sábado, 19 de dezembro de 2015

Eu moro no centro expandido de São Paulo, numa região de facílimo acesso a ônibus, trem e metrô, além de trabalhar a cerca de 1 quilômetro da minha casa. É fácil pra mim, portanto, defender o transporte público paulistano. Mas isso não torna minha defesa menos necessária, podem ter certeza.

Vou dar um exemplo: meu condomínio tem um grupo no facebook. Hoje de manhã um vizinho fez uma postagem perguntando como ele poderia ir de ônibus ao shopping Bourbon e onde ele poderia pegar esse ônibus.

O shopping Bourbon fica a 2 quilômetros do meu prédio e é o shopping que todo mundo do condomínio frequenta. O cara mora lá há anos (em tempo: eu sei que ele mora lá há anos porque posta no grupo desde que eu me mudei em 2012) e não sabe como pegar um ônibus até um ponto importante do bairro. Também não sabe que existe aplicativo, site da SPTrans. A mulher dele também não sabe. É muito triste ser dependente de carro nesse nível, pessoal.

É o mesmo nível de gente que diz que não vai comparecer a compromisso tal porque é dia de rodízio. Posso estar sendo mala, mas eu automaticamente entendo isso como: seu convite não é suficientemente importante para que eu pegue um táxi ou, o horror, o horror, um ônibus.

E por último: você não fica automaticamente pobre só por entrar num ônibus, viu? Nem pega doença, nem nada. Pode ficar tranquilo.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

2015 não foi um ano ruim

Ainda faltam 16 longuíssimos dias para 2015 acabar mas vou começar a escrever a retrospectiva assim mesmo porque sim.

Eu disse lá no twitter que queria manjar de photoshop pra fazer uma montagem da capa desse livro colocando 2015 no lugar de 1933 por motivos de: o que foi 2015, não é minha gente?



Mas a verdade, verdade verdadeira mesmo, é que para mim 2015 foi muito melhor que 2014. Para o mundo, gzuiz amado, dá pra fingir que não aconteceu?

2015 foi o ano das viagens. Eu revi o amor da minha vida, Barcelona, quase morri de frio (não estou exagerando) no Camp Nou, me apaixonei por Veneza e comi mal em Roma (que é tão absurdamente maravilhosa que quem se importa?).

Em 2015 eu passei pelas 5 regiões do Brasil. Fui ao Nordeste pela primeira vez, amei Belém, fiz meu check-in de sempre em Brasília, visitei gente muito querida em Curitiba, fui trabalhar em Florianópolis e dei aquele oi para o Rio de Janeiro porque não dá pra ser feliz sem o Rio pelo menos uma vez por ano.

Em 2015 eu adotei uma gata tigrada magricela e linda chamada Peppa e minha volta pra casa todos as noites ficou mais feliz.

Em 2015 eu quis voltar a correr, fiquei doente, não consegui cumprir a meta de 10k no segundo semestre e tive que voltar à estaca zero. Estou indo bem, agora e mantenho a meta pra 2016.

Em 2015 eu aprendi a fazer várias coisas novas.

Em 2015 eu mudei de ideia sobre muitas coisas muitas vezes. Coisas bestas, tipo meu cabelo, coisas sérias, tipo minha carreira. E não acho que isso vai ser diferente em 2016.

2015 pra mim não foi um ano ruim. Para o mundo, segue em frente, tem outros anos por aí.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Porque eu corro

Aliás, eu nem coooorro cooorro assim de verdade, pra valer. Tô lutando aí pra voltar a fazer 5 quilômetros num pacezinho razoavelmente decente, o que chega a ser ridículo numa época em que todo mundo é maratonista e tals.

Pega até mal admitir isso hoje em dia, mas se vai rolar uma sinceridade aqui, eu nem gosto de exercício físico e não é uma questão de "ah, você ainda não se identificou com nada". Eu já tentei várias coisas, acreditem, e não gosto mesmo de nada. Desculpa. Bom mesmo é comer pizza, beber cerveja e assistir Netflix.

Mas ainda assim eu corro.

E eu não corro porque eu quero ficar magra. A médica que me tratou como se eu fosse anoréxica outro dia inclusive disse que eu nem poderia correr porque, oi você está abaixo do peso, queridinha.

Eu não corro pela endorfina. Eu nunca fui apresentada a ela, na verdade, nunca senti esse barato que todo mundo diz que exercício físico dá.

Eu não corro pelas amizades. Uma das coisas que me faz querer correr é que eu posso fazer isso sozinha, com meus pensamentos e minhas músicas malucas.

Aff, então por que afinal de contas você corre, minha filha?

Eu corro porque correr e me alimentar direito é minha poupancinha para ter uma velhice tranquila. É minha tentativa de garantir que meu corpo vai chegar aos 80 anos (sou otimista, bem) na melhor forma que ele conseguir.

Eu corro pela satisfação de fazer alguma coisa direito (cês podem não acreditar mas eu levo jeito - e aparentemente é a única atividade física para a qual eu levo o mínimo jeito), se tivesse começado mais cedo tava correndo maratona por aí.

Eu corro pela sensação de dever cumprido, de vencer aquela vontade louca de ficar mais meia horinha na cama. Corro porque eu posso.

Eu corro porque contrariar a própria natureza é legal pra caralho.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Diário do mês sem álcool III

Mês sem álcool não resistiu à beleza e à malemolência do Rio de Janeiro e terminou num copo de chope no Leblon. E numa caipirinha em Santa Teresa. E numa garrafa de Original na Lapa. 

Eu já disse que amo o Rio? 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Diário do mês sem álcool II

Acho que ter escolhido o final do ano para colocar em prática meu mês sem álcool só comprova que eu não sou assim muito esperta porque né? Novembro e Dezembro são aqueles meses de altas comemorações e tals.

Sábado teve aniversário do meu padrasto, na chácara dele no interior. Festa começou meio-dia, eu tive que trabalhar e só cheguei às cinco da tarde.

Fui chegando no portão e ouvi os parabéns. Cheguei bem na hora, pensei. Resolvo ir até a piscina (onde rolava a festa) cortando caminho por dentro da casa e encontro minha prima tirando o bolo de dentro da geladeira. Sim, estavam cantando parabéns sem o bolo, calculem o estado da galera. Minha prima pede minha ajuda pois está bêbada e o bolo está pesado. Carrego o bolo até a piscina enquanto sujo minha roupa com glacê - não tem lugar pra colocar. Galera estava cantando parabéns para uma mesa cheia de copos plásticos e restos de churrasco.

Nisso estou eu, um bolo de 10 quilos e 547 tios e primos bêbados querendo me abraçar. Arruma um lugar na mesa, gente, pelamor. Me livro do bolo e a filha da vizinha da minha mãe, que tem 2 anos e sei lá porquê me ama sai correndo da piscina e se joga no meu colo. Então agora sou eu, um vestido cheio de creme, uma criança de dois anos molhada no meu colo e 547 tios e primos bêbados querendo me abraçar. E sóbria.

Uma coisa é fato: nada como estar sóbria no meio de gente bêbada para se sentir muito querida.


domingo, 1 de novembro de 2015

Saindo do armário

Prazer, meu nome é Paula e eu sou introvertida. 

Durante 36 anos eu evitei usar essa palavra porque me ensinaram desde pequena que ela representava uma coisa ruim. Você tem que sorrir, Paula. Você tem que conversar com todo mundo, Paula. Ninguém gosta de gente quieta. Não fica no seu canto lendo o tempo inteiro senão vão achar que você é chata. Vai lá com as crianças, faz uns amigos. 

Pois levou 36 anos e um pouco de terapia para que eu pudesse vir aqui e dizer o seguinte: eu não preciso sorrir o tempo inteiro. Eu preciso ser educada e respeitosa, mas eu não preciso ser a melhor amiga de infância de todo mundo. Eu posso ficar no meu canto lendo sim e se alguém me achar chata por isso, desculpa, não preciso ser amada por todo mundo. Tudo bem ser amada por algumas pessoas incríveis e só. Eu não posso ser grossa ou desagradável, mas tudo bem não querer ficar rodeada de gente desconhecida o tempo todo.

Se você tem um pequeno introvertido em casa, não diga para ele "dá um sorriso para a tia, vai lá brincar com seus primos." Diga pra ele que tudo bem. Muita gente legal é introvertida: a J.K. Rowling, a Emma Watson, o Bill Gates, a Christina Aguillera. Einstein e Audrey Hepburn eram também. Ser introvertido não é ser antissocial. Não é ser triste nem ser sério e é totalmente diferente de ser tímido. Não é ruim, não é um defeito, não é algo que atrapalha a minha vida - a não ser quando me cobram ser diferente. 

sábado, 24 de outubro de 2015

Day 8 - Your favorite internet friend

Oi pessoal,

Quando eu decidi entrar naquela comunidade obscura do Orkut sem nem entender direito sobre o que ela era, eu nunca imaginei que dez anos depois eu estaria em uma mesa de bar em Curitiba com o grupo quase completo, consumindo muito mais cerveja e carboidratos do que o recomendado pela OMS.

Em dez anos nós nos casamos, nos separamos, tivemos filhos, fomos morar em outro país, voltamos, ficamos bem doentes, brigamos, realizamos o sonho da casa própria, nos embebedamos, nos apaixonamos, quebramos a cara. É um privilégio acompanhar tantas histórias de tanta gente maravilhosa que, se não fosse pela internet, jamais teria cruzado meu caminho.

Eu aprendo com vocês todos dias sobre música, cinema, política, feminismo, cultura pop, finanças, ciência, literatura, filosofia... Obrigada por serem são incríveis.




TÁ TODO MUNDO ENVORVIDO!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Day 7 - Your Ex-boyfriend/girlfriend/love/crush

Engraçado é que você me escreveu um longo e-mail de agradecimento dia desses e eu não consegui responder. A terapeuta achou que eu deveria, mas eu não quis, na verdade, porque eu hoje tenho uma ideia de você completamente diferente da que eu tinha quando a gente terminou, nove anos atrás. Hoje eu não teria nada de bom para te escrever então decidi ficar calada.

Não tem dor, ressentimento e muito menos saudade, mas hoje eu só posso te desejar sorte na vida. Porque eu sinto que você vai precisar.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Day 6 - A stranger

Oi desconhecida,

Eu gostaria de poder andar por aí carregando uma plaquinha tipo aquelas de obra: "Desculpem-nos o transtorno, estamos trabalhando para construir uma pessoa melhor." Infelizmente a plaquinha atrapalharia minha mobilidade e as pessoas achariam um pouco estranho e tals, mas enfim. Ela seria sincera, desconhecida. Juro.

