terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Fazendo as pazes com o passado

O ano era 1986. Num colégio de freiras na Saúde aproximava-se o grande evento do ano: a festa junina. Com ele, o concurso mais aguardado da segunda série, a eleição da Miss Caipirinha.
Não que eleição seja a palavra exata. Para ser Miss Caipirinha a petiz não precisava ser a mais bonita nem a mais simpática ou estudiosa. Bastava vender rifas. Muitas rifas da festa do colégio.

Eu não era a personificação da simpatia, digamos assim. Entretanto, tinha (tenho) a mãe mais próativa que o Instituto Santa Amália já conheceu, e o resultado foi o esperado. Graças a uma mobilização familiar e condominial nunca vista antes, minha mãe vendeu centenas de rifas e eu ganhei o bendito do concurso. E lá fui, no dia da festa, mal humoradíssima com a roupa de caipira, a meia calça pinicando e o excesso de atenção não solicitada, receber meus super prêmios: uma coroa de cartolina com glitter e um jogo de relógios que trocava pulseira.

Pensem em decepção, leitores. Lá estava eu, do alto dos meus incompletos oito anos de idade, recebendo um kit de relógios de plástico enquanto a segunda colocada, nomeada "Princesa", ganhava um Pequeno Pônei lindinho, colorido e cheiroso. Com o coraçãozinho cheio de ódio fui pra casa, larguei aquele relógio xexelento num canto e nunca mais soube dele. Isso para não mencionar o trauma de festas juninas desenvolvido desde então.

Mas o tempo passa minha gente. E 23 anos depois, vejam só que ganhei de mãmis no Natal:


Os meus têm, claro, cores mais discretas - ao invés do lilás e do vermelho, há um cinza e um transparente.

Posso falar? Adorei. Fiz as pazes com os anos 80. Mas não com as festas juninas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A maçãzona

Tudo que aprendi nos anos de cursinho de línguas sobre os americanos é verdade. Eles são educadíssimos e gastam seus "please", "sorry" e "thank you" sem medo de ser felizes. Me ajudaram sem a menor má vontade quando me enrolei com as benditas moedinhas de cents que não têm o valor bem grandão cunhado nelas, como as daqui. Me explicaram como passar nas catracas do metrô, que não esperam ninguém: passou o cartãozinho tem que ir correndo senão ela trava. Pararam na rua oferecendo informações ao ver Queridão e eu meio perdidos com um mapa na mão. Se esforçam para atender quem não fala a língua deles, talvez porque já estejam acostumadíssimos a isso - difícil mesmo é achar um americano de verdade nas ruas de Nova York. Gente tão diferente, falando tantas línguas ao mesmo tempo, todas misturadas em todos os lugares - diversidade cultural é lá, minha gente, não aqui onde cada um mora no seu guetinho.
São Paulo se orgulha de ser cosmopolita, multicultural e blábláblá, mas a verdade é que perto de Nova York somos um bando de caipiras. Não é conversa de deslumbrada: qualquer um que já esteve lá vai concordar. É tudo muito grandioso, muito brilhante, muito muito. Deve ser um dos poucos lugares do mundo (junto com Tóquio) que ainda utilizam neon sem ser em motéis ou casas de tolerância. E haja neon.
Tem as chatices de qualquer metrópole: trânsito caótico, sujeira, lotação - tentem entrar numa Starbucks qualquer numa tarde fria de sábado. O metrô é mais deprimente do que dizem, sujo, escuro, caindo aos pedaços, mas funciona - vai para todos os lados e todo mundo usa. O café é péssimo (e isso pra mim é a morte), os doces são muuuito doces e a comida é aquela pasmaceira de desanimar: massa, hamburger, pizza, comida chinesa ou omelete. Mas o cachorro quente das carrocinhas de cada esquina é ótimo, pão e salsicha mas salsicha de verdade, não de jornal como a nossa.
Claro que não estou contando novidade nenhuma. Qualquer pessoa que tenha assistido mais de 10 filmes na vida chega a Nova York e se sente em casa. É como se já tivesse visto tudo aquilo. Eu andava procurando a lanchonete do Seinfeld, pois tinha a impressão de que ela a qualquer momento ia pular na minha frente. O próprio soup nazi do seriado se manifestou na forma do panini nazi, que diante do pedido de dois paninis to go as onze da noite respondeu com um clássico: "NO PANINI THIS TIME! ONLY SANDWICH!" Porque, né, absurdo pedir um panini as onze da noite na cidade que se orgulha de nunca dormir.
E teve o Guggenheim. Estava lá sossegada com Queridão na fila dos ingressos quando ele aponta (discretamente): Olha lá o Pierce Brosnan. E era. Em carne, osso e cabelo branco, que o ex James Bond já virou um senhor de respeito. Fez o audio tour com a gente, todo mundo tão civilizadinho, ninguém foi encher o saco dele. Se bem que o Pierce Brosnan em NY nem deve ser assim meega estrela, o povo deve estar acostumado a ver gente mais famosa. Não, não tirei foto com ele nem fiz piadinha tosca tipo "My name is Borges, Paula Borges", mas não duvido nada que algum outro brasileiro fizesse. Nossa cara.
Dá vontade de morar lá. Seria como morar num filme. Desde que não fosse "Independence day", claro.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Tathyanny vai ao cinema

Querido diário,

Hoje o Cléberson estava de folga no ônibus e me convidou para ir ao cinema. Nós pegamos o Terminal Barra Funda e fomos lá no shopping Bourbon, que é um shopping de playboy mas tem um cinema bem grandão, maior que o do shopping Pirituba.
Eu quis assistir "O fantástico senhor Raposo" porque eu vi no cartaz que é um desenho animado e eu adoro desenho animado - meu preferido é "A Bela e a Fera". Eu choro toda vez que eu vejo.
Ai diário, que arrependimento! Nem é desenho de verdade, é aqueles bonequinhos. E é tudo meio laranja, meio da mesma cor. Não é nem um pouquinho engraçado, nem tem umas musiquinhas legais pra gente cantar junto, e ainda por cima era legendado! Onde já se viu desenho legendado? Até tem um par romântico lá, o Sr. e a Sra. Raposo, mas eles começam o filme juntos, passam o filme inteiro juntos e terminam juntos. E só brigam uma vez. Fora que os bonequinhos são feios pra caramba. Ah, e do nada aparece um povo cantando, tocando violão, muito sem pé nem cabeça. Odiei.

O Cléberson tem razão - a gente devia ter assistido o 2012.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Livre arbítrio

Ouvi pelo rádio há alguns dias que a Anvisa tinha proibido o uso de câmaras de bronzeamento artificial sem requisição médica. Até aí, pouco me importei, visto que tostar o couro artificialmente numa câmara é algo que sempre passou longe da minha idéia de saudável, ainda mais com as sardas que enfeitam meu rosto e meus ombros e um histórico familiar de câncer de pele. Mas hoje, passeando pela internet, deparei-me com esta peculiar (pra não dizer insólita) notícia:

Em SP, grupo protesta contra proibição do bronzeamento artificial

Se fossem só proprietários e funcionários de clínicas, vá lá. Mas se você, coleguinha, leu a matéria, viu que as clientes também tiraram suas bundinhas do sofá e foram lá fazer estardalhaço, o que me leva a concluir o seguinte:

Tanta gente por aí desenvolve câncer sem querer... Então por que não deixar que essas antas desenvolvam câncer voluntariamente (de preferência antes de procriar) e livrem a humanidade de tanta burrice e falta do que fazer? Libera as câmaras aí, Anvisa!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Queridão pop star

