segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Tem mesmo que fazer post com o balanço do ano?

2014 foi um ano meio bosta. Não foi uma bosta completa nem nada, mas em comparação aos anteriores foi bosta sim. Tenho vontade nenhuma de escrever sobre ele mas se alguma lição esse ano meio bosta deixou foi: as coisas acabam. Não existe isso de estar 100% segura o tempo todo. Se as coisas ficarem mais difíceis, cabe a mim ficar mais forte. Mas se descontrolar as vezes é bom, necessário. A gente faz planos e o universo ri deles mas planos são o que mantém a gente no trilhos. Terapia é importante e todo mundo deveria fazer mas tem hora que cansa. Se eu disser o que eu penso de vez em quando o mundo não vai acabar, mas discernir quais brigas vale a pena comprar é uma sabedoria que eu ainda estou adquirindo.  

2014 foi um ano de aprendizado. Espero ter sido boa aluna, para que 2015 possa ser um pouquinho menos bosta. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

Porque todos amam Ru Paul's Drag Race

Quem me conhece do facebook e do twitter sabe o quanto eu sou obcecada por Ru Paul's Drag Race. É apenas meu programa preferido em muito tempo.

Mas por que, Paula?

Para começar é um reality show e com isso ele já caminhou 50% da estrada para atingir meu coração. Em segundo lugar, é um reality show de drag queens disputando para serem coroadas "America's next drag super star." Cabô. Coração tomado, dominado, explodindo de amor. Assisti às seis temporadas em coisa de dois meses e passo agora por aquele período triste de abstinência já que a temporada sete ainda não começou.

As drags são incríveis. Elas cantam, dançam, desfilam, interpretam, fazem imitações, usam maquiagem melhor que eu (a maioria inclusive é mais bonita que eu), desenham roupas, costuram, enfim, é muito talento junto braseeel.

Essa é Courtney Act. Ela é um homem maquiado e de peruca. E ela é muito mais bonita que todo mundo que tá lendo esse blog. 


Mas Ru Paul's Drag Race é mais que uma competição de drag queens. A edição do programa foca muito nas histórias de vida delas e a maioria tem histórias tristíssimas de abandono, bullying, rejeição, perda de entes queridos, marginalização, etc etc. 


Essa é Latrice Royale. A mãe dela morreu enquanto a Latrice estava na cadeia e não sei se dá pra estar mais na merda que isso. 

É o único reality show que eu não torço pelas tretas (que rolam, claro, mas o programa foca pouquíssimo nisso se comparado a outros do mesmo tipo). Eu torço sempre para que elas se amem, virem amigas de infância, sejam felizes. E também é um dos poucos realities que premiam talento de verdade e não só beleza, estratégia, etc. 

Essa é a Jinkx Monsoon. Ela sempre tinha as piores perucas e os vestidos mais feios, mas é uma performer absurda e ganhou a quinta temporada. 

Fora isso, Ru Paul's Drag Race é uma fábrica de memes maravilhosos. Fica aqui meu apelo, coleguinhas: assistam. Vai valer cada minuto. 



Can I get an amen in here? 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

This is love

Antigamente eu detestava fazer aniversário. Tinha pavor. Sofria por antecipação uma semana antes e me recusava a marcar qualquer tipo de comemoração por motivos de: eu sempre levava as ausências para o lado pessoal. Eu achava que se marcasse alguma coisa e as pessoas não fossem era porque elas não gostavam de mim, não se importavam e mimimi blábláblá ai como sofro. 

Agora vejam: fazendo aniversário em Dezembro é considerável a chance de as pessoas não irem apenas por motivos de: festa na firma, formaturas, visita de parentes, férias, etc e tal. 

Daí de uns anos pra cá eu parei de me importar. Parei de achar que dia 10 de Dezembro tem que ser sempre um dia fantástico apenas por ser meu aniversário. Eu acordo, vou trabalhar, sigo fazendo minhas coisas normalmente e se me der vontade eu invento uma comemoração qualquer. E esse ano eu inventei.

Minha única preocupação era chegar cedo no bar porque eu tenho umas quatro turmas diferentes de gente que não se conhece e ia ficar bem esquisito essa galera lá na mesa do Sujinho sem o único elo em comum deles: euzinha. Não que eles não fossem se entender de qualquer jeito. Meus amigos, ao contrário de mim, tendem a ser um povo bem sociável. 

E não é que todo mundo foi? Todo mundo. Mesmo quem só podia ficar um pouquinho, mesmo quem só podia chegar mais tarde. Foi uma tarde regada a tanta cerveja e tanto amor que eu tirei fotos inclusive mostrando os dentes, coisa que eu nunca faço por motivos de: fico esquisita. 

Este post é só para agradecer todo mundo que esteve lá no Sujinho neste Sábado: vocês são incríveis. E eu adoro o fato de que a gente se vê pessoalmente tão pouco, mas quando se vê parece que foi ontem mesmo. Sempre. 





 Olha a dentadura aí, gente

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O tradicional post de aniversário

Eu tenho uma prima um pouco mais velha que eu que, enquanto eu ainda estava lendo Capricho, já tinha uma assinatura da revista Nova. E eu lia as revistas da minha prima escondida porque algo me dizia que elas não eram pra mim, que tinha 12 anos e apenas uma vaga ideia do que era sexo oral.

Hoje eu faço 36 anos e descobri que a revista Nova não era pra mim naquela época e nunca foi. Nunca será. Porque a Nova mentiu pra mim. E ela mente para todo mundo, muito, há nem sei quantos anos.

Segundo a revista Nova aos 36 anos eu seria a CEO de uma grande empresa. Eu passaria minhas férias no Caribe, cercada de homens lindos e interessantes, usando um caríssimo maiô branco e bebericando drinks coloridos. Eu faria minhas unhas com esmaltes de 70 reais e jamais compraria um par de sapatos que custasse menos de 500. Eu não teria celulite, nem estrias e muito menos rugas. Eu saberia de cor 483 maneiras de enlouquecer um homem na cama.

Se você acompanha este blog há algum tempo sabe que não foi bem assim que aconteceu ~risos~

Eu não sou CEO de uma grande empresa. Eu passo minhas férias em Brasília, em Boituva e, beeeeeem de vez em quando, em algum país que eu não conheço com passagens parceladas e hospedagem nos Íbis da vida. Sem drinks coloridos (prefiro cerveja) ou maiôs caríssimos. Sou team biquíni e compro todos na Lapa a 60 reais no máximo. E só viajo no inverno, quando é mais barato, então no roupas de banho anyway. Faço minhas unhas com colorama mesmo e não tenho nenhum sapato no armário que tenha chegado perto de custar 500 reais. Sim, eu gostaria de ter um pouco menos de celulite e talvez algumas rugas mais leves, mas só se não houvesse sacrifício envolvido.

A revista Nova mentiu pra mim and I couldn't care less. Porque eu descobri desde muito cedo que revista nenhuma poderia me representar. Ainda bem, porque ser de carne e osso dói, mas ainda assim me parece melhor que a outra opção.

Esse é o meu selfie de 36 anos:


Com as rugas, manchas, um olho maior que o outro, cabelo apenas ok e um pouco de maquiagem que eu também não sou de ferro.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

As crônicas de M e L

O coleguinha Felipe fez um comentário no último post e me animei a relatar o que ele chamou de "As crônica de M e L." Porque são muitas.

Eu já tinha contado sobre a relação turbulenta que a M tinha com baratas neste post aqui. Mas tem mais, muito mais de onde isso saiu.

A M tomava Kaiser. Ela não tomava Kaiser porque era mais barata, ela tomava Kaiser porque ela gostava. Eu acho difícil confiar em alguém que toma Kaiser por qualquer motivo, mas por gosto acho impossível. Toda sexta-feira ela telefonava para a padaria que ficava na esquina (gente, esquina mesmo, tipo três prédios separavam a gente de lá) e pedia para entregarem dois fardinhos de Kaiser e um pacote de Malboro. Estava garantido o fim de semana dela e do namorado. Não tô julgando nem nada, quem sou eu pra falar de quem bebe e fuma, mas Kaiser e Malboro delivery acho meio pesar a mão no jeito não-saudável de ser.

A M tinha uma cachorrinha poodle chamada Brida. A Brida era meio velha e muito chata - o único ser humano do sexo masculino que ela tolerava era o namorado da M, o A. Levar dates para aquela casa era, portanto, uma dificuldade extrema já que ao menor sinal de homem a Brida começava a latir desesperadamente, arreganhar os dentes, fazer um escarcéu. A Brida era mimadíssima e tinha mais roupas que a dona dela. Aliás moda não era o forte da M, já que em 2002 ela usava jaqueta jeans do Hard Rock Café e vestido de veludo molhado.

A mãe da M morava no Maranhão e de vez em quando vinha passar uns dias na nossa casa. Enquanto ela estava lá não podíamos abrir nenhuma cortina, jamais. Acho que ela era uma vampira. A dona M-mãe gostava de cozinhar, e quando ela estava lá eram nossas raras oportunidades de comer comida de verdade naquela casa ( a não ser quando a M fazia feijão. Dona Neide que me perdoe, mas o feijão dela era o melhor do universo). O único problema é que a dona M-mãe era incapaz de cozinhar qualquer coisa sem botar creme de leite junto. A dona M-mãe fez bacalhoada com creme de leite. Desconfio que a dona M-mãe faz salada de maionese com creme de leite. Moqueca com creme de leite. Arroz com creme de leite.

O namorado da M ainda fazia cursinho pela milésima vez (estava tentando medicina). No começo a gente tinha pena dele, coitado, mas foi só até descobrir que ele matava aula e ia dormir lá em casa, no meio da manhã. Claro que eu descobri isso da pior maneira possível: voltando um dia mais cedo da faculdade e topando com ele de samba-canção saindo do banheiro e coçando a bunda. Não recomendo.

Por fim, a M curtia axé music e tinha como melhor recordação da vida dela um carnaval de 95 em Salvador. Quando ela reunia os amigos dela lá em casa a gente passava a noite ouvindo "Ele não monta na lambreta" e outros clássicos da música baiana dos anos 90.