Naquele dia em que eu fui escrota com você na espera do consultório médico eu estava cansada, muito cansada. Eu estava doente há semanas, eu estava sinceramente preocupada com o meu estado de saúde e eu não achava justo ter ido até lá e não poder fazer minha mamografia só porque eu tinha usado desodorante naquela manhã, cerca de 8 horas antes. E daí que eu tinha recebido um e-mail com instruções de preparo? Quem lê e-mails com instruções de preparo? Vocês por acaso esperavam mesmo que eu passasse 8 horas sem desodorante no calor que faz nessa cidade?

Nada disso justifica, desconhecida, eu sei. Porque você também certamente estava cansada, provavelmente mora longe pra caramba do trabalho e tinha pego mais de um ônibus lotado para chegar lá. Talvez você estivesse preocupada com a sua filha que você vê tão pouco e passa a maior parte do dia na casa da sua mãe. Pode ser que você estivesse doente também, ou alguém da sua família. Ou sua conta de luz atrasada, a pensão do pai da sua filha que inclusive já casou de novo e não a vê há, sei lá, três meses, enfim. Life sucks most of the time.

Então peço desculpas, desconhecida. Por mim e por mais uma penca de gente que já deve ter sido escrota com você atrás daquele balcão. A maioria não fez por mal. O que ainda assim não justifica.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Day 5 - Your dreams

Caros sonhos,

Os senhores estão obviamente atrasados pois de acordo com a previsão a essa altura da minha vida já era para eu ser tipo a J.K. Rowling. Favor tomar providências.

(Mas sim, eu assisti a um show do Mika em Barcelona. Aliás eu já fui duas vezes a Barcelona, bom trabalho).

Atenciosamente,

Paula

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Day 4 (atrasado) - Your siblings

Oi cão (é assim que você me chama, eu não lembro por quê. Você lembra?),

Eu poderia escrever esta carta de várias maneiras, mas vou fazer isso do jeito que eu mais gosto: contando histórias. É uma história que você já conhece, desculpa, você sabe que eu sou assim repetitiva as vezes.

Quando eu assisti a Frozen a primeira coisa que eu fiz foi ligar para você e dizer que você tinha que assistir também. Mais de um ano depois estamos aqui, 36 e 35 anos, obcecadas por um desenho da Disney.

Qualquer um que nos conheça minimamente sabe que eu sou a Elsa e você a Anna. Eu sou séria, meio antissocial, cheia das minhas próprias questões. Você é borbulhante, alegre, praticamente um raio de sol. Além disso, nossas diferenças físicas também não permitem que as pessoas vejam o quanto somos parecidas.

Mas nosso sorriso, ele é exatamente o mesmo, embora você saiba usar o seu muito melhor que eu.

Dizem que os amigos são a família que a gente escolhe, então eu tenho muita sorte, porque eu não precisei procurar a melhor amiga de todas. Ela me foi dada de presente e eu não preciso fazer esforço nenhum pra isso - você vai sempre estar ali. Assim como eu vou sempre estar aqui.


Gatas demais, aff.

sábado, 17 de outubro de 2015

Day 3 - Your parents

Queridos pai e mãe,

Antes de mais nada eu queria dizer que vocês são ótimos. Incríveis mesmo. Queria parabenizá-los pelo trabalho que fizeram aqui na criação da Paula inc. Embora no momento eu seja a única responsável por fazer este empreendimento vingar, acho importante dizer que vocês tiveram um papel importantíssimo na estruturação do que eu chamo de "pessoa que eu sou hoje".

Pai, você me ensinou o valor do estudo. Você me deu livros, mas mais do que isso, leu pra mim, leu na minha frente e me fez querer fazer parte desse seu mundo que me parecia tão fascinante. Você gostava de contar histórias e eu aprendi isso com você também. Talvez eu nunca me torne escritora (embora, como uma amiga disse outro dia, "escritor é quem escreve, não importa o quê") mas eu sou uma contadora de histórias com muito orgulho por sua causa. Você tinha essa alma antiga de quem já viu de tudo no mundo mesmo não tendo visto e eu admirava isso em você. 18 anos foram muito pouco para que nós nos conhecêssemos completamente, mas eu me consolo pensando que 100 anos seriam pouco também.

Mãe, você me ensinou empatia. Você me ensinou que todo mundo é importante e que tudo que a gente faça por alguém conta mesmo que pareça pouco. Você me mostrou o que é resiliência e me fez acreditar que nós, mulheres da família Foltran, somos feitas desse material misterioso que estica, encolhe, deforma, sobrevive a todos os baques mas volta sempre à forma original mais forte do que nunca. Eu aprendo com você todos os dias e espero ter o privilégio de continuar aprendendo durante muito tempo.

Eu sei que sou uma boa filha. Mas isso é obra de vocês dois. Podem se orgulhar disso.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Day 2 - Your crush

Oi moço, você sabe quem é.

Estamos juntos há muito tempo. Uma criança nascida no dia em que nos conhecemos já está alfabetizada. Já anda de bicicleta.
Já fala palavrão.

O negócio começou num carnaval, no tempo que a lata de Brahma era branca. Temos fotos para provar. Você bêbado, sujo, de camiseta furada dos jogos Panamericanos do Rio de Janeiro. Você tem até hoje essa hábito de usar camisetas de souvenir. Eu ainda tinha cabelo cacheado, usava um vestido que eu amava e naquele dia tinha desanimado de beber apenas porque usar o banheiro num bloco de carnaval em São Luís do Paraitinga era muito próximo do que eu consideraria "missão impossível". Não beijei você naquele dia porque estava sóbria demais para dar bola para aquele moço tão bonito mas tão cagado. Sorte nossa que tínhamos essa amiga em comum e, naquele tempo, MSN e Orkut.

Você curtia Cake e Encontros e desencontros e diante desse cenário percebi que você só podia ser mesmo um cara legal. Tão legal que quase 8 anos depois eu estou aqui, te escrevendo essa carta.

Você me ensinou que o amor pode ser tranquilo.
Você também me ensinou que o amor pode ser turbulento.
Você me mostrou que eu sou mais forte do que eu achava que era.
Você me irrita quando tenta consertar essa minha alma bagunceira e delusional, mas eu agradeço a paciência.

Eu poderia escrever cartas para você todos os dias. Você é meu crush, meu namorado, meu boy, meu ómi, meu melhor amigo, meu amô.




A lata branca e a foto com data para comprovar a antiguidade

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Day 1 - Your best friend

Este desafio das cartas já estava fadado ao fracasso logo de cara por motivos de: neste momento eu não sei que é você, melhor amigo.

Eu tenho bons amigos, daqueles que a gente fica meses sem se ver e quando se encontra parece que foi ontem. Eles já foram meus melhores amigos mas a vida, o tempo, a distância dificultaram um pouco as coisas para nós.

Se melhor amigo é aquele para quem a gente liga quando falta o chão debaixo dos nossos pés eu teria necessariamente que incluir aqui pessoas da minha família, mas já existem cartas destinadas a vocês neste desafio, então prossigamos.

Tem você, a amiga da faculdade, aquela com quem dividi os anos de dureza monetária e moleza emocional. Aquela que, não fosse porque sim, jamais teria se tornado minha amiga. A gente se torna amigo porque sim. Com você eu já fiquei bêbada em um rodeio em São Roque, já briguei com você nesse mesmo rodeio nem lembro o motivo, já fui a festa boa e a festa miada, já consolei e fui consolada nas dores de cotovelo. Já passamos tardes tomando café e falando até o maxilar doer, porque se tem uma coisa que nunca faltou entre a gente foi assunto. Já colamos em prova, já reprovamos na mesma matéria. Já fizemos coisas daquelas que a gente dizia que só poderia contar aos netos, jamais aos filhos.

Eu admiro a sua disposição em fazer as coisas, em agir. Admiro a facilidade com que você se envolve, a paixão com a qual lida com a vida. Eu sempre fui mais distante, mais no meu canto. Eu gosto de pessoas, mas não sei lidar muito bem com elas.

Ano passado num momento em que eu precisava muito, você me deu a mão e bons conselhos também. Engraçado que na nossa relação quem normalmente dava os conselhos era eu, mais velha, mais ponderada, sempre observando as coisas de uma perspectiva mais pragmática. Mas naquele momento quem observava de fora era você. Você era a mais experiente ali, a expert em corações partidos me ajudando a lidar com meu primeiro em muitíssimo tempo. Sobrevivi, superei, e as melancias na caçamba do meu caminhão acabaram se ajeitando, pra usar esse símile que a gente gosta tanto.

Eu poderia dizer que nos afastamos porque nos tornamos pessoas diferentes, mas isso nós sempre fomos. Muito. Nos afastamos como nos juntamos: porque sim. Um dia a gente se junta de novo, sem cobrança, sem pressão. Amizade é assim mesmo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

30 day letter challenge

O desafio é esse aqui:

http://heckyeahtumblrchallenges.tumblr.com/post/6077918938/30-day-letter-challenge

Escrever uma carta por dia durante 30 dias para as pessoas (ou coisas) desta lista. Estou procurando motivos para escrever e esse me pareceu bom, então vamos tentar. Não garanto uma por dia certinho mas prometo que farei o possível.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A síndrome da reação inadequada

A síndrome da reação inadequada (SRI) é um mal que afeta aquela parte da população que claramente tem um defeito no pedaço do cérebro que regula a maneira como reagimos em determinadas situações. Em outras palavras, o mecanismo do "para que tá feio".

Um dos exemplos clássico da SRI é a popular gargalhada em velórios, que a maioria de nós já testemunhou, quando não protagonizou. A SRI, entretanto, manifesta-se nas mais variadas ocasiões.

1) Você e seus colegas estão aproveitando aqueles preciosos minutos de ócio na firma para compartilhar fotos do cachorro mais feio do mundo. Uma colega que estava passando se aproxima do seu monitor e exclama, afinando a voz como se tivesse acabado de avistar um bebê panda de pijama acariciando um gatinho: "Meo deos que BONITIIIIIIINHO!"


Oi

2) Você está andando tranquilamente quando seu pé dá aquela vaciladinha, você tomba levemente para a direita sem perder o prumo e segue andando. A pessoa vindo atrás de você berra "JESUS AMADO CUIDADO MEU FILHO, ACHEI QUE VOCÊ FOSSE MORRER!"