Não sei se é do conhecimento dos doze seguidores deste blog, mas meu namorado (vulgo "Queridão") toca em uma banda que é composta por mais sete membros.
Vocês devem imaginar, caros leitores, que um banda pouco conhecida, que toca repertório próprio e não faz cover do Jota Quest não costuma arrastar multidões a seus shows nem servir como meio de sustento a ninguém, portanto Queridão segue com seu trabalho remunerado e fica na banda digamos assim, por diversão. E por diversão fomos parar em um estabelecimento bem peculiar na Zona Norte de São Paulo domingo retrasado.
Minha reação ao estacionarmos o carro no endereço que nos fora dado foi clichê: "Tem certeza que é aqui?" Era. Duas garagens pequenas grudadas uma na outra - de um lado o bar, com um finado piso de ardósia coberto por azulejos brancos encardidos, balcão da década de 70, adesivos velhos colados por todos os cantos, uma geladeira residencial com uns bons dez anos de uso, uma TV grande exibindo um DVD de ska e um fantoche de diabo pendurado no aparelho. Na porta um sujeito de meia idade acima do peso que ostentava dezenas de tatuagens dignas de figurar no ugliesttattoos.com varria uma quantidade assustadora de bitucas de cigarros de dentro do estabelecimento para a calçada. Era o dono do lugar. A banda tocaria literalmente dentro garagem ao lado enquanto a audiência ficaria na calçada ou na rua "curtindo o som".
Queridão e eu, como sempre, fomos os primeiros a chegar. O dono nos cumprimentou, muito simpático. Avisou que não tinha feito flyers anunciando o evento porque senão "apareceria muita tranqueira" e continuou a operação limpeza, explicando que na noite anterior tinha ocorrido um evento ali. Em seguida me ofereceu um assento no sofá velho que ficava na porta do bar, mas diante do estado de conservação do móvel achei melhor recusar. A única coca-cola do lugar era uma de dois litros aberta que provavelmente era usada para misturar com cachaça.
Pouco mais de uma hora depois a banda já estava toda lá se preparando para tocar enquanto a platéia ia chegando. Era composta basicamente de sujeitos carecas com coturnos e granadas, teias de aranha e até campainhas tatuadas na cabeça. Alguns vestiam camisetas com os dizeres "Sangue Ruim", que depois descobri ser a banda que se apresentaria depois da do Queridão.
As poucas mulheres do lugar tinham ares de que dariam uma surra em pelo menos três integrantes da banda de uma vez se eles as olhassem meio de lado. De fato, antes da apresentação uma delas deu uma surra em outra, que saiu de lá sangrando bastante. Desconheço os motivos da peleja. Os rapazes carecas também gostavam de brincar de briga, se agarrando e rolando no chão "só por diversão". Eu e as outras namoradas da banda tínhamos duas opções: ficar na rua e ser atropeladas por um ônibus ou ir para a calçada e ser atropeladas por punks brincando de jiu-jitsu.
Apesar de tudo, devo dizer que a apresentação foi ótima. O som estava melhor que o de alguns lugares mais "chiques" nos quais a banda já tocou e e todo mundo se divertiu bastante. Os moços punks eram bonzinhos, o dono do bar uma simpatia e dois Cds foram vendidos. Um sucesso retumbante que marca mais um degrau na escalada de Queridão rumo ao estrelato. Certeza.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Direito básico do cidadão

Recebi ontem este email de um ex aluno meu:

Vote contra a criminalização da homofobia
Irmãos e amigos:

O Senado está querendo saber a opinião dos brasileiros sobre o PLC 122,(Homofobia)
perguntando se você é a favor ou contra esse projeto. Para votar, vá à
enquete deste link, É SÓ COPIAR E COLAR O LINK ABAIXO:

http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0

OBS. - a Enquete está na coluna da direita, abaixo do ícone "Senado em 2 Minutos".

Para quem não conhece a PLC, segue link:
http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=79604

Se pensa em votar a favor, pesquise algo no Google à respeito da lei. Informe-se bem antes de praticar este ato de cidadania.

Vote, e mobilize seus contatos!!!!



Eu já votei.

Divulguem

JESUS VOLTARÁ, PREPARE-SE !



Como nunca recebo mensagens desse moço, calculo que ele não seja do tipo que repasse qualquer merda para sua lista de contatos inteira. Imagino, portanto, que ele tenha lido o email. Mais ainda - concordou com ele e o considerou importante a ponto de ser repassado.
Não tendo mesmo nada pra fazer (I wish), resolvi perquisar o tamanho da besteira. Lembrei que já tinha ouvido sobre o assunto, mas não fiquei sabendo o desenrolar da história, então fiz o que a mensagem me sugeria e joguei PLC 122 no google.
Fora o site do Senado (o primeiro na busca), praticamente todos os links da primeira página eram de gente indignada com o tal projeto de lei. Desnecessário dizer que a maioria coloca Jesus no meio e alega que a lei nega a eles um "direito básico" de todo cidadão: o de hostilizar o outro baseado em sua orientação sexual. Vocês leram corretamente, amiguinhos - essa gente acha que tem esse direito.

Pois olha só que idéia boa. Resolvi reivindicar meu direito básico de esculachar o outro baseado em sua falta de cérebro. Será que o governo deixa? Vou lá preparar uma petição e já volto. Mas antes vou responder o email do moço com um: "Tomara que você tenha um filho viado, beijos."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Bibelôs

Segunda feira fomos recebidas no colégio por um bilhete bem mal educado de página inteira, no qual uma mãe zelosa acusava as professoras de negligência pois seu querido filho voltara de um passeio da escola com o rosto vermelho.
Considerando que o garoto é branquinho e passou o dia todo em um clube nadando, correndo e suando debaixo de 30 graus, nem todo Sundown da nação aplicado a cada duas horas seria suficiente para evitar que ele voltasse para casa no mínimo corado. Mas claro que esse não foi o caso. Tratava-se, afinal de um bibelô frágil e desprotegido que passou o dia nas mãos de gente malvada que fez de tudo para que ele se queimasse bastante. Porque para certas mães é isso que nós somos: pessoas ruins, que gritam com seus anjinhos e maltratam os pobrezinhos diariamente. Nós perseguimos os pobrezinhos, damos notas baixas injustamente, enchemos os coitados de lição de casa, olha que absurdo! Escola que dá tarefa e manda estudar! Também não cuidamos das coisas deles, pois toda semana há pelo menos um bilhete dizendo que a escola perdeu um agasalho que o bebê de dez anos largou embaixo de um banco no pátio.

Criança precisa de cuidado, claro. Não é um saco de batata que você tira da cama, joga na perua e despeja na frente do colégio com cinco reais para o lanche (embora para outros pais seja assim que as coisas funcionam). O que incomoda é essa falta de fé no nosso trabalho, a confiança cega na bondade dos filhos e o zelo que chega num grau que beira a neurose. Já vi mãe inventar histórias de que o filho estava com problema urinário para que a professora deixasse ele ir ao banheiro toda hora.

Se tem algum pai ou mãe lendo isso aqui, eu rogo: confie na gente. Sabemos o que estamos fazendo. E por mais difícil que possa parecer, acredite - seu filho não é feito de cristal e, salvo grande fatalidade (toc toc toc), chegará quase sem arranhões à adolescência.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Como faz?

Conversando com meu coordenador do curso de línguas ele me pergunta se tenho experiência com crianças.

"Bom, eu dou aula para ensino fundamental há cinco anos..."

"Jura? E tá com essa cara boa, descansada?"

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Jantar portenho

Na falta de acontecimentos relevantes nos últimos dias, resolvi desenterrar uma história daquelas que parecem só acontecer com a gente.
Janeiro de 2007. Esta moça que vos escreve encontrava-se em Buenos Aires com seu hoje ex namorado e dois amigos gays. Procurando um lugar para jantar, encontramos um resto-bar que parecia simpático. Tendo achado tal estabelecimento no mapa gay da cidade, eu já esperava não ver muitas mulheres por lá, mas até segunda ordem tratava-se de um restaurante, e para lá nos dirigimos por volta das dez da noite.
Tudo como o esperado: ambiente iluminado, moderninho, pessoas sentadas comendo e conversando civilizadamente - esperávamos o que? Era um restaurante, afinal de contas. Pedimos entradas, umas cervejas e ficamos lá, jogando conversa fora.
Por volta das onze da noite as luzes diminuíram. Os frequentadores da casa continuaram comendo seus raviólis enquanto eu e meus companheiros estranhávamos a situação, já que em seguida a música suave do ambiente foi trocada por um batidão a la clube das mulheres. Segundos depois, sabe-se lá de onde, surge um cidadão bombado com uma roupa de motoqueiro rebolando entre as mesas - tudo muito normal. Tão normal que o moço se sentiu super a vontade e prosseguiu seu número tirando a roupa e se esfregando nos clientes, que obviamente já esperavam por aquilo. Meu namorado ameaçava se enfiar debaixo da mesa, meus amigos entraram na brincadeira e eu não sabia se ria ou se saía correndo. Só tinha certeza de uma coisa: iria certamente deixar minha pasta no prato depois daquele show. Especialmente porque nosso stripper não se contentou em ficar de sunga. Sim, crianças, ele ficou pelado. Completamente nu protegendo seu "equipamento" com uma toalhinha e passando a bunda na cara de todo mundo que deixava. No meio das massas, das sopas, das carnes e sobremesas.
As luzes se acenderam, o peladão sumiu por onde tinha surgido e os trabalhos do jantar foram retomados. Para os outros, porque meu namorado ficou puto e eu acabei indo embora com ele.
Meus amigos me contaram que as perfomances continuaram noite adentro com médico, Zorro, operário e outras cafonices que a imaginação humana permitisse. E a imaginação humana permite coisas que até deos duvida.

Fica a dica, coleguinhas. Quem quiser curtir um jantar/strip masculino em Buenos Aires não pode deixar de ir ao restaurante Inside, no centro da capital. Mas se você estiver com fome de verdade, acho melhor procurar outro lugar.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Jornalismo-verdade

Paro no jornal da hora do almoço da Record (tudo bem, quem assiste o jornal da hora do almoço na Record merece sofrer) e vejo uma imagem aérea do centro de São Paulo e um repórter anunciando uma manifestação de estudantes. A apresentadora do telejornal faz cara de confusa e diz que não está entendendo muito bem, pois alguns estudantes estão fantasiados e carregam latas de cerveja. O repórter continua dizendo que é uma manifestação e blábláblá e a polícia e blábláblá.
Nisso eu paro e faço as contas - que dia é hoje?
Caríssimos colegas, a tal manifestação que a Record denunciava de forma tão veemente era, na verdade, a peruada, uma micareta estudantil organizada pela faculdade de Direito do Largo São Francisco da qual, não mentirei aos senhores, participei ativamente durante meus primeiros anos de FFLCH.