E vocês aí achando que sabem o que é tortura psicológica.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Enlouqueça seu roommate antes que ele enlouqueça você

Professora estrangeira lá de escola contando que no apartamento que ela divide existem cinco lixeiras no banheiro e cinco na cozinha, uma para cada moradora. Primeira reação é imaginar que ela mora em um lugar bem grande porque no meu banheiro mal cabe uma lixeira, imaginem cinco. Em seguida lembrei das histórias que eu vivi e ouvi nos meus anos de república:

O lixo
A mesma professora disse que outro dia precisou fazer uma viagem de emergência e perguntou para a colega se tinha algum problema descer com o lixo naquele horário. A moça respondeu que normalmente desciam com o lixo mais tarde e alguém poderia reclamar.

"É que eu vou pegar um voo daqui a pouco e não queria deixar meu lixo aqui."

"Quantos dias você vai ficar fora?"

"Quatro."

"Aaaah, quatro dias bem fechado ali no canto acho que ele aguenta."

O quer aconteceu com o "deixa aí que quando eu descer com o meu levo o seu também"? Jamais saberemos.

A discórdia
Eu morava com duas meninas, a M e a L. Um dia cheguei em casa e tinha um ~enfeite~ em cima da mesa que devia ter sido cuspido pelo capiroto de tão feio. Quando a L viu, comentou:

"Aff, só pode ser coisa da M essa merda."

Sendo a M conhecida pelo mau gosto e sendo ela também a dona da casa, restou me conformar em olhar para aqueles duendes de durepoxi pendurados num pedaço de tronco durante meses. Até o dia em que a L foi embora.

"Senhor!" reclamou a M "Não acredito que ela foi embora e largou esse treco aqui."

"Ué, não é seu?"

"Lógico que não, cê acha que eu ia botar um negócio horroroso desses em cima da minha mesa?"

O telefone
Antes dos celulares baratos e do plano infinity da TIM, eis que a conta do telefone fixo da república andava aparecendo com aquelas ligações compridas em horário comercial para o Acre que eram como filho de jogador de futebol: ninguém queria assumir. De saco cheio de pagar a conta dos outros, uma das moradoras foi para a casa dos pais no fim de semana e levou o aparelho de telefone. Quando voltou descobriu que outra moradora tinha puxado uma extensão para seu próprio quarto, instalado outro aparelho, tirado do gancho para prender a linha, trancado a porta e ido passar a semana na casa do namorado. Fim

O quadro do Chaplin
Ainda M e L. Um dia M chegou carregando um quadro daqueles de espelho com aquela imagem do Carlitos e do garoto de rua pintados em preto por cima. Nível tronco com duendes de durepoxi de feiúra. Estava radiante, feliz mesmo, dizendo que a-ma-va aquele quadro e que a mãe tinha achado no meio das coisas dela lá no Maranhão. Sim, aquela desgraça tinha viajado do Maranhão até São Paulo e sobrevivido.
M deixou o quadro encostado numa parede num canto da sala e foi trabalhar, dizendo que o penduraria em lugar nobre da casa assim que voltasse. L e eu passamos alguns minutos inconformadas com a possibilidade de ter que olhar para aquilo todo dia ou pior, de receber nossos dates em casa e eles virem aquela coisa.

(Parentêses: além de ter mau gosto para decoração a M também tinha mau gosto para livros, pois ela tinha uma cadelinha poodle chamada Brida)

Dois segundos depois só vejo a L passando em direção à cozinha e, no caminho, dando aquela esbarrada de leve no quadro, que caiu e quebrou. Diante da minha cara de "cê tá louca", ela só retrucou:

"Foi a Brida"

Tem mais histórias de onde essas vieram, garanto. Aos poucos eu vou lembrando. Vida de república é meio tipo casamento arranjado, mas sem o sexo - o que eu não sei bem se é uma vantagem.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Meu número e stand up

No Ru Paul's drag race (não conhece? Então corre coleguinha, tem no Netflix, melhor reality show do universo) um dos desafios eliminatórios clássicos das drags é fazer um número de stand up. E eu detesto stand up (menos o Seinfeld, eu amo o Seinfeld, desculpem o clichê), mas adoro os números atrapalhados que as drags fazem. Esses dias fiquei pensando em como seria o meu stand up se eu fosse obrigada a fazer um. E eu fiz, my very own número de stand up. Se não tiver graça, beleza, eles quase nunca tem mesmo.

(Subo no palco e fico dois minutos com aquele sorriso abobado enquanto a platéia bate palmas apenas porque eu subi no palco)

Então gente, eu me formei em Letras na USP. O curso de Letras da USP pertence à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, conhecida pelos íntimos como fefeléche.

Para estudar na FFLCH não basta passar no vestibular. Depois de aprovado, você só consegue fazer sua matrícula se apresentar uma foto do seu guarda-roupa provando que ele contém pelo menos uma calça xadrez e uma par de sandálias de couro fedido. Se for mulher deve conter também uma saia indiana e uma par de molecas pretas, de pano. Atualmente as molecas podem ser substituídas por uma par de alpargatas, mas as mesmas devem estar bem puídas, indicando que sua dona as usa desde que elas não eram moda. 

Na FFLCH não tem trote de pintar os calouros com guache e fazê-los pedir dinheiro no sinal. Na FFLCH os recém-chegados tem que cantar "Morena Tropicana" inteira enquanto viram shots de Jurupinga. Se errar a letra, começa de novo. O último a ficar de pé ganha 10 reais de crédito no xerox. Isso no meu tempo (sou velha, gente), quando xerox era liberado e maconha proibida. No meu tempo a gente tirava tanto xerox e demorava tanto que eu conheço gente que se conheceu, casou, teve filhos e entregou projeto do mestrado na fila. Dizem que teve um cara que ganhou na mega sena e conseguiu quitar sua dívida no xerox - do primeiro e do segundo ano.

Na FFLCH você só é aprovado nas matérias do primeiro ano se provar que sabe enrolar um baseado. Não adianta reclamar: na improbabilidade de você ter prestado vestibular para um curso de humanas sem saber fazer isso, teve um ano para aprender. Mas eu não vou cair nesse clichê de chamar todo estudante de humanas de maconheiro. Alguns são bebuns também. Tanto que as festas na FFLCH se chamam "Manifesta" e a única bebida alcoólica além de Jurupinga é Catuaba Selvagem devidamente servida em copos de plástico. Aliás, nas excursões da FFLCH a Jurupinga já está incluída no valor do pacote. Também não é verdade que todo estudante de humanas é ruim em matemática, mas na FFLCH as notas são em conceitos para não ter confusão. A, B, C, vocês entenderam. 

As pessoas que trabalham na secretaria da FFLCH também não lidam muito bem com números, tecnologia, essas coisas. Por isso, depois de fazer sua matrícula online para as matérias escolhidas, você tem que ir lá e corrigir tudo num papelzinho na semana da retificação. Sim, porque eles tem tanta certeza de que vai sair tudo errado que eles já programam uma semana de retificação de matrícula. Daí você vai lá, pega outra fila enorme mas tudo bem, porque você já está acostumado com a do xerox. Aliás, você não devia estar na fila do xerox? Enfim. Se tem uma coisa com a qual o pessoal da FFLCH se acostuma logo é com super lotação, porque todo ano entram 800 alunos só no curso de Letras. 800 pessoas só no primeiro ano de Letras, se somar todo mundo deve dar mais que a população de Osasco. Se bem que Osasco, né? Quem mora em Osasco gente? Aaaah, o carinha ali de vermelho riu, certeza que mora em Osasco. Mas Osasco é legal galera, tem um cachorro quente massa, a gente gosta de lá. Agora cês me dão licença que eu tô fazendo um curso extra na FFLCH de Sintaxe da Língua de Sinais Aplicada ao Pós-Modernismo Literário Angolano e já estou atrasada, beijos.

(Saio correndo do palco com aquele sorriso abobado enquanto toca uma musiquinha besta e a platéia bate palmas)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

E o salário ó

Eu tinha um aluno adulto que, toda segunda-feira, ao ser perguntado sobre o fim de semana, respondia: "It was funny, teacher." E o funny dele, toda segunda-feira, saía "FANNY".

Eu corrigia. Eu fazia repetir. Toda segunda-feira. 20 vezes. Até o dia em que percebi que ele não ia aprender enquanto eu não dissesse a ele o que significa fanny.

Sim, meus alunos me obrigam a ensiná-los como os britânicos dizem pepeka.

Hoje aconteceu de novo, em outro grupo de adultos. Estavam lá fazendo um quiz sobre esportes quando surgiu a belíssima palavra shuttlecock. Expliquei o que nossa inocente peteca, mas sempre tem o FDP que não se contenta:

"Mas o que é cock?"

Vou lá bem linda e explico em inglês que é o bicho que te acorda na fazenda, mas outro mais FDP ainda faz aquela cara de vou zoar mesmo e pergunta:

"Mas pode ser outra coisa, né, tchítcher?"

Meo deos do céo lá vou eu ter que ensinar como se diz piroca em inglês, mas ele mesmo se adianta:

"It's penis!"

Dois segundos e todo mundo rindo:

"E penis em português é um little cock HAHAHAHAHAHAHAHAHA"

Sob vinheta dos trapalhões.


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Caros pais ou responsáveis do segundo ano B

29/10/2014
Caros pais ou responsáveis do segundo ano B,

É com grande alegria que venho informar que o tema de nossa apresentação de final de ano já foi definido e será a Arca de Noé. Segue a lista de personagens para cada aluno e os endereços onde as fantasias poderão ser adquiridas a preços promocionais.

Desde já agradeço,

Tia Rita.

30/10/2014
Caros pais ou responsáveis do segundo ano B,

Como surgiram algumas dúvidas em relação ao tema de nossa apresentação, eu gostaria de esclarecer (principalmente aos pais da Bia que, como fazem questão de se apresentar, são ateus, veganos e cicloativistas) que a Arca de Noé em questão não tem absolutamente nada a ver com a da Bíblia e sim com a do poeta brasileiro Vinícius de Morais. Garanto, dessa forma, que não haverá doutrinação religiosa de maneira alguma.