3) Seu colega pede sua ajuda para editar o vídeo surpresa de aniversário de casamento pra mulher dele no Movie Masker. Você sobre uma música do Ed Sheeran, arrasta meia dúzia de imagens e pronto. Colega diz: "NOOOOOOSSA CARA, VALEU MESMO, VOCÊ É MUITO FODA! GENTE, O EDMILSON É CARA, CÊS PRECISAM VER!"


4) A pessoa se atrasa 5 minutos para o trabalho e quando chega parece que acabou de correr 20 quilômetros em Teresina meio dia no verão "NOSSA GENTE MINHA MÃE ACORDOU E NÃO TAVA SENTINDO O BRAÇO MAS ESTÁ TUDO BEM ELA SÓ DORMIU EM CIMA DO BRAÇO MESMO!"



Se você convive com um portador de SRI grave, minha solidadriedade. Eu compreendo sua dor. Se você se identificou com o texto e desconfia que talvez tenha SRI, busque tratamento. Ainda dá tempo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Lapa, Pompéia e Perdizes

Eu moro na Lapa há quase 10 anos. E eu adoro morar na Lapa. A Lapa é daqueles bairros cheios de velhinhos, de armazéns e, nos últimos tempos, de hipsters que começaram a achar que a Vila Madalena estava virando mainstream. Na Lapa tem balada gay, tem rua de comércio popular cheia de camelôs onde você compra de cartões de memória a lingerie e agasalhos da "Adidas". Tem praça, tem feirinha, tem estação de trem, tem boteco do povo de humanas e quadra de escola de samba. A Lapa cresceu colada, quase misturada com dois outros bairros, Pompéia e Perdizes, mas a Lapa e a Pompéia são as primas pobrinhas de Perdizes que de repente ficaram ricas também.

A Lapa ainda não sabe que é rica e continua se comportando como quando ganhava salário mínimo. A Lapa faz churrasco na laje, vai pra Mongaguá no feriado e parcela televisão de 865 polegadas em 24 vezes no carnê das casas Bahia. Já Pompéia anda mais refinada, resolveu fazer curso de harmonização de cervejas, mas continua usando chinelinho de couro fedido e indo acampar em Trindade. A Pompéia é de humanas e será eternamente, para o desgosto da prima Perdizes, que sempre foi patricinha. Perdizes tem aquele narizinho empinado de quem nasceu em berço de ouro e não gosta de se misturar com as primas que não foram pra Disney quando fizeram 15 anos. Perdizes se irrita, inclusive, quando alguém confunde suas esquinas e acha que elas fazem parte da Pompéia. Aconteceu ontem, aliás.

Eu estava em um rolê do povo de humanas. Era um rolê tão de humanas, mas tão de humanas, que estava tocando Tim Maia racional e tinha seda para vender no caixa do bar. A comida era servida no quintal e como a casa ficava num ponto bem alto do bairro sem prédios na frente, dava pra ver a cidade lá embaixo. Moça na fila puxa conversa:

"Nunca vi isso aqui tão lotado."

"Pelo menos a vista é bonita. Dá pra ver a Pompéia inteira daqui."

"Aff, aqui é Perdizes, Pompéia é aquele lixo do outro lado da avenida."

Eu fiquei meio chocada, sabem? Porque embora de acordo com os correios ela tenha razão, estávamos em um ponto especialmente FFLCH de Perdizes, quase na divisa e se perguntássemos a qualquer um naquele estabelecimento que bairro era aquele, todo mundo responderia "Pompéia", tenho certeza. E você não sai por aí chamando de lixo o pedaço onde 90% do povo daquele bar mora. Não importa o que sua correspondência diga: a avenida Alfonso Bovero é Pompéia e pronto.

Talvez um moço da Pompéia tenha partido o coração daquela moça. Dizem que eles são muito sedutores. Isso explicaria, mas não justificaria, tanta amargura. Eu sigo gostando muito dos três bairros, mas de Perdizes um pouquinho menos. Perdizes faz você tirar os sapatos para entrar na casa dela.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A saga do oftalmologista parte 532

Atenção: este texto contém linguagem inapropriada para menores pois estou putíssima

Eu sou míope dessas da vida, né? Uso óculos desde criança e hoje tenho cerca de 6 graus de cada lado plus um pouco de astigmatismo, o que significa que no fundo, no fundo, eu não enxergo direito nem com óculos, nem com lentes, que dificilmente dão conta dos dois defeitos juntos. E com isso eu vivo no consultório do oftalmologista.

Anos de consultório. Quase 30. E nos últimos tempos tenho tido uma dificuldade imensa em encontrar algum oftalmo que não seja grosso, sem noção ou simplesmente não tenha aquela atitude de "I don't give a shit se você enxerga mal, minha filha". Cheguei à conclusão que oftalmologista é aquele cara que odeia gente mas queria ser médico de qualquer jeito.

Teve um que, dois anos atrás, olhou meus exames e tacou na minha cara "isso aí é ceratocone" sem me explicar o que isso significava, sem propor um tratamento, nada. Tive que procurar um particular caríssimo que olhou na minha cara, me fez perguntas, me examinou direito e me acalmou. Não era. Era só uma córnea meio cagada mesmo, mas que não me deixaria cega a longo prazo. Daí, depois de mais algumas consultas com o tio caríssimo e a certeza de que eu era só mesmo muito míope, decidi voltar aos oftalmos do plano de saúde por motivos de: pobreza.

Passo pela cidadã. Exame de acuidade visual sempre um drama, né, eu sou indecisa, cês querem que eu me decida entre duas lentes que pra mim não tem diferença nenhuma, é complicado. Odeio. Diante da suspeita de ceratocone de dois anos atrás a tia decide me pedir exames que poderiam ter sido feitos ali na hora, na clínica mesmo mas que por motivos de oftalmologista é tudo filho da puta ela me faz ligar na central pra marcar. "E já marca o retorno no mesmo dia que assim a gente dilata sua pupila uma vez só."

Dilatar pupila, essa delícia.

Ligo na central e só consigo marcar os exames e o retorno pra dali a três semanas. Três fucking semanas para um negócio que ela podia ter resolvido ali na hora. Fico putíssima pois estou sem lentes e com a receita dos óculos vencida e vou ter que esperar mais três semanas. Ligo em outra clínica e marco os mesmos exames e a consulta para dali a 3 dias.

O arrombado do oftalmo dessa segunda clínica faz os exames mas se recusa a me dar a receita das lentes. Assim mesmo, "não vou te passar a receita das lentes porque você veio de outro médico". Cês sabem por que, coleguinhas? Porque estes mercenários do caralho recebem comissão pelas lentes de contato e se ele me passasse a receita estaria roubando a comissão da coleguinha.

Foda-se que eu estou sem lentes. Foda-se que eu não estou enxergando direito. Miopia não mata, né, não dá processo.

Mas pode deixar. Tem um espacinho especial no inferno para oftalmologista de plano de saúde. Fica bem lado da galera que ouve música sem fone no transporte público e dos motoristas de táxi que tem saudade da ditadura.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

As aventuras de Peppa: um dia de cão

Começou com a humana colocando no chão aquela caixa plástica com uma toalhinha. Quando ela coloca a caixa no chão eu já sei que vou ver o tio de branco. Eu não gosto do tio de branco porque ele corta minhas unhas e o passeio até lá balança um pouco, mas a humana me engana direitinho e eu sempre acabo ficando presa na caixa, aff.

Mas ontem a humana não me carregou até o tio de branco. Ela me enganou de novo e me prendeu na caixa, mas dessa vez quem me recebeu foi uma tia. E dessa vez a humana não ficou lá comigo, ela conversou com a tia e me largou lá naquele lugar estranho. Pensei que o humano tinha ficado bravo com os arranhões no sofá e mandado ela me deixar ali, imagina? Mas não deu nem tempo de reclamar, porque a tia me tirou da caixa e eu só lembro depois de ter acordado lá dentro de novo toda enfaixada e sem conseguir andar direito.

QUAL A NECESSIDADE DISSO, HUMANA?

Depois de um tempo que eu acordei a humana voltou (que alívio, gente) e me levou pra um lugar esquisito, cheio de humanos pequenos. Os humanos pequenos me viam e queriam brincar comigo (eles são barulhentos, né?) mas eu ainda estava tentando entender o que a humana tinha feito comigo. E ainda não conseguia andar. Ela me deixou numa salinha escura e  de vez em quando ia lá me ver.

CADÊ A NOSSA CASA, HUMANA? QUE LUGAR É ESSE?

A gente só foi pra casa quando já estava escuro. Eu já estava conseguindo andar, mas não tinha força pra subir no sofá. Caí de costas umas três vezes. E como faz pra me limpar com essas faixas me apertando? Cada vez que eu erguia a pata traseira eu rolava pela cama. Tentei me lamber por cima da faixa e meu dente enroscou, fiquei lá com a boca aberta e a língua de fora até a humana ver e me ajudar. E minha dignidade nessas horas, como fica?

Vocês pensam que acabou? Hoje de manhã a humana abriu minha boca a força e tacou um negócio lá dentro que ela chama de "remédio". E pelo que eu entendi ela ainda vai fazer isso muitas vezes. Tô aqui toda enrolada nesse treco, não consigo tomar banho direito e pra falar a verdade eu acho que tem um corte aqui na minha barriga.

A humana disse que é para o meu bem mas olha. Não tô acreditando muito nisso não.




quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Oi?

Ó o nível da conversa que rolou em inglês entre minha aluna do intermediário e eu hoje:

Eu: "Então, vou levar minha gata para ser castrada amanhã."
Ela: "Castrada?" (Ela provavelmente não conhecia a palavra)
Eu: "Sim, ela vai fazer uma cirurgia para não ter bebês."
Ela: "Mas ela já tem bebês?"
Eu: "Não"
Ela: "E ela não quer ter?"
Eu: "É..."
Ela: "Ela é casada?"
Eu: "Não, pera, eu estou falando da minha gata."
Ela (aliviada): "Aaaaaaaah, eu achei que você estava falando da sua irmã!"

Tô até agora tentando entender em que momento da conversa "my cat" virou "my sister", coleguinhas.

sábado, 12 de setembro de 2015

Mais causos da firma

Eu conto esses causos e tenho certeza que tem gente que lê e acha que eu invento mas olha coleguinhas, digo só uma coisa: a realidade, ela é difícil de ser superada.

Mãe e filha vieram aqui na escola semana passada. A menina fez teste de nível, foi classificada no avançado, a mãe conversou com a divulgadora, viu nosso material, fez perguntas sobre a metodologia, preços etc. Ficaram quase uma hora aqui. A mulher telefonou uns dias depois dizendo que ia matricular a menina mas que não poderia ir até a escola assinar o contrato porque tinha torcido o pé e tal. Ficou combinado que a divulgadora mandaria o contrato por e-mail para ela assinar e mandar de volta e a filha começaria as aulas hoje, sábado.