Porque jornalista que é jornalista não pergunta, adivinha.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O anti-social

O direito de vizinhança passou a reconhecer recentemente a figura do condômino anti-social, que é aquele cidadão que deliberadamente atrapalha a vda dos outros moradores, descumpre regras, enfim: enche o saco de todo mundo de propósito, só porque é corno/burro/mala-sem-alça mesmo. Eu sou uma condômina de sorte e não tenho problemas com meus vizinhos. Mas tenho uma aluna anti-social.
A mulher é adulta, passada dos trinta anos, e está no último nível do curso de Inglês. Tecnicamente, portanto, não há nada que a obrigue a frequentar as aulas uma vez que a cidadã é maior de idade e já atingiu um nível de Inglês que supre suas necessidades profissionais. Entretanto, todos os dias ela entra na sala de aula como se carregasse a Rússia nas costas, se joga na carteira e pergunta: "Quantas aulas faltam para acabar o semestre?" Igualzinho a criança viajando para longe no banco de trás do carro. A cada atividade proposta ela faz cara de sofrimento e boceja a cada cinco segundos. Só fala Português, ao ser requisitada para abrir o livro resmunga como uma velha de 90 anos e quando não entende alguma explicação reage gritando que aquilo não faz o menor sentido. Semestre passado, com outra professora, essa flor simplesmente levantou no meio de uma explicação e saiu bufando, berrando que não era obrigada a passar por aquilo.
Eu não tenho dúvidas que esse doce de pessoa odeia as aulas de Inglês mas continua indo porque sente um prazer inexplicável em infernizar professores e causar constrangimento entre os colegas. Esse tipo de gente existe: eles se alegram ao transtornar, ao testar os outros até que percam a paciência. São da mesma laia do povo que fala gritando no celular dentro do elevador ou que tenta passar compras do mês no caixa rápido. Precisam de atenção total dos outros, o tempo todo.
Eu decidi parar de aplaudir a louca. Agora só respondo a perguntas relevantes e feitas com o mínimo de civilidade. Também não falo com ela a menos que seja muito necessário. Caso o circo persista, algum colega tem uma sugestão que não envolva matar a cidadã?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Dinossauros motorizados

Dias atrás li este post no blog da Barbara Gancia e, na qualidade de pedestre, tive que concordar. Lembrei imediatamente de um primo meu, adolescente, que diante de um SUV dos mais trambolhudos (não me lembro qual), comentou: "Isso aí não tem seta, tem foda-se!"
O post diz basicamente como me sinto quanto a esses dinossauros motorizados que poluem demais, gastam demais e ocupam um espaço que São Paulo não tem. Mas hoje tive a confirmação de que o tamanho do carro tende a ser inversamente proporcional ao cérebro de quem o dirige.

Avenida Higienópolis, em frente ao shopping. Sinal fechado, observo um cidadão sair de dentro do seu carro e ir até a janela do carro da frente gritando enfurecido para a motorista: "SUA PUTA! SUA VACA!"

Eu não vi o que a mulher do carro da frente fez. A rua é estreita e estava cheia de carros, não dá pra fechar ninguém ali. Deve ter freado bruscamente, sei lá. O fato é que não matou nem feriu ninguém e não deve ter "roubado" mais do que 30 segundos do precioso tempo do cidadão que berrava à sua janela.

Adivinhem qual carro o nervosinho dirigia? Começa com S e termina com V.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Friends 2010

Eu sei que ao escrever este post estou pisando em território minado, mas não resisti. Diante da notícia de que o filme de "Friends" finalmente vai sair, tenho que me pronunciar.
Eu até gostava de "Friends", vejam bem. Ria bastante, acompanhei as temporadas com o máximo de regularidade que me foi possível e até arrisco dizer que sei alguns episódios de cor. Na categoria de sitcom dos anos 90, entretanto, Seinfeld leva minha preferência disparada e eu confesso que nunca consegui entender muito bem toda a idolatria que "Friends" gerou.
Mas eis que, quase seis anos depois, resolvem fazer um filme. Admitam, fãs: o Matthew Perry está um maracujá de gaveta e a Courtney Cox mais botocada que as discípulas da Lígia Kogos. Fazer um filme com esse povo, a essa altura do campeonato, não faz mais sentido nenhum. A não ser que decidam filmar a versão Cheshire Cat de "Friends 2010":

- Monica e Chandler continuam casados, mas não fazem sexo desde 2007. Têm quatro filhos e um dos gêmeos (o pequeno Jack) já apresenta tendências cross-dresser.

- Phoebe seguiu seu curso natural e se tornou a tia louca dos gatos. Anda por Manhattan maltrapilha, tocando violão e arrastando consigo uma dúzia de bichanos.

- Após breve carreira como ator pornô Joey ganha peso e decide se tornar produtor na indústria do entretenimento adulto.

- Rachel e Ross se separaram. Rachel atualmente sai todas as noites fazendo pegação em single bars. Com isso, perdeu a guarda da pequena Emma que hoje vive com os avós maternos.

- Ross desenvolveu síndrome do pânico há cerca de dois anos, logo após a separação. Vive isolado nas montanhas tentando terminar um livro sobre seu amigo dinossauro imaginário que constatemente o aconselha a pegar uma espingarda e atirar nos homenzinhos amarelos que insistem em arranhar sua porta todas as noites.

sábado, 3 de outubro de 2009

Ainda sobre pesquisa escolar

Não é saudosismo nem síndrome do "no meu tempo era melhor". Não era. Fazer pesquisa quando eu estava no colégio era um parto, uma desgraça e se você não tivesse uma Barsa em casa tinha que ir até a biblioteca e copiar tudo na mão. Não tinha máquina de xerox não. E ainda que tivesse, seria tirar cópia para, em casa, perder um tempão passando tudo para a folha de almaço. Cópia, no máximo, das figuras. Passei tardes e tardes enfiada na Viriato Corrêa pesquisando plantas, animais, segunda guerra mundial e o que mais o currículo escolar achasse fundamental que eu aprendesse. Eu não era, entretanto, uma criança infeliz por isso. Aliás, eu gostava (oi, nerd desde pequena), era uma oportunidade de pegar o metrô sozinha (sim, em 1988 uma criança podia pegar metrô sozinha sem o risco de ser pisoteada, sequestrada, assaltada ou sei lá o que), encontrar os amigos e tomar sorvete na volta. Era divertido.

Mas ah! se eu tivesse tido internet quando estava na quarta série. Não que eu fosse uma criança prodígio ou coisa parecida, mas era absurdamente curiosa e criativa. Eu fazia a mão o jornal do prédio e colocava placas feitas com papel sulfite e canetinha que diziam "Redação" na porta do meu quarto. Se existisse internet em 1988 era bem capaz de eu ter tido um blog muito produtivo aos 10 anos de idade. Seria uma criança mil vezes mais esperta do que eu fui (e eu nem era das mais lerdas, ok?). Seria insuportável.

Mas pra quê serve a internet para as crianças da quarta série que tem acesso a ela? Pra nada. Pra jogar videogame, ver putaria, piratear funk, colocar fotos no espelho fazendo bico e tentar enganar professor. Só. É ou não pra se emputecer com tanto desperdício de potencial?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Recadinho

Passei só pra dizer que estou p... porque tenho um vídeo muito legal para postar e há semanas que eu não consigo incorporar nenhum vídeo nesse blog.

E sim, eu me recuso a colocar link. Link é chato, feio e cara de pastel.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Como fazer uma pesquisa escolar

- Jogue no google: pintor francês.
- Vá parar na página da wikipedia sobre o Picasso*.
- Ligue a impressora.
- Aperte o print screen.
- Entregue para a sua professora.


* Como a criatura vai parar no Picasso digitando "pintor francês"? Não faço idéia, mas as mentes da quarta série funcionam de um jeito que desafiaria até Freud.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

É disso que eu estou falando!

