segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Tirando as teias de aranha

Eu tô bem? Eu tô meio bem.

As coisas estão uma merda no trabalho. Saturou, meio que já deu. Eu detesto 80% das coisas que tenho que fazer lá e isso obviamente reflete no meu rendimento. Rolou feedback bosta semana passada, 50% justo, 50% filhadaputice mesmo. Gestora querendo me ver pelas costas e aquele sentimento de que não fico aqui pro ano que vem.

Faço uma entrevista aqui, outra ali. Não tem retorno. Preciso mudar de emprego urgente. Tô trabalhando pra isso? Tô trabalhando pra isso mas quando a gente leva o terceiro bolo de entrevistador começa a bater o desespero, a sensação de que eu estou fazendo alguma coisa muito errada.

Pelo menos o coração tá tranquilo.



quarta-feira, 27 de setembro de 2017

O homem que confundiu um gato com um chapéu

Eu era uma criança muito esquisita que andava pra cima e pra baixo com uma agenda velha que tinha poemas do Mário Quintana em cada página como se ela fosse meu bem mais precioso. E lembro de um história na qual ele contava que um amigo chegou a um restaurante e quase sentou em cima do chapéu de um outro colega que estava na cadeira. Ao ser avisado, antes do estrago, justificou: "desculpe, achei que era um gato."

Por algum motivo meu eu de 11 anos só registrou essa parte da história e 27 anos depois eu ainda me indignava com o fato de que o cidadão tinha achado aceitável sentar em cima de um gato mas não de um chapéu.

Sábado o crush foi lá em casa e quase sentou em cima da Peppa, escondidinha atrás de uma almofada no sofá. Lembrei da história do Mário Quintana e fui procurá-la. Na verdade o amigo continua, explicando que, se fosse um gato, ele teria escapado antes da tragédia, ao contrário do chapéu. E aí a história fez sentido.

Isso tudo foi só pra dizer que Peppa, apesar de quase ter sido esmagada por ele, aceitou o crush. Subiu no colo dele, pediu carinho e não fez xixi em nenhum dos seus pertences.

Estamos indo por um bom caminho.


sábado, 23 de setembro de 2017

Ómi fazendo ómice

CONTÉM SPOILERS DE FRAGMENTADO.
Não que eu ache que alguém se importa mas não custa avisar.

Eu disse que não tinha gostado de Fragmentado.

Meu interlocutor, um moço baixinho barbudo amigo de um amigo, dono de uma cadela vira-lata lindinha, me respondeu:

"Ah, acho que você não entendeu o final."



Impressionante como é SEMPRE homem que usa esse argumento do "você não entendeu". Amigo, eu poderia passar a noite inteira ali listando motivos pelos quais na verdade eu achei Fragmentado uma bosta ("não gostei" foi pra não parecer incisiva demais, coisa de mulher, a gente é treinada para não parecer incisiva demais, não é muito "feminino", né?). Mas eu apenas respirei fundo, tomei mais um gole de cerveja e disse:

"Olha, entendi sim. Não é que aquele final tenha sido muito complexo, né?"

"Mas a referência..."

"A Corpo Fechado? Extremamente óbvia."

"Então acho que você não assistiu Corpo Fechado."


"Assisti sim. É bom. Mas isso não torna Fragmentado bom."

"Eu acho que as pessoas não entendem o Shyamalan." (Pronunciado errado)


Nesse momento eu já nem acredito que estou discutindo a questionável obra do M. Night Shyamalan num boteco na Pompéia com um cara que acabei de conhecer.

"Olha, Fragmentado é um filme muito ruim, ok? Aquela pseudo-psicologia de botequim pra falar de um puta tema batido que é múltiplas personalidades. O James McAvoy tá ridículo de brinquinho, gola rolê ou imitando criança, não dá pra ter medo dele, a gente só quer dar risada. E aquele final, o monstro, ah, pelamordedeos, não tem condições."



Sim, eu sou divertidíssima em festas. Só não fala que eu não entendi filme tal quando eu digo que não gostei porque aí eu viro sua inimiga pra sempre. Principalmente se você for homem, beijos. 







sábado, 16 de setembro de 2017

Infância nos anos 80: eu sobrevivi

Começou com esse tweet:




Dali pra frente galera começou a compartilhar suas histórias de sobrevivência à infância pobre/classe média nos anos 80. Eu inclusive.

Nos anos 80 eu levei cinco pontos porque caí com um casco de coca-cola na mão. A gente andava pra cima e pra baixo com garrafa de vidro indo buscar refrigerante e até cerveja na vendinha. E cigarro, né? Quantos Shelton light eu não comprei pro seu Adelphi no mercadinho do seu Luís.

Nos anos 80 as mães misturavam vinho com água e açúcar e davam pra gente beber no almoço de Domingo. Uma moça na thread do twitter disse que o avô deu cachaça pra ela aos seis anos, pra curar dor de garganta. Isso e as vitaminas com biotônico Fontoura, que até não sei que ano tinha álcool na composição. Meus pais fumavam dentro de casa, na mesa do almoço, na cara da molecada de boas. Todo mundo fumava, aliás.

Falando eu álcool, meu pai tinha um boteco pé-sujo quando eu era pré adolescente. Servi muito rabo de galo pros clientes da tarde enquanto ele ia ao banheiro. Assim como uma das moças que comentou no twitter, conheço bem dose de cachaça até hoje, boteco gourmet não me engana não.


Pé-sujo clássico, com chão de encerado vermelho e pôster do Esporte Clube Votoran, vice-campeão varzeano de 1979

Na categoria automóveis: a gente (e quando eu digo a gente me refiro a praticamente todo mundo que foi pobre/classe média nos anos 80) só foi saber o que era cinto de segurança depois de adulto. Cadeirinha? Oi? Com quatro anos a gente estava era se estapeando com os primos pra ver quem ia no banco da frente. Fora as inúmeras viagens em bagageiros de Belina, caçambas de Fiorino e chiqueirinhos de Fusca. A gente deveria andar por aí com camisetas: Infância nos anos 80, eu sobrevivi. 

A gente brincava em areia de construção daquelas onde todos os gatos da vizinhança cagaram. A mãe da gente nos levava pra visitar vizinho doente pra pegar caxumba e se livrar de uma vez. Eu assisti o Exorcista, Poltergeist e a Mosca antes dos 12 anos de idade. A gente brincava na enxurrada e se ficasse doente apanhava porque né, ninguém mandou. A gente descia ladeirão com carrinho de rolimã, skate, patins e nunca viu uma joelheira ou um capacete na vida.

Minha infância foi ótima e muito feliz, e tudo bem ter um pouco de nostalgia, mas acho que a gente tem que admitir que ser criança nos anos 80 não era fácil não. Molecadinha criada no iPad não aguentaria dois dias.

via GIPHY

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Como é que anda a vida

E já que aqui é diarinho, que ele cumpra sua missão. A vida, como tá?

Voltei pra faculdade. Resolvi tirar minha licenciatura em inglês para poder me especializar em educação bilíngue e dar aula em colégio regular. "Cê tá louca, Paula"? Então, na verdade não. Percebi que na minha área, em colégio, tem pouca gente qualificada de verdade (faculdade de Letras não ensina inglês pra ninguém não, viu?), tem salários bons (no particular, né?), tem duas férias por ano e não tem trabalho de sábado. Só vi vantagens diante da minha realidade atual, então coragem. Consegui aproveitar bastante coisa da minha primeira graduação então acho que termino em dois ou três anos no máximo. Arrependimento só de não ter começado antes.

Meu horário está bem louco pois estou fazendo matérias em todos os semestres. Dificuldade mesmo por enquanto nenhuma. A faculdade é pequena mas bem conceituada na área e embora eu pudesse ter escolhido só pegar o diploma numa EAD qualquer achei que pra minha área ter contatos seria bom, então é isso: tô trabalhando tempo integral, estudando e me perguntando que horas vou ter tempo de fazer as unhas mas tô feliz, aprendendo coisas novas e lendo bastante, o que eu não fazia há um tempão. O objetivo final é pouco nobre porém válido: não trabalhar mais de sábado e é nisso que estaremos focando nos próximos anos.

Parei de fumar e voltei a ter crises de ansiedade. Mas tô tomando bupropiona e só de pensar em cigarro me dá enjoo, então estou tendo que buscar maneiras alternativas de me controlar. Sem tempo pra exercício físico, tá foda. Mas vai melhorar. Acho que estou meio anestesiada com tanta coisa pra fazer. Preciso comer melhor, me cuidar um pouco. Passei o domingo na cama assistindo Jane the virgin e foi a melhor coisa que eu podia ter feito

O moço das 10 horas e meia (que é o mesmo dos grafites da Pompéia) continua na minha vida. Já se vão quase 3 meses. A gente vai ao cinema, janta em lugares escondidos, conversa muito sobre várias coisas (vocês já perceberam que a gente é bom nisso) ou fica em casa sem fazer nada (fazendo um monte de coisa). Ensaiei apresentá-lo aos meus amigos sábado passado mas não deu certo. No fundo eu gosto de ter esse mundinho só nosso, eu acho. Talvez eu não esteja pronta pra ter alguém assim tão definitivamente ainda, talvez eu não queira conhecer os amigos dele. Talvez eu precise ainda de um tempo só meu depois de passar 11 anos emendando relacionamentos. Talvez eu só não esteja apaixonada. Mas tem alguma coisa boa por ali e eu não quero que ela acabe.