A menina não veio e a mãe não enviou o contrato. Divulgadora telefonou para saber o que tinha acontecido e mãe nos brinda com essa maravilha:

"Então, é que na verdade minha filha queria estudar na escola XXZZ (nosso concorrente de nome parecido) e não aí. Eu me confundi e só percebi quando vocês mandaram o contrato, desculpa."

Agora eu tô aqui na dúvida de essas duas tem algum problema mental muito sério mesmo ou se só inventaram a pior desculpa do universo para desistir de um negócio.




segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A vida de Peppa

Tem a humana e o humano. O humano sai todo dia muito cedo, não dá nem tempo de ir lá deitar na cara dele para acordá-lo. Tem dia que a humana sai cedinho junto com ele, mas não é sempre. Eu prefiro quando a humana sai mais tarde porque rola um colinho e um sol na varanda.

A humana me dá comida, água fresquinha e limpa meu banheiro, então acho que ela gosta mais de mim que o humano. Mesmo assim eu espero o humano na porta quando ele volta porque o colo dele é bem gostoso e ele sempre brinca comigo, mesmo me chamando de fedidinha. Logo eu, que sou tão higiênica, humpf. Mas no fundo eu acho que o humano gosta tanto de mim quanto a humana, só tem esse jeitão mesmo.

Falando em nome, acho que o meu é Peppa porque é assim que eles me chamam quando estão bravos comigo ou me procurando. Mas a humana, principalmente, me chama de mais um monte de coisas: gatuxa, princesa, delicinha. Queria que ela se decidisse porque as vezes eu me confundo.

Tem uns lugares no apartamento que eu gosto muito, mas eles nunca me deixam ficar lá. Um deles é uma caixa cheia de panos fofinhos e quentinhos que eu já aprendi que se chamam cachecóis. Tem dia frio que eu queria passar inteiro nessa caixa, mas a humana sempre me tira de lá. As vezes eu entro escondida e ela fecha a porta do armário e não me vê. Pensa que eu mio? Fico é bem quietinha pra ela não me achar. Mas aí ela percebe que eu sumi e vai abrindo todos os armários até acabar com a minha festa e eu tenho que me contentar em dormir no cobertor azul que fica em cima da cama. Mas até que o cobertor azul é bom também.

De vez em quando outros humanos aparecem por lá. Tem uma humana que vai uma vez por semana e liga um troço muito barulhento, odeio. Parece que o mundo vai acabar. Neste dia eu me escondo muito bem escondida porque morro de medo desse negócio. Nem vou dizer onde é porque vai quela me acha. Tem também uma humana que a minha humana chama de mãe. Engraçado que a minha humana também se chama de mãe quando fala comigo, será que as duas tem o mesmo nome?

Minha casa é legal. Tem comida, água, colinho e cobertor. E os humanos até que são gente boa. Outro dia ouvi uma conversa de arrumar um irmão pra mim. Cês sabem o que é irmão? É de comer?

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Olha, amo muito viu?

Conversa na secretaria:

Eu: "Esse aluno que vocês estão falando é um que tinha a barba tipo a do Ruben Ewald Filho?"

Secretária: "De quem?"

Eu: "Rubens Ewald Filho, aquele crítico de cinema. Joga aí no google pra ver quem é."

Secretária: "Beleza... Pera... Eita, acho que tem um bandido com o mesmo nome... CREDO TEM FOTO DO CARA MORTO!"

Eu: "Oi? Acho que não, deixa eu ver a busca..."


rubisvaldo.jpg


Olha, amo muito, viu? De coração.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

As palavras do meu pai

Caso alguém não tenha lido a home da UOL hoje, o Zé Dirceu foi preso de novo em uma operação chamada Pixuleco. Porque não basta ir para a cadeia, ainda tem a humilhação de ser pego em uma operação batizada com o nome do irmão craqueiro do Fuleco. 

Essa história toda apertou um botãzinho aqui na minha memória. Porque Pixuleco era uma palavra do meu pai. 

Sim, meu pai tinha palavras que eram só dele. Pelo menos era assim que eu as encarava quando era criança porque ele era a única pessoa que as usava. Pixuleco era uma delas: era como meu pai se referia a pouco dinheiro. Uma coisa barata tinha custado "uns pixulecos". Se eu queria um sorvete ele dizia: "vê aí se tem uns pixulecos na minha carteira". 

Para o meu pai as pessoas não ficavam tristes: ficavam sorumbáticas ou macambúzias, o que é absurdamente mais sério do que estar só #chateada. E aos domingos, dia de passear no meu lugar preferido do mundo, a feirinha do Masp (sim, eu era uma criança esquisita), ele me acordava de manhã dizendo "Vai tomar banho, Paulinha, que hoje é dia de ver os numismatas e os filatelistas", embora as barraquinhas de moedas e de selos nunca tenham sido minhas preferidas. E para o seu Adelphi os lugares não ficavam longe: ficavam na casa do chapéu.

É engraçado ver uma palavra que pra mim era só dele por aí, na boca de todo mundo. É reconfortante. também. É como se um pedacinho dele tivesse voltado para me dar um oi. 




sexta-feira, 31 de julho de 2015

Sobre aceitar derrotas

Quando eu penso em aceitar derrotas minha referência imediata é a final de qualquer temporada de Ru Paul's Drag Race, quando ele anuncia a vencedora e a outra finalista fica lá, tendo que bater palmas e fazer aquela carinha de "graceful loser" quando na verdade queria mesmo era dar na fuça da que ganhou. 


Ou o Leo, né? Leo entende de derrota como ninguém, dá cá um abraço, miga. 

No meu caso, especificamente, eu não fui derrotada por ninguém, apenas (*alarme de clichê chegando*) por mim mesma. E pelos critérios de avaliação de Cambridge, talvez. Deixa eu tentar explicar o babado rapidinho para quem não é da área.

O Delta (Diploma in Teaching English to Speakers of Other Languages) é um certificado internacional emitido pela Universidade de Cambridge que eventualmente me qualifica como tutora de outros professores que estão tirando certificados anteriores, como o CELTA. É composto de 3 módulos independentes que podem ser feitos em qualquer ordem. O primeiro é uma prova longa e exigente para a qual eu me preparei durante seis meses em um curso que não era baratinho não. E a prova em si custa 700 reais parcelados no cartão, estou pagando até agora. A nota para passar? 50%. Fiz o curso, fiz simulados e estava indo bem em todos, por isso estava relativamente confiante no resultado da prova que saiu hoje.

Como vocês podem imaginar pelo título deste texto, eu não passei. Não consegui fazer fucking 50% de uma prova para a qual eu me preparei, afinal de contas. Das sete pessoas que prestaram, até agora quatro reprovaram, duas passaram e uma ainda não se manifestou no grupo do whatsapp. 

O frustante disso tudo, na verdade, é que a prova é composta de duas partes, cada parte com papers diferentes, e nos meu resultado eu recebo apenas um belíssimo FAIL. Não tem um feedback, não tem uma estatística, não sei em que partes eu fui bem (se alguma) e em quais me fodi, para poder focar nisso. Eu respondi tudo, segui o layout, fui bem nos simulados, tive acesso a provas que passaram para ver modelos. E não consegui uma bosta de um 50%. Frustração define, principalmente porque eu sempre fui o tipo de pessoa que tira prova de letra. Eu não fico nervosa, eu foco, eu sei quais são meus pontos fortes e fracos. Eu treino e fico íntima do formato. Eu me preparo. 

Eu nuca tinha reprovado em prova nenhuma antes, nem no vestibular, nem na faculdade. Nunca. Acho que por isso esta derrota está sendo tão difícil de engolir. 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Sobre como a Bela Gil talvez não esteja querendo acabar com o bacon do mundo

Primeiro foi a melancia grelhada. Depois veio a lancheira da filha e agora a cúrcuma para escovar os dentes. Bela Gil tá aí mostrando para a galera que o jeito Humanas de ser tem espaço no mundo e em rede nacional.

Eu curto a Bela Gil. Eu acho sim que ela as vezes exagera e quase sempre usa uns ingredientes que eu não vou encontrar no Mercadão da Lapa (e se não tem no Mercadão da Lapa não existe, desculpa) tipo "feno-germinado-vermelho-do-Cazaquistão", mas ela pra mim representa uma coisa que eu venho buscando faz tempo: pensar no que eu como e parar de simplesmente colocar dentro do meu corpo coisas que podem fazer mal pra ele de alguma forma.

Mas esse texto não é pra falar dessa minha jornada em busca da alimentação saudável porque eu mal a comecei. É pra falar de como as pessoas reagem à Bela Gil.

As pessoas reagem com raiva a ela. Não só a ela, mas a qualquer um que ouse questionar o sagrado direito ao bacon. E eu, nessa minha caminhada naturebinha, começo a entender por quê.

Eu vejo aqui no trabalho, por exemplo. O pessoal sabe que eu evito açúcar, como fruta de sobremesa e não divido o requeijão da galera, prefiro minhas pastinhas vegetais. A reação imediata de quase todo mundo então é ficar constrangido de comer na minha frente. É de quase pedir desculpa quando abre um pacote de bolacha recheada. As pessoas pressupõe que quem optou por uma alimentação diferente vai imediatamente começar a cagar regra para a humanidade, mas deixa eu contar um coisa: eu não virei testemunha de Jeová, amiguinho. Eu não vou bater na sua porta confiscando seu queijo, não vou fazer cara de nojo diante da sua coxinha, não vou julgar sua lasanha congelada. Eu estou fazendo escolhas para mim e só para mim.

A Bela Gil tem um programa de TV e obviamente está dialogando com muita gente. Mas você, amiguinho que come carne e fritura, não precisa ter raiva dela. Ela não está falando diretamente com você. Ela fala com quem está disposto a ouvir. Se a lancheira da filha de uma apresentadora de televisão te ofende e te irrita, o problema talvez seja seu, não dela. Porque até onde eu sei a Bela Gil não anda por aí invadindo escolas no meio do recreio confiscando os cheetos da molecada e trocando por granola caseira, né?

Então sossega, galera. It's not about you. E a Bela Gil sozinha não tem como acabar com o bacon do mundo. Podem relaxar.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Domingo tivemos aplicação de uma prova de Cambridge aqui na escola.