Acompanhem atentamente o vídeo:

http://tvig.ig.com.br/164208/flagrante-em-escola-do-rs.htm

A professora não podia ter ofendido o moleque. Acabou perdendo a razão. Mas ver a mãe do vândalo com aquela cara de lesa querendo nos convencer de que seu filho pichador é um coitadinho e está traumatizado por ter sido obrigado a pintar a parede é demais para o meu pobre coração docente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Psicologia infantil

Estou a caminho do trabalho ouvindo o rádio hoje de manhã quando entra no ar uma psicóloga para responder dúvidas sobre educação dos filhos. Ela recebe uma mensagem de um pai reclamando que todo dia recebe bilhetes dos professores a respeito do mau comportamento de seu filho de 8 anos. O bonitão então questiona se a escola não deveria lidar com essas questões de disciplina e se ele é obrigado mesmo a saber de TUDO que o moleque apronta na sala de aula.
Fosse eu no lugar da psicóloga teria prontamente respondido: "Se o senhor desse uma boa chinelada nesse garoto cada vez que chegasse uma reclamação garanto que elas diminuíriam de frequência em pouquíssimo tempo."
Mas eu não sou psicóloga. Eu sou a professora incompetente que não sabe lidar com um moleque que não aprendeu em casa a respeitar os outros e que tem um pai que está pouco se lixando pra isso. E sou obrigada a ouvir logo cedo a psicóloga responder que isso é mesmo problema da escola e que essa cultura do bilhetinho tem que acabar.
É uma batalha perdida. Definitivamente.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Educação sexual (muito) precoce

Estou eu fazendo minha ronda diária pelos sites de fofoca quando me deparo com a seguinte nota:

Bárbara Borges autografa 'Playboy' para os filhos de Huck e Angélica
A atriz lançou seu ensaio nu no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, 17
Do EGO, no Rio

Bárbara Borges surpreendeu ao autografar um exemplar da "Playboy" para Joaquim e Benício, filhos de Luciano Huck e Angélica, nesta quinta-feira, 18. A atriz lançou seu segundo ensaio em uma livraria do Leblon, Zona Sul do Rio, com a presença da empresária, Marcia Marbá, irmã de Angélica. Será que a titia vai levar o presentinho de Bárbara para os meninos?!

Pode ser brincadeira. Aliás, eu espero sinceramente que seja brincadeira e que essa tia louca esteja planejando guardar essa revista e entregar para os moleques quando eles efetivamente tiverem idade pra isso. Por que os dois hoje tem quantos anos? Cinco, seis?
Eu já tinha falado sobre isso no meu blog antigo - eu tive um aluno que na quarta série baixava conteúdo da playboy no celular. Criança pode até ter curiosidade sobre essas coisas, e tal, mas só chega a esse ponto se for incentivado por alguém, normalmente pelo pai que é um ogro e morre de medo do filho crescer e "virar viado", ou pelas mulheres da família que são um bando de reprimidas e acham bonitinho que aos cinco anos o moleque já saiba o que é "buceta". Coisa de gente que no meu mundo perfeito teria reprovado no teste pra ser pai e mãe.

Agora, se a tia louca der a revista para os moleques hoje, só espero uma coisa: que pelo menos um dos dois loirinhos fofos manifeste nojinho e corra para brincar com as Barbies da prima.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Estes são meus alunos

Falando durante a aula sobre aparência e clichês afins (enganam? não enganam? importam?) numa turma de empresa, uma aluna conta uma história com a maior cara de corrente repassada por e-mail.

Diz que, numa dinâmica de grupo, o povo todo estava na sala de reuniões esperando o avaliador chegar. Aquela tensão, nêgo nem respira de medo de ser avaliado por isso. A porta da sala se abre e entra a faxineira do escritório empurrando um carrinho com produtos de limpeza. Alguma coisa cai no chão, ela pede ajuda a um candidato e ele, não querendo sujar a roupa, nega. Outra pessoa a ajuda e ela sai da sala. Minutos depois a porta é aberta outra vez e quem entra é a mesma faxineira, mas agora vestida de executiva. Ela era na verdade a diretora de RH da empresa e imediatamente dispensa o candidato que recusara ajuda minutos antes.

Ao ouvir essa história um outro aluno retruca:
"Deus me livre, eu é que não ia querer trabalhar nessa empresa de gente louca, que tem um diretora de RH que se veste de faxineira pra brincar de pegadinha do malandro!"
´
Eu "si" divirto. Muito.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ignorância sem limites

O sujeito dá aula de Geografia. Eventualmente, portanto, falará sobre Geopolítica com os alunos do ensino médio. Inevitavelmente, nesta época do ano, mencionará o 11 de setembro.
E aí o sujeito solta a seguinte pérola na sala dos professores: "Até que morreu pouca gente no 11 de setembro. O que são 3 mil pessoas perto do tanto de gente que os Estados Unidos já mataram?"
Alguns professores concordam. Outros ficam quietos. Eu, em nome da boa educação e da convivência, me levanto e vou buscar um café. Porque não fosse por estes detalhezinhos de civilidade e tal, eu teria retrucado:
"Então tá liberado. Deixa o Paraguai invadir o Brasil e matar uns 250 mil, que pelas minhas contas é o que a gente ficou devendo pra eles. E o povo da América Latina pode ir pra Espanha e dizimar a população inteira do país que ainda assim não vai fechar a conta dos nativos que a espanholada dizimou. E Hiroshima na verdade foi bem feito, o que aqueles japas tinham que se meter lá em Pearl Harbor? Porque é assim que gente esperta pensa, né?"
Ou talvez, se eu tivesse um pouco mais de senso de humor, teria dito alguma coisa do tipo: "Meu irmão morreu no World Trade Center."

E esse cara vai dizer essas coisas para a molecada, que já acha lindo odiar os Estados Unidos. Sério, que energúmeno.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cheshire Cat e a CPTM

Não tendo nascido com o sobrenome Safra, Grendene ou Diniz, eis que agora toda terça e quinta tenho que estar as sete e meia da manhã na avenida das Nações Unidas para dar aulas a um pessoal em uma corretora de seguros. Sendo eu uma habitante não motorizada da Zona Oeste me restam as seguintes opções para chegar lá em horário tão salubre:



a) Acordar as cinco da manhã e ir de ônibus

b) Pegar um helicóptero

c) Enfrentar o trem da famigerada Companhia Paulista de Transporte Metropolitano.

A primeira opção está aí só pra constar. Na verdade ela não existe. Eu não tenho roça pra carpir para acordar cinco da matina, né minha gente? A segunda opção também não me parece das mais acessíveis uma vez que não pertenço a nenhuma das famílias supracitadas, portanto só me restou o comboio mesmo.
Devo confessar que eu, menina criada em apartamento acarpetado na Praça da Árvore, sempre tive uma imagem péssima dos trens de São Paulo. Tinha uma leve lembrança de pegar o trem para Osasco com papis (que pagava para não ter que dirigir) quando ele ia até lá receber um aluguel. Isso nos anos 80, quando a coisa não deveria ter metade da lotação que tem hoje. Enfim, tive que enfrentar meus temores e lá fui eu, bela e faceira, até a estação da Lapa.
Os trens de São Paulo se dividem em duas categorias: os feios, trash e sujinhos e o bacana, que faz a linha da marginal Pinheiros. Esse é limpinho, tem ar condicionado, as estações tem até escada rolante. Para chegar ao trem bacana eu enfrento três estações no trash e de lá troco de linha. Em meia hora estou na estação Vila Olímpia.
O caso é que nestas minhas viagens descobri uma coisa: o pessoal do trem é infinitamente mais civilizado que o do ônibus. Tudo bem que eu faço a maior parte do trajeto na linha "boa", mas ainda assim, transporte coletivo é aquela coisa: tudamemamerda. E em quinze dias pegando o trem com certa regularidade ainda não cruzei com nenhum mano ouvindo black invocadão sem fone, nenhum bando de creiças gritando e comendo cheetos, nenhuma mãe com cinco crianças chacoalhando e enchendo o saco de todo mundo. Tem sido, enfim, uma experiência muito menos dolorosa do que eu supunha. Espero que continue assim.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Descendo até o chão

Então eu ligo a TV e vejo pela milésima vez a tal da professora baiana que perdeu o emprego por dançar até o chão num vídeo do Youtube. Não vou colocar o vídeo aqui por que todo mundo já deve ter visto e este blog tenta manter o nível sempre que há essa possibilidade. As cenas são constrangedoras - a música se intitula "Tudo enfiado" e a moça em questão não se contenta em agachar em posição praticamente ginecológica como levanta o vestido para ilustrar o nome da música enquanto um cidadão realiza um papanicolau na mesma com o celular.
A moça, professora de ensino fundamental, foi mandada embora e agora aparece em tudo quanto é programa lado B para se dizer injustiçada. Ela alega que estava bêbada. Eu já fiquei muito bêbada nessa vida, mas caramba, quão breaca uma pessoa precisa ficar para levantar a saia e mostrar a bunda em cima de uma palquinho xexelento ao som de "tudo enfiado"?

Não, pessoas, não me venham com essa história de "fora do trabalho ela pode fazer o que quiser." Pode mesmo, fazer a merda que quiser. Eu poderia dizer que ela deu foi um tremendo azar por ter sido filmada, por ter sido colocada na inernet, enfim. Puro azar. Mas não me venha reclamar de ter perdido o emprego por isso.

Não é moralismo. Imaginem essa moça na próxima reunião de pais. Imaginem essa moça circulando na hora do intervalo entre os moleques do ensino médio. Imaginem os alunos dessa moça vendo o fiofó dela exposto ali, pra quem quiser apreciar. Não dá. Não daria em qualquer situação profissional, se ela fosse bancária, secretária, funcionária pública, qualquer coisa. Estaria ferrada de qualquer jeito. Mas sendo professora, lidando com crianças, a coisa obviamente toma proporções muito maiores.