Obrigada,

Tia Rita.

31/10/2014
Caros pais ou responsáveis do segundo ano B,

Peço desculpas por ter sido tão sucinta no meu primeiro e-mail. Os personagens designados para cada aluno foram escolhidos de maneira aleatória, sem levar em consideração qualquer característica física. Compreendo que as crianças que receberam os papéis da pulga e do elefante estejam se sentindo inseguras e por isso decidimos com a direção alterar a obra de Vinícius de Morais e excluir estes animais da peça, adicionando uma foca e um leão extras para que ninguém fique sem papel.

Atenciosamente,

Tia Rita


01/11/2014
Caros pais ou responsáveis do segundo ano B,

Alguns de vocês se demostraram muito solícitos e dispostos a ajudar com sugestões que serão consideradas com muito carinho. Entretanto, a direção e eu acreditamos que incluir apenas macacos em nossa apresentação de modo a representar nossa indignação com o racismo e com "tudo mais que está aí" seria reduzir demais uma obra tão importante da literatura brasileira. Quanto à sugestão das mães da Rebeca de incluir um casal de fêmeas em nossa arca de Noé para representar a diversidade, reitero que esta não é a versão bíblica da arca e que não há, portanto, nenhum casal de animais.

Atenciosamente,

Tia Rita

04/11/2014
Caros pais ou responsáveis do segundo ano B,

Peço desculpas pela demora em responder a seus e-mails, mas espero que compreendam que eu também tenho em casa três crianças entre seis e dez anos, sendo que uma delas é alérgica a tudo menos água e minha gata acabou de ter filhotinhos (algum de vocês estaria interessado em adotar um bichinho de estimação?)

Como aparentemente certos pais ainda não estão muito familiarizados com o conceito de "lista de e-mails", fiquei sabendo durante o final de semana que alguns de vocês acham que eu me visto mal e deveria cortar o cabelo com mais frequência. Também fiquei sabendo (assim como todos os outros pais) que ninguém gosta da mãe do Pedro porque ela é "macumbeira" e que o pai da Helena tem um probleminha com bebida. Espero que todos possam passar por cima disso em nome do sucesso de nossa apresentação de final de ano.

Obrigada,

Tia Rita

05/11/2014
Caros pais ou responsáveis do segundo ano B,

Aproveitando para esclarecer aos pais da Bia que eu não sou nenhuma irresponsável que deixa seus animais de estimação procriarem por aí e que a cirurgia de castração da Gatarina já está agendada, volto a escrevê-los para dizer que a escola não descontará o valor das fantasias na mensalidade, sendo a aquisição das mesmas de responsabilidade dos pais. Caso vocês desejem uma solução caseira e mais econômica, sim, a tia Dorinha pode confeccionar as fantasias mas considerem que trata-se de um investimento pequeno diante da alegria de seus filhos e as fantasias podem ser reaproveitadas no Carnaval e no Halloween, por exemplo.

Atenciosamente,
Tia Rita

06/11/2014
Caros pais ou responsáveis do segundo ano B,

Graças a nossa lista de e-mails agora eu sei que os pais do Tiago aceitaram Jesus há 10 anos e não comemoram festas pagãs do tipo Carnaval e Halloween. Como eles também tem certeza que a Bíblia prevê alguma punição para quem se fantasia de animais (embora eles não saibam bem qual), optaram por vetar a participação do Tiago no teatro. Com isso, voltamos a ter apenas uma foca em nosso elenco.

Atenciosamente,
Tia Rita


08/11/2014
Caros pais ou responsáveis do segundo ano B,

Acabo de ser informada pela direção que os pais do Tiago decidiram nos processar por intolerância religiosa uma vez que seu filho foi impedido de participar de nosso teatro por ter aceitado Jesus. Como ontem durante os ensaios também descobri da pior maneira possível que até abelhas sofrem bullying e que crianças de oito anos são capazes de criar rimas ofensivas para qualquer palavra, decidiu-se suspender o teatrinho por tempo indeterminado. No lugar dele as crianças cantarão "Noite Feliz" e para ocupar a hora e meia que restar na festa de fim de ano faremos uma oficina de pintura de panos de prato.

Atenciosamente,
Tia Rita


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Diálogos imaginários na sala da coordenação

"Então, meu filho não quer mais vir para a aula de inglês porque ele não está mais achando tão legal."

"Sabe o que seu filho ia achar legal, pai? Tomar vinho de cinco reais na praça de sábado a noite até vomitar, tenta isso."






Beijos.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Mais causos corporativos

Chego cedinho para dar aula na empresa e a sala da minha aluna está vazia. Espero 10, 15 minutos até sair para perguntar a alguém se sabia onde ela estava, já que ela não é de dar o cano. Encontro um outra aluna de um horário diferente.

"Oi Mariazinha, você sabe se a Ritinha veio trabalhar hoje?"

"Aaaah, você não está sabendo? A Ritinha teve bebê."


Cara de quem está dando aula para a Ritinha há um ano e tem certeza absoluta de que ela nunca esteve grávida neste período. 


"Oi?"

"Pois é, menina, um bebê. Chama Matheus e ela embarcou ontem pra Pernambuco pra buscar!"


Tenho certeza que a FDP da Mariazinha fez isso com todo mundo na firma. Certeza. 

Aliás, felicidades para vocês, Ritinha e para o Matheus. Até daqui a seis meses. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Winston

Em Dezembro de 2009 eu fui a Nova York. Primeira viagem internacional de verdade, já que Buenos Aires está praticamente anexada ao nosso território então nem conta como "fora do país".

Enfim. Fui sozinha. Ao meu lado, no avião, foi sentado um sujeito que, como eu, não dormiu a viagem toda. Diferente de mim, no entanto, ele também não comeu e tomou dois bloody marys no caminho.

Depois do café da manhã, quando Nova York já se desenhava para nós lá embaixo, o moço resolveu puxar conversa comigo. Disse que era nativo da maçãzona, e quando soube que era minha primeira vez lá, puxou uma folha de um bloco de anotações e começou a rabiscar alguns endereços que ele sabia de cor, com número inclusive, de lugares que eu TINHA que conhecer na terra dele. Eu agradeci e guardei o papel na minha carteira.

Já no hotel, instalada, me lembrei da listinha do gringo e resolvi dar uma olhada. E foi então que eu me dei conta de que tinha algo impresso do outro lado da folha.



Há quase cinco anos este papel mora dobradinho dentro da carteira que eu inclusive comprei naquela viagem. E pela primeira vez em cinco anos essa mensagem faz mais sentido do que nunca.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sobre livros emprestados

A coleguinha Bruna propôs no Facebook que listássemos os livros que emprestamos a alguém e que nunca nos devolveram. Eu jamais conseguiria fazer esta lista por motivos de: sou uma emprestadora compulsiva de livros. Sou daquelas que, no meio de uma conversa, solto um "Você já leu livro tal? Não? Você vai adorar, quer emprestado?" E se ele não voltar mais pra mim é porque nunca me pertenceu, risos.

Eu tenho prazer em dividir histórias boas com as pessoas. Livros são pra isso, para ser compartilhados. Há toda uma satisfação em ouvir minha mãe dizendo o quanto tinha gostado de 1933 foi um ano ruim ou receber um e-mail fofo do meu sogro me contando que tinha se identificado muito com A menina que roubava livros. Tenho uma lista interminável de livros que não tenho a menor ideia de onde estão - espero que tenham sido passados pra frente, daí sim a missão deles seria mais que cumprida.

Acabei de dar minha trilogia Divergente para a secretária da escola. Tinha emprestado o primeiro e quando ela me pediu o segundo já levei logo o terceiro e deixei com ela definitivamente. Vou ler de novo? Não vou. Vão ficar lá juntando poeira. Que outros leiam então.

O diário de um cucaracha, do Henfil, um dos meus livros mais adorados na pré-adolescência, foi um livro "roubado." Era da minha tia, meu pai pegou emprestado e nunca devolveu. Eu e minha irmã escondíamos o livro toda vez que a tia ia nos visitar, de medo que ela resolvesse pegá-lo de volta. Ela nunca pegou. Meu pai e minha tia já partiram e, vejam vocês: um livro emprestado/roubado é uma das lembranças mais doces que eu tenho dos dois.

Emprestem seus livros, amiguinhos. Vocês não imaginam a felicidade que isso proporciona. Para todo mundo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Enquanto isso na firma...

Divulgadora entra na minha sala dizendo que tem um cliente que quer porque quer falar com um professor, porque só o professor vai poder tirar as dúvidas dele com relação ao curso e piriri pororó.

Chamo o cara na minha sala.

A conversa começa naquela maravilha, cidadão não me deixa dizer nada e já vai confundindo professor de inglês com milagreiro:

"Eu nunca estudei inglês mas eu não quero saber de gramática, eu quero é logo conversação."
"Eu vou para a Itália daqui a dois meses, eu preciso estar falando inglês até lá."
"O inglês que vocês ensinam é britânico ou americano? Porque o britânico é mais correto, né?"

Enquanto eu tento responder alguma coisa ele saca o celular com uma mensagem em inglês e enfia na minha cara:

"Eu recebi esse e-mail de um alemão ontem, você pode me ajudar a responder?"

E eu achando que não conseguiria mais me surpreender com os clientes, sério.


sábado, 20 de setembro de 2014

Causos corporativos

As decorações de Halloween estão se acumulando na minha sala. Assistente pergunta se pode guardá-las ou se a gente já vai começar a decorar a escola. Respondo que vou fazer a decoração sexta-feira que vem.

Sexta-feira minha assistente não trabalha por motivos de: tem nada pra fazer nessa escola.

"Então sexta-feira eu venho pra te ajudar?"

"Não precisa fulana, sexta é um dia bem tranquilo, eu consigo fazer isso só com as secretárias..."

"NOOOOOOSSA, já entendi, você não precisa da minha ajuda pra nada."