É possível que você, coleguinha, nunca tenha feito uma prova de Cambridge, mas certamente já prestou vestibular ou concurso público, então sabe do que eu estou falando.

É uma prova que custa uns 400 reais. Que no final dá ao aprovado uma certificação internacional, reconhecida no mundo inteiro e blá blá blá muito importante de que ele sabe inglês. O bagulho é sério galerinha, não é a prova final do teu curso da Microlins.

Para aplicar a dita prova nós precisamos providenciar mil coisas, carteiras especiais milimetricamente separadas por 1,25m, armário de ferro para guardar provas, treinamentos, gente trabalhando no domingo, provas em envelopes lacrados, um milhão de instruções etc e tal. 44 candidatos.  Eu falei que o negócio era sério? O negócio é sério.

Daí eu te pergunto, coleguinha. Tu vai fazer uma prova que custa uns 400 reais. Que no final dá ao aprovado uma certificação internacional, reconhecida no mundo inteiro e blá blá blá muito importante de que ele sabe inglês. Uma prova que tu nunca fez antes. Na véspera dessa bagaça você faz o que?

a) Dá uma lida de novo nas instruções só pra garantir.

b) Oi?

Começa com bonito aparecendo aqui sem lápis, sem caneta, sem vergonha na cara. Migo, tu saiu de casa 7 horas da matina num domingo pra fazer uma prova e não trouxe nada para escrever? Tipo NADA? Achou que ia ter camelô na porta vendendo Bic? Achou que tinha vindo pra tomar um sorvete?

Daí a gente já estava contando com isso e providenciou bastante coisa pra emprestar pra essa turma que se a grama mudar de cor morre de fome, ok. Dá-lhe gente perdida sem achar a sala sendo que né, tem uma lista na porta com o nome do cidadão.

Mas a gente (Cambridge, na verdade) sabe que não dá pra confiar nessa gente que diz que tem entre 90 e 109 de QI mas há controvérsias, e providencia uma lista de instruções gigantes para os fiscais lerem antes da prova. Não sei porque, né, já que eu tive que preencher umas 10 fichas de malpractice porque nossos gênios preencheram o gabarito à caneta tendo sido orientados previamente de que era a lápis. Duas vezes.

Tem mais. Uma linda constatou que sue nome estava impresso errado na FOLHA DE RESPOSTAS OFICIAL DE CAMBRIDGE e achou que, né, tudo bem, nem vai dar nada rasurar um z por cima desse s aí em Sousa. Gente? Cês aprenderam inglês mas não aprenderam vida, né?


Organizar a aplicação da prova foi fichinha. Duro é lidar com tanta esperteza junta.




quarta-feira, 1 de julho de 2015

Desabafinho

Uma mãe apareceu aqui na escola com as duas filhas gêmeas para fazer teste de nível. As meninas tem 9 anos e só estudaram inglês na escola mesmo, nunca fizeram curso. Conversei com cada uma individualmente, uma sabia algumas coisas a mais que a outra mas nada gritante. As duas muito fofas e espertinhas. Coloquei as duas no nível 1 porque abordagem de escola de idiomas é diferente, costuma ser mais puxada que a de colégio, e tal. Disse exatamente isso para a mãe que foi embora sem nem querer falar com o divulgador do curso.

Pois a mulher ligou aqui hoje alterada dizendo que as meninas "CLARAMENTE TEM UM NÍVEL DIFERENTE E QUE ESSE COORDENADORA AÍ ESTÁ QUERENDO PUXAR UMA PARA BAIXO PARA PAGAR UM SEMESTRE A MAIS DE CURSO." E que ela estava decidida a matricular as meninas aqui mas depois da falta de profissionalismo dessa coordenadora aí (no caso euzinha) ela vai repensar.

É bem chato ter que lidar com gente que acha que sabe fazer uma coisa que eu estou aí fazendo há o quê? Quinze anos. Ter que lidar com mãe super controladora e com mania de perseguição que achou por bem me esculachar de graça sem nem ter conversado comigo, questionado a avaliação. Eu sei que é parte do meu trabalho lidar com gente louca, mas quando gente louca questiona minha competência é mais puxado. Me deixa mal.

Nessas horas eu sempre lembro de uma colega minha que dizia que o sonho dela era dar aula numa escola de órfãos - porque as crianças são incríveis, os pais é que estragam tudo.

terça-feira, 30 de junho de 2015

A irmandade do quilo

Eu sou professora de inglês e durante boa parte da minha vida trabalhei em 476 lugares diferentes ao mesmo tempo, o que significa que eu nunca tive um rotina para coisas básicas tipo: almoçar. Almoçava quando dava, onde dava, o que dava.

Hoje eu coordeno uma escola de idiomas e minha rotina ficou mais tranquila, então almoço todo dia no mesmo lugar, um quilo vegano a dois quarteirões da escola. Não sou vegana mas gosto de lá porque é barato, a comida é deliciosa e carne, ovo e laticínios não fazem muita falta na minha dieta, então tudo bem. E quando a gente almoça sempre no mesmo lugar e no mesmo horário parece que surge a ~irmandade do quilo~. No caso, do quilo vegano, o que traz ainda mais personagens para nossa confraria. Fazem parte da irmandade do Delícia Natural (sim, é esse o nome do restaurante) das 12h00 às 12h40:


- Os moleques com uniforme do colégio adventista que fazem um Everest de alface, tomate e cenoura no prato.

- As velhinhas que pegam um colherada de absolutamente TUDO que estiver no bufê.


- O casal hipster que bate altas DRs diárias. O moço guarda a mesa enquanto a moça se serve mesmo o restaurante estando vazio.


- As crianças do colégio adventista que pulam a salada e comem só macarrão e pizza. (Cês acham que vegano só come mato?)

- O gringo que escolhe cada folha de rúcula que vai colocar no prato como se a vida dele dependesse disso. Nunca fique atrás do gringo. Repito: nunca.



- A moça de cabelo super liso, super comprido e super preto que deve estar tentando converter a galera do escritório, pois cada dia aparece com um colega diferente.

- As professoras do ensino fundamental do colégio adventista que se sentam bem no cantinho para não ter que interagir com os alunos.

- A tiazinha que vai lá todo santo dia e ainda assim faz questão de perguntar o que é cada coisa quando não tem plaquinha.



- O homem que trabalha no banco e leva muito a sério esse negócio de irmandade do quilo porque outro dia faltou me abraçar na fila da Caixa Econômica.

- O professor de história do colégio adventista (Todos os adventistas são veganos gente? Me expliquem) que usa cachecol mesmo no calor e adora falar bem alto sobre como ele é idealista e vai mudar o mundo.

- A magrela que almoça sozinha, sempre repete a quiche de abóbora e nunca pula a sobremesa. (euzinha)

Acho que deveríamos elaborar um cumprimento secreto. Desses que só essa gente esquisita que não come carne, ovo ou laticínios conseguiria reconhecer.



segunda-feira, 29 de junho de 2015

O que aprendemos com a morte de Cristiano Araújo

*SPOILER ALERT*

Talvez não tenhamos aprendido nada, obviamente, porque a gente as vezes ~tem dificuldade~. E eu sei que já faz uma semana, desculpa gente, mas o Zeca Camargo foi lá desenterrar o morto e ao invés de fazer textão no facebook eu vim pro blog porque é pra isso mesmo que ele serve. 

Se você não está entendendo nada, o Zeca Camargo foi lá fazer textão nem sei onde pois nãoly e nemlerey, mas basicamente criticando a comoção nacional com a morte do rapaz e dizendo que o povo deve chorar por ídolos de verdade como a princesa Diana (HAHAHAHAHAHAHAHAHA meça sua referências de ídolo, parça), enfim. Mexeu num vespeiro, né? Foi xingado até umas horas e teve que ir lá fazer mea culpa no Vídeo Show. 

Vou contar um historinha: em 2012 eu estava de férias na Espanha. Liguei a TV do hotel e estava passando o Jersey Shore deles lá, o Gandía Shore. E nesse episódio o povo estava em uma balada e a música que estava tocando era o Bará bará bará berê berê berê. Eu nem sabia quem cantava isso mas sabia que era famosa, que tocava direto por aqui. E gringo adora essas coisas, né, vê o sucesso que Ai se eu te pego fez no mundo inteiro. 

Daí o rapaz tristemente morreu. E eu descobri que o Bará bará bará berê berê berê que fazia sucesso até na Espanha em 2012 era dele. E eu também descobri que ele era amado, idolatrado por milhares de pessoas e que o fato de eu nunca ter ouvido falar dele não mudava isso. A ignorante, no caso, era eu.

Na verdade então aprendemos alguma coisa sim, coleguinhas. Aprendemos que:

1) Não é porque você não conhece uma coisa que ela não existe
2) Não saber quem era Cristiano Araújo não faz de você uma pessoa mais culta ou mais legal
3) Tem gente se orgulhando de não conhecer nenhuma música do cara mas segue aí firme e forte ouvindo Velhas Virgens.
4) De repente o burro é você, né? 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Reminiscências

Ontem tinha um hippie tocando Gita no túnel da Lapa e eu lembrei do meu padrinho, o tio Valério.

O irmão mais novo do meu pai.
O único da família que usava óculos além de mim.
O tio que falava inglês e que me fez querer falar inglês também porque eu achava aquilo simplesmente mágico.
O tio que me apresentou Asterix e Tintin para me fazerem companhia nos dias de chuva nas minhas férias em Santos.
O tio que gostava de Raul Seixas e não sei por quê minha memória registrou especificamente "Canceriano sem lar" e uma versão em inglês de Gita.
O tio que tentou me ensinar a jogar xadrez.

O tio que está tão longe mas que se tem uma coisa que fez nessa vida foi dar um check em praticamente todos os itens da lista de "como ser um tio massa."


sexta-feira, 12 de junho de 2015

A cozinha da ~firma~

Mais uma vez o querido Felipe me inspira a fazer meus posts. Apareçam lá no blog dele para dividirmos a audiência, pfv. Foi graças a um post dele sobre um briga por causa de uma Becel mais minha experiência pessoal que cheguei à conclusão de que cozinha de ~firma~ dava praticamente uma sitcom. Ou uma séria de mistério, depende do ponto de vista.

Cozinha de ~firma~ Episódio 1
Quem comeu meu requeijão?



O requeijão e a margarina costumam ser mesmo itens de ninguém na geladeira da firma. O cara tá lá, comprou um pão francês, vê a Becel de bobeira e pensa: "só um pouquinho, ninguém vai perceber." O problema é que o cidadão faz isso todo dia, o que faz com que a margarina acabe duas vezes mais rápido do que normalmente acabaria. Sim, o dono vai perceber, colega. E roubar margarina está previsto como conduta irregular no manual da firma.