Ela foi azarada. Só isso. Tivesse ficasse quieta, daqui a seis meses ninguém ia lembrar da história e ela voltaria a trabalhar normalmente. Mas não né? O povo precisa aparecer, se fazer de coitado. Agora aguenta, filha. Por que com essa cara, nem um contratinho com a Sexy tu vai conseguir.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Já que o assunto é cinema...

Essa história é antiguinha mas é boa.

Estava eu no cinema esperando o começo da sessão de As invasões Bárbaras quando um casal de meia idade passa na minha frente procurando lugar. A mulher, visivelmente mal humorada, resmunga:

"Eu nem queria ver esse filme! Você sabe que eu não gosto de filme de guerra!"


Sério, esse povo não vê poster, não?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Matemática avançada

Porteiros do meu prédio organizando o lanche da tarde:

"Quantos 'pão' é pra comprar?"

"Dois meu, dois seu e dois do Zé." (Sem titubear) "Oito."

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

No escurinho do cinema

Queridão e eu costumamos ter um certo azar quando vamos ao cinema. É como se nos assentos ao nosso redor houvesse luminosos piscantes dizendo: "Se você é uma mala sem alça, sente aqui."´Parece praga, mas sempre nos sentamos perto de gente que fala alto, mastiga de boca aberta, ou atrás de gente cabeçuda ou muito alta. Considerei até adotar a estratégia Grace (de "Will and Grace", alguém lembra?) de colar chiclete a cadeira da frente para espantar os cabeções. Certa vez, durante uma sessão de "Vicky Cristina Barcelona", duas tias riam histericamente a cada cinco segundos atrás da gente. Devem ter lido na vejinha que o Woody Allen é um mestre da comédia e decidiram que deveriam achar graça em TUDO e rir bem alto para o cinema inteiro perceber que elas entendiam as piadas.
Sábado, sessão das nove de um filme alemão em um cinema de shopping, o que significa sala vazia. Como sempre faço nesses casos, acomodei minha bolsa e meu cachecol na cadeira ao meu lado. Repito: a sala estava vazia.
Mas lá estavam os luminosos piscantes bem no assento em questão. Diante de dezenas de lugares disponíveis (em fileiras até melhores que aquela), um velho resolve se acomodar com sua mulher bem naquele onde estavam meus pertences. Retiro os objetos, peço para Queridão colocá-los no assento ao lado dele e faço uma cara feia para o velho. Ele faz, claro, o "nem-te-vi."
O filme começa. Na primeira cena vemos um homem de cerca de 40 anos com uma mochila entrando em uma escola. O velho automaticamente vira para a mulher e diz: "Olha, é o professor."
Ai meu deos, um chato explicador. Jura que ele é professor, meu filho? É um filme de escola. Tem a foto do professor no pôster. Precisa explicar mesmo para a coitada da mulher? Não me aguento e olho feio pra ele mais uma vez. O filme segue. O tal professor encontra um colega no bebedouro e ao fim do diálogo o colega diz: "Alea jacta est." Claro que o velho não ia perder a oportunidade de esclarecer para sua pobre e burra esposa. Ri, satisfeito e diz: "A sorte está lançada." Olho feio pra ele pela terceira vez. Imagina se o cidadão resolve explicar o filme inteiro. Fiquei em pânico, confesso. Quero morrer com gente conversando no cinema. Pior ainda se for ao meu lado. Pior ainda se a pessoa ficar explicando o filme como se seu acompanhante fosse retardado.
Eu estava com sorte naquela noite, pois o velho deve ter, finalmente, entendido minha cara feia. Não deu um pio o resto do filme. Se bem que a família palmeirense atrás de Queridão parece ter discutido o jogo que tinha encerrado há pouco durante as duas horas. Não adianta. É nossa sina.

sábado, 22 de agosto de 2009

Reunião de pais

Funciona assim: eu chego as oito da manhã, tomo dois copos cheios de café, escrevo meu nome e uma lista de números de 1 a 15 (esperança de que só 15 pais apareçam) na lousa junto com as instruções para que os pais escrevam seus nomes e na frente os dos filhos. Porque eu memorizo o nome de 120 crianças, mas 240 pais já é demais para este cérebro cansado.
Eu não fico sozinha na sala porque seria um desperdício de espaço, já que quase ninguém fala com a professora de inglês. Comigo, a professora de português (essa sim, só menos concorrida que a de matemática).

De vez em quando alguém aparece para falar comigo. A conversa é quase sempre a mesma, "ele(a) gosta/ não gosta de inglês." "Eu consigo/ não consigo ajuda-lo (a)." "Ele (a) quer/ não quer fazer curso fora." "O que eu devo fazer?"
Mas a verdade verdadeira, é que eles só sentaram ali porque a professora de português estava demorando para atende-los. Pouquíssimos estavam preocupados de verdade. Pouquíssimos sequer entendem as lições para ajudar os pequenos. Reclamam que não entendem o que a apostila pede, ao que eu me constranjo ao sugerir o óbvio - consulte um dicionário. E é como se eles tivessem pensado nisso pela primeira vez. Saem da sala felizes, aliviados: "Nossa, agora eu vou poder ajudar meu filho na lição de inglês." Lembrando que eu leciono em uma escola particular, pessoal.

Acontece. Pelo menos hoje ninguém me acusou de ser má professora nem fez sugestões idiotas. Até que foi uma boa manhã.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Novela caipira

No tempo em que eu era "dimenó" e morava no interior, minha irmã arrumou um namoradinho. Mocinho bonito, "cheidicharme", que tocava violão no conservatório de uma cidade vizinha à nossa. Também "dimenó" e portanto não motorizado, morava em uma outra cidade da região, não a do conservatório.
Estão contando, coleguinhas? Só nessa breve introdução já foram apresentadas três cidades diferentes. Só para vocês não se perderem: a cidade onde eu morava, a cidade do conservatório e a do mocinho tocador de violão.
Tempos difíceis aqueles. Minha irmã conheceu o galã violeiro nas aulas de coral que ela frequentava no conservatório. Era um tal de ônibus pra cá, ônibus pra lá, namorar até as nove porque depois não tinha mais condução... Uma tristeza. Mas se as poltroninhas da viação Bonavita falassem... Para piorar, o namorado vira e mexe tinha que ir até um quarta cidade para ajudar na loja do tio que morava lá. Ou seja, namorico picado mesmo.
Foram levando esse namoro (que se valesse milhas ainda que rodoviárias teria levado o casal à Bahia) por uns três meses. Tudo muito lindo, tudo muito romântico, aquela paixão adolescente... Até que...

Já sabiam que teria um "até que...", não é, coleguinhas? Até que uma colega de coral da minha irmã, que residia na tal quarta cidade onde o mocinho prestava serviços ao tio, começou a achar a história de nossa protagonista muitíssimo parecida com a de uma menina que estudava francês com ela (a colega). Pergunta daqui, pergunta dali, não precisou ser Sherlock Holmes para descobrir que nosso galã prestava serviços era para a menina do Francês e que não tinha tio coisa nenhuma.

Não é que minha irmã não tenha sofrido. Ficou até tristinha sim, mas sendo muito pragmática nessas coisas "do coração", resolveu foi se vingar do Don Juan caipira. Por intermédio da colega de coral, conheceu sua rival, que chamarei aqui de M. (também enganada pelo violeiro, não tinha nem idéia da existênca de outra namorada) e, juntas, armaram uma cilada de novela. Minha irmã marcou um encontro com o moço em um shopping da cidade número 4 e no meio de uma conversa casual, disse a ele:
"Sabe com quem eu conversei ontem, fulano? Com a M."
Fulano ficou branco-sulfite-nova. Engasgou, fez cara de que ia enfartar, enquanto a M. surgia de seu esconderijo atrás de uma pilastra. Pena que eu não estava lá pra ver.

Não que tenha havido barraco, nem nada. O teor da conversa me escapa à memória, mas deve ter incluído as palavras "imbecil", "cafajeste", "mentiroso". Sei que largaram o rapaz ali, saíram pra tomar sorvete e nunca mais souberam dele.

O melhor da história? Viraram amigas, de , mais de dez anos depois, se visitarem, irem ao casamento uma da outra e num futuro próximo, colocarem os filhos para brincar juntos. O violeiro? Agora deve estar motorizado e portanto com ma namorada em cada cidade da região. Ou tomou jeito, vai saber. Não posso procurar no orkut, já que não lembro do nome dele. Será que minha irmã lembra?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Aprendam comigo

Ou a sublime arte de passar vergonha.

