a tumour
And you spread through me like malignant melanoma
And now you're in my heart
I should've cut you out back at the start
Now I'm afraid there's no cure for me
No dose of emotional chemotherapy
Can halt my pathetic decline
I should've had you removed back when you were benign
I picked you up like a virus
Like meningococcal meningitis
Now I can't feel my legs
When you're around I can't get out of bed
I've left it too late to risk an operation
I know there's no hope of a clean amputation
The successful removal of you
Would probably kill me, too
You grew on me like carcinoma
Crept up on me like untreated glaucoma
Now I find it hard to see
This untreated dose of you has blinded me
I should've consulted my local physician
I'm stuck now forever with this tunnel vision
My periphery is screwed
Wherever I look now, all I see is you
When we first met you seemed fickle and shallow
But my armour was no match for your poison arrow
You are wedged inside my chest
If I tried to take you out now I might bleed to death
I'm feeling short of breath
You grew on me like a tumour
And you spread through me like malignant melanoma
I guess I never knew
How fast a little mole can grow... on... you

Você cresceu dentro de mim como um tumor
E se espalhou como um melanoma maligno
E agora você está no meu coração
Eu deveria ter te removido logo no começo

Agora tenho medo que não haja cura pra mim
Que nenhuma dose de quimioterapia emocional
Possa impedir meu declínio patético
Eu deveria ter te removido quando você era benigno

Eu peguei você como um vírus
Como meningite meningocócica 
Agora eu não sinto as minhas pernas
Quando você está por perto eu não consigo sair da cama

É tarde demais para tentar uma operação
Não há esperança de uma amputação limpa
Se eu conseguisse remover você
Provavelmente morreria também

Você cresceu dentro de mim como um carcinoma
Foi se instalando em mim como glaucoma não tratado
Agora não consigo ver
Essa dose não tratada de você me deixou cego

Eu deveria ter consultado meu médico
Agora estou preso pra sempre nesta visão em túnel
Minha visão periférica está ferrada
Pra onde eu olho agora só vejo você

Quando nos conhecemos você parecia volátil e fútil
Mas minha armadura não aguentou sua flecha envenenada
Você está alojado dentro do meu peito
Se eu tentar te tirar agora provavelmente sangrarei até morrer
Estou com falta de ar

Você cresceu dentro de mim como um tumor
E se espalhou como um melanoma maligno
Acho que eu nunca soube
Quão rápido uma verruga pode crescer... em... você



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sábado a noite

A gente assistiu a filmes franceses que ninguém assistiu (e não tivemos pudor de dizer um ao outro que detestamos). Lemos o mesmo livro que desgraçou nossa cabeça aos 12 anos e dividimos um ódio em comum por aquele restaurante famoso que não consegue colocar a sobremesa dentro do potinho. Tinha Kate Nash na playlist do seu carro. Nós choramos quando o Bowie morreu e concordamos que doce de leite é melhor que nutella. Saímos há pouco de relacionamentos bem longos e foi a primeira vez que ficamos nus na frente de outra pessoa em muito tempo. 

Dá pra voltar a ser meio virgem sim. E isso pode ser incrível.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O meme é velho mas eu amo

- Três amigas moram num internato de freiras: uma é rica, entediada e apaixonada por um cara mais velho, a outra é comunista e a terceira é modelo, curte boy lixo e drogas recreativas.

- Um avião cheio de meninos cai em uma ilha. Eles sobrevivem e começam a brigar pra caramba.

- Uma cientista recebe uns sinais de rádio de extraterrestres. Ela constrói uma máquina pra ir lá falar com eles e ainda tem que discutir com uns fanáticos religiosos.

- Uma história muito comprida de uma família onde todo mundo tem o mesmo nome.

- Um menino fica doente e se apaixona pela enfermeira do hospital.

- Uma galera fica presa num congestionamento infinito nos arredores de Paris.

- Um moleque filhos de italianos tem um família bosta, quer ser jogador de baseball e se apaixona por uma menina rica. 