Cozinha de ~firma~ Episódio 2
Quem almoçou comida fedida? 



Daí você, que almoça mais tarde, chega na cozinha lá pelas duas horas e é recepcionado pelo cheiro da morte. O lixo está vazio, nenhum animal desencarnou no recinto nas últimas duas semanas, ou seja: saiu da marmita de alguém. Você poderia até se perguntar quem no universo comeria alguma coisa com aquele cheiro, mas está ocupado demais sobrevivendo no momento.


Cozinha de ~firma~ Episódio 3
Quem fez pipoca de queijo no microondas?



Quatro da tarde, você aparece para tomar um cházinho e encontra a cozinha cheirando a um pacote de cheetos. Sim, alguém decidiu que seu lanche da tarde seria uma deliciosa pipoca de microondas sabor queijo. Chame um pai de santo, porque esse odor só sai com sessão de descarrego.


Cozinha de ~firma~ Episódio 4
Quem lava a louça igual ao nariz?



No seu primeiro dia de trabalho, durante o tour pelas instalações da firma, seu guia já avisa: "Aqui é a cozinha. Quando vier almoçar não pegue talheres direto do escorredor porque tem alguém aqui só bate uma água na louça suja." Por via das dúvidas, traga seus talheres.


Cozinha de ~firma~ Episódio 5
De quem é o tupperware aniversariante?




Todo mundo conhece aquele tupperware. Está na terceira prateleira, atrás do requeijão do chefe, desde antes da Copa. Desconfia-se que o dono nem trabalha mais lá, mas por via das dúvidas ninguém mexe pois provavelmente seria necessário chamar a vigilância sanitária depois.


Cozinha de ~firma~ Episódio 6
Quem vai almoçar com o chato do RH?




Acontece. Você se programa direitinho, fica só de olho para ver que horas ele vai subir, espera ele voltar. Mas tem dias em que não dá: um reunião que se alonga, um pepino para resolver e quando você resolve almoçar, lá está o cara do RH que acredita em heterofobia e compartilha Revoltados on line no Facebook. O jeito é fingir que só foi tomar uma água e voltar mais tarde porque a vida é muito curta para dividir mesa com gente que curte a Rachel Scheherazade.


E esta foi a primeira temporada de "A cozinha da ~firma~" Agradeço pela audiência e aguardem nosso spin off : "O banheiro da ~firma~"


terça-feira, 9 de junho de 2015

Culinária-ostentação

Ontem eu estava voltando do almoço e passei na frente da Mundo Verde (uma rede de lojas de produtos natureba), como faço todo dia. Eu sou mega-natureba mas tenho pavor da Mundo Verde porque ela vende coisas caríssimas que a gente pode comprar por um terço do preço a granel no mercadão da Lapa (esse sim amor verdadeiro, amor eterno) e porque as vendedoras de lá tem cara de quem está permanentemente com hemorroidas. E ontem, na lousinha de ofertas da Mundo Verde eis que eles estavam anunciando um chá "detox-gourmet". Quase bingou a cartelinha das palavras sem sentido: faltou "glúten-free", "orgânico" e "sem lactose". Ou seja, tão gourmetizando até cogumelo do sol.

Falando em gourmetizar, Domingo fui a um desses estabelecimentos que tá pouco em São Paulo, tem que ter mais: um mercado chique-gourmet-diferenciado, o famoso Eataly.

Tinha fila para entrar. Num mercado. Vocês leram direito coleguinhas. Fila.para.entrar.num.mercado.

Galera, deixa eu contar uma coisa pra vocês: cês tão em São Paulo. Cês tão num dos maiores centros gastronômicos do mundo. Essa coisarada que vende aí no Eataly já deve vender há um tempão nos empórios e mercearias chiques da cidade, carece fazer fila só porque o lugar é de grife não.

Entrei, andei, tudo lindo e tudo caro e eu que sou natureba já não me impressiono mais com essas coisas de culinária-ostentação. E olha que eu gosto de comer. A gente queria almoçar, mas nos restaurantes dentro do Eataly as filas eram de uma hora e meia no mínimo. Naqueles que ainda tinham comida, porque duas horas da tarde do Domingo o moço já anunciava que a massa tinha acabado, só pizza agora. E eu acho que há certas regras com comida que simplesmente não podem ser quebradas: pizza só no jantar e fria no café da manhã. Almoçar pizza deve ser considerado pecado em alguma religião.

Desistimos. Passamos no caixa com um pacote de macarrão cada um e seguimos para um rodízio árabe sensacional lá Vila Madalena. Obrigada, falecida Mama Leila, saímos rolando e felizes de seu estabelecimento. Comemos muito melhor que um pratinho de massa de 50 reais.

Pelo fim da culinária-ostentação. Por mais Mamas Leila nessa cidade.

sábado, 30 de maio de 2015

Belém facts

Não acho que minha irmã tenha inventado isso, mas ela certamente está aproveitando um nicho ainda pouco explorado no mercado brasileiro: o turismo de concurseiro. Explico: minha irmã é advogada e decidiu tentar a magistratura. Com isso está percorrendo o país atrás de concursos para juiz e fim de semana passado foi parar em Belém e levou com ela minha mãe, uma amiga nossa e euzinha. Agora já posso dizer que estive nas cinco regiões brasileiras. Sentem aí que lá vem o Belém facts:

Faz calor em Belém, mas acho que isso vocês já sabiam. Fora a umidade que destrói qualquer progressiva (aliás um beijo para a Neide, minha cabeleireira, por fazer uma progressiva destruidora que resistiu bravamente). 

Eu nem gosto de sorvete (pausa para a indignação de vocês)  mas agora que eu voltei não sei como vai ser minha vida sem o sorvete de mangaba da Cairu.


melhor.do.mundo

Não tem Brahma nem Skol em Belém. Aliás não tem cerveja de 600 ml e long neck só Cerpa e Tijuca (feita com a água mais pura do mundo, a da Amazônia, segundo o rótulo).

Em Belém gelinho (ou chup-chup, ou sacolé, ou dindim, depende de que lugar do Brasil você veio) se chama chopp. E chopp se chama gelinho (mentira, chopp chama chopp também, ninguém confunde). 

Odeio quando me proíbem de rasgar dinheiro

Eu quase matei a minha mãe quando ela resolveu que ia levar pirarucu congelado de volta pra São Paulo mas descobri observando a esteira de bagagem em Guarulhos que ir a Belém e voltar sem um isopor é como não ir a Belém. 

Se um dia você for a Belém faça um favor a si mesmo e vá comer moqueca de filhote na Peixaria Amazonas (ou em qualquer outro lugar, certeza que vai ser tão bom quanto). Lugar simples, atendimento simpático, preço justo e comida dessas de contar pra todo mundo. É só o que a gente precisa nessa vida.


Sente o drama

Tudo em Belém fica a 12 reais de distância de táxi.

Belém é incrível e dois dias são muito pouco para ver tudo que tem lá.


Foto com cara de "aff tira logo que eu odeio posar pra foto". 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sobre nomes e músicas

Eu conheço três Marinas e as três preferiam estar mortas a ouvir pela quinquagésima vez algum velho cantando "Marina, Marina morena, você se pintou..." cada vez que elas se apresentam. Uma delas, inclusive, vociferou dia desses: "Puta música machista, me poupem."

Quando eu estava na escola uma das minhas melhores amigas se chamava Camila. E se chamar Camila em 1990 era ser obrigada a ouvir algum infeliz gritando "Camila - A uoooou! Camilaaa... Camila..." pelo menos umas 10 vezes por dia. Ela tinha pavor. Quantas vezes a gente não cantou essa música fechando os olhos e pensando "ai que liiinda" sem se dar conta de que ela falava de um relacionamento abusivo, heim?

Sem querer ser "e eu?" mas já sendo, podia ser pior, gente. Eu carrego nas costas uma belíssima música chamada "Festa da Paula", que contém versos muito originais do tipo "Paula dentro, Paula fora". Eu ainda não tinha escutado esse trocadilho, sabem? Naquela semana. Na verdade não é pior não, já que ninguém conhece esta desgraça desta música, só eu.

Namorado chama Diego, e na improbabilidade de ser "homenageado" por uma música por ser homem, tem uma também - tem aquela magia e alegria rastafári afrocigana (oi?) de Ragatanga.

Deixo aqui meu abraço às Julianas, Paulas, Marinas, Camilas e outras moças que já foram homenageadas com músicas bosta. Não dá pra escolher, né gente? Nem todo mundo pode se chamara Beatriz ou Luiza, fazer o que?

P.S.: Ok, tem aquela lindeza do Milton Nascimento chamada Paula e Bebeto, mas ninguém sabe que chama Paula e Bebeto, né, todo mundo acha que chama "Qualquer maneira de amor vale a pena", então não vale.

sábado, 2 de maio de 2015

Jesus Van Dame

Trabalhar na emenda do feriado dá nisso.

Conversa na secretaria:

"Paula, a Denise encontrou sentido na vida dela: filme de Jesus com ação."

"Como assim, tipo Jesus Van Dame?"

"Não tipo Êxodo, Noé, que dá altas tretas, altas brigas e tals."

"Ah, tá, pensei que era Jesus por aí fazendo justiça com as próprias mãos, dando altos golpes de caratê etc." 

"Hahahaha não, mas até que esse era boa ideia." 





sexta-feira, 24 de abril de 2015

Mágoa de caboclo

Conheço o cara há alguns anos mas nunca fui amiga dele, a gente só trabalhava junto. Cálegas. Ele mudou de país, casou, mudou de profissão, ficamos anos sem nos falar. Daí ele voltou pro Brasil ano passado e continua trabalhando em outra área mas queria umas aulas aos sábados para fazer um dinheiro a mais e comprar um apartamento e tals. Me procurou, eu estava precisando, contratei.

Daí ele comprou o apartamento e fez um chá de casa nova. Me convidou via evento no facebook. Eu não sou próxima dele, não confirmei participação e em momento nenhum ele me perguntou pessoalmente se eu iria (o que ele poderia ter feito, já que a gente trabalha junto).

Uma pessoa apareceu na festa. Uma.

Como é que eu sei se eu não fui?

O marido do cara fez um textão magoadinho no Facebook choramingando que tinha acordado 5 horas da manhã para preparar a festa, reclamando que as pessoas não tem consideração e mimimi. E me marcou.