A vida não está ruim e se eu reclamar serei injusta. Que continue assim.

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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Me escutas, Cecília?

Cecília vem do latim e significa "cega". Os romanos e os gregos antes deles associavam a cegueira à sabedoria e existe toda uma simbologia em torno desse binômio cego = sábio. Mas a minha Cecília tem esse nome é por causa de uma música do Chico Buarque.

Minha Cecília é a única geminiana numa casa que antes abrigava três librianos, mas eu já disse que a família Foltran não acredita nisso. Minha Cecília aliás, como a mãe e a tia dela, é Foltran só no sangue e não na certidão de nascimento.

Minha Cecília tem os olhos e o sorriso da mãe dela, mas pelo jeito vai ser grandona como o pai. É uma bebê boazinha e sorridente, que dorme quando tem que dormir e mama quando tem que mamar. Fica bem no colo de todo mundo, até das tias desajeitadas e com bafo de cerveja tipo eu e a Elis.

Minha Cecília é brasiliense e não vai puxar os RR de caipira do resto da família inteira. Mas, mesmo longe de Campinas,  se depender do empenho do pai vai torcer pro Guarani sim, coitadinha.

Minha Cecília, quando tiver idade suficiente, vai ouvir as tias falando de como estava o mundo no ano em que ela nasceu e vai achar que a gente estava inventando. E como eu sou uma otimista incorrigível quero acreditar que é porque o mundo vai estar tão bom que 2017 vai parecer uma ficção de mau gosto.

Minha Cecília veio parar numa família de gente muito destrambelhada mas muito amorosa. Tem sorte, essa menininha.



Te olho, te guardo, te sigo, te vejo dormir.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

The Lobster

Daí você chega a um certo ponto da vida adulta e está: solteiro. Ou viúvo, ou divorciado. A sociedade aparentemente não está preparada para lidar com gente sozinha, então coloca esse povo todo em um hotel e dá a essas pessoas 45 dias para ~encontrar o amor~. Se elas não conseguirem, ao final do período, serão transformadas em um animal à escolha delas.

Essa é a premissa de The Lobster, um filme de 2015 no qual eu tropecei enquanto assistia ao trailer de um outro filme do mesmo diretor que vai ser lançado esse ano. É um comédia-dramática-bizarra com uma estética Wes Anderson menos coloridinha e que caminha rapidamente pra uma coisa meio Tarantino lá pela metade da história.

Eu não sei fazer crítica de cinema, mas obviamente estando solteira aos 38 anos não pude deixar de ficar um tanto quanto impactada ~risos~ pela história.

Eu me lembro de umas amigas solteiras do falecido. De quanto elas se incomodavam com esse rótulo. De quanto elas rejeitavam qualquer coisa que vagamente sugerisse que elas estavam ~solteiras~ (tipo sair só com as mulheres, usar aplicativo de pegação, ir ao cinema sozinhas). De como, uma vez encontrado um ~namorado em potencial~, elas realmente investiam tempo e recursos pra fazer aquilo virar um relacionamento de verdade tal qual o personagem do filme que bate o nariz na borda da piscina para forçar um nariz sangrando e ter uma coisa em comum com a moça propensa a hemorragias nasais. E de como, quando o namorado em potencial virava namorado de verdade, surgia essa necessidade de esfregar o cidadão na cara de todo mundo, fazer post no facebook, reclamar o quarto melhor na divisão da casa da praia pois "subi de nível, tenho namorado". Mulher depois dos 30 solteira é tão pária que mesmo sendo uma deos nos livre parecer uma.

Uma coisa interessante do filme é colocar homens e mulheres no mesmo barco: ficar solteiro depois de uma certa idade é igualmente merda para todo mundo. Pessoas sozinhas são paradas por policiais em busca dos certificados de casamento. Se você não tem um par nem deveria estar ali queridinho. Mas na vida real a gente bem sabe que do nosso lado é muito pior.

Deixa eu falar que eu não estou aqui me fazendo de coitadinha, vítima dessa sociedade injusta que marginaliza mulheres solteiras porque na verdade eu estou zero me fodendo pra isso. Grazadeos tive muitos exemplos de mulheres solteiras e incríveis na vida pra achar que encontrar um macho é a fórmula do sucesso, mas é muito claro que a cobrança é bem maior pra gente. Falecido tinha um amigo solteiro eterno, um cara de 33 anos que NUNCA tinha namorado ninguém. Alguém cobrava o caboclo, zoava, chamava de encalhado? Nada, o cara tá curtindo a vida ué. Já as minas estão solteiras porque são chatas, porque são exigentes, porque são desesperadas pra casar e assustam os ómi, porque trabalham demais. Porque querem, jamais. É errado uma mulher querer estar solteira (ou apenas se sentir bem e completa nessa situação) e aí elas embarcam nessa loucura de que né, mulher só é feliz se estiver num relacionamento.



O filme é divertido e perturbador. Tem Colin Farrell meio tiozinho mas sempre válido e eu adoro essa coisa esquisitona que descamba pra uma violenciazinha gratuita, my kind of movie, inclusive.

E obviamente ao final dos meus 45 dias eu me transformaria num gato. Mas acho que cês já desconfiavam disso.

domingo, 13 de agosto de 2017

A última pequena morte

E teve essa postagem sobre as pequenas mortes no fim do relacionamento.

Eu adiei o quanto pude, mas ontem aconteceu a morte final. Vi uma foto dele com a namorada atual.

Vi de relance. Não stalkeei, não fui atrás. Vi porque um amigo dele que nunca posta nada e por isso eu esqueci de deletar postou uma foto. E eu vi.

Tá doendo pra caralho e eu tô com muita raiva de estar doendo assim, mas acho que pé na bunda é assim mesmo, né? A gente acha que tá lá de boa e de repente um piano cai na nossa cabeça, 

Mas foi necessário. Foi o último band-aid a ser arrancado. Agora é esperar cicatrizar.



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O chato "tem que"

Quando você fica solteira chega aquele nem um pouco aguardado momento em que seus amigos começam a te arrumar dates. Sim, porque aparentemente uma mulher solteira há mais de seis meses está desesperada para namorar e é incapaz de fazer isso sozinha.

Daí tem esse amigo de um casal de amigos que deu pra aparecer em todos os meus encontros com eles. E de repente eles chegaram à brilhante conclusão de que nós talvez formaríamos um casal num futuro qualquer quem sabe um dia sei lá ninguém tá botando pressão não ok? Não sei se esse moço em algum momento manifestou algum interesse em mim, mas o fato é que eu venho cruzando bastante com ele. O problema é que esse moço é um chato "tem que". 

Vamos exemplificar o chato "tem que".

Um dia nós estávamos numa feira de cerveja artesanal. Eu estava com fome e disse que ia pegar um sanduíche de falafel no trailer atrás da gente. Esse moço imediatamente interferiu:

"Olha, eu não conheço esse trailer aí mas se você gosta de sanduíche de falafel você TEM QUE experimentar o da (barraca que ficava do outro lado na puta que pariu da feira lotada)." 

Eu ignorei o conselho e comi meu sanduíche ali mesmo porque estava frio, eu estava com fome e nem um pouco disposta a atravessar o Memorial da América Latina atrás de um lanche. E porque TEM QUE é meu pau de óculos, ninguém TEM QUE nada coleguinhas. Ninguém TEM QUE assistir Game of Thrones nem ouvir aquela bandinha hipster que todo mundo conhece mas você gosta de fingir que só você e seus amigos curtem. Ninguém TEM QUE gostar nem de Beatles, colega, ninguém é obrigado a nada não. Ninguém TEM QUE curtir cerveja artesanal e muito menos atravessar uma porra de uma feira lotada no frio só porque você acha aquele sanduíche de falafel a coisa mais excelente do universo. 

Todo mundo conhece um chato "tem que". Todo mundo é meio chato "tem que", pode admitir. Eu ainda solto umas dessas as vezes, mas quando percebi o quanto isso me irritava comecei a me policiar um pouco. 

Mas Paula, o moço soltou um "tem que" uma vez e você já o enfiou nessa categoria de chato?

Vejam bem, coleguinhas. 

Semanas depois encontro o moço num evento similar. A primeira coisa que ele me diz depois de me cumprimentar é:

"Nossa, eu comi o lanche daquele seu trailer hoje e o do meu é muuuuuuito melhor."  