Calçando meus belíssimos sapatos novos, dirigi-me à ensolarada região de Alphaville na tarde de sábado para prestigiar mais uma apresentação da banda de queridão. Local aprazível, gente bonita, cerveja meio quente (nada é perfeito nessa vida), deixei os músicos no camarim improvisado e fui ao toilete. Na saída, por obra de uma escada feia, boba e cara de melão (os sapatos não têm NADA a ver com isso), torci o pé. Torção feia, daquelas que doem até a quinta geração e fazem até um "crec". Pouco me restou - sentei no degrau e comecei a chorar.

Queridão ainda hoje se espanta quando eu começo chorar - o advérbio "copiosamente" encaixa-se perfeitamente na minha pessoa quando verto lágrimas. Ou seja, eu estava chorando pra valer. Entretanto, já tendo passado por situação análoga outras vezes, sabia bem o que aconteceria: meu tornozelo incharia, ficaria dolorido alguns dias e voltaria ao normal. Nisso um guarda me viu sofrendo. Solidário, perguntou se estava tudo bem. Respondi que sim, mas diante do rio de lágrimas que escorriam do meu rosto, ele não acreditou. Pegou o walkie-talkie e chamou alguém.

"Moço, eu juro que vou sair daqui andando, não precisa chamar ninguém não..."

"Você está sozinha?"

"Não, minha amiga foi buscar meu namorado..."

Walkie-talkie outra vez. Diante da perspectiva de virar o centro das atenções do evento, protestei:

"Moço, eu estou bem, juro!"

Nisso queridão chegou. Atrás dele, uma ambulância. Pessoas se juntavam à minha volta, o guarda fazia perguntas à minha amiga para anotar a ocorrência. Mediquinho com cara de surfista desce da ambulância com outra médica:

"O que aconteceu?"

"Torci o pé, mas já estou bem, olha!" Mexo o pé com certa dificuldade pra mostrar que não quebrou. Naquela hora já queria sair de lá o mais rápido possível. Garanto a queridão que vou sobreviver e ele volta para o camarim, pois já vai começar a tocar.

"Quer tirar uma radiografia? Tomar um anti-inflamatório?"

"Doutor, daqui a pouco eu saio andando, na hora doeu bastante, mas já passou!"

"Tá, vou te dar um pouco de gelo, então."

A médica volta com gelo dentro de uma luva de látex. Fiquei ali mais uns dois minutos. A ambulância foi embora e eu fui, mancando, até o lugar da apresentação da banda.

Agora imaginem vocês se alguém enfarta do outro lado do evento e a ambulância está lá atendendo pé torcido. A culpa ia ser minha. Credo.

sábado, 15 de agosto de 2009

Cuma?

http://meiahora.terra.com.br/blog/babado/index.asp#1250268357001_FESTANCA_DE_BOLEIRA
A Mulher Melão, Renata Frison, está de casa nova: uma cobertura duplex, no Recreio, que foi inaugurada com festão, semana passada. Entre os convidados, jogadores solteiros e casados do Vasco, Fluminense e Mengão. Diguinho, do Fluzão, compareceu, além de um pagodeiro casado. Ops! A Mulher Filé, Yane de Simone; a Mulher Moranguinho, Ellen Cardoso; e Rachel Blanc também foram. A noitada acabou às 6 da matina, quando a polícia bateu lá por causa do som alto. Eitcha!




E a minha mãe me mandou estudar....

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O que o orkut diz sobre mim

Eu abomino textos apócrifos. Também odeio a Starbucks, cachorros Pinscher, legendas brancas, pessoas pseudo-indignadas, roupa combinando e gente que tem mau gosto pra usar photoshop, não sabe utilizar aspas ou acentua indevidamente certa palavra de baixo calão. Não sei jogar truco, falar ao telefone nem dirigir. Sou professora e vou pro céu. Queria parar de comer carne mas não consigo, por isso me contento em freqüentar um restaurante indiano-vegetariano uma vez por mês. Sinto saudade do meu pai. Gosto de filmes violentos, de escritores e de cinema argentinos, de tango, de “Alice no País das Maravilhas”, de piadas internas e trocadilhos infames. Não perco uma ponta de estoque e nenhum filme do Wes Anderson, do Charlie Kaufman ou do Woody Allen. Ouço uma bandinha norueguesa mais ou menos obscura e acho que as músicas do David Bowie parecem canções de ninar. Leio Asterix. Não sou fria nem calculista. Me casaria com o Zach Braff e sou viúva do Marlon Brando e do Marcello Mastroianni. Acho que o Cauby Peixoto é Deus e que todos os gatos são lindos. Sou viciada em café e meu francês é bem bizarro. Subcelebridades e clichês me fascinam. E 59 comunidades orkutianas dizem muito pouco sobre mim.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Da série: placas inapropriadas

Então você saiu para curtir a "night" no sábado, coleguinha. A balada estava ótima, tão boa que você até se deu bem e descolou um (a) gatinho (a) para dar uns beijinhos. Na hora de ir embora, gatinho (a) te oferece uma carona. Chegando ao carro, você repara na placa do mesmo:






E aí? Vai encarar?


sábado, 8 de agosto de 2009

De como a sessão da tarde moldou meu caráter


Peço perdão pelo súbito ataque saudosista que vem acometendo este blog, mas não consigo evitar. Como aconteceu sem muito alarde, só fiquei sabendo ontem a noite que John Hughes tinha morrido.

John Hughes foi, para todos que cresceram nos anos 80, uma lenda do cinema. Se você ainda não associou o nome à pessoa, explico: foi ele quem dirigiu o filme preferido de infância de nove entre dez pessoas da minha geração - "Curtindo a vida adoidado". Não apenas esse. Em seu currículo como diretor também constam Gatinhas e Gatões, O Clube dos Cinco, Ela vai ter um bebê, Mulher nota 1000, A Malandrinha, Quem vê cara não vê coração, Antes só do que mal acompanhado. Como roteirista, toda a série de Férias Frustradas e Esqueceram de mim. Como produtor, um dos meus preferidos de pré-adolescência: A garota de rosa shocking.
John Hughes moldou meu caráter e eu nem tinha me dado conta disso. Cresci assistindo à suas comédias bobinhas e a alguns momentos de genialidade como o filme do Ferris Bueller. Ele me ensinou que eu posso ser pobre e fodida mas ainda assim no final ficarei com o bonitão e serei a rainha do baile. Que se eu matar aula e destruir o carro do pai do meu amigo nada de ruim vai me acontecer desde que eu seja esperta. Que ainda que minha família seja ridiculamente escrota, nós nos amamos e é isso que importa.
Vai em paz, John Hughes. A Sessão da tarde nunca mais será a mesma sem você.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O fantástico mundo de Cheshire Cat


Li hoje o post da coleguinha Bruna e imediatamente me lembrei de um dos meus desenhos preferidos na infância, "O fantástico mundo de Bobby". Pra quem não lembra ou não viu, o Bobby era um menininho de cinco anos que levava tudo ao pé da letra (e diante desta frase ele já imaginaria um A, por exemplo, equilibrando, talvez com certa dificuldade, alguma coisa em seu pé. O A tem pé, dois, inclusive. O B não). E, como a coleguinha Bruna mesmo apontou, criança é assim mesmo, tem uma certa dificuldade em compreender o sentido figurado das coisas.
Eu, nos meus oito anos, vira e mexe ouvia no noticiário: "Fulano foi interrogado por suspeita de mau uso da máquina administrativa." Perdia boas horas imaginando como seria a tal máquina. Depois de muita elucubração cheguei a uma versão final da mesma. Pra mim a máquina administrativa era bem grande, de metal. Soltava vapor e era conduzida por um sujeito magrinho e de nariz adunco. Ah, sim, e fazia muito barulho. Só não conseguia imaginar como é que alguém faria mau uso dela. Talvez ficasse na porta da igreja ou do hospital tocando a buzina (sim, pra mim ela tinha buzina), ou passasse com os pneuzões sobre a grama novinha, vai saber.
Havia também a "casa do chapéu". Meu pai gostava muito de usar essa expressão mas, só pra me sacanear, nunca me explicou o que ela significava. Eu ouvia seu Adelphi dizer que tal lugar ficava na casa do chapéu e me roía de curiosidade pra conhecer a tal casa. Meu pai chegou ao cúmulo da maldade de prometer me levar à casa do chapéu num sábado qualquer. E o tal sábado nunca chegava, ora porque chovia, ora porque era feriado e a casa estava fechada. E ele, se divertindo, me descrevia a casa do chapéu como um lugar mágico, incrível. Só parou quando minha mãe resolveu acabar com a brincadeira e me contou que a casa do chapéu era só um jeito de dizer que tal lugar ficava muito longe. Uma decepção, parecida com descobrir que a Vovó Mafalda era homem.
Não vejo a hora da minha irmã ter flhos pra poder me vingar neles.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Epidemia