Eu que não sou amiga deles. Que não confirmei participação nem pelo facebook. Que nem fui convidada pessoalmente.

Apenas um grandessíssimo vá procurar um lote pra carpir meu senhor. Obrigada.

Em tempo: o casalzinho em questão é homofóbico (ser gay tudo bem, a gente também é, mas não precisa ser afeminado nem promíscuo, por favor), misógino (lésbica então, senhor amado, mulher nem gente é, não é mesmo?) e compartilha post do Marco Feliciano. Por que não estou surpresa de não ter aparecido ninguém na festa?

Bianca me representa

Update: Eu tinha rascunhado esse post e não ia publicar, mas o cara se mostrou ser ainda pior tipo de gente do que eu achava que ele era. Ficou nervosinho porque eu estava cobrando as ~burocracias~ de escola dele, preencher lista de presença, ficar em dia com planejamento, não ser grosseiro com mãe de aluno (yes, ele fez isso) e decidiu simplesmente abandonar as aulas. E fez isso pelo Facebook, as seis da manhã do dia que ele dava aula as oito. Ainda não inventaram um palavrão pra quem faz isso.

Pior: os alunos já sabiam. Ele poderia, deveria na verdade ter me avisado antes, mas decidiu fazer do outro jeito com a única intenção de me irritar. Fucei no facebook dele e descobri que ele tinha ido para Buenos Aires no dia em que deveria estar em sala de aula. Curti o post porque eu guardo rancor sim. Ele me bloqueou. Gentinha.

Ganhei um desafeto, gente. Por essa eu não esperava.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Se eu pudesse voltar no tempo...

O Felipe, que tem um blog ótimo, fez este post igualmente ótimo sobre arrependimentos. Eu tenho alguns arrependimentos na vida, mas se for pra contar um, lá vai. Se eu pudesse voltar no tempo eu teria escolhido a alternativa C.

2008 (ou 2009). O Roberto Justus tinha um programa chamado 1 contra 100 na Band ou na Record, preguiça de procurar. Era um quiz de perguntas e respostas onde um candidato concorria a um milhão de reais contra cem pessoas numa platéia. Ele tinha que ir acertando as perguntas até eliminar todo mundo dos cem que também estivessem acertando. Se ele errasse, o prêmio que ele tinha ganhado até então era dividido entre quem tinha acertado na platéia.

Eu estava na platéia. E estava matando a pau, acertando tudo porque se tem um negócio que eu domino nessa vida é cultura inútil. Até que veio a fatídica pergunta:

"Se você estivesse irritado com o Carlos Caetano Bledorn Verri, estaria na verdade irritado com quem?" (as perguntas eram sempre formuladas assim)

a) Com o Rivellino
b) Com o Cafu
c) Com o Dunga

Mas Paula, minha fila, como você errou isso? Como assim você não sabia que o nome do Rivellino é Roberto e que com esse sobrenome Bledorn tava meio ruim de ser o Cafu?

Primeiro eu não lembro se a alternativa B era mesmo o Cafu. Talvez fosse uma opção mais plausível. Segundo que a gente tinha tipo 10 segundos pra responder cada pergunta. E em 10 segundos ali valendo um milhão a gente faz as associações mais imbecis possíveis. A minha foi: "Ok, o Rivellino é Roberto e o Dunga é técnico da seleção brasileira. Não é possível que eu nunca tenha ouvido o nome completo do técnico da seleção brasileira." Fui no Cafu. E fui eliminada.



Mas o problema nem foi ter sido eliminada em uma pergunta tão besta. O problema é que a pergunta seguinte era:

"Um mitômano é uma pessoa que tem mania de:"

a) Mentir
b) Se lavar
c) Liderar

Essa pergunta conseguiu ser mais ridícula que a anterior. E o um, o cara que estava concorrendo sozinho a um milhão, errou. Ele tinha ganhado 200 mil até então, e sobraram 9 na platéia que tinham acertado essa pra dividir o prêmio. Eu teria acertado se não tivesse cagado na do Dunga. E teria levado pra casa 20 mil.

20 mil, né gente? Não é uma fortuna nem nada, mas ganhar 20 mil reais assim, num domingão, só por ter apertado uns botõezinho certos, não teria sido nada mau. Quando é que vocês acharam que saber o nome do Dunga valeria 20 mil reais, heim?


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Converse com seus filhos sobre tinta de cabelo

Eu clareei o cabelo. Depois de anos cobrindo os brancos teimosíssimos que não aceitam que eu sou xófem e continuam aparecendo desisti de lutar e resolvia aceitar o fato que eu não vou ficar velha, vou ficar loira.

Ficou bom? Não ficou bom.

Tinha muita tinta no meu cabelo e o produto não conseguiu abrir a cor o suficiente, então nesse momento está um negócio meio mico-leão dourado meets Ana Maria Braga. Enquanto a cabeleireira secava meu cabelo eu já planejava como eu ia escapar do trabalho no meio do expediente pra cobrir aquela cagada em outro salão. Daí ela secou, e eu aceitei que ser loira exige persistência e que se eu quiser que isso dê certo vou ter que sobreviver ao amarelo pelos próximos dois meses, que é o tempo de tentar clarear de novo sem sair por aí parecendo que eu coloquei uma vassoura na cabeça. Antes mico leão dourado que vassoura.

Merda no cabelo, quem nunca fez?

Eu sei que tenho essa carinha de bebê, mas nasci em 78, coleguinhas. Isso significa que eu fui adolescente no começo dos anos 90, vocês tem noção do que era isso? Não tinha Netflix. Não tinha internet. Mal tinha computador, a gente jogava Prince of Persia no Itautec brancão do tio rico. Nossa referência de vida era a revista Capricho. Quão cagada deve ser uma geração que tinha como referência a revista Capricho?

E não tinha tinta fantasia. A gente descoloria com água oxigenada no banheiro de casa e cobria com papel crepom. Durava duas horas. Daí como também não tinha máscara de hidratação que prestasse, a gente passava meses com aquela piaçava na cabeça achando tudo maravilhoso. Ou cobria tudo com preto azulado e andava por aí parecendo a Mortícia Adams de Keds cor de rosa.

A mãe deixava? A mãe não deixava.

Mas a mãe trabalhava o dia inteiro e papel crepom custa baratinho. Por isso eu digo, mães: deixem as minina. Os minino também. Levem num salão bão. Não permitam que eles aprendam nas ruas.
Conversem com seus filhos sobre tinta de cabelo antes que seja tarde demais.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Fazendo crítica musical do meu jeitinho

Daí eu queria levar uma música muderna para a minha aula de Básico e pedi uma sugestão para o pessoal que entende dessas coisas, a.k.a a secretária de 18 anos lá da escola. Me sugeriram o Ed Sheeran. Tive que jogar no google.


Bonitinho ele, né? Parece um cachorrinho. Dá vontade de adotar e batizar de Floquinho, depois levar pro Pet Shop pra ele voltar com uma gravatinha. Tudo bem inho mesmo.

Não, pera

Daí fui procurar a música, Cliquei na primeira que o youtube me sugeriu com o nome dele. E veio isso:


A música é chata, né? Deve estar bombando em casamento. Eu, se um dia me casar, vou querer um negócio bem cafona tocando, tipo "Bed of Roses" do Bon Jovi, não um negócio cafona que o pessoal acha que é legal, tipo isso. Fora o clip. 2015 e vocês me fazendo um clip desse, galera? Essa mulher de camisola rodopiando, ele com essa cara de tonto fazendo dois pra lá, dois pra cá, esse cenário, tudo, tudo, tudo muito ruim. Soube que vai ter (ou teve) show desse moço por aqui e que vai custar (ou custou) muitas centenas de reais.

Dessa vez não deu, heim, Ed? Fica pra próxima.



terça-feira, 31 de março de 2015

Dia de limpar a geladeira.

Dia de limpar a geladeira é sempre tenso, né? Se você mora sozinho ou mal come em casa pior ainda. Lá em casa somos dois que comem na rua todo dia então a limpeza da geladeira é praticamente um passeio na ladeira da memória.

Tem aqueles dois pães doces enfiados num saquinho atrás do queijo. Mas a gente nunca compra pão doce, ainda mais daquele tipo, cheio de creme e coco. Daí lembra, opa, minha mãe esteve aqui há, o que, três semanas? Tem cara de coisa dela esse pão doce.

Na gaveta de vegetais um pepino japonês e dois kiwis molengas - foi aquela semana em que a gente começou a dieta, lembra? Faz o que... uns 15 dias... Pensando bem, foi depois do carnaval. Mais de mês e esse pepino aí, gente.

E a cenoura? A cenoura brotou e eu nem lembro quando comprei. Cenoura dura tanto, né? Tanto que a gente esquece que ela existe. O gengibre também. Comprei naquela vontade de desinchar, jurando que ia fazer suco detox todo dia. E ele, que também dura horrores, ficou preto.

Mas a gaveta dos vegetais é a parte fácil. Salvo casos extremos de uma abobrinha aniversariante derretendo dentro de um saco do Extra, vegetais e frutas não cheiram tão mal mesmo quando passados. Se bem que teve aquelas amoras que fermentaram, enfim. Casos raros.



Difícil mesmo são os tuppewares. Porque só deos sabe o que pode sair de dentro de um tupperware esquecido no fundo da geladeira. Pior ainda se for daqueles caros, de vidro, com tampa vedada que não deixa escapar o cheiro da morte que emana do que quer que seja que está lá dentro. Tuppewares de vidro sobrevivem semanas, meses despercebidos até que alguém finalmente se pergunte: "mas o que será que tem aqui?" e tenha a corajosa atitude de abri-lo. Requeijão também é temerário. Dependendo do tempo é capaz de você abrir o pote e ganhar um abraço do que estava lá dentro. Geladeira de solteiro é a prova de que a vida se forma por geração espontânea sim.


Ovo. Ovo é drama. Dura pra sempre, mas há limites. A gente puxa da memória quando foi a última vez que comprou uma bandeja de ovo e... nada. Nenhuma pista. Melhor descartar a descobrir que ele virou uma arma de destruição em massa. porque cheiro de ovo podre, vocês sabem. Só sai com sessão de descarrego.


Geladeira de república é pior que de solteiro, porque está sempre cheia de coisa sem dono. Ninguém quer se responsabilizar por aquele iogurte que venceu no governo Lula ou aquela panela cheia de um negócio verde peludinho que, desconfia-se, tenha sido arroz um dia. E aquele ovo de páscoa mal embrulhado ali no canto, já pode cantar parabéns pra ele?