Porque não basta ser chato "tem que", tem que insistir na chatice. Sério, qual a necessidade? 

Na terceira vez que eu encontrei esse moço foi num bar. Eu tinha chegado cedo, ele chegou tarde e me encontrou na fila pra pagar a comanda:

"Ah, vai ficar nessa fila mesmo? O bar tá cheio ainda, você TEM QUE ficar mais um pouquinho." 



Encontrei o cara três vezes e três vezes ele me cagou regra.

Não seja essa pessoa, amiguinho. Apenas não seja. 

Mais sonhos

Meus sonhos não são necessariamente ruins, mas costumam ser confusos. Tem sempre muita coisa acontecendo, muita correria, muita gente envolvida.

Mas uma vez eu sonhei com Amsterdam. Eu nunca fui a Amsterdam, nem é um lugar que está nas minhas top prioridades e tal, embora eu tenha certeza que é maravilhosa. Mas enfim, eu estava em Amsterdam. E era ano-novo. E eu estava rodeada de mulheres incríveis, que eu amo demais, como a minha mãe, minha irmã, a Elis e a Moça de Galochas. E a gente viu os fogos em algum lugar, e a gente riu e bebeu e estávamos felizes pra caralho.

O réveillon de 2016-2017 foi tão horrível, cercado de desamor, de gente que eu não gostava e que não gostava de mim, de música chata, de conversa besta. Fui tão infeliz em Ilhabela, não é um absurdo ser infeliz em Ilhabela? Eu fui. Eu, que gosto tanto do mar, da praia e do ano-novo, só queria que aquele acabasse o mais rápido possível. E eu lembrei do sonho e jurei que 2017-2018 seria cheio de amor como aquele, não necessariamente em Amsterdam (o frio, gente, o frio), talvez não com todas essas mulheres queridas juntas (minha irmã acabou de ter um bebê, né?). Mas seria muito diferente.

A gente não pode garantir nada nessa vida, né, mas eu sigo tentando. As passagens estão compradas e se tudo certo eu vou ver 2018 chegar lá no Equador. Porque eu mereço.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Eu queria falar sobre algumas coisas aqui mas não sei bem se devo por motivos de: uma delas envolve sexo e não quero parecer a Cléo Pires transona (deos me livre) e a outra envolve falar do falecido de novo e não sei se vocês ainda aguentam isso.

Daqui a uns dias eu volto.





Enquanto isso não esqueçam de "treat yo self" abiguinhos

terça-feira, 25 de julho de 2017

Circa 2000

Fui fuçar numas fotos antigas para provar que minha sobrinha grazadeos puxou nosso lado da família e é sim a cara da minha irmã quando era bebê. Não achei nenhuma foto da minha irmã (minha mãe deve ter levado todas pra ela em Brasília), mas achei essa pérola aqui, circa 2000.


Caso vocês não tenham percebido, sou euzinha nessa foto. 21 anos, fazendo um toscosplay de Lara Croft com arminha d'água e tudo.

Eu estava na faculdade, era absurdamente insegura com a minha aparência e comia merda por causa de um boy estudante de medicina que só ficava comigo quando ele queria. Tem leitora desse blog que sabe até hoje o nome desse infeliz de tanto que eu chorei as pitangas por causa dele por aí.

Agora observem essa mocinha. Olhem esse cabelo, essa pele, essa cinturinha, esse sorrisinho levemente sem jeito. Espiem a confiança com a qual essa garota se enfiou nesse shortinho minúsculo e se bandeou pra uma festa a fantasia qualquer.

Eu fico indignada de na época não enxergar o quanto eu era bonita e interessante e o quanto eu podia ter feito um milhão de coisas mas fiquei chorando pelos cantos apenas porque eu achava que eu não merecia nada melhor que um gordinho nerd barbudo que me tratava feito lixo. Eu queria poder dar uns tapas na cara dessa mocinha insegura e dizer pra ela o quanto ela era incrível e o quanto ela era capaz de fazer o que ela quisesse.

Façam isso pelas suas meninas, por favor. Digam o tempo todo que elas são maravilhosas, inteligentes, bonitas e capazes porque o mundo é bem merda e ele vai fazer de tudo pra que elas achem o contrário.

domingo, 23 de julho de 2017

Curry de peixe e samosas

Quando eu me separei eu decidi que eu precisa concentrar todos os esforços possíveis em ficar bem. Com isso eu parei de fazer algumas coisas que eram parte da minha rotina tipo ir à academia, ler e cozinhar. Desde o dia 9 de Janeiro eu não fazia uma comida pra mim. Desde o dia 9 de Janeiro eu também não escrevia no meu livro "Uma pergunta por dia".

(É um livro que eu ganhei de aniversário. Ele tem uma pergunta pra cada dia do ano e espaço para responder por cinco anos. As perguntas podem ser simples, só pra te situar no tempo, tipo "qual foi o último filme que você assistiu?" ou mais reflexivas)

Daí ontem eu resolvi pegar o livro de novo. E a pergunta para hoje era:


Domingão, sozinha em casa, não tive escolha amiguinhos. Me arrisquei nas samosas (que eu nunca tinha feito) e num curry de peixe (fazia direto, é uma das coisas que eu preparo que eu mais gosto de comer). As samosas fiz com massa de pastel pois achei que fazer a massa seria uma passo grande demais pra quem está retomando a cozinha aos poucos. O recheio de batata, cenoura, couve-flor e brócolis ficou delícia demais e finalmente descobri o que é que o Gopala (um restaurante indiano que eu amo lá na Paulista) usa que deixa tudo com aquele gostinho de Gopala: feno-grego. Só faltou um chutney caprichado, na próxima eu faço.



O curry de peixe foi o melhor que eu fiz até agora, desculpa galera. Cominho, pimenta e garam masala com legumes e o peixe cozido no tomate e leite de coco e muuuuito coentro no final. Ficou bão demais minha gente.


Cozinhei só pra mim, tomando um vinho branco baratinho e ouvindo Lily Allen. No final deixei a cozinha limpinha e saí pra tomar um sorvete.

E assim a vida vai realmente voltando aos trilhos. Não sei se comida indiana cura tudo, mas olha, aquece o coração de um jeito. Recomendo demais.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Professional and life coach, apaixonado por viagens e empreendedorismo

Tem um negócio que tá bem na moda por aí e olhando de longe até me parece bem útil, que é o coaching. A princípio a ideia é boa, é ter uma pessoa preparada do seu lado que, olhando de fora, tem tem uma visão global das coisas que você anda fazendo de errado e pode te guiar para você voltar pro rumo e conseguir atingir um objetivo x. Não que a gente não seja capaz de tomar decisões acertadas por conta própria, mas eu mesma me vi perdidaça na minha carreira por muitos anos e só tipo mês passado consegui focar e tomar uma decisão verdadeiramente útil nesse sentido. Eu fiz isso sozinha mas talvez um coach pudesse ter me ajudado a fazer isso muito mais rápido.

Mas aí você começa a observar como algumas pessoas andam levando esse conceito de coaching. Elas vendem o negócio como um milagre. Como garantia de sucesso a curtíssimo prazo, é tipo "se objetivo é passar num concurso pra magistratura no fim do ano? A gente resolve." 

Dia desses fui desavisada parar numa palestra sobre coaching. E o palestrante tava lá, falando dos "coachees" dele (não é cliente, tá, é coachee) e descrevendo um super case de sucesso (na opinião dele - e que merda é essa de "case"? A gente tem uma palavra perfeitamente adequada em português caceta). Era uma cara que queria passar num concurso pra polícia federal e não tinha disciplina pra estudar e ao final do processo de coaching ele tinha guardado o video game no armário e não jogava mais, tava estudando direitinho todo dia depois do trabalho.

Daí eu pergunto pra vocês, coleguinhas: um adulto passado dos seus 30 anos precisou pagar alguém pra dizer pra ele que, né? Se ele não parar de jogar video game ele não vai passar em concurso nenhum. Oi? 

E a palestra? Um punhado de slides com imagens bonitas de topos de montanhas, encruzilhadas, horizontes, acompanhados de clichês corporativo-motivacionais do tipo: "Se você acordar amanhã só com as coisas pelas quais você ficou grato hoje, com o que você vai acordar?" Ah gente, vá pra puta que pariu. Fora os testes de personalidade tirados da internet (eu sou Águia, viu?). Dá a impressão que qualquer zé ruela que leu os livros do Augusto Cury pode virar coach. Não precisa ser psicólogo, não precisa ter estudado o comportamento humano, nada disso. 

No final o cara sugeriu que a gente se juntasse com alguém que não conhecia pra fazer um "mini-coaching" com essa pessoa. Olha que maravilhoso, 45 minutos de palestra e a gente já estava habilitado pra fazer o trabalho dele. Não tive alternativa a não ser ir embora.