Eu sei que ninguém mais aguenta ouvir falar em gripe, mas o caso é que agora a talzinha está começando a me afetar de verdade.
Não coleguinhas, não fui pega pelo vírus feio bobo e cara de pastel que anda aterrorizando a população. Entretanto, como todo mundo já está careca de saber, as aulas do colégio foram suspensas por duas semanas por causa disso. O que significa que neste semestre terei que comparecer ao colégio mais sábados do que o previsto e provavelmente verei o ano letivo se arrastar até o meio de dezembro, levando com ele meus planos de férias.
Acontece que, por mais que eu me irrite com isso, há uma ponta de razão. Não adianta pedir, implorar, ameaçar de morte - se houver aula os pais mandarão seus filhinhos ranhentos e febris para a escola porque eles simplesmente não têm o que fazer com os pequenos. Aliás, imagino o desespero que estão sendo estes dias suspensos em certos lares. Fora isso, é de se esperar que, entre digamos 200 crianças, umas 100 não lavem as mãos regularmente (fato) e desconheçam conceitos básicos do tipo "espirrar no lenço de papel". Não vão aprender a fazer essas coisas de uma hora pra outra, só porque o ministério da saúde pediu. Sorry, população, elas não sabem o que é ministério da saúde.
Por outro lado, adianta mesmo suspender aula? Porque se elas não se aglomeram na escola, se aglomeram em outros lugares. E o vírus está por acaso só tirando umas férias por aqui? Vai embora em setembro?
Se tem uma coisa com a qual qualquer professora de ensino fundamental sabe lidar muito bem é com criança doente. Se não fosse assim, viveríamos gripadas, com viroses misteriosas, piolho e etc... Por isso, pelo bem das minhas férias eu peço: secretaria, libera os colégios, pelamordedeos. Não quero passar dezembro corrigindo prova. nãoqueronãoqueronãoquero.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Papo de grávida

Eu sinceramente não sei o que acontece, mas toda volta às aulas começa com mais uma professora grávida no colégio. Incrível como aquelas mulheres não se cansam de contribuir para a superpopulação mundial.
Hoje, aulas suspensas até segunda feira por conta da gripe, estávamos no laboratório de informática organizando arquivos, digitando planilhas e claro, falando bobagem, quando a grávida do semestre chegou. Bastou para que a conversa divertida cessasse e desse lugar a um desfile de bizarrices que só mulheres que já deram a luz são capazes de dizer.

"Quando eu fiquei grávida da minha primeira filha, eu comi sete Nhá Bentas de uma vez só. E chorei enquanto comia todas."

"Eu tive vontade de picolé de abacate com chocolate. No Rochinha tem, mas só de abacate. Aí eu comprei cinco e tomei com cobertura de sorvete."

"Pois eu saí lá do Tatuapé e vim até aqui só pra buscar o cuzcuz que a fulana tinha feito pra mim. E comi inteiro."

Nisso a única professora além de mim que não tem filhos grita lá do fundo:

"Deus me livre, vocês não estavam grávidas, estavam possuídas pelo Godzila!"

Observem que dessa vez eu me calei, coleguinhas. Mas só porque ela foi mais rápida que eu.

"

sábado, 1 de agosto de 2009

Momento piegas do dia

Nas várias dinâmicas de grupo pelas quais já passei nessa vida, minha resposta padrão para "por que você decidiu ser professora?" era: "para tentar fazer a diferença na vida das pessoas".

É brega, piegas e quase nunca funciona, mas é verdade.

Eu tenho estes dois alunos da empresa de telemarketing na hora do almoço: ele é do TI, um japonês gordinho sempre sorridente que gosta de novela e começa todas as frases com um "how can I say that?" . Ela é assistente de marketing, uns 40 anos, divorciada, três filhos, um inglês muito bom. Trabalha muito, ganha menos do que deveria, se preocupa com as filhas, aquela história de sempre. E então quinta-feira ela chega para a aula, ar cansado, um certo mau humor. Olha pa mim e diz:
"Olha o quanto você é especial. Eu não vim trabalhar ontem, estava travada das costas, e hoje não acordei muito melhor. Mas aí eu lembrei que tinha aula. E os melhores dias aqui são os dias em que eu tenho aula."

Pois é. Muito de vez em quando vale a pena.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Deixem a Alice em paz!

Ao meu lado no ônibus senta-se um moleque de boné. Preparada para a viagem de uma hora e meia até Sorocaba, saco da bolsa um livro recém adquirido, grosso, com uma menina de vestido rosa estampada na capa dura amarela. Alguns segundos depois o moleque de boné pergunta: "É Alice no país da maravilhas?"
Se tem coisa que eu (oi, só eu?) detesto nesse mundo é conversar com desconhecidos no ônibus. Na tentativa de não dar muita trela, faço um sinal afirmativo com a cabeça e sigo minha leitura. O moleque insiste: "Pô, muito louca essa Alice, só nas drogas... E aquela lagarta fumeira?"
E aí eu me irrito genuinamente. Porque houve um momento, não sei exatamente quando, em que um infeliz com poucas sinapses viu as ilustrações de "Alice no país das maravilhas" (porque me recuso a acreditar que a pessoa em questão sabia ler) e chegou à brilhante conclusão de que o livro tinha alguma relação com drogas. E espalhou isso para o mundo inteiro. E desse dia em diante, "Alice" virou o livro preferido de maconheiros e noinhas em geral. Gente que nunca leu a história de Lewis Carroll anda por aí pregando que trata-se da descrição de uma viagem de LSD, que o chapeleiro maluco cheirava cola e que a lagarta estava era fumando maconha em cima do cogumelo. Pior - gente que leu o livro e sustenta essas merdas também.
Drogaditos, de uma vez por todas, ouçam a tia: a Alice não usava substâncias ilícitas. A Alice tinha dez anos de idade. Ela dormiu e sonhou com todos aqueles seres maluquetes e situações bizarras. Lewis Carroll era um cara genial, que fez nesse livro (e não só nele) jogos de palavras e desafios de lógica absurdos, fascinantes. O livro é muitíssimo mais do que só a estranheza que ele causa. E para aqueles que já estão salivando para ir aos comentários e mandar - ah, mas o Lewis Carroll era pedófilo! eu digo: não sei e não me interessa. A obra dele é muito maior que isso.

Termino com o trailer do filme do Tim Burton, que sai ano que vem. Não sei se gostei. Depois comento.
(Deixo o link, não consegui incorporar):
http://www.youtube.com/watch?v=EJd3EhLe6-Q

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Chato "e eu"?

(post antigo reeditado a pedidos da coleguinha Bruna)

Depois de reler o post abaixo lembrei de um tipo de chato muito peculiar que vira e mexe atravessa nosso caminho. O chato “e eu?”. Eu poderia explicar o que é um chato “e eu?”, mas vou exemplificar com uma historinha do chato mais “e eu?” do universo: o Galvão Bueno. Todo mundo lembra o caos que o transporte aéreo virou nesse país logo depois do acidente com o avião da TAM em Congonhas, ano passado. Pois bem. Sendo questionado sobre o assunto, sr. Bueno comentou, indignado: “E eu, que pego três aviões por semana?”Sim, caros leitores. Centenas de pessoas tinham acabado de morrer num dos acidentes mais estúpidos na história da aviação desse país, e o Galvão Bueno estava era preocupado com o próprio umbigo. Isso é típico do chato “e eu?”. O problema dele sempre é maior que o dos outros. As histórias que ele tem para contar são sempre muito mais divertidas. Ele é incapaz de ouvir qualquer comentário sem replicar com as duas palavrinhas que o qualificam perfeitamente.

Uma amiga minha namorou um chato “e eu?”. Foi graças a ele que nos demos conta do quanto esse tipinho está disseminado por aí. Se eu chegasse toda feliz de uma viagem bacana e começasse a contar para ele como foi divertido, e tal, na primeira oportunidade o cidadão retrucaria: “E eu, que quando fui para Budapeste jantei no mesmo restaurante que o Bono Vox?”. O chato “e eu?” precisa sair por cima até quando a história é triste. Por exemplo, se você conta para ele que a sua tia está hospitalizada, teve um derrame, está mal e etc., ele fatalmente dirá algo do tipo: “e eu, que quase perdi um pulmão por causa de...”. O chato “e eu?” desconhece limites.