- Um cartunista brasileiro vai morar em Nova York nos anos 70 e escreve cartas pros amigos aqui sobre a vida lá. 




quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Esse blog está sendo melhor que terapia, gente (o que não quer dizer que ele pode substituí-la, busquem ajuda profissional sempre, amiguíneos).

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Vou escrever uma coisa que vai soar muito dramática, mas é uma ficha que só caiu agora, quando criei coragem de contar a história do post anterior.

Eu podia ter morrido afogada. Por cinco segundos eu achei que fosse mesmo.

Eu podia ter morrido afogada em busca da aprovação de alguém que não estava mais nem aí.

Vocês percebem o quão sério é isso?


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Sobre relacionamentos merda e autoestima

No último ano novo eu estava com uma turma de 10 pessoas em Ilhabela. Nós alugamos uma lancha para passear pelas ilhas e em uma das paradas a lancha atracou relativamente longe da praia. Ao ver a distância ele me perguntou: "você consegue?" Respondi que sim. Ele pulou na frente e foi nadando. Eu demorei um pouco mas fui. Eu nadei a minha infância inteira, mas não atravessava uma piscina há uns 3 anos. No mar, nunca. Sempre tive medo. Mas fui. No meio do caminho comecei a engolir água. Bateu um desespero e por alguns segundos eu achei que ia me afogar. Consegui me acalmar e com a ajuda de dois amigos voltei para o barco. Ele já estava na praia e só ficou sabendo disso hoje.

O que para ele era uma pergunta que denotava preocupação, para mim soou como um desafio. Eu tinha que provar pra ele que conseguia. A questão é: por que aquela pergunta pareceu um desafio pra mim?

Eu percebi que precisava o tempo todo provar pra ele e pra mim que eu era capaz das coisas, que eu conseguia, e o motivo era simples: eu achava que não. E eu achava que não porque estava há anos ouvindo aquelas coisas que a gente toma como zoeirinha de namorado, "burrinha" "e esse bracinho gordo aí?" "como você viveu tanto tempo antes de me conhecer?". Eu tinha me acostumado a ouvir que meu cabelo estava parecendo o do Beiçola e dificilmente passava um dia sem algum comentário depreciativo sobre minhas roupas "tá de luto?" "vai pro rodeio?" "e essa calça desbotada aí?"

Isso não é zoerinha de namorado. Isso mina nossa autoestima sistematicamente e nos torna pessoas inseguras a ponto de achar que é, a gente não consegue fazer nada direito mesmo. E a gente vai engolindo essas coisas em nome das coisas que o relacionamento tem de bom sem perceber o quanto elas são destrutivas. Eu disse isso a ele e ele pediu desculpas, mas adivinhem. Desculpas não vão consertar o estrago feito por anos de comentários desse tipo. E o que mais me dói hoje é perceber que eu, que sempre me considerei muito independente, inteligente e segura de mim, caí nessa armadilha e deixei que ela me fizesse tão mal.

Ninguém está imune. Absolutamente ninguém. E eu escrevi isso hoje aqui só para dizer que não é normal. Que não é zoeirinha de namorado e que se te machuca, está errado. E eu sou a prova de que é dificílimo enxergar isso estando dentro do relacionamento. E a culpa não é sua.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Coisas que ninguém te conta sobre a separação

Me mudei sexta-feira. Saí do apartamento que dividíamos na Vila Madalena e voltei para o dos meus pais na Lapa, que está vazio (meus pais estão morando no interior). Rolou um draminha, a choradinha básica mas estou me sentindo mais aliviada, encerrando um ciclo. O caso é que:

Na sexta meus pais me ajudaram com a mudança e dormiram lá no apartamento. Depois de um dia carregando caixas, desempacotando, limpando o apartamento resolvi pedir uma pizza para a gente jantar e acionei o ifood.

Meia hora depois recebo mensagem do ex: "Você pediu uma pizza?"


Exatamentchi.

Esqueci de alterar o endereço no ifood e mandei a pizza pro endereço antigo.

Ainda bem que eu não selecionei pagar pelo aplicativo.