Olha bem pra minha cara de quem ia participar de uma palhaçada dessas. 



quarta-feira, 19 de julho de 2017

Amanhã vou apresentar um workshop num evento nacional da escola. 65 pessoas do Brasil inteiro (o evento é para algumas centenas, mas são várias palestras acontecendo ao mesmo tempo), meu maior público até hoje. Eu não sou dessas que odeia falar em público nem nada, eu até gosto, pra falar a verdade, mas é lógico que a gente fica nervosa.

E se as pessoas não rirem das minhas piadas?

E se elas não conhecerem o RuPaul? (O tema do meu workshop é técnicas de leitura para EFL, o título é "Reading is fundamental" e eu enchi meu ppt de gifs do RuPaul)

E se elas fizerem perguntas que eu não sei responder?

E se forem chatas e não me deixarem falar? (Professor de escola de idiomas é uma raça duzinfernos que nunca manda proposta pra conferência mas A-DO-RA roubar microfone de palestrante pra dizer como tudo na escola dele é incrível e funciona direitinho)

E se os slides não funcionarem e eu esquecer tudo?

E se?

Daí estávamos na secretaria discutindo que roupa eu deveria usar amanhã porque isso pra mim é importante sim. Não é por nada não, mas eu tenho um problema sério com palestrante mal ajambrado. Uma vez assisti a uma palestra e o cara estava:

a) Com a gravata torta
b) Com o relógio frouxo virado no pulso
c) Com a barra da calça entrando no sapato

Não consegui prestar atenção em uma palavra do que ele estava dizendo e me dá um pavorzinho pensar que eu posso causar esse efeito em alguém. Tristemente chegamos à conclusão que a roupa perfeita para a apresentação seria no caso a que eu estou usando hoje, então teremos que pensar num plano B.

Em tempo: me recuso a usar terninho. Não sou uma pessoa terninho.


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Na postagem sobre gaslighting eu esqueci de contar uma coisa.

Ele tinha essa amiga que desde sempre foi meio escrotinha comigo. Eu não sei explicar exatamente o que era, mas ela parecia me tratar com um certo deboche, com algumas ironiazinhas que me incomodavam demais. Eu disse isso pra ele algumas vezes e a resposta padrão era sempre "ah, é só o jeito dela, não é nada com você."

(Vocês conhecem alguém assim, certeza. Pior tipo de gente, porque é escrota e ninguém percebe. E passa a vida sendo escrota e nunca recebe escrotidão de volta porque, de novo: NINGUÈM PERCEBE. E quem percebe tem mania de perseguição)

Muito que bem.

No fatídico ano-novo em Ilhabela nós alugamos uma casa para o feriado. É uma turma de amigos dele que sempre viaja junta e é sempre ele que organiza tudo, procura as casas, fecha negócio, tira dinheiro do bolso pro depósito até todo mundo pagar, etc. Por causa disso tínhamos um acordo já de anos que, havendo só um quarto de casal na casa, ele ficaria com a gente.

Pois essa amiga saiu de São Paulo antes de todo mundo, chegou mais cedo na casa e pegou o quarto de casal com o namorado novo.

Talvez pareça criancice minha, mas acho que se fosse qualquer outro casal de amigos dele eu não teria me importado. Mesmo porque nenhum outro casal faria isso. Ela fez porque era ela, porque não ia muito com a minha cara, porque achava ok me tratar com deboche e porque ela sabia que meu ex não teria coragem de questionar o arranjo por um motivo que já expliquei aqui: ele tinha essa necessidade de ser o cara bom, o cara abnegado. O que não vai arrumar confusão por causa de besteira.

Exceto que pra mim não era besteira. Mas ele tava pouco se fodendo pra mim, com perdão do meu francês. E mais uma vez me pintou como a desequilibrada barraqueira. E passamos uma semana dormindo num quarto absurdamente quente com um beliche.

Essa noite eu sonhei que a gente voltava (ew ew ew) e eu ficava me perguntando como é que eu ia explicar a volta pros outros depois de ter escrachado tanto ele por aqui. Mais um motivo pra eu publicar esse post.

Não que eu precise de motivos pra não voltar.







terça-feira, 11 de julho de 2017

Você é o que as pessoas acham que você é

Eu tenho fama de brava aqui na escola.

Eu não me considero brava, mas nessas horas lembro de uma professora de semiótica da faculdade que dizia que no final das contas você é o que as pessoas acham que você é. É uma frase pesada, né?

A gente cresce ouvindo "seja você mesmo" "não importa o que os outros pensam de você" e um dia vem essa mulher e joga na nossa cara assim "Venham aqui, jovens inocentes. Isso aí é mentira, tá? Foda-se quem você acha que você é. O que as pessoas enxergam é o que importa e não estamos falando de aparência, mas de personalidade mesmo." E a triste verdade é que ela tem razão: não adianta nada você ser uma pessoa incrível se as pessoas não veem isso em você. Mas a culpa é sua ou deles? Não descobri a resposta ainda.

Acho que todo mundo já se pegou por aí se autodefinindo através do olhar alheio. E eu queria muito saber como faz pra não fazer isso.

Eu me acho engraçada. Me acho educada. Sou claramente introvertida. Um pouco explosiva sim, mas nunca no trabalho, mais nas relações pessoais.

Mas o pessoal aqui me acha brava. Do mesmo jeito que o ex me achava incapaz e eu acabei acreditando nele.

Como eu lido com isso? Eu controlo minhas reações, eu faço cada movimento de caso pensado, eu planejo 20 vezes antes de falar alguma coisa pra alguém. E eles continuam me achando brava.

Domingo tivemos a aplicação de uma prova bem importante, uma certificação de Cambridge. 47 alunos. Há instruções claras de que a primeira parte da prova tem que ser feita a lápis. Na hora do intervalo passei para recolher as folhas de resposta da primeira parte e uma das fiscais (que é professora aqui da escola) me disse, meio nervosa:

"Ai Paula, desculpa, não foi culpa minha, eu li todas as instruções, mas teve uma menina que preencheu o gabarito a caneta"

Por que cazzo ela estava nervosa? Por que me pediu desculpas?

Porque segundo todo mundo aqui eu sou brava.

Eu simplesmente recolhi as provas e respondi "Fica tranquila, fulana, claro que não foi culpa sua."

Eu não quero ser brava. Ninguém gosta de gente brava. Mas eu não sei o que fazer, de verdade.


Leslie Knope is my spirit animal 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Sábado a noite

A gente jantou em um lugar que eu nunca tinha ido e isso me deixou bem satisfeita porque eu sou dessas que tem mania de ir sempre aos mesmos lugares, principalmente num date. Porque quando a gente está conhecendo alguém ir àquele restaurante onde a gente conhece o cardápio de cor dá uma certa segurança, é claro.

Fomos a um restaurante de comida latina pequeno e desencanado na Pompéia. O mojito estava ótimo mas eu fiquei meio decepcionada porque fui doida pra comer algo apimentado e com bastante coentro naquela noite fria e acabei pedindo um risoto de polvo que não tinha nada disso. De qualquer maneira não dá pra ficar triste comendo polvo e no geral considerei a refeição um sucesso.

Depois do jantar, apesar do frio, resolvemos dar uma volta a pé pelo bairro. A Pompéia é cheia de ladeiras e ruazinhas escondidas e fomos andando sem rumo topando com vários grafites pelos muros das casinhas nos pedaços onde a especulação imobiliária ainda não chegou. As ruas estavam vazias, tranquilíssimas, nada de carros nem de pessoas. Dava pra ouvir o zumbido de alguns postes e em alguns momentos a gente se sentiu num episódio de Twilight Zone. Segundo ele era questão de tempo até a gente topar com nossos rostos grafitados num muro e descobrir que éramos na verdade dois desenhos que deram um jeito de sair para uma voltinha. Naquela hora não parecia mesmo que nós estávamos andando no meio da zona Oeste de São Paulo, a poucos quilômetros da marginal Tietê.

 Tem beleza por aí. Às vezes na esquina de casa. A gente só precisa de um empurrãozinho pra ver.


Única foto que nós tiramos pois: ocupados vivendo 


Ok, tiramos essa também because the zoeira never ends

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Cabelo curtinho é bão demais


1) Não tá sujeito ao tempo, foda-se se tá úmido ou seco, cabelo joãozinho tá sempre no lugar.
2) Acorda lindo e fica lindo até voltar pra casa.
3) Se não acordar lindo taca uma pomadinha rapidão e já tá lindo de novo.
4) Fica sujo e ninguém percebe.
5) Dá pra lavar com xampu furreca baratex que continua lindo.
6) Também dá pra comprar xampu caro cheiroso porque usa pouquinho.
7) A gente fica automaticamente estilosa até de bota de tranceira.
8) Se for tingir uma caixinha dá pra duas vezes.
9) Progressiva é mais barata.
10) Não precisa usar 500 produtos diferentes.
11) No calor é delícia, no frio é só colocar um cachecol lindão.