Na verdade pra fazer decoração de Halloween eu não preciso mesmo porque ela tem um gosto péssimo, é mega atrapalhada e sempre tenta fazer tudo da maneira mais complicada possível, mas a questão não é essa. A questão é que eu não vou faze-la sair de casa num dia que ela não tem que estar aqui para pendurar morcegos no teto. Respiro fundo e tento explicar:

"Não é isso, fulana, é que sexta-feira não é seu dia de estar aqui, não tem aluno, não tem necessi..."

"Ai, nossa, você não entendeu, eu estava só brincando com você! Hahahahahahaha!"

Ser absolutamente insuportável é motivo pra demissão? Não? Cês juram?

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O que eu aprendi com o Masterchef

Eu não sei se já disse isso por aqui, mas eu sou viciada em programas de culinária. Qualquer um. Tem uma pessoa atrás de um balcão ensinando a fazer ravióli, bingo, eu tô assistindo. E melhor que um programa de culinária só mesmo se o juntarmos com a segunda melhor coisa que a televisão recente já produziu: reality shows.

É óbvio então que eu estava dando pulinhos e fazendo contagem regressiva para a estreia do Masterchef Brasil. Pra quem não tem a menor ideia do que eu estou falando, é tipo um "Ídolos" de cozinheiros amadores. Os caras vão passando por provas, fazendo pratos e sendo avaliados por chefs que não tem o menor pudor em esculachar as gororobas que são obrigados a provar. É lindo.

Eu amo tanto reality shows de culinária e já assisti a tantos na minha vida (Top Chef, que é feito com profissionais há 11 temporadas, Masterchef Estados Unidos, Masterchef Austrália, Mastechef Reino Unido, Masterchef Júnior, Desafio dos Confeiteiros, The taste etc etc etc) que eu deveria ser contratada para dar consultoria pra essa galera do Masterchef Brasil. Eu não sei cozinhar, faço o basicão mas gente. Se eu fosse os jurados tinha resetado e mandado todo mundo pra casa, porque esses 16 selecionados são apenas ruins demais. O cara faz um baião de dois, que é tipo minha comida preferida da vida e ao invés de queijo coalho coloca um queijo nojento curtido no vinho. Porque vinho e baião de dois: tudo a ver. E ELE PASSOU! Gordon Ramsay chora.



Ontem o desafio foi comida de boteco. Teve vinagrete de polvo, abobrinha recheada, arroz com ovo, x-tudo no pão francês, churros. Queria saber que botecos essa galera anda frequentando que é pra eu não ir lá de jeito nenhum porque né? Porra gente, frita um pastel! Para de passar vergonha!



A situação está tão caótica que o programa deveria ser patrocinado pelo Eno, não pela 51. Por isso hoje eu vim aqui humildemente oferecer meus conhecimentos adquiridos em anos de reality shows para ajudar os jurados do programa que, coitados, estão passando bem mal.

1) Não faça risoto.

Risoto é prático, versátil e todo mundo gosta. Por que não?
Porque vai dar merda. É estatístico, 90% dos participantes que fizeram risoto foram eliminados. Risoto é um negócio amaldiçoado, do capeta, que vai desandar propositalmente só pra foder a vida do incauto que tentar se safar com ele. Repito, não faça risoto.



2) Se está no prato é para ser comido. 

Nada de guarda-chuvinhas, borboletinhas, rosinhas de tomate, casca de abacaxi enroladinha em cima do musse. Botou no prato, é pra comer. Se só serve pra enfeitar, vai servir também pra levar cagada dos jurados.



3) Se você fez uma coisa parecida com tal negócio, não diga que é o negócio.

"Ain, eu fiz um purê de batata, só que com inhame."
ENTÃO NÃO CHAMA DE PURÊ DE BATATA, CÁSPITA! Os jurados vão esperar que seja, vão ficar putos quando descobrirem que não é e você será eliminado.


4) Na dúvida, faça vieiras.

Eu nunca comi vieiras, tenho a menor ideia de que gosto elas tem, mas uma coisa é certa: ninguém jamais será eliminado por causa de vieiras


5) Se entre os dois piores ficar uma sobremesa, a sobremesa sai.

A regra é clara: não faça sobremesa.


Adendo: Namorado, que é tão viciado nestes programas quanto eu, me lembrou ontem de mais uma regra.

6) Se o negócio deu errado, sirva assim mesmo e nunca diga "eu queria ter feito x, mas saiu y"

"Era essa bosta mesmo que eu queria servir, chefe."

Afinal de contas, diz a lenda que o petit gateau surgiu da cagada de um cozinheiro. Nunca se sabe.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Motivos para amar meu trabalho parte XVI

Sábado eu estava ajudando as meninas da secretaria a organizar os contratos em ordem alfabética. Depois de cinco minutos de abecedário da Xuxa "Paula, me passa o B de baixinho", uma delas solta um:

"Paula, me passa o E de 'eita, Giovana!'"

E passamos então a organizar os contratos pelo abecedário dos memes.

S de "Senta lá, Cláudia"
T de "Tá pensando que travesti é bagunça?"
P de "Pedro devolve meu chip!"
V de "Vanessão."
F de "Fíntchi reais."
B de "Bons drinks."
R de "Rei do camarote"
C de "Cacete de agulha."

Até aluno deu palpite. Foi lindo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre a escrita

Hoje, na terapia, eu falei muito sobre escrever.
Eu sempre quis escrever. Desde que me lembro, desde sempre, quando alguém me perguntava o que eu queria ser quando eu crescesse, eu respondia: escritora.
Eu escrevia e ilustrava meus próprios livros em folhas de caderno quando era criança. Eu as dobrava no meio e grampeava, inventei até um logo de editora para colocar na contracapa.
Eu não me tornei escritora dessas que vivem das palavras porque a vida tem dessas, a gente se distrai no meio do caminho e quando vê já está com o tempo totalmente tomado por outras coisas, mas hoje, na terapia, eu percebi que eu nunca deixei de ser escritora. Que eu tenho isso dentro de mim. Fui conversando e lembrando de eventos das últimas semanas que me deram de uma vez por todas a certeza disso.

O primeiro foi assistir a O Grande Hotel Budapeste. Nele, um dos personagens diz que, ao contrário do que todos acreditam, escritores não criam histórias. As histórias sempre existiram e, de alguma forma, elas dão um jeito de encontrar o escritor.

Depois, pesquisando sobre Game of Thrones e sobre o autor, George R. R. Martin, li que ele teve toda a ideia da saga a partir de uma "visão" da cena da ninhada de lobos que é encontrada na floresta, bem no início do primeiro livro.

Por último veio uma palestra da Elizabeth Gilbert, autora de Comer, Rezar e Amar, na qual ela conta como conseguiu superar a pressão de ter que continuar escrevendo depois do maior sucesso de sua carreira. Ela decidiu se voltar aos gregos e aos romanos, que não encaravam a criatividade como algo inerente ao ser humano. Eles acreditavam que ela se originava de algum espírito, alguma divindade que, por uma razão qualquer decidia se manifestar para alguém. Os romanos chamavam esta criatura de "gênio", e diziam que ela vivia literalmente nas paredes dos estúdios dos artistas. Ela encerra a palestra com as palavras que eu traduzi aqui por minha conta:

"...não tenha medo. Não se intimide. Só faça seu trabalho. Continue aparecendo para fazer a sua parte não importa qual ela seja. Se seu trabalho é dançar, dance. Se o geniozinho divido designado para o seu caso decidir que algo maravilhoso será percebido de alguma forma por conta dos seus esforços, então 'Olé'! E se não, dance do mesmo jeito. E 'Olé!' para você mesmo assim. Eu acredito nisso e acho que nós devemos ensinar isso. 'Olé!' para você mesmo assim, só por ter o amor puro e humano e a teimosia de continuar dançando." 

Enfim. Dia desse seu sonhei com uma personagem. Não tinha história nenhuma no sonho, só a personagem. E percebi que meu geniozinho estava me cutucando. Na verdade lembrei que ele nunca deixou de me cutucar. Que ele vive aqui, sentado no meu ombro, mas tem uma ~dona~ meio preguiçosa e procrastinadora, com uma certa dificuldade em tocar seus projetos pra frente. Talvez meu geniozinho nunca venha a me considerar merecedora de grandes obras, mas eu sei que ele existe, e em honra a ele e a mim mesma, eu vou continuar escrevendo. Olé pra mim.

P.S.: Quem quiser ver a palestra da Elizabeth Gilber, tá aqui: https://www.ted.com/talks/elizabeth_gilbert_on_genius. Tem legendas em português. Recomendo muito.

sábado, 19 de julho de 2014

Coisas que só quem cresceu na igreja católica vai entender

Tempos atrás uma moça do trabalho que frequenta a igreja Batista resolveu me perguntar coisas sobre a igreja católica tipo "por que vocês acendem velas?" ou "o que é aquela bolachinha branca que vocês comem?" Achei engraçado ela ter me incluído nas perguntas já que última vez que eu fui à missa foi há 4 anos e foi sem querer. Um amigo do namorado se casou e, sendo muito católico, fez a cerimônia com missa completa, calculem meu desespero. Daí ontem um lindo postou esse link http://www.buzzfeed.com/norbertobriceno/things-people-who-grew-up-going-to-catholic-church-will-u?s=mobile no facebook e eu só pude: rir.

Só quem cresceu indo à igreja católica vai entender a alegria de ouvir o padre anunciando os recados da paróquia porque recados = missa terminando. E o drama da hóstia - pode morder? Eu achava que morder a hóstia era como mastigar Jesus, então eu a apertava com a língua contra o céu da boca e ficava aquela massaroca grudada, um horror. Tinha também o constrangimento de cumprimentar estranhos na hora do "paz de Cristo" - qual é o número mínimo? Pode cumprimentar só a mãe? Se o crush sentar perto pode aproveitar e dar um beijinho no rosto ou é só a mão mesmo? 

E a catequese? Quem fez catequese entende a invejinha dos colegas que são escolhidos para fazer as leituras lá na frente. Ou, no meu caso, o alívio de não ter sido eu. Quem fez catequese sabe como é chegar bem quietinho e sentar no fundão para evitar o olhar reprobatório da catequista na missa seguinte quando faltou na missa anterior. E confissão  antes da primeira comunhão gente, qual o propósito? Calculem os pecados terríveis que uma criança de 11 anos cometeu na vida:
"Padre, eu colei na prova, fiz uma caricatura da professora e belisquei minha irmã."