Era pizza de escarola e o ex não gosta de escarola.


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Nosso saco de merda

"Todos nós precisamos enfrentar, mais cedo ou mais tarde, o nosso saco de merda. E ele fede muito e não dá pra ignorar. Você vai pro trabalho com aquele saco fedido, você vai encontrar com seus amigos com aquele saco fedido (...) Tá todo mundo na sala sabendo que aquilo tá cheirando ruim. E aí você fala não, mas tem um fiapo aqui, tá ótimo esse fiapo, vou me apegar a ele"


E quem diria que tão cedo eu estaria feliz e verdadeiramente em paz por ele ter tido coragem de mexer no nosso saco de merda ;)



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Renascendo

Tem essa moça que eu conheço e com quem eu tenho uma relação basicamente profissional. Tenho essa relação com a família toda dela na verdade apesar da mãe, ao saber que eu tinha me separado, ter se lamentado "ai, minhas duas filhas separadas agora..."

Ela se separou depois de 12 anos casada. Dois filhos pequenos, 5 e 4 anos. Ex-marido maluco, surtado, cheio de manias e que não a deixava fazer nada. Família rica. Ontem, no final do período de aplicação das provas de Cambridge, comentou na secretaria da escola que queria ver o bloco do João Suplicy no Largo da Batata mais tarde. Eu primeiro me surpreendi com o fato de que o João Suplicy ainda existe, em seguida com a informação de que ele tem fãs e por fim ao saber que ela, que eu considerava toda certinha, queria ir a um bloco de carnaval. Estando eu nessa nova fase da vida chamada "pista", disse que iria com ela. E fui.

Chegamos e o bloco nem tinha começado. Encontramos o João Suplicy na padaria comendo um pão de queijo. Ela ganhou beijo, tirou foto. Dividimos, eu e ela, uma cerveja e um cigarro. Falamos mal dos ex. O som começou, umas 20 pessoas se juntaram para pular na frente do caminhão. Suplicy pai apareceu, tirou foto com todo mundo, vestiu colar de flor e fez trenzinho. Dividimos mais uma cerveja e um cigarro. Eu nem sonhava que ela fumava e bebia. Dançamos também, rimos, cantamos. Estávamos livres como há muito tempo.

A gente renasce sim. Nas situações mais improváveis. E como.


Não posso mais conversar com reles mortais, ganhei um beijo do Suplão

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Como eu estou

Oi gente, cês tão bem? Eu tô bem também.

Talvez seja o antidepressivo. Talvez eu tenha me recuperado do coração partido mais rápido do que eu esperava. Talvez eu esteja me enganando e daqui a pouco a bad bata de novo, vai saber.

O fato é que estou comendo bem. Dormindo bem. Eu já consigo rir das coisas. Eu não fico mal por passar o sábado a noite em casa com a gata e o netflix. Eu consigo enxergar minha vida daqui pra frente com muita clareza.

E eu não lembro de quando eu fui feliz com ele pela última vez.

Olha que loucura, né? Hoje eu olho pra trás e enxergo quão bosta estava nossa relação há tanto tempo. Tanto que eu não lembro da última vez que foi boa. Quer dizer, lembro, vai, e acho que foi lá por Abril do ano passado.

Eu vivi 9 meses anestesiada. 9 meses acreditando que aquela relação precisava ser salva de qualquer maneira porque não havia outra possível. E eu estava muito errada.

Tem muito amor no mundo. E se não tem amor tem diversão, tem gente interessante sim. Em duas semanas eu descobri coisas sobre mim que eu tinha esquecido. Eu descobri que ainda sei flertar. Eu mandei um "boa noite, bonitão" pelo whatsapp pra três moços na mesma noite. Eu fiquei até duas da manhã conversando com um rapaz bonito que eu não conheço pessoalmente. Eu chamei um cara pra sair. Eu nunca tinha chamado ninguém pra sair. Eu cortei o cabelo, eu fui ao cinema sozinha, eu cozinhei uma comida gostosa e abri uma cerveja só pra mim.