Porém:

1) Ficam comparando a gente com a Amélie Poulain.
2) A gente ouve "nossa você é corajosa" umas 500 vezes.
3) Ouve várias elofensa tipo "em você fica bom mas eu NUNCA faria isso"
4) Tem que cortar todo mês, o que economiza no xampu gasta no salão.
5) Tem que aguentar as pessoas marcando a gente nos textinhos punheteiros do Xico Sá homenageando mulher de cabelo curto.
6) Ás vezes bate um vento e fica parecendo o Alfalfa dos batutinhas.



quarta-feira, 28 de junho de 2017

Gaslighting

Em poucas palavras, gaslighting é uma tipo de manipulação psicológica e emocional na qual o manipulador utiliza artifícios para fazer a vítima acreditar que ela é desequilibrada, questionando sua própria memória, percepção e até sanidade. O nome se origina de uma peça de 1938 e um filme posterior chamados Gas Light. Neles, uma marido tenta convencer a esposa e as pessoas ao redor deles de que ela é louca. Ele faz isso manipulando elementos do ambiente em volta deles e insistindo que ela está imaginando coisas ao apontar estas mudanças.

Eu vim aqui hoje para contar a minha história de gaslighting, que não daria um filme mas que certamente é muito parecida com várias outras histórias que até hoje não tinham nome.

Começou com uma discussão que eu tive uma vez com a minha mãe porque não queria fazer uma viagem com ela num feriado qualquer. Fiquei bem irritada com a briga e, ao desabafar com meu ex, usei as seguintes palavras:

"E o pior é que ela acha que você quer ir e que eu sou a víbora manipuladora que estou te convencendo a não ir."

Pois o "víbora manipuladora" passou a fazer parte do que eu achava que eram piadas internas de casal, mas que hoje eu vejo que eram gaslighting purinho.

A gente não brigava nunca, eu e meu ex. E não é porque nunca discordássemos ou ficássemos com raiva um do outro. Era simplesmente porque eu não podia demostrar insatisfação. Ao menor protesto meu em relação a qualquer coisa a reação imediata dele era: "Você tem certeza que quer discutir por causa disso? Porque eu faço tudo por essa relação e você sempre quer tudo do seu jeito." Porque afinal de contas, eu era a "víbora manipuladora."

Spoiler: era tudo sempre do jeito dele.

Eu passei anos achando que eu era a desequilibrada, a que chorava a toa, a que puxava briga por besteira, mas adivinhem: não era besteira. Mas ele, dentro daquele personagem que era um poço de equilíbrio e de racionalidade, me fazia acreditar que era errado discutir. E que eu não tinha direito de impor nada porque ele sempre fazia tudo do meu jeito, coitado. Era um pau mandado.

Cês já sabem né? Não era.

Ele fazia o que queria. Na hora que queria. Quando queria. Várias vezes sem me consultar. Mas aaaah, eu não podia reclamar porque ele era um namorado bom, né? Atencioso. Me dava presentes. Era legal com minha família e com meus amigos. Ajudava nas tarefas de casa.


Ano passado ele se inscreveu para a Bravus Race. Ele nem queria ir, mas um amigo insistiu e ele topou. A corrida era no dia que eu tinha marcado para comemorar meu aniversário, um domingo na hora do almoço. Até então ok, corrida é cedo, ele vai, volta, dá tempo. Só que um dia, numa mesa de bar, o amigo dele me disse que a Bravus sai por baterias e a deles era as 11 da manhã.

E aí eu questionei. Porque era uma corrida da qual ele nem queria participar no mesmo horário da comemoração do meu aniversário.

Um tempo depois ele me jogou na cara que naquele dia eu estava bêbada e dei barraco na frente dos amigos dele na mesa do bar. Eu sinceramente não lembrava disso, mas fiquei com aquilo na cabeça afinal de contas esse era um jeito recorrente dele se referir a mim quando eu bebia: eu era a "bêbada barraqueira" e é bem fácil você acusar uma pessoa bêbada de qualquer coisa porque né? Talvez ela não lembre.

Parênteses: eu não sou alcoólatra, beijos. Tomo minha cervejinha e fico bêbada sim de fim de semana, menos que ele, inclusive, que já fez bastante merda bêbado.

Depois que nós terminamos eu comecei a repassar essas histórias na minha cabeça e perguntei para uma amiga que estava no bar naquele dia se ela se lembrava da discussão. Ela disse que eu tinha sido incisiva no quanto não tinha gostado de saber do horário da corrida, mas não classificaria aquele diálogo como "barraco".

Mas ele era o moço bom, né? O correto, o que faz tudo por todo mundo. Imagina se os amigos dele desconfiam que ele por um instante está fazendo alguma coisa que só interessa a ele e que vai sim me deixar chateada. Melhor me fazer acreditar que eu dou barraco sem motivo, coitado.

É aquela velha história né. Hoje eu sou a ex louca dele. Se seu boy tem uma ex louca, melhor ficar atenta. A próxima ex louca pode ser você.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O caminhão de melancias

Aquela história da vida ser um caminhão de melancia etc etc.

Voltei para a terapia e a psicóloga do plano fala meiguinha e usa cachecol fino enroladinho grudado no pescoço sem cobrir o decote, o que me dá coisas. Espero que possamos superar isso. Falamos sobre meu sono excessivo, o desânimo em geral pelas coisas e a vontade louca de me alimentar exclusivamente de carboidratos e ela me sugeriu uma-passadinha-no-psiquiatra-mas-talvez-seja-cedo-vamos-investigar. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Tem menina Foltran Borges nova in da house. Cecília nasceu em Brasília dia 19, pesando 3,6 kg e medindo 49 cm. Segundo minha irmã ela é uma bebezona brava e esfomeada e eu não esperava outra coisa de uma pessoinha que carrega os genes da minha família. Só vou vê-la no final de Julho porque agora começam os exames de Cambridge e vou trabalhar loucamente (o que é ótimo, $$$ é sempre bem vindo) mas até lá vai ter muita chamada de vídeo no whatsapp pra acompanhar o primeiro mês dessa lindeza.


Aqui a doutrinação nerd começa cedo

A propósito - ela se chama Cecília por causa dessa música do Chico Buarque:


Chico todo trabalhado na friendzone ~risos~


Taquei a tesoura no cabelo de novo. Estava com um chanel caretinha e sem graça que definitivamente não combinava comigo (uma amiga o qualificou como "classudo" e se tem uma coisa que pra mim não é elogio pra cabelo é "classudo". Cabelo classudo tinha a minha avó). Está bem joãozinho e peço encarecidamente a todos que não me comparem com a Amelie Poulain pois: odiamos Amelie Poulain, obrigada de nada. 


Num vem com colherzinha aqui não pfv


Inclusive referências mais legais que Amélie Poulain de mulheres de cabelo joãozinho: Mia Farrow em O bebê de Rosemary. Anne Hattaway em Um dia e Elis Regina, beijos.

Hoje falei na terapia sobre um curso caro que eu quero fazer e como eu me sinto culpada por gastar tempo e dinheiro em algo só por prazer. Ela logo me jogou na cara que eu tampouco estava investindo tempo e dinheiro na minha carreira (e não estou por um motivo simples: não vejo sentido nisso no momento) e comparou o curso a uma viagem: uma viagem é uma coisa na qual eu gastaria dinheiro sem pensar duas vezes apenas por prazer. Por que não esse curso então? Decidi fazer (isso se a moça da secretaria responder meus e-mails porque ó: tá difícil).

As melancias estão voltando para o lugar, como era de se esperar.





sexta-feira, 16 de junho de 2017

Dez horas e meia

Ontem eu sentei em um café com um moço às 15h00 e saí de lá com ele à 1h30 da manhã.

Sim, nós passamos dez horas e meia sentados em um café conversando sobre música, cinema, livros, séries, sobrinhos, relacionamentos, terapia, youtubers, buquês de periguetes (mais informações a respeito aqui). Nós passamos dez horas e meia conversando sem álcool envolvido (mesmo porque se rolasse álcool não teríamos sobrevivido a dez horas e meia provavelmente).

Eu nem sabia que era possível passar dez horas e meia conversando com uma pessoa. Eu possivelmente nunca fiz isso na vida.

O que isso significa? Talvez não muita coisa.

Não sei se vou ver esse moço de novo (eu gostaria, na verdade, mas não sei) mas uma coisa é certa: tem gente legal no mundo sim. E eles estão nos lugares mais improváveis - inclusive num aplicativo de celular.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sonhos

Eu vou voltar para a terapia semana que vem. Eu fiz terapia uma vez em 2014, numa época em que falecido e eu quase nos separamos mas acabamos superando. Quer dizer, hoje eu vejo que a gente nunca superou de verdade mas isso é assunto pra outro post.

Minha terapeuta em 2014 era jungiana e eu amava contar meus sonhos pra ela. Esses dias lembrei de um sonho da época e de como o significado dele (ou que ela atribuiu a ele, vá lá) fez muito sentido então e faz mais ainda hoje, 3 anos depois.