Quem cresceu indo à missa conhece as técnicas de fingir que sabe a letra daquele hino que não está no folheto, de ajoelhar sentado, de simular gripe na missa de sábado de aleluia, também conhecida como "missa infinita". Também já quis ser o anjinho da procissão, já bateu de porta em porta arrecadando prenda para o bingo, já foi a Aparecida acender vela do seu tamanho pra pagar promessa da avó, já se confundiu com o sinal da cruz. 

Eu me confundo até hoje. Mas eu não vou mais à igreja. Só se for sem querer.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

12 de Julho de 2014

Não adianta fazer essa cara de superior e tentar se convencer de que, ah, foi só um jogo, futebol é assim mesmo, essas coisas acontecem. Esqueça, não vai rolar.

Não adianta repetir para si mesmo mil vezes na esperança de que se torne real que, veja bem, você já sabia que ia dar merda. Que você estava preparado para a merda. Esqueça, você não estava.

Eu não estava. A turma do "não vai ter Copa" não estava. Os urubuzinhos que previram que ia dar tudo errado não estavam. A galera que jurou de pé junto que a Copa estava comprada, esses menos ainda.

No entanto aconteceu. E você, eu e todo mundo que já tem idade para se lembrar, todos nós vamos ter que conviver com o fato de que a enrabada que a gente levou da Alemanha foi histórica sim. E vamos contar para os nossos netos sim, vamos falar da melhor Copa do mundo com um sorriso no rosto e aquela dorzinha no fundo peito.

Daqui a alguns anos eu vou usar o dia 8 de Julho para ensinar meus aluno sobre o past continuous: "What were you doing on July 8, 2014?" Porque todo mundo vai se lembrar.

Eu não vi o jogo. Fiquei enrolando na porta do bar para entrar de papo com um amigo já estava indo embora e quando me dei conta já era 5 x 0. Desencanei. Desencanamos. Subimos a rua Aspicuelta esperando ver ares de cortejo fúnebre mas a verdade é que àquela hora a galera estava ocupada tentando se convencer de que era mentira. Acho que foi isso. Ninguém acreditou até o juiz apitar o fim da partida, e aí já estava todo mundo tão bêbado que restou a uma meia dúzia de idiotas queimar uma bandeira e o resto ficou por lá, tomando mais uma cerveja.

Mas zica pouca é bobagem, meus amigos. Esta pessoa aqui tinha ingressos para a disputa do terceiro lugar ou, como chamarei daqui em diante: para o jogo mais triste da história. Quando os ingressos foram comprados obviamente cogitou-se essa possibilidade - vai que é jogo do Brasil. Mas ninguém esperava que fosse desse jeito.

E assim fui eu, dia 12 de Julho de 2014, para o jogo mais triste da história. Um dia lindo em Brasília, de um céu azul que só a capital federal sabe fazer. Conheci o metrô brasiliense, a rodoviária, peguei ônibus, fiquei no sol. Vesti verde e amarelo, cantei o hino à capela, eu que até então só conhecia o Pacaembu fiquei maravilhada com a imensidão do Mané Garrincha lotado. E nós perdemos. De novo. Bebi mais cerveja do que pretendia, voltei pra casa com 19 (sim, dezenove) copos comemorativos da Budweiser e um chaveiro do Fuleco. Já de noite, sem o sol na cabeça, resolvemos fazer o trajeto estádio-metrô a pé. E foi a decisão mais acertada do dia.

Não tinha ninguém triste pelo caminho. O clima era meio ok, ninguém se importa. Nós fizemos a nossa parte. Nós apoiamos o moribundo até o final e só abandonamos o barco quando vimos que não haveria sobreviventes. Todo mundo voltava devagar, famílias inteiras, casais, grupos de amigos bêbados entoando "Mil gols! mil gols! mil gol mil gols mil gols! Só Pelé! Só Pelé! Maradona cheirador!" E Brasília, iluminada de verde e amarelo, nos abraçava como quem diz "Tão vendo? Já passou. Ninguém mais lembra daquele 7x1." E naquele momento ninguém lembrava mesmo.


Traz a saideira da Copa, garçom!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Como (tentar) ser vegetariano numa família italiana

De uns tempos pra cá passei a me interessar de verdade pelo vegetarianismo. Nunca gostei muito de carne mesmo, e como almoço dia sim outro também em um vegano delicioso ao lado do trabalho, comecei a cogitar como seria minha vida sem salame, coxinha ou hambúrguer e pensei “por que não?”

Por que não?

Vejamos. Eu, como boa parte da população brasileira, sou de família italiana. Corre nas minhas veias o autêntico sangue Picco Foltran, vindo diretamente da bota no início do século XX. Ok, no meio do caminho ele se misturou com os magnatas (só que não) do azeite português Oliveira Borges, mas ainda assim em casa sempre fomos mais team pizza que team bacalhau.

Muitos de vocês sabem o que significa ser de família italiana. Significa que sua mãe vai te ligar te chamando para almoçar na casa dela e ao ser indagada sobre quem vai responderá: ah, só a tia Maria e uns primos.

Só a tia Maria e uns primos = 40 pessoas.

Nos aniversários, quando sua mãe disser “nem vou fazer nada, só um bolinho”, você já sabe. Só um bolinho = um bolo de 10 quilos, nhoque, um cabrito assado inteiro, bife a rolê, maionese, talharim ao molho branco, polpetone, frango assado, caponata de berinjela, cinco tipos de queijo, seis tipos de frios, torta de morango, doce de abóbora, gelatina de abacaxi com creme de leite, pudim de leite condensado e manjar branco.  E sim, você vai experimentar um pouco de tudo e levar as sobras para casa. Porque um atestado de que uma mãe italiana falhou em sua missão na terra é o filho sair da casa dela sem carregar no mínimo cinco tupperwares cheios.

Calculem, portanto, o tamanho da traição que seria eu me tornar vegetariana numa família de italianos.

“Então, mãe, eu resolvi parar de comer carne.”

“Ai, lá vem você com essa história de novo, já falei que é só uma fase.”

“Não mãe, é sério. Eu não como mais carne.”

“Mas essa bracciola com bacon que eu fiz hoje você vai comer, né?”

“Não, mãe, bracciola é feita de carne.”

“Ai, mas é só um pedacinho.”

“Mãe...”

“Se você não comer a bracciola vai comer o que?”

“Eu posso comer o macarrão com molho de tomate. E a salada.”

“Você vai ficar doente”

“Não vou não, mãe, existem outras fontes de proteína além da car...”

“Mas e o ferro? Onde você vai conseguir ferro se não comer um bom de um fígado acebolado uma vez por semana?”

“Mas mãe, eu nunca comi fígado.”

“Por isso está com essas ideias idiotas de parar de comer carne!”

“Mãe...”

“Onde foi que eu errei, heim? Criei você e sua irmã do mesmo jeito e agora você me vem com uma dessas?”

“Puxa, mãe, acho que você deveria respeitar minhas escolhas, eu já sou adulta.”

“Suas escolhas? Então você escolheu apunhalar sua mãe pelas costas?”

“Muita gente vive assim, sabe? É saudável e protege os animais.”

“Muita gente, muita gente. São essas companhias que você anda por aí. Sabia que a faculdade de Letras ia acabar te levando para esses caminhos. Andar com gente que não come carne, onde já se viu.”

“Olha mãe, eu já decidi, ok? Você não pode fazer nada.”

(Mãe suspira dolorosamente)


“Você não pode comer só macarrão, vou grelhar um filezinho de frango para acompanhar.” 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Réxitégui vidadetchítcher

Fechando as notas dos alunos chego à conclusão de que o sistema, além das opções aprovado e reprovado deveria ter a opção aprovado naquelas, né? Compartilho a ideia no FB e as caléga professora tudo já se junta pra desenvolver o conceito. Sugerimos, portanto, que o sistema de notas inclua as seguintes opções:

Aprovado pela simpatia
Aprovado porque demostra um puta interesse mas...
Aprovado pela educação
Aprovado pelas camisetas legais
Aprovado por aquela vela que a vó acendeu
Aprovado por preguiça de elaborar prova de recuperação
Aprovado porque lembrou do dia dos professores
Aprovado porque é fofinho
Aprovado pra não reprovar duas vezes o mesmo livro
Aprovado porque deos me livre ver sua cara semestre que vem de novo



Fácil, não está sendo

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Contribuindo para a humanidade

Dizem que existe no cinema uma certa regra dos 20 anos (acho que são 20, sei lá, me corrijam). Ela diz que se você assistir aos filmes que amava na infância depois de 20 anos e ainda gostar deles, é porque eles são bons mesmo. No meu teste já tinham sido aprovados Conta Comigo e Labirinto. Nesse fim de semana foi a vez de Os Goonies.

O que é que tem para não amar em Os Goonies? Tem tiros, perseguições, defuntos, piratas, piadas de peido, música da Cindy Lauper e até uns beijinhos adolescentes entre o gatinho e a cheerleader. E tem Sloth, gente. Como não amar o Sloth?

Eu gostava tanto dos Goonies quando era criança que, na feira de ciências da escola, inventei de reproduzir o esqueminha de abrir o portão da casa do Mickey. Descobri a tempo que seria missão impossível já que os Goonies foi dirigido pelo Spielberg e eu contava apenas com a minha mãe, os moleques do grupo e meia dúzia de palets pra realizar minha obra.

Sábado teve festa do pijama na escola. Dormimos lá, eu, a secretária, o segurança e mais 15 crianças entre 9 e 12 anos. O plano era cansar bastante todo mundo com caça ao tesouro, pega-pega, Just Dance, pizza e, lá pela meia noite, baixar a adrenalina e botar a galerinha pra dormir com um filme. E eu resolvi fazer um favor para essa geração e apresentar os Goonies pra eles.

Eu já tinha tentado antes e fracassado. Eu entendo. Para a molecada de hoje um filme com efeitos especiais modestos, ritmo um pouquinho mais lento e, o horror, o horror, que não tem 3D nem foi lançado semana passada já entra automaticamente na categoria "aff, que bosta". Mas eu sou brasileira e resolvi tentar de novo.