Eu tô vivendo. Tô brincando sem expectativas. Tô mandando prints de perfis toscos do tinder prazamiga. Estou lembrando que eu existi por 29 anos antes dele, e eu era muito legal.



A gente podia abolir tudo quanto é livro de autoajuda e passar a utilizar apenas gifs da Leslie Knope

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Mais um lembrete

"E ninguém merece viver sem amor, eu não tinha nem meu amor próprio mais porque até isso ele tirou."

Eu escrevi essa frase para uma amiga hoje no whatsapp. Parece rancorosa agora e, no meu caso, equivocada. Ele não me tirou nada, eu é que atrelei meu amor próprio ao amor dele e quando o amor acabou eu estava outra vez detestando minha imagem no espelho como quando eu tinha 15 anos. Porque o amor já tinha acabado muito antes do fim e eu estava me agarrando naquele relacionamento como se ele fosse a única coisa que fazia sentido na minha vida.

Por que a gente faz isso?

Quando eu me dei conta de que ele não me amava mais (o que não aconteceu semana passada não) eu imediatamente comecei a acreditar que eu não tinha valor. Que se ele não era capaz de me amar ninguém mais seria. Mais ainda: que eu só teria valor se outra pessoa visse esse valor em mim. E isso está errado em muitos níveis porque a gente tem que ser capaz de ser completa sozinha, sempre. Não é fácil. Eu mesma estou reaprendendo a fazer isso, a me olhar no espelho e ver de novo aquela mina foda, gata, gente boa e independente que eu fui um dia.

Não foi ele quem me tirou isso. Fui eu que depositei isso nas mãos dele.


Diz aí Leslie

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Lembrete

O fato de você não me amar mais não diz nada sobre mim, só sobre você.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Vai passar

Hoje faz 5 dias. Ontem eu tive fome pela primeira vez e comi um sanduíche de pasta de amendoim e um iogurte até o final, com gosto. Os efeitos colaterais do antidepressivo melhoraram um pouco, eu dormi bem e hoje de manhã me olhei no espelho antes do banho e me achei muito gata. Eu sei que tem muito pra chorar ainda porque se tem uma coisa entristece é o desamor e foi exatamente isso que eu vivi nos últimos meses. Mas uma hora vai passar, tem que passar e enquanto isso tem trabalho, família, amigos e alopatia pra ajudar a gente. E tem as coisas que só acontecem comigo.

Eu saí terça-feira no estacionamento da escola pra fazer não sei o que. Milagrosamente eu não estava chorando nem nada. Tinha uma van escolar parada na entrada e eu fui até lá ver se era de aluno porque né, tava bloqueando a passagem. Duas mulheres no banco da frente. A motorista me acenou dizendo que já estava saindo que o marido estava na escola resolvendo alguma coisa. Eu ia me afastar quando ela me chamou:

"Oi, vem cá, como é seu nome? Você é muito bonita. Vem cá, por favor!"

Eu fui porque né? Amo gente doida. A motorista e a mulher do lado eram claramente evangélicas, dessas de cabelão e saia jeans pra baixo do joelho.

"Jesus te ama, viu? Você é muito bonita. Você está na vitrine de Deus, tudo que o diabo tirou de você Deus vai devolver!" E tocou a cantar um hino desses de igreja de vitória, de sua página vai virar e sei lá o que mais. E daí eu desembestei a chorar porque esses dias tá fácil, tô chorando com comercial de danoninho como diria Luís Fernando Veríssimo. "Você vai vencer, moça, você é muito especial pra Deus!"

Apenas que eu sou: ateia. E em situações normais de temperatura e pressão eu estaria rindo da crentelhice sim, desculpem os evangélicos. Mas eu não estou passando por uma situação normal. E quando a gente está assim, as vezes tudo que a gente precisa é de uma palavra de conforto vinda de um estranho.

Vai passar. E espero sinceramente que as situações absurdas que acontecem na minha vida continuem aparecendo, porque eu preciso muito voltar a achar graça nas coisas.