Limpeza de geladeira deveria pagar adicional de insalubridade pra faxineira. Como lá em casa é a gente mesmo que faz, o negócio é colocar as luvas, a máscara, e rezar pra não sair nada vivo de lá de dentro. Desejem-me sorte.


sábado, 28 de março de 2015

Sábado na firma

Sábado de manhã, escola bombando, gente pra tudo quanto é lado, molecada amontoada na secretaria pra tentar adivinhar quantos chocolates há dentro do pote da brincadeira de Páscoa, tá tudo lindo, tá tudo indo bem. Uma senhora chega puxando uma menininha de uns 9 anos cheia de livros:

"ELA TEM PROVA SEGUNDA FEIRA NA ESCOLA, TEM ALGUÉM AÍ PRA TIRAR UMAS DÚVIDAS DELA?"

"Bom dia, precisa marcar um horário, agora os professores estão dando aula."

"MAS ELA TEM PROVA SEGUNDA-FEIRA, NÃO TEM NINGUÉM PRA RESPONDER UMAS PERGUNTAS?"

"Infelizmente plantão de dúvidas só com hora marcada."

"MAS COMO É QUE ELA VAI FAZER PROVA, QUEM É A COORDENADORA?"

"Sou eu mesma, prazer."

"ENTÃO VOCÊ VAI RESPONDER UÉ, FULANINHA, PEGA O LIVRO!"

A menina abre o livro do curso de inglês.

"Então, mas se a dúvida é daqui do curso pode ficar tranquila, ela não vai ter prova ainda."

"MAS A DÚVIDA NÃO É DA ESCOLA, FULANINHA?"

Menina: "Não, é daqui... da escola eu sei a matéria"

"MAS VOCÊ NÃO SABE FAZER ISSO? (Aponta para um exercício em branco) A PROFESSORA NÃO ENSINA A FAZER ISSO, COMO PODE?"

Menininha já está com os olhos marejados.

"Mas isso é normal, as vezes a professora explica e eles ficam com dúvida depois, não tem problema, a gente marca um horário e ajuda com a lição."

"AFF FULANINHA, COMO É QUE VOCÊ NÃO DISSE QUE ERA DÚVIDA DAQUI, AFF, VAMOS EMBORA!"


Agora vamos brincar de Corra, Lola, corra e reencenar a história mudando alguns detalhes:

Sábado de manhã, escola bombando, gente pra tudo quanto é lado, molecada amontoada na secretaria pra tentar adivinhar quantos chocolates há dentro do pote da brincadeira de Páscoa, tá tudo lindo, tá tudo indo bem. Uma senhora chega acompanhada de uma menininha de uns 9 anos cheia de livros:

"Bom dia, minha neta tem prova na escola segunda-feira e está com umas dúvidas, tem algum professor livre agora  que possa ajudar?"


"Pois não, qual é a dúvida?"


Tão mais fácil, né coleguinhas? A menininha não iria chorar, os outros alunos da escola não iriam olhar para a mulher como se ela fosse louca (como se ela fosse, heim? heim?), eu não agarraria ódio eterno dela pra sempre e todo mundo ficaria feliz.

Seres humanos, qual o problema de vocês?


quarta-feira, 4 de março de 2015

Blog da Peppa

Olá coleguinhas.

Gostaria de anunciar que a partir de hoje mudarei o nome deste blog para "Blog da Peppa" e o mesmo passará a conter apenas fotos e histórias da minha gata recém adotada.

Mentira.

Mas foi um processo duro de convencimento do ómi lá em casa e em uma semana eu já estou completamente apaixonada pela bichinha (na verdade, eu fiquei completamente apaixonada no minuto em que a tutora entrou no apartamento com ela no colo, enfim) então me deixem ser a tia louca dos gatos um pouquinho.

A pequena Peppa mal chegou ao seu lar e já passou por uma prova duríssima: a faxina. Quem tem gatos sabe a aversão que eles nutrem por móveis arrastando, coisas saindo do lugar e, o horror o horror: aspiradores de pó. Com minha tigradinha não foi diferente.

Faxineira (que é comitê também) chegou, foi devidamente apresentada ao bebê e começou o que tinha que fazer. Eu só entraria no trabalho mais tarde, então fiquei no quarto com a gata colocando os estudos em dia. Faxineira foi embora, terminei minhas coisas, tomei banho e estava saindo quando resolvi procurar Peppa para me despedir.

Nada.

Nem um bigode.

Fucei o apartamento (quem tem 60 metros quadrados gente, não é uma mansão), abri gavetas, olhei debaixo dos móveis, atrás da geladeira. Nada.

Saiu pela porta da frente com a faxineira, pensei. Como moro no térreo, saí desesperada, chorando, crente que tinha falhado miseravelmente no papel de mãe de gato, me sentindo a mais irresponsável das criaturas. Andei pelo estacionamento, procurei no jardim, acionei porteiro, pessoal da limpeza, vizinhos, uma beleza. .

Decidi voltar e colocar o bichinho de pelúcia dela e o pote de comida no capacho da entrada e esperar ela voltar pelo cheiro. Deixo os dois lá e, quando me viro de volta lá está ela, me olhando com cara de "q" em cima da mesa. Não tenho a menor ideia de onde ela pode ter se escondido.

Terça-feira teve faxineira de novo. E teve whatsapp da faxineira nervosa achando que tinha perdido a gata. E teve toda a conversa do "se não foi pela porta da frente não tem por onde ela ter saído". E teve faxineira me pedindo notícias a noite. E teve Peppa toda faceira me esperando na porta quando cheguei.

Precisamos resolver essa coisa dela com o aspirador. Nosso coração não vai aguentar perdê-la duas vezes por semana.

E para encerrar uma foto dela por motivos de: nhóim.




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

De como eu fui para o PS com uma caixa de transporte

O combinado era o seguinte: eu iria trabalhar, de lá encontraria o namorado no médico e juntos iríamos buscar a nova habitante da casa. Acordei meio mal, com dores no corpo e calafrios, mas primeiro dia de aula, tenho que ir. No meio do caminho percebi que não dava, eu estava mal mesmo. Desviei para o PS. Eu e a caixa de transporte. Não tinha febre, dengue descartada, fui medicada e voltei pra casa. O único pensamento era: preciso melhorar, tem uma gatinha me esperando. Dormi, dormi, comi, dormi, dormi, dormi e no horário combinado lá estava eu, esperando o namorado. Com a caixa. 

Duas horas depois, a caixa não estava mais vazia. Durou pouco, entretanto, pois a pequena miou, miou, miou e eu decidi que a vida é muito curta pra não pegar bebês gato no colo. 10 minutos e a caixa se tornou inútil.

Esta é a Peppa. Prazer, pessoal.



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Joãozinho

Cortei o cabelo bem curtinho. Já usei esse corte antes e sei que daqui a pouco vai ter gente fofa e bem intencionada me marcando em textão de ómi dizendo que mulheres de cabelo curto são misteriosas, descoladas, corajosas e blá-blá-blá.

Coleguinhas, eu sei que a intenção é boa, mas não façam isso. 

Primeiro porque eu não estou nem aí para o que os ómi acham do meu cabelo. Eles não tem que achar nada. Cortei porque é prático e me acho gata de joãozinho, não cortei pra ómi achar bonito. 

Segundo porque textão de ómi exaltando mulher de cabelo curto-ruiva-baixinha-de óculos etc e tal nada mais é do que cagação de regra disfarçada de elogio. É como se sujeito dissesse: mulher de verdade (defina isso, campeão) é assim ou assado, as outras são feias, sem graça ou sei lá o que.

É como a coleguinha Juliana disse: quando ómi escreve este tipo de texto é como se ele estivesse dizendo "pode ter cabelo curto sim, a gente acha legal". Só que eu não lembro de ter pedido a opinião de ninguém. Réshitégui souchatamesmo


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Continho felino

Eis que o casal, após alguns anos juntos, resolve dar um passo à frente no relacionamento e adotar um gato. O desejo partiu da moça, no caso eu, gateira desde antes de ser moda mas que por circunstâncias da vida fui obrigada a abrir mão dos meus felinos. Ele, o namorado, embora goste de animais de estimação, se dizia pouco confortável com a responsabilidade e talvez a bagunça que um gatinho traria. Foram meses de insistência, de vídeos fofinhos no facebook, de reuniões do comitê das tias loucas dos gatos com gráficos e apresentações em ppt para mostrar ao moço quanta alegria um bichinho proporcionaria até que ele se convencesse. O apartamento foi telado, o comitê foi acionado e em poucos dias surgiu uma vira-latinha cinzenta pronta para ganhar um lar assim que sua tutora voltasse do feriado de carnaval. Faltava então apenas os suprimentos para receber a bebê. E eis que o casal vai a um pet shop desses famosos numa noite de quinta-feira providenciar o enxoval da nova habitante. Segue o diálogo:

Eu: boa noite, precisamos de uma caixa de areia.

Vendedor: olha, essa fechada é muito boa, eu uso com os meus porque não deixa cheiro pela casa. Vocês sabem né, pra evitar aquele cheiro de cocô que espanta as visitas. 

Namorado me olha como que diz "mas você não me disse que gato não deixa cheiro pela casa?"

Eu: mas eles se adaptam bem à essa caixa fechada?

Vendedor: olha, vocês sabem como é gato. Se ele quiser vai cagar na sua cama, olhando pra sua cara. 

Moço, pelamordedeos, você sabe o trabalho que deu trazer esse rapaz até aqui? 

Vendedor: mas com um pouco de treino eles se adaptam sim. 

Melhorou, né? 

Eu: e o arranhador, você acha que precisa?

Vendedor: depende. Quanto você gosta do seu sofá? 

Mas moço, você não tem gatos também? Tá do lado de quem?

Eu: a gente gosta bastante do sofá, melhor levar um.

Vendedor: é, mas gato tem dessas, né? Pode gostar do arranhador, pode preferir o sofá, nunca se sabe. Melhor levar um baratinho.

Sério, pior.vendedor.ever. 

A essa hora namorado já estava do outro lado da loja cobiçando os peixes, esses bichos que não fazem cocô fedido na sua cama nem destroem seu sofá mesmo tendo um arranhador power 4000 última geração. Foi arrastado de volta para a seção de artigos felinos e, apesar de todos os esforços do vendedor, não desistiu da gata. Todos as bugigangas os itens de primeira necessidade foram adquiridos e se tudo sair conforme o planejado dia 25 nossa casa terá mais pelos e ainda mais amor.

Quando a bichinha chegar eu faço a apresentação oficial. Desejem-nos sorte.