Eu sonhei que estava em uma pensão. Era uma pensão escura, feia e suja, no centrão de São Paulo. Ele estava comigo. Entramos num quarto e na parte de cima de um beliche tinha um cara deitado. Ele fumava e batia as cinzas no chão. Nos ofereceram comida. Meu ex não quis. Eu também não queria, mas a pessoa insistiu e eu acabei comendo e achando a comida bem gostosa.

Depois de ouvir meu sonho a terapeuta me falou do simbolismo da comida como uma espécie de passagem para outro universo. Falou das Brumas de Avalon, que eu nunca li, e do Labirinto do Fauno, que é um dos meus filmes preferidos da vida. Ela me falou sobre como, ao entrar na sala do homem pálido, Ofelia é orientada a não comer nem beber nada lá dentro, pois ao fazer isso ela ficaria presa naquele mundo (que era horrível mesmo, no caso).



A pensão era minha vida sem ele. E naquele momento de separação ela me parecia muito ruim. Ao comer a comida eu aceitava fazer parte daquele mundo e ao constatar que a comida era boa eu passava aceitar que talvez ele não fosse tão terrível assim.

Em 2014 nenhum de nós dois teve coragem de aceitar a comida. Em 2017 eu fui obrigada a engolir o que me foi oferecido e no começo foi bem amargo. Ainda é de vez em quando, mas cada dia menos. E nem de longe horrível como no meu sonho.

sábado, 10 de junho de 2017

Why don't you love me?

Eu estava assistindo "Edifício Paraíso" (é uma série bem legalzinha da Fernanda Young, passa no GNT) e em um dos episódios toca uma música linda e tristíssima no final. Amo música triste, etc. Joguei a letra no google e falhei miseravelmente em encontrar a música, apelei para o shazam. Achei, a música é essa (espero que vocês estejam de bom humor):



Fiquei obcecada por esses caras porque sou assim com música. A voz dele gente, meo deos. E sei lá aparentemente eles são um banda de bar, tem vídeos deles com 120 visualizações, menos que "Sr. fofinho comendo ração".

E tem essa:




pick up the pace, it's only a broken heart (vou tatuar isso, mentira nem vou mas...) 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Tenho conversado muito e há muito tempo já sobre essa "vontade-de-largar-tudo-e-fazer-alguma-coisa-completamente-diferente." Acho que todo mundo já passou por isso. Eu amo o que eu faço mas hoje, infelizmente, não vejo mais sentido em investir nisso, em me qualificar mais ainda (eu já sou bem qualificada para os padrões dos profissionais da área e tals mas cês sabem né, o céu é o limite). O que eu poderia investir hoje e que seria uma passo à frente na minha carreira seria em treinar professores, mas  numa área subvalorizada, tratada como bico, os professores são mal pagos e não tem dinheiro para se qualificar, ou seja. Tamo tudo fodido. E como professora de adultos ultimamente o que tenho visto é um monte de alunos desmotivados, cansados, trabalhando demais e que não enxergam o inglês como algo que realmente vai acrescentar alguma coisa na vida deles: é só mais uma dentre as milhares de obrigações que eles já tem na vida.

Daí a gente fica nessa brincadeira de "vou largar tudo e vender marmita vegana" ou "vou aprender costura no SENAC e fazer lingerie vintage" mas parece tudo tão absurdamente distante e irreal que eu só fico aqui inerte fazendo o que eu sempre faço. Inércia foi a palavra dos últimos anos, na verdade, e isso é muito triste. 

Além disso eu tenho essa invejinha das pessoas que tem hobbies de verdade, sabem? Que fazem coisas que elas gostam quando não estão trabalhando. O falecido escalava. Tenho uma amiga que pedala longas distâncias. Um colega que faz guitarras. Eu não tenho. Eu venho aqui, escrevo no blog, saio pra tomar umas cervejas, começo uma série nova e fim. Até que ontem caiu no meu colo uma coisa que me pareceu algo que eu REALMENTE gostaria de fazer: um curso de sommelier de chá.

Sim, isso existe e pra mim parece incrível. O curso é profissionalizante e tudo, tem até TCC. Eu poderia ter uma nova profissão gente!

(Não que eu realmente esteja considerando sommelier de chá uma opção de carreira né, como faz, tem vaga na Catho?)

Mas enfim, eu queria muito fazer isso. Só que custa caro. Bem caro. Mas eu tenho um dinheiro guardado e juro que amei tanto essa ideia que estava a fim de pagar, daí entrei em contato com a instituição pra saber sobre a inscrição e basicamente me passaram uma conta de pessoa física e disseram: deposita uma parte do valor do curso aí e já tá inscrito.

Eu meio que faço isso da vida né gente, vendo curso de inglês. E NÃO é bem assim que funciona. Mandei um e-mail pedindo uma minuta de contrato padrão e a pessoa me respondeu que entregariam o contrato no primeiro dia de aula, em Agosto.

Mas gente, vem cá. Como é que as pessoas esperam que eu deposite 1500 reais na conta de um estranho sem ter um contratinho me garantindo que esse curso existe, que se não existir eles devolvem meu dinheiro, que se eu desistir eu pago uma taxa, etc etc. As pessoas realmente fazem isso?

Tô esperando resposta da galera ainda, pra ver se me mandam o contrato. Há muito tempo eu não ficava tão animada com alguma coisa, espero sinceramente que dê certo. Cruzem os dedos aí.




quinta-feira, 1 de junho de 2017

Então estamos assim:

Minha menstruação está atrasada mais de uma semana e por mais que eu tente racionalizar o tanto que é impossível eu estar grávida (assim, impossível, impossível nível Jesus Cristo não porque rolou sex mês passado porém impossível pois: 3 métodos anticoncepcionais bem seguros aliados, enfim), por mais que eu tente né? Já fiz dois testes de farmácia. Não tô grávida. Mas tô com uma TPM do cão como eu não tinha desde que coloquei o DIU. Aparentemente meu corpo é uma velha carola me punindo por ter transado depois de 6 meses de abstinência. Enquanto isso vou fazer é mais um teste e tomar um chá de canela pra dormir tranquila.

Pra ajudar semana passada um estelionatário me engambelou no caixa eletrônico do Santander, usou minha digital e fez um empréstimo seguido de saque de 2 mil reais. Abri ocorrência e o banco indeferiu pois se ele usou minha digital eu autorizei e pronto. Telefonei xingando muito na agência, me pediram pra registrar um b.o. e ir lá que iriam cancelar o empréstimo. Aparentemente não vou ficar no prejuízo porém: não sabemos ainda.

Tive que ir à delegacia fazer o b.o. pois estelionato não dá pra fazer online. O escrivão estava fumando um Hollywood enquanto digitava meu boletim num teclado apoiado numa revista enrolada. Me senti num filme nacional ruim dos anos 80.

On the bright side: tenho botas novas tão lindas que me casaria com elas se fosse legalmente aceito.



Estou inchada, com cólicas, mal humoradíssima e devendo 2 mil reais pro Santander mas esfriou e posso desfilar por aí com essas lindezas.

Sobreviverei.

Obrigada pela compreensão.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Daí eu saí com esse moço que era muito bonitinho e me levou cupcakes no primeiro date. E ele era lindo, fofo, um papo gostoso. Trocamos uns beijos na porta do bar enquanto o uber não chegava e achei ótimo (tínhamos tomado umas cervejas), mensagens todo dia, marcamos de sair em seguida, fomos ao cinema, etc.

Daí nos beijamos no cinema, ele me levou pra casa e na hora da despedidas nos beijamos de novo e: zero química.

Nada.

Niente.

Rien.

Foi tipo beijar o primo feio depois de encher a cara na festa de natal da família.

Ficou aquela torta de climão no carro, chamei ele pra subir mais porque né, já estava ali mesmo, ele recusou e... sumiu. Como era de se esperar.

Daí essas coisas acontecem e eu penso em como a vida é injusta porque né? Tão bonito e gente boa o moço, mas atração que é bom até teve mas acabou rapidinho.

Next.



quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dia nacional da adoção

Hoje, 25 de Maio, é celebrado o dia nacional da adoção.

Quem acompanha meu blog sabe que no dia 8 de Outubro do ano passado eu me tornei tia da Amanda, que foi adotada aos oito anos pela minha irmã.

As pessoas que olham de fora às vezes não sabem muito bem como reagir diante de uma adoção, principalmente uma adoção tardia, como foi o caso dela. E elas falam muita besteira.

"Nossa, sua irmã adotou uma criança de oito anos? Ela é muito corajosa, né?"

Deixa eu contar uma coisa pra você, cara pálida. Ter um filho nesse mundo de merda que a gente vive é meio que um ato de coragem mesmo, chego a dizer quase de rebeldia. Mas adoção não requer coragem não. Requer a vontade e a capacidade de entregar seu coração pra uma pessoa que até um mês atrás você não conhecia. A gente faz isso o tempo inteiro. É amor que chama.