E deu certo. 15 crianças que riram, não piscaram os olhos e até soltaram uns "oooh!" de vez em quando. No fim do filme veio um "gostei, tchítcher!"

Mission accomplished. Já fiz minha contribuição para a humanidade, beijos.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Paciência: tem mas acabou

Porque Grumpy Cat me representa.



"A professora precisa de um aparelho de som porque não tem nenhum na sala."

"Todas as salas tem aparelho de som, onde vocês estão?"

"Lá em cima."

"Na sala da lousa interativa?"

"É."

"Então diz pra ela tocar o CD no computador."

"Ah, tá."

Dois minutos depois a aluna volta.

"O som do computador não está funcionando."

"Ela ligou a caixa de som?"

"Não sei."

Vou até a sala. Ela não tinha ligado a caixa de som. 

Se tivesse American Idol de burrice a pessoa não poderia participar, porque American Idol não aceita profissionais, só digo isso. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Monty Python way of life

Então uma conversa desse tipo tem acontecido cerca de 10 vezes diariamente. Aí vocês me digam se não é o caso de sair gritando feito louca na rua.

Pessoa diz uma groselha qualquer tipo: "O Tiririca aprovou o fim do décimo terceiro." (só que normalmente as groselhas dela são no nível profissional)

Eu, educadamente, corrijo: "Mas olha, o Tiririca sozinho não tem o poder de aprovar nada, onde você leu essa notícia?"

Pessoa retruca: "Não não, você não entendeu. Eu disse que o Tiririca sozinho não tem o poder de aprovar nada."

Pensando em aceitar a sugestão de uma colega de responder com um "não, mas o Tiririca vai sim aprovar  o fim do décimo terceiro" e transformar a conversa num sketch do Monty Python. Pelo menos eu ia me divertir um pouco ao invés de passar raiva.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Sobre Machado de Assis

Oi coleguinhas, tudo bem? No episódio de hoje de "Tia Paula comenta as polêmicas nas redes sociais" temos a escritora que teve a brilhante ideia de simplificar os livros de Machado de Assis para deixá-los ~mais acessíveis~ aos xófens. Uma pegada meio "vocês são todos burrinhos mesmo, então deixa a tia dar aquela mastigada no Machadão para vocês." Sobre isso eu poderia escrever um texto enorme, mas vou resumir minha opinião em um tuíte:




Como esse blog é diarinho, o comentário é só esse mesmo. Essa introdução toda foi só para contar para vocês a minha historinha traumática de clássico mal trabalhado em sala de aula (que tanto não me traumatizou que eu fui para a faculdade de Letras).

1992. Menina Paula estava na oitava série de um colégio público na vila Mariana, em São Paulo. O tema do semestre em Língua Portuguesa (só chamava Literatura a partir do ensino médio) era o Romantismo, e que maneira melhor de trabalhar isso em sala do que fazer os alunos lerem os livros e depois apresentarem seminários a respeito de histórias que eles não entenderam?

Professora dividiu a sala em grupos, atribuiu um livro para cada um e especificou que os seminários tinham que ser ~criativos~. Meu grupo ficou com Inocência, do Visconde de Taunay. Nunca ouviu falar? Imagina a gente, na oitava série e sem internet.

As meninas riquinhas filmaram em VHS uma versão reduzida de Senhora na beira da piscina do prédio com as roupas da avó. Outra turma fez um Guarani anos 90, com Ceci de camiseta do Nirvana e brigas de gangue. Eu, já dando sinais da brilhante carreira que teria na dramaturgia, escrevi um roteiro que contava com o Gil Gomes anunciando a prisão do jagunço *SPOILER ALERT* que, no final do livro, mata o médico que era o amor da Inocência. Como meu grupo só tinha meninas e a única personagem feminina morre de desgosto, todas tiveram que se vestir de homem e eu, além de roteirista, tive que fazer o papel do botânico alemão que era apaixonado pela Inocência - subi no palco de bermudinha cáqui, rede de caçar borboletas (onde arrumamos uma gente, onde?) e sotaque. A imitação de Gil Gomes da minha colega merecia um Tony. Tiramos 10.

Lembro do livro até hoje. Aprendi sobre o Romantismo? Não. A abordagem está toda errada? Claro que sim, mas o buraco é beeeem mais embaixo. E reescrever Machado de Assis trocando sagacidade por esperteza não vai resolver o problema.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Um post motivacional (ou não)

E da próxima vez que eu abrir a boca para reclamar de alguma zica vou lembrar da historinha de hoje.

Umas semanas atrás uma aluna que tinha sofrido um acidente e estava de bengala há um tempão me contou, toda feliz, que ia passar por uma cirurgia para se livrar da bengala de vez.

Pois bem.

Hoje ela me liga:

"Então, Paula, lembra do dia que eu te contei que ia me livrar da bengala? Saí da escola e FUI ATROPELADA DE NOVO. Mais dois meses de molho sem sair de casa."

Acho que vocês deviam se inspirar nessa história também, galera. Ou não né, cada um sabe das zicas que tem.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Causos de dona Neide

Estou aqui no trabalho curtindo uma dor de ouvido nível jesus me leva e lembrei de uma história dessas que só mãe mesmo para protagonizar.

Era um feriado de Páscoa bem frio e eu tinha passado dois dias com essa mesma dor de ouvido. Já tinha tentado de tudo, todos os remédios, analgésicos, até a toalhinha quente old school e nada. No terceiro dia, fim de tarde, não aguentei mais e pedi arrego - minha mãe me levou ao hospital.

Feriado em hospital do interior né? Só mediquinho novinho residente. Aquele, por um acaso, calhou de ser bem bonitinho. Não que eu estivesse em condições, só quem já passou três dias com dor de ouvido nível arranca essa merda fora sabe do que eu estou falando, enfim. Expliquei meu drama e ele saiu para buscar o otoscópio na outra sala.

Doutor botou o pé pra fora, levei um peteleco da minha mãe:

"Você podia PELO MENOS ter penteado esse cabelo, né?"

Eu querendo morrer há três dias e ela querendo me arrumar namorado. That's dona Neide we know and love.



terça-feira, 22 de abril de 2014

Começando bem a semana

Eu sou uma eterna otimista e gosto de achar que o mundo é a minha TL do twitter, cheio de gente fofa, engraçada, interessante, que respeita as escolhas alheias e as diferenças. Infelizmente o munda tá aí esfregando diariamente na minha cara que oi, ele não é assim não. Não passa nem perto inclusive.

Aula particular. Aluna tem uns 30 e poucos anos, cargo de gerência em empresa grande, independente, etc e etc. Não sei bem em que momento o assunto chega em "adolescência". E aí começa o massacre:

"Olha, teacher, não sei não, mas esses adolescentes de hoje estão muito mudados. Quando eu tinha 13 anos não queria saber de namorar, tinha outras preocupações na vida. Outro dia fui ao shopping e vi duas meninas de mãos dadas, essa molecada tá perdida. Antigamente não tinha isso não, e olha, acho que é isso que está acabando com as famílias."

Bolsonaro mandou um abraço, risos.

Minha vontade é responder "Fia, você não é divorciada? Então, 40 anos atrás também não tinha isso não. Inclusive tinham certeza que era o divórcio que acabava com as famílias. Aliás, se tu fosse divorciada 40 anos atrás não tinha arrumado um namoradão bacana assim tão rápido porque né? Mulher divorciada era tudo puta."

Semana começa com Tati Bernardi, Pondé e aluna homofóbica, tá fácil viu.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O famigerado argumento da inveja

Sábado embarquei no Cometão velho de guerra para visitar minha mãe no interior. Acho digno de nota o fato de que sim, eu estava num mau humor do cão, Sábado na firma é sempre um drama e eu tinha saído de lá correndo antes que mais um pepino despencasse na minha cabeça.

Enfim, estava lá na minha janelinha, curtindo um ar-condicionado e pronta para consumir mais alguns capítulos de Contato quando de repente alguns bancos atrás de mim surge um som que deve ser a trilha sonora da galera que atravessa os portões do inferno. Era uma cruza do capeta entre Calipso e Ninjas da Arrocha saindo diretamente do celular de um abençoado que percebeu exatamente o momento em que eu me virei e fuzilei o cidadão com o olhar.

O problema nem era o Arrocha, juro. Acontece que eu estou quieta no meu canto, cansada, doida pra terminar de ler meu livro e não quero ter que ouvir a música de ninguém, seja ela sertanejo ou rock. Dono do celular obviamente ignorou meu olhar de insatisfação e continuou com seu bailão particular. Olhei mais uma vez. Mais duas. Na terceira ele resolveu me desafiar e, além de aumentar o volume, começou a cantar junto. Aí achei vandalismo.

Fui até a cabine do motorista e pedi uma intervenção. Ele parou o ônibus no acostamento e se dirigiu ao DJ do Cometão.

"FOI AQUELA MULHER DE SAIA ROSA QUE RECLAMOU, NÃO FOI?"

"Senhor, não importa, o som está alto e todos os passageiros se incomodam."

"EI SEI QUE FOI AQUELA MULHER DE SAIA ROSA, É ASSIM MESMO, AS COISAS NÃO VÃO PRA FRENTE NA VIDA DAS PESSOAS E ELAS TEM INVEJA DE QUEM TEM AS COISAS!"

"Senhor, por gentileza, coloque o fone ou abaixe o volume."

"JÁ TÔ ABAIXANDO, MAS QUE CRIATURA MAL AMADA, NÃO QUER OUVIR MÚSICA FICA EM CASA UÉ!"

Não quer ouvir música fica em casa ~risos~. Nem vale a pena tentar argumentar que né, é exatamente o contrário meu senhor: quer ouvir música no volume que bem entender fica em casa.

Enfim. Só contei essa história para demostrar que se a gente já desconfiava que o argumento da inveja estava superado, agora a gente tem certeza.


sexta-feira, 4 de abril de 2014

Professor de Inglês - FAQ

Galera que me acompanha no Facebook e na vida real sabe que tenho passado maus bocados com alguns professores de Inglês que tem aparecido na minha equipe. Por isso, enquanto professora há 16 anos, elaborei um FAQ sobre ser professor de Inglês que todo iniciante deveria ler. Por favor, repassem:


P: Eu nunca dei aula na vida mas morei seis meses na Austrália, posso ser professor de inglês? 
R: Aí depende, coleguinha. Primeiro precisamos verificar se seis meses na Austrália deixaram seu inglês proficiente. Por proficiente, para os leigos, entendemos no mínimo 600 horas de estudo bem feitas. Se você lavava pratos, morava com não nativos e não fazia aulas regulares, acho pouco provável que você tenha atingido proficiência.
Mas digamos que tenha. Você, tecnicamente, também é proficiente em Português. Você se acha qualificado para dar aulas de Português? Então ser proficiente não basta.

P: Mas pra dar aula não é só seguir as instruções do livro do professor?
R: De novo, coleguinha, depende. Não sei onde você estudou Inglês, mas qualquer professor minimamente treinado sabe que livros são publicados, teses são defendidas, convenções são organizadas para se discutir o ensino de língua estrangeira. Se ensinar outra língua fosse realmente apenas seguir instruções, imagino que todos estes esforços estariam sendo poupados e 90% da população seria fluente. Você ensina um idioma para pessoas e seguir uma receita de bolo não vai funcionar com seres humanos. Pessoas diferentes, resultados diferentes.

P: Tá, mas eu preciso de uma chance pra começar, né?
R: Sim, todo mundo precisa de uma chance. Entretanto antes de mais nada eu preciso explicar que ser professor de Inglês é um trabalho como qualquer outro. Você deve cumprir horários, fazer relatórios, comparecer a reuniões,  planejar aulas, respeitar um cronograma, corrigir provas e tarefas. Não é só entrar na sala, abrir o livro e confiar no seu carisma. Se você faltar no seu emprego na ~firma~ o máximo que vai acontecer é seu trabalho ficar atrasado. Se você faltar na sua aula como professor, outras pessoas terão que se mobilizar para te substituir e seus alunos podem se sentir um tanto incomodados por ter aula com outra pessoa, o que eu acho compreensível. A relação professor-aluno é, antes de tudo, de confiança, e se você não corresponde a produtividade da turma fica comprometida. Ser professor de inglês é uma profissão, não é uma coisa que se faz nas horas vagas.

P: Professor de Inglês ganha mal?
R: Eu não quero enganar ninguém, meu amigo - ninguém fica rico dando aulas de Inglês. Você pode até encarar aulas de Inglês como uma coisa que você está fazendo enquanto não termina a faculdade ou não consegue um trabalho na sua área. Mas, no momento, dar aulas É o seu trabalho e todo mundo espera que seja feito com qualidade e dedicação. É o mínimo. Agora, se você decidiu que é isso que quer fazer da vida, como eu decidi, ajuda bastante aceitar o fato de que, na maioria das vezes, professor de Inglês é freelancer. Ganha por hora, mesmo que tenha registro em escola e tal. Isso significa que ele tem que se virar pra conseguir muitas aulas, ter alunos particulares, dar aulas em empresas, que costumam pagar o triplo do que as escolas pagam. Não pode escolher trabalho - professor que chega pra mim com mimimi não dou aula pra básico, mimimi não dou aula de sábado, já sei que não é profissional.
Se você estudar, se qualificar, for um bom profissional, formar uma boa rede de contatos e se destacar nesse mar de curiosos que habita nossa profissão, dá pra ter um rendimento bem digno e com horários bem flexíveis, fazendo um trabalho muito gratificante. Se você encara como um hobby, é assim que as coisas serão pra você - trabalhos esporádicos, três aulinhas por semana, hora-aula baixa.

É isso, coleguinhas. Se algum colega de profissão quiser adicionar um item nesta lista de perguntas e respostas, fique a vontade. Por um meio com menos curiosos e mais profissionais.


sexta-feira, 21 de março de 2014

A odisseia da Leroy Merlin

Ok, não foi bem uma odisseia, mas me deixem exagerar só um pouco, vai.

E nessas coisas de ser adulta e tals, precisei comprar o resto do meu piso para terminar as obras do apartamento, já que a sobra do piso da minha mãe não era suficiente. Fui até a Leroy Merlin da marginal Tietê, encomendei o laminado, paguei 100 reais de frete e uma semana depois, como combinado, fui até o apartamento as 7 da manhã aguardar a entrega que seria feita até o meio-dia. Cochilei no chão em cima de um tapetinho de cozinha, li, briguei com o 3G de TIM que insiste em não funcionar ali, acabei com minhas vidas no Candy Crush, no Farm Heroes E no Jelly Splash. Quase zerei Plants x Zombies 2. Leroy não veio. Telefonei para a central e a única resposta foi: vamos entrar em contato com a loja e retornamos com uma posição.

Retornaram pra você? Pra mim também não. Só quando acionei o Reclame Aqui uma abençoada me ligou, disse que entraria em contato com a loja (ai gente, de novo?) e perguntou qual era o melhor horário para retornar a ligação. Respondi que qualquer horário naquele dia menos entre 18h30 e 20h00  pois eu estaria em aula. Adivinhem que horas retornaram?

Sim, 18h45. Deve ser doença, só isso explica. Mas eis que algum querido teve um lampejo de lucidez naquela central e me ligaram novamente 20h30 colocando a culpa na vendedora que "não sabia que aquele material leva uma semana só para chegar loja." Culpa da vendedora, sei.

Remarcaram a entrega pra hoje, mesmo período. 7 horas da manhã tô lá com tapetinho, tablet, celular, água, chocolate e paciência. Mentira, paciência não. Meio-dia e nada. Ligo para a central. Ninguém sabe de nada, como de costume, pois a única coisa que podem fazer é acionar a loja e pedir para a loja me ligar. De novo. Looping eterno desse sistema infernal de passar o problema pra 500 pessoas e ninguém resolver nada. Ligo de novo e dessa vez atendente digita digita digita e me diz que a entrega estava marcada das 13h00 as 18h00. Micro (mentira, macro) surto. Vocês me expliquem porque diabos eu marcaria a entrega para o período da tarde sendo que eu trabalho no período da tarde, seus gênios? Ligo pra escola e aviso que não vou, já pode matar um?

Almoço um sanduíche do posto do outro lado da rua e fico sentada na calçada, único lugar onde o 3G da TIM funciona. 3 da tarde ligo pro namorado pedindo pra ele acionar o Reclame Aqui de novo já que com 3G cagado não consigo. Estou no celular com ele quando vejo um cidadão descer de um caminhão com uma prancheta com o logo da Leroy. Sim, é a minha entrega. Carregador olha os 300 metros que separam a portaria da entrada do prédio e diz:

"A gente só carrega até 7 metros, a Leroy não avisou?"


Risos. Tô tão puta nesse momento que já estou quase tirando as caixas do caminhão eu mesma (só que não, são 10 e cada uma deve pesar uns 20 quilos) e começo a chorar.

Sim, eu chorei na frente dos entregadores da Leroy Merlin e do porteiro do prédio.

Não, eu não me orgulho disso.

E não, eu não estava usando o choro como uma tentativa de manipular os sentimentos deles. Eu estava emputecida mesmo, de saco cheio de falar com gente que não tem a menor ideia do que está acontecendo, de ter que lidar com um sistema burrísimo, de ficar no calor, no chão duro, de ter milhões de coisas pra fazer e estar lá esperando aquela bendita entrega pela segunda vez. Estava classemédiasofrendo de maneira belíssima.

Mas o fato é que o entregador  colocou as caixas no carrinho e levou até o meu apartamento. E agora eu tenho um lindo piso laminado cor nogueira italiana pronto para ser colocado.

Ainda tem o instalador. No aguardo de novas emoções.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Post atrasado de carnaval

Essa coisiquinha tchuc tchuc toda feliz na foto abaixo sou eu:



Essa outra, não tão feliz, também.




Essa última, meio "num tô entendendo issaqui", euzinha:


Eu gosto de me fantasiar até hoje, imaginem então quando criança. Era uma festa. Tenho muitas, incontáveis fotos minhas vestindo fantasias de todos os tipos, menos um: eu nunca tive fantasia de princesa.

Não, lá em casa não éramos feministas nem descoladas (se bem que minha mãe é sim, feminista sem saber). Só acho que nos anos 80 as coisas não eram tão quadradinhas como são hoje - menina gosta de rosa, de princesas, de coisas fofinhas. Eu tive Barbies, muitas. Mas mais do que Barbies, eu tive opção. Eu podia entrar numa loja de roupas e de brinquedos e escolher qualquer coisa - inclusive as rosas e fofinhas, se me agradassem (não agradavam, vide minhas fotos de criança).

Tente comprar qualquer coisa para uma menina de seis anos hoje (sim, eu tentei) pra ver o que acontece: você fatalmente será soterrado por bonecas, joguinhos e fantasias de princesa. Se quiser comprar livros, olha, tá quase que igualmente lascado - é praticamente tudo no mesmo naipe. E, sem generalizar mas já fazendo: experimente tentar presentear a pequena com alguma coisa mais ~alternativa ~. Grandes chances de levar um olhar reprobatório dos pais.

Ano passado, no bailinho de carnaval da escola, as meninas se dividiam em princesas, obviamente, e uma ou outra fantasia clássica (havaiana, baiana, odalisca, etc.). De repente no meio delas, surge aquela que sempre foi meio descolada mesmo - vestida de ovo frito. Juro. Felizona. Me deu vontade de procurar a mãe na saída pra dar um abraço.

Porque eu não quero um mundo de menininhas vestidas de ovo frito. Quero um mundo de menininhas felizes porque podem vestir qualquer coisa. .

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Aventuras da tia no condomínio

Tempos atrás eu anunciei aulas particulares de inglês no grupo do condomínio no facebook. Eu sei, eu sei, porque eu iria querer dar aula para aquela gente fina, elegante e sincera que habita minha vizinhança, mas o que a gente não faz por dinheiro amor à profissão né?