"Olha, a tia da prima da cunhada da minha avó adotou um menino mais velho e nossa, ele deu tanto trabalho..." 

Três palavras pra você: Suzane Von Richthofen. Dando um tempo na zoeira, vamos lá:
a) Eu estou te contando sobre minha sobrinha e a única coisa que você consegue me oferecer é uma visão absurdamente negativa de algo que está me deixando feliz? Você é uma pessoa horrível.
b) Filhos dão trabalho. Às vezes as coisas não saem mesmo como o planejado mas eu garanto que quase nunca tem a ver com o fato da criança ter sido adotada ou não. Os Nardoni eram filhos biológicos e olha que gente boa heim?
c) Adoção tardia certinha, dentro da lei, é acompanhada por psicólogo, assistente social e uma série de profissionais para garantir que aquela criança e os pais tenham todo o suporte necessário para se adaptar à nova vida. Isso minimiza bastante as chances de alguma coisa "dar errado". (Mas não elimina, infelizmente. Durante o processo de adoção é comum ouvir histórias de crianças devolvidas, por mais absurdo e cruel que isso possa parecer)

"Agora ela vai engravidar, cer-te-za!"

No caso da minha irmã foi exatamente isso que aconteceu ~risos~ (sim, minha irmã engravidou um mês depois da chegada da Amanda, Cecília will be in da house em Junho) MAAAAS: você nem conhece a minha irmã, queridinho. Nem sabe se ela e meu cunhado tinham alguma dificuldade pra conceber. Nem sabe se eles estavam tentando. Esse comentário é invasivo,desnecessário e exclusivamente baseado no senso comum, além de ser ofensivo considerar que a adoção é "o que deu pra fazer já que o filho biológico não veio". Se houvesse uma gota de verdade nessa bendita crença poderíamos fechar todas as clínicas de fertilidade do mundo já que a solução para casais com dificuldade de engravidar é tão simples né. Basta adotar um filho e bum: gravidez na sequência garantida.

"Ah, mas deve ser outra coisa ter um bebê assim, com a carinha da gente."

Não, não é. E se você quer ser pai/mãe por isso, não seja. Seus motivos estão completamente equivocados.

"Que sorte a dela encontrar vocês!"

Quem tem sorte somos nós, amigo. Garanto.

Tudo que eu disser sobre a Amanda hoje vai ser um punhado de clichês e embora clichês sejam expressões que, repetidas à exaustão, perderam o significado, no caso dela é tudo verdade. Ela é sim um serzinho iluminado, lindíssima por fora e por dentro, cheia de defeitos como todo ser humano, com manias e birras de criança de oito anos e uma alegria que faz com que a gente esqueça por um momento que ela viveu quase uma década longe de nós. Eu vejo a pele negra dela, aquele cabelo cacheado maravilhoso, e me dói demais imaginar que ela vai passar por coisas que eu e minha irmã, branquinhas do cabelo liso, nunca passamos e nem iremos passar na vida. E me dá vontade de colocá-la num potinho e protegê-la de toda maldade do mundo, mas eu não posso fazer isso. Eu só posso tentar garantir o tempo inteiro que ela saiba o quanto é inteligente, capaz e linda sim. Perfeita.





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terça-feira, 23 de maio de 2017

Eu só acho engraçado que...

... toda vez que o assunto da separação vem à tona alguém me diz: "eu nunca entendi mesmo o jeito como ele te tratava à vezes"

Estão perdoados, queridos. Eu estava lá o tempo todo e só fui entender agora. 


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ria da minha vida antes que eu ria da sua

Alguém peloamordedeos me salve de mim mesma porque olha. Só passo vergonha nessa vida.

Semana passada encontrei uma mãe no bebedouro da escola e lembrei que a filha dela tinha perdido algumas aulas porque estava doente. Cheguei toda solícita:

"Oi, tudo bem? Ela está melhor?"

Mãe me olha com cara de "oi"?

"Ela quem?"

A mãe era outra. Essa tem um filho adolescente que vem aos sábados e passou aqui durante a semana só para pegar um café. 

Sábado estou na secretaria e avisto um pai de aluno antigo já da escola. O pai também já estudou aqui, inclusive foi meu aluno. Dou aquela acenada empolgadinha querendo fazer a simpática já que tenho fama de brava por aqui. 

Era outro pai x, de aluno novo, que nem me conhecia e me olhou como se eu fosse doida. 

Domingo. Estou conversando com um crush no whatsapp e ele me falando que tinha ido ao show da banda de uns amigos dele. Me manda um vídeo da banda. Eu acho que é ele no vídeo mas não tenho certeza porque o clipe é de 2011 e ele é japonês né, rola uma dificuldade. Assisto ao vídeo 500 vezes, dou print, vou comparar com as fotos do tinder. Mando os prints pros amigos em busca de uma segunda opinião. Demoro uns 10 minutos nesse processo até que ele se dá por vencido e diz: "você percebeu que sou eu no vídeo, né?" 

Isso porque em 2011 ele já tinha o braço fechado de tatuagem mas né? Meu histórico de dificuldades com rostos me fez ser cautelosa. 

Hoje estou saindo do dentista e vejo de longe na mesma calçada um cara que parece ser o moço com quem eu saí na quinta-feira mas não tenho certeza. Em minha defesa esse moço é desses hipsters barbudos magrinhos genéricos de jaqueta da Adidas que parecem clonados e moram todos na Augusta. E estava de óculos escuros. Diante dos últimos acontecimentos, escolho fingir que não vi.

Cinco minutos depois recebo uma mensagem: "Oi, acho que eu cruzei com você na Pio XI agora pouco".



Alguém me ajuda gente, tá cada dia mais difícil ser eu.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Amor nos tempos do tinder

A parte boa de ser solteira é a gente se apaixonar semana sim semana não.

Primeiro me apaixonei pelo cara grandão que tocava guitarra, tinha uma filha e morava longe. Porque além de ele ser lindo, ele me chamava de baby, tinha Kate Nash na playlist e odiava o Paris 6. Esse moço deve ter começado a namorar pois um dia nunca mais me deu notícias e depois me bloqueou no whatsapp (doeu um pouquinho, mas a verdade é que eu só descobri sem querer quando fui mandar mensagem pra um amigo que tinha o mesmo nome que ele e vi que não tinha mais foto dele nos meus contatos).

Depois teve o publicitário com cara de príncipe, de moço que a gente vê na televisão, meio Caco Ciocler jovem meets Tiago Iorc. Esse moço me chamou pra um rolê de rap e tinha tatuagens de cadeia no peito e no tornozelo (a do tornozelo inclusive tenho certeza que foi feita com caneta bic). Eu gostava dessa mistura de carinha de moço pra casar com corpinho de boy treta. Mas aí esse moço se mudou pro interior e a gente ainda se fala de vez em quando, mas já deu tempo de desapaixonar.

Em seguida veio o professor de biologia barbudo com cara de mau que gostava de Carl Sagan, Neil Gaiman e filme de samurai. Tinha sobrinhos lindos, uma voz grossa delícia e um papo melhor ainda, mas no fim das contas ele só queria mesmo era compartilhar nudes (dele, no caso ~risos~). Nunca saímos do whatsapp.

O da semana é o principezinho loiro e fofo que tem sotaque do interior de São Paulo, fala holandês e toca violão clássico. O date foi bonitinho, com direito a restaurante francês e todos esses clichês. Quero ter filhos baixinhos e bilíngues com ele. Pelo menos até semana que vem.




segunda-feira, 24 de abril de 2017

Hoje é dia de reclamar

Cês me desculpem o post meio genérico mas é que vou reclamar do trabalho então quanto mais genérico melhor.

Eu trabalho numa escola de inglês cês sabem né?

E os nossos alunos, quando terminam o curso, fazem uma prova de certificação internacional e não pagam nada por isso, etc.

E eu sou a pessoa que inscreve esses bonitinhos para essa prova.

O processo de inscrição tem 495 passos e todos eles podem dar errado em algum momento e, acreditem, eles dão.

Pra começar a maioria dos alunos é menor de idade e por isso eu não tenho no sistema o CPF deles. Então pra facilitar peço para eles preencherem uma ficha com nome completo, e-mail, CPF e um código que eles recebem junto com os livros didáticos que são as informações que preciso para fazer a inscrição.

Eles entregam a ficha com o e-mail ilegível (e se eu cadastrar errado eles não conseguem confirmar a inscrição).
Eles erram o próprio CPF.
Eles colocam o código faltando número.

Daí eu corro no telefone para consertar tudo isso.

Quando vou colocar o código do livro ele está: inválido.

Por que ele está inválido, tia Paula?

Porque até semestre passado o código não precisava estar cadastrado no sistema para ser validado, agora precisa. E ninguém avisou a gente.

Daí eu corro no telefone avisando aos alunos que eles tem que cadastrar o código no sistema para que eu consiga fazer a inscrição. E o prazo rolando.