Choveram interessados. A maioria achando que ia ter duas horas semanais de aula, particular, em casa, pagando 150 reais por mês. Assim que eu passava os valores a pessoa nem me respondia mais. Aliás, recadinho pra galera que acha caro: eu estudei aí uns bons 6 anos da minha vida pra chegar a um nível de inglês adequado para dar aula. 6 anos só estudando língua. Coloca aí também todos os cursos, especializações, certificados para ser professora e o caramba, tem mais uns 3 aninhos na conta. 9 anos investidos na área, mas se você acha minha hora-aula cara pode pagar 25 conto para aquela sua prima que terminou o curso avançado da Wizard. You get what you pay for. Fora que 300 reais numa progressiva ninguém reclama, beijos.

Desencanei. Daí uns dias atrás um cara do condomínio me mandou um e-mail. Passei os valores e ele, milagrosamente, respondeu que queria conversar comigo pessoalmente para ver o material e etc.Tudo por e-mail. Disse que me interfonaria quando chegasse do trabalho e assim fez. Segue a conversa:

"Oi, aqui é o fulano, você pode subir no meu apartamento pra gente conversar? É o meia um da torre 4."

Fui. Toquei no 61 da torre 4 e uma cara atendeu a porta:

"Oi fulano, tudo bem? Vamos conversar?"

"Er... vamos... sobre o que?"

Insira GIF de FOM bem grande aqui.

"Você não é o fulano, né?"

"Não."

"E o fulano nem mora aí, né?"

"Não."

Final da história: era apartamento UM meia um. Começo a achar que namorado tem razão quando diz que eu sou surda.

Em tempo: o rapaz do UM meia um é um fofo, tem um gato preto lindo e fechou as aulas sem pechinchar. Aleluia.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sobre o que eu ando fazendo

Não que interesse a alguém mas né, o blog é diarinho mesmo então vim aqui dar satisfação.

Voltei a correr, devagar e sempre. A meta (porque já vi que o negócio funciona assim) é fazer duas corridas de 5K no primeiro semestre e uma de 10K no segundo. Nesse ritmo aos 80 anos correrei uma maratona.

Descobri que eu gosto de correr por dois motivos: 1) É solitário. Já tenho minha cota de interação social no trabalho e com os amigos e família, tô bem assim, obrigada. e 2) É democrático. Quando você participa de corridas (ou só assiste as mais longas) vê todo tipo de gente lá, velhos, gordinhos, feios, ricos, pobres. Todo mundo pode correr e eu acho isso lindo.

Estou lidando com o apartamento novo. Tenho tido bastante sorte com prestadores de serviço em geral, todos tem sido pontuais e honestos. Minha mãe me deu metade da metragem do piso de madeira que sobrou da reforma dela (minha mãe e eu teremos pisos iguais, ó que fofura) e acho que isso é um sinal irrefutável de que a vida adulta bateu em minha porta e eu abri - ganhei material de construção ao invés de roupas ou maquiagem.

Estou tentando acompanhar Big Brother e ler dois livros ao mesmo tempo, vejam só que coisa impressionante. Já fiz isso outras vezes e garanto que é possível. Big Brother é meu guilty pleasure, embora eu ache mais divertido acompanha-lo pelo twitter ou pelos blogs de zoeira.

Sim, estou lendo dois livros ao mesmo tempo. Sou péssima para resenhar livros ou filmes então vou falar brevemente de cada um deles. O primeiro é Contato, do Carl Sagan. Acho que nunca disse isso por aqui mas sou uma eterna aluna de humanas apaixonada por ciência. Devoro livros para leigos sobre o assunto e fico triste por ter demorado tanto para descobrir Carl Sagan, esse lindo. Segundo livro dele que eu leio e apenas apaixonada. Amo gente que escreve sobre coisas absurdamente complexas tipo radioastronomia como quem conta uma história de aventura.

O segundo livro se chama A luz através da janela e eu ganhei do meu sogro de natal. Acho que o principal motivo dele ter me dado esse livro é o fato de ter protagonistas mulheres e sim, nisso ele acertou completamente. Incluindo Contato, arrisco dizer todos os 10 últimos livros que li tinham protagonistas mulheres. A história é contada em dois tempos, 1998 e 1944, e fala da participação de mulheres como espiãs na França durante a Segunda Guerra. É bem escrito (ou bem traduzido), o enredo é bem interessante (o de 1944, o de 1998 tem uma mocinha chatérrima, chorona e carente) e é aquele esqueminha meio novelão, best-seller. Você vai lendo e já imaginando o rosto dos atores que farão os personagens no cinema. Estou gostando, não vou mentir. É leitura de entretenimento e a gente precisa disso de vez em quando.

Estou de férias no trabalho e tendo crises de ansiedade absurdas, como eu não tinha há uns 10 anos. Lembro que na época eu não fiz nada, elas passaram, mas dessa vez estou com vontade de fazer alguma coisa, só não sei o que ainda. Vocês aí que lidam com isso, como fazem?  Fui ao médico semana passada e o veredicto da dotôra foi que eu estou muito abaixo do peso. Me deu uma bronca e me pediu uma série de exames. E nem adiantou eu dizer pra ela que oi, esse é meu peso, eu não faço regime, sou mais feliz no Mocotó que no shopping. Tô aqui com a recomendação de diminuir o ritmo da corrida e ganhar dois quilos.

Vou à Mendoza quinta-feira tomar vinho e falar espanhol. Namorado a uma hora dessas está a 4 mil metros de altura no Aconcágua e vou encontrá-lo na descida. Acho que um pouco da ansiedade é, pela primeira vez em seis anos, não conseguir falar com ele diariamente. Chegue logo quinta-feira, por favor.

P.S.: esse post foi escrito aos poucos ao longo de Janeiro e nesse meio tempo eu li também Persépolis e apenas ~corações~

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Presente!

Namorado de vez em quando ri, um pouco incrédulo, quando falo dos meus ~amigos da internet~, mas a verdade é que essa tal internet, desde o início, só me trouxe gente maravilhosa. Gente que jamais teria entrado na minha vida se não fosse pela ~rede mundial de computadores~.

Uma dessas lindas é a Juliana, que tem um blog diarinho (como ela mesma gosta de definir) muito fofo chamado Fina Flor. Amo blog diarinho (o meu também é, afinal de contas, só que não tão fofo), eles fazem com que eu me sinta muito próxima de gente tão distante de mim. E a gente acaba mesmo ficando tão próxima que a Juliana, sem nunca ter me visto pessoalmente, sem nunca ter ouvido minha voz, me deu um presente e acertou tanto, tanto, que acho que nem minha mãe acertaria assim. Nós temos várias coisas em comum, estudamos Letras, somos professoras (embora ela seja muito mais corajosa que eu, já que enfrenta 30 adolescentes de uma vez, coisa que eu já desisti de fazer), amamos ler. A Juliana escreve com um cuidado e uma delicadeza que eu não tenho, sou meio bronca, não seleciono muito as palavras e vou colocando as coisas assim, meio de qualquer jeito. Parece que é fácil pra ela escrever e eu adoro ter essa sensação quando pego um texto. Detesto aquela escrita pesada, cheia de um vocabulário pescado lá do fundo de nem sei onde. Aquele texto que dá a impressão que a pessoa se esforçou tanto pra elaborar que morreu no final, de tanto cansaço. O Fina Flor não é assim, definitivamente.

Daí vocês leram esse monte de elogios e se perguntaram "mas por que raios a Juliana deu um presente para você se já passou um mês do seu aniversário?"

Ah, vocês não se perguntaram isso? Azar, porque eu vou explicar assim mesmo.

Todo ano ela faz um sorteio lá no Fina Flor. A pessoa sorteada ganha um presente e tem que escolher alguém para ganhar outro. Como a minha cota de sorte eu gasto com coisas idiotas tipo pegar a manicure mais rapidinha na véspera do ano novo, eu não fui sorteada. Mas a Amanda foi, e me indicou pra ganhar o outro presente.

Conheço a Amanda dos tempos do Orkut (sdds orkut). Já fiquei bêbada na casa da Amanda. Já dei barraco na casa da Amanda. Ela nem imagina, mas anda me ensinando coisas que eu nem sabia que queria aprender sobre parto humanizado, educação montessoriana etc. Sim, porque além de ser fofa, engraçada, escrever muito bem e ter tatuagens legais a Amanda também sabe fazer filhos lindos como ninguém. Corram lá no blog dela pra dar uma conferida.

Opa, e o presente da Juliana?

Tá aqui:


Nunca gostei da Clarice (muita polêmica, muita confusão), mas amo o Sabino um tanto que eu queria que ele fosse meu tio de ir fazer churrasco em casa no fim de semana.

E quem me dá livro de presente ganha meu coração pra sempre.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O tradicional post de ano novo

2013 foi um ano bom.

Eu sou uma pessoa de muita sorte, e tenho tido muitos anos bons. Definitivamente não posso me queixar com o universo. A gente tropeça aqui, escorrega ali, dá uma choradinha acolá, mas o saldo tem sido sempre bem positivo. Pra vocês verem do que eu estou falando:

Em 2013 o saldo no banco não ficou negativo nenhuma vez, o que é uma vitória nessa vidinha classe média sofre.

Em 2013 eu corri 5 quilômetros, o que é uma vitória sobre estes anos de sedentarismo pride.

Em 2013 eu me tornei coordenadora e descobri que ainda existe amor nas escolas de idiomas, o que é uma vitória para quem tinha pensado em largar tudo em 2012.

Em 2013 a caixa econômica federal topou me emprestar 100 mil reais para financiar meu apartamento e é uma vitória que eu ande conseguindo dormir direito com essa dívida de 25 nas costas.

Em 2013 eu viajei menos do que gostaria e um 2014 viajarei menos ainda, mas é só um momento em prol de um bem maior - meu apê.

Não fiz planos pra 2014. Nenhum. As melhores coisas que me aconteceram nos últimos anos não foram planejadas, então acho bom que continue assim - como disseram por aí (pode ter sido o Chaplin, a Clarice Lispector ou o Caio Fernando Abreu) - vida é aquilo que acontece enquanto você está ocupado fazendo planos.

Que 2014 seja tão bom quanto os outros. Só isso.