Daí nos 45 do segundo tempo (ou 54, se for jogo do Palmeiras) eu consigo inscrever todo mundo.

Cês pensam que acabou?

Pra poder fazer a prova no fim do semestre os alunos tem antes que fazer um simulado online que é obrigatório. Teoricamente eles receberiam por e-mail um link com as instruções para fazer tal simulado até dia tal.

Teoricamente porque dois dias depois da data prevista ninguém tinha recebido nada. Ligo para a central de suporte e a resposta é: "ah, muitos e-mails estão bloqueando as mensagens porque são em massa, melhor você entrar no sistema e enviar esse link um por um pros alunos"

Sei lá, a gente tem uns 4 mil alunos fazendo essa prova todo semestre. VOCÊS PODIAM TER PREVISTO QUE ESSE VOLUME DE E-MAILS SENDO ENVIADOS DO MESMO SERVIDOR NO MESMO DIA IA DAR RUIM, NÉ?

Não previram. E lá fui eu enviar os links e senhas um a um para os alunos. E telefonar para garantir que eles receberam porque também tinham prazo.

Mas esperem, isso não é tudo!

O prazo para fazerem os simulados encerrou sábado. Hoje tecnicamente eu teria acesso aos resultados e poderia alocar os alunos para fazer prova no local mais conveniente para eles.

Mas é claro que 600 escolas acessando o mesmo sistema ao mesmo tempo não ia dar certo, né? Tá fora do ar. E a galera tá arrancando os cabelos porque todo mundo quer alocar seus alunos o quanto antes senão só sobram aquelas escolas lá nos cafundós do Judas.

E depois de alocados, os alunos tem que confirmar a inscrição por e-mail até dia tal senão não fazem a prova. E os jovens, vocês sabem, não olham e-mail, ou seja, vou ter que telefonar pra todo mundo de novo lembrando de confirmar.

Eu estou há um mês lidando com isso. Um.fucking.mês.


É só o que eu tenho a dizer a respeito

domingo, 23 de abril de 2017

Talvez eu queira que você leia isso, talvez não

Tenho pensado muito em você nos últimos dias. Acho que é normal. Foram 9 anos e eu até gostaria de brincar de brilho eterno de uma mente sem lembranças mas não vai rolar. 
Eu sinto saudade de você. 
Eu ainda lembro dos seus olhos verdes e do seu sorriso de dentes tortos por causa do trompete. 
Eu não esqueço como eu gostava do jeito como você puxava conversa com todos os caixas de supermercado e garçons do mundo. 
Eu admirava a maneira como você se preocupava com todo mundo. 

Mas no final você não se preocupou comigo.

Nosso relacionamento não acabou no dia 9 de Janeiro. Acho que nenhum relacionamento acaba de um dia para o outro.
Ele já tinha acabado quando você decidiu mais uma vez que iria escalar sozinho ao invés de tirar ferias comigo.
Já tinha acabado quando nós discutimos na frente dos seus amigos porque você tinha decidido participar de uma corrida no dia e horário da comemoração do meu aniversário.
Já tinha acabado quando você defendeu uma atitude escrota que me chateou muito só porque a pessoa escrota em questão era sua amiga. 
Tinha acabado anos antes quando, em tom de brincadeira, você me disse: "eu quero ter filhos, mas não com você" (eu nunca quis ter filhos mas hoje percebo que nós deveríamos sim ter terminado naquele dia, porque essa frase foi agressiva demais. E eu ainda fiquei por mais 2 anos depois disso) 
Já tinha acabado quando você cobria todas as suas atitudes paternalistas com o manto do "eu me preocupo com você" 

Você não se preocupava comigo, você se preocupava com sua imagem de bonzinho. 

E ainda assim eu às vezes sinto sua falta porque antes de começar a acabar a gente foi sim muito feliz.  

Mas eu acho que é normal. E que uma hora vai passar.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

As aventuras de tia Paula solteira

Pra vocês verem né:

Conheci o boy no tinder e a gente foi conversando. Barbudo, alto, gordinho, mora perto. Meu número. A gente se viu uma vez, tomamos um café, demos uns beijinhos, tudo como manda o figurino, mas daí não batia de nos encontrarmos. Ele tem uma filha adolescente que mora com ele, difícil sair a noite, depois fui viajar duas semanas, minha mãe ficou lá em casa, enfim.
Eu já tinha reparado que o barbudinho fazia a linha carente, seja por ser mesmo ou por achar que mulher curte, enfim. Era um tal de bom dia minha vida, boa noite meu amor de uma cara que eu tinha beijado uma vez que estava incomodando.

Daí a gente combinou de se encontrar de novo. E ele não deu sinal de vida. Não atendeu celular, não respondeu mensagem. Mandou whatsapp meia noite como se nada tivesse acontecido perguntando se eu estava acordada. Fiquei putaça, mandei à merda, ele sumiu 4 dias. Daí tentou de novo e como eu não tarra fazendo nada e ele era mesmo bem gatinho resolvi dar corda. Só que naquele dia eu não podia. E deixei claro bem cedo que não podia, não dei o cano nele como ele tinha feito comigo.

Ele?

Ficou bravinho e disse que eu seeeempre tinha alguma coisa mais importante pra fazer do que ver ele. E começou a mandar mensagem de cinco em cinco minutos cobrando que eu não respondia.

38 anos na cara, macaca véia né?

Bloqueei. Não quis nem argumentar porque o alarme de barca furada estava não apenas apitando, estava berrando "SAI DESSA MINHA FILHA QUE ESSE BOY É TRETA"

Mas daí vocês veem como ser mulher é uma merda. No começo das nossas conversas ele me mandou uma foto que tinha tirado durante uma corrida matinal e eu comentei que trabalhava na frente daquela praça, que coincidência. Bloqueei o boy treta e ele sabia onde eu trabalhava. E o medo?

"Ah, mas tem mulher louca que vai fazer escândalo no trabalho dos ómi também"

Deve ter, né? Mas nenhuma ameaça a integridade física do cara, no máximo vai arranhar o carro dele. Já um cara de 1,85 e 100 quilos que eu nem conheço direito mas deu sinais de ser meio descompensadinho pode me ameaçar sim. E muito. E por nada, só por achar que "tem direito".

Tô nova nessa coisa de solteirice mas já aprendi uma lição: só digo pro boy onde eu trabalho depois de ele conhecer minha mãe.


Sai macho

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Quando eu me separei bateu aquele medo de ficar sozinha, né?

Não ficar sozinha-encalhada-sem-ómi, esse medo eu nunca tive. 

Eu também sempre me orgulhei de ser aquela pessoa que se dá super bem consigo mesma, que vai ao cinema sozinha, que aprecia a própria companhia.

Daí eu me separei. E todo mundo correu para me ajudar naquela hora. Todo mundo me ligava, me tirava de casa, inventava programas, coisas pra fazer. E eu sou muito grata a todos por isso. Só que naquela ânsia de ser socorrida eu não tive tempo de reaprender a estar sozinha.

Mas uma hora passa né? Porque todo mundo tem sua vida e tals. Não dá pra todo mundo ficar comigo o tempo inteiro. E eu nem espero isso deles. E de repente eu estava sozinha comigo mesma de novo. E eu não estava feliz.

Eu sei que é só uma fase e que daqui a pouco eu vou estar de bem comigo de novo, mas por enquanto não tá muito bom não.


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Um contra o outro

Daí no primeiro dia em Lisboa choveu sem parar e o jeito foi embarcar num hop on hop off pra tentar ver um pouco da cidade. E entre as descrições dos pontos turísticos na gravação tocavam músicas portuguesas. E tocou essa, que me fez procurar o grupo e me deixou obcecada:



Anda
Desliga o cabo
Que liga a vida
A esse jogo
Joga comigo
Um jogo novo
Com duas vidas
Um contra o outro

Já não basta esta luta contra o tempo
Este tempo que perdemos a tentar vencer alguém
E ai fim ao cabo
Que é dado como um ganho
Vai-se a ver desperdiçarmos
Sem nada dar a ninguém

Anda
Faz uma pausa
Encosta o carro
Sai da corrida
Larga essa guerra
Que a tua meta
Está deste lado da tua vida

Muda de nível
Sai do estado invisível
Põe o modo compatível
Com a minha condição
Que a tua vida
É real e repetida
Dá-te mais que o impossível
Se me deres a tua mão

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens (2x)

Anda
Mostra o que vales
Tu nesse jogo
Vales tão pouco
Troca de vício
Por outro novo
Que o desafio
É corpo a corpo

Escolhe a arma
A estratégia que não falha
O lado forte da batalha
Põe no máximo o poder
Dou-te a vantagem
Tu com tudo
E eu sem nada
Que mesmo assim desarmada
Vou-te ensinar a perder

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens (2x)



Mais um presente que Lisboa me deu <3 nbsp="" span="">