Preste atenção, caro leitor. Cer-te-za que você conhece um chato “e eu?”. Isso se não for um.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Maravilhas do mundo corporativo

Eu dou aula para o pessoal do marketing e da TI em uma empresa de telemarketing três vezes por semana. Como é sabido que telemarketing é um emprego desgraçado, que paga pouco, enche o saco e proporciona condições de trabalho aterradoras, a rotatividade de funcionários do, digamos, "baixo escalão" da empresa é enorme. Com isso, vira e mexe o pessoal tem que treinar hordas de novos coitados que permanecerão ali por, no máximo, um ano. O caso é que minhas aulas são no horário do almoço, invariavelmente em alguma sala de treinamento. O pessoal faz uma pausa e eu entro. Com isso, frequentemente dou de cara com cartazes de conteúdo "motivacional" confeccionados pelos "trainees" e colados nas paredes. A maioria inclui desenhos de árvores o bonequinhos com palavras do tipo: liderança, otimismo, entusiasmo, paixão e qualquer outro mantra de lavagem cerebral corporativa. Nem dou bola. Mas confesso que os cartazes dessa semana me intrigaram:




Em comum os dois cartazes têm as colunas: fácil de compreender, evidente e incrivelmente inteligente. Dentro de cada coluna os participantes escreveram coisas, sei lá, relacionadas a esses títulos (aparentemente os tais mantras corporativos e blá blá blá). Até aí eu nem tinha tentado entender a lógica do negócio. Mas agora eu preciso saber, coleguinhas:
Por que o pessoal do cartaz vermelho escreveu chapinha na coluna fácil de compreender, logo abaixo de alegria e educação? POR QUE?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Mais bobagem

Esta manhã passei pelo oftalmologista para me consultar sobre a possibilidade de me livrar definitivamente dos quase sete graus de miopia que evoluem junto comigo desde os oito anos de idade. Conversamos, ela me encaminhou para os exames necessários e assinou uma receita para óculos novos - aparentemente os que eu uso agora têm grau extra do lado direito. Recomendou o óbvio - que eu esperasse o resultado da avaliação cirúrgica para encomendar lentes novas, visto que as bichinhas são caras e perderão a utilidade caso eu efetivamente seja operada.
Na saída, sou abordada por uma recepcionista que me pede a receita para carimbar. Em seguida se oferece para me encaminhar até a ótica da clínica (ó que conveniente!) para fazer o orçamento dos óculos.
"Eu não vou fazer óculos agora. Pretendo passar por cirurgia."
"Mas você sabe que o grau não zera né?"

Considerações sobre o argumento da moça:

a) É bom ter um parecer tão otimista sobre um procedimento cirúrgico dado pela recepcionista da clínica.

b) Agora os diplomas de ensino médio incluem especialização em oftalmologia?

c) Ah, tá, então a ótica é tão avançada tecnologicamente que desevolveu meios de prever o grau de miopia que vai me sobrar depois do procedimento?

Sério, se a quantidade de besteira que eu ouço diariamente fosse deduzida do imposto de renda eu teria restituições nababescas.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A antimoda

Férias, já viu. Lá estava eu assistindo televisão no fim da tarde. Descobri que a TV Cultura, para comemorar seus 40 anos, está reprisando programas "crássicos" da emissora e me peguei ontem vendo "Confissões de adolescente".
Entendam, coleguinhas: eu vivi aquilo. Li o livro, fui ao teatro, acompanhei religiosamente TODOS os episódios da TV. Adorava. E ontem, depois de muito tempo, testemunhei o programa com olhos de adulta - e continuei achando incrivelmente bom e engraçado, tirando as atuações sofríveis da maioria dos coadjuvantes. E não pude deixar de reparar no visual das personagens.
Ah, o começo dos anos 90... No começo dos anos 90 era aceitável andar por aí desabelada, cheia de frizz, com a jaqueta jeans do seu irmão e uma camiseta enfiada por dentro da calça baggy. Tudo bem usar um top tye-dye com a alça do sutiã preto aparecendo, ou combinar um vestidão florido com coturno marrom. Todo mundo andava na moda porque a moda não existia. Nosso ícone de estilo eram as roupinhas brecholentas da Kelly, do "Barrados no Baile". Não havia chapinha, escova progressiva, indiana, de chocolate ou de sei-lá-o-quê, nem tinturas miraculosas. O máximo que fazíamos no cabelo eram os topetões arrumados com presilhas gordinhas da Pakalolo. As mais corajosas arriscavam uma tintura com papel crepon ou mechas descoloridas em casa com água oxigenada e recoloridas com azul de metileno ou violeta genciana. A moda dos anos 90 foi a antimoda. Ninguém nos dizia o que podíamos usar ou não, e de qualquer maneira tudo tinha cara de mal feito, mal costurado, mal ajambrado. Éramos mal vestidas juntas. Éramos livres, felizes e estilosas.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Estas são minhas alunas

Uma delas é psicóloga e trabalha no RH de um grande banco. Estava toda simpática dando orientações finais a um funcionário novo quando solta a seguinte frase:
"Então é isso, fulano. Precisando de qualquer coisa é só nos procurar. Aqui no RH nós nem temos portas, estamos sempre de PERNAS abertas para os funcionários."

A outra é fisioterapeuta. Na época de estudante estava estagiando na neurologia de um hospital e precisava iniciar a reabilitação de um paciente paraplégico. Sem ficha na mão, quis fazer a descontraída: "Seu fulano, assim que a doutora terminar a avaliação a gente manda bala no tratamento!"
Cinco segundos para vocês adivinharem a causa da paraplegia do rapaz, coleguinhas.

Minhas alunas: me matando de orgulho desde 2005.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Mistério

Um amigo meu, companheiro dessa sofrida profissão de "tchítcher", me contou a seguinte história. Diz que estava corrigindo as provas de uma turma de pré-adolescentes quando o moleque perguntou se tinha ido bem, e completou:
"É que eu já repeti na Catequese, tchítcher... Se eu repetir no Inglês minha mãe me mata..."

Agora eu lhes pergunto, coleguinhas: o que nosso herói fez para repetir na Catequese?

- Na pergunta "Qual a data de nascimento de Jesus?" ele respondeu: 6/6/66?
- Apareceu na aula com uma cruz virada de cabeça pra baixo no pescoço?
- Confessou que bebe sangue de bode?
- Espiou por baixo da saia de catequista?
- Recusou uma visitinha íntima na sacristia?

terça-feira, 30 de junho de 2009

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Minha história com MJ

Em 1988, antes da globalização, da China dominar o mercado das cópias baratas e da galeria Pajé, a coisa mais legal do mundo era ir para o Paraguai e voltar abarratado de cacarecos - Ataris, walkmans, bonecas falantes, aparelhos de som, video cassetes e etc. Se você tivesse muita sorte, tinha uma tia morando nos Estados Unidos que vinha pra cá de vez em quando e trazia badulaques ainda melhores que os do Paraguai.
Eu, olha só, era uma dessas crianças "de sorte". Minha tia voltava todo natal com a mala cheia de tranqueiras para a sobrinhada, que não era pouca. Seis meninas, todas mais ou menos regulando nas idades - as mais velhas: eu, Mônica e Katu, com dez anos e nossas irmãs, Patrícia, Roberta e Vanessa, com oito ou nove. No ano anterior tínhamos ganhado Barbies americanas lindas, muito mais loiras e bem vestidas que as daqui. Passamos dezembro inteiro esperando a chegada da tia Vanda, loucas de curiosidade pelos presentes que viriam.
O natal chegou, fomos todos para Santos na casa da minha avó e nos reunimos na sala para a distribuição. Tia Vanda abriu a mala e foi tirando os pacotes - um a um, do mesmo tamanho, lembravam uma caixa de Barbie. Seria dessa vez o Bob, o namorado?
Não lembro quem foi a primeira a abrir, mas lembro exatamente do rosto de todas quando viram o conteúdo da caixa. Era um boneco do Michael Jackson. Para ser exata, seis bonecos do Michael Jackson:

O das sobrinhas mais velhas era o de óculos escuros, o das mais novas era o terceiro da esquerda pra direita. Com direito a microfone e luvinha prateada.
Dá pra imaginar a decepção? Seria como dar um boneco do Ronaldinho pra uma menina que está esperando uma Polly. Nessa foto não dá pra ter uma idéia real da feiúra do boneco mas eu garanto - era triste. Sorte que nesse mesmo ano eu ganhei uma bicicleta nova e minha irmã ganhou a confeitaria da moranguinho - o desastre não foi tão grande. O Michael? Ficou jogado no fundo do armário - nunca deixaríamos essa coisa pavorosa interagir com nossa Barbie Malibu.
Ontem, diante da notícia da morte de MJ me perguntei por onde andaria essa brilhante aberração. Deve ter sido doada há muito tempo. Pena. Bem conservada poderia fazer uma grana no Mercado Livre...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ABC

Uma professora do colégio estava contando ontem que a melhor amiga da filha dela se chama Wemilly, com som de U no começo. A professora do primeiro ano então começou a se queixar da trabalheira que dá ensinar os pequenos pré-alfabetizados a escrever esses nomes escabrosos. Por mim acho ótimo, já chegam todos ao segundo ano familiarizados com kk, ww e yy da língua inglesa, que aliás agora pertencem oficialmente ao nosso alfabeto também. Poupa trabalho meu de ensiná-los a fazer um k cursivo (dificílimo) ou diferenciar um w de dois uu.
Por coincidência hoje testemunhei a seguinte conversa entre o motorista e a cobradora do ônibus:
"Poxa, fulana, estou tão feliz, minha filhinha nasceu ontem!"
"Parabéns, fulano, como vai chamar?"
"Eu queria colocar Alice, mas minha mulher não gosta..."
"Olha, minhas três filhas se chamam Isabelly, Marianny e Tamires Gabrielly - todas com y!" (as letras dobradas são licença poética minha, mas alguém duvida que sejam?)
Concluí que na classe média baixa o K, W e Y já faziam parte do nosso alfabeto muito antes do acordo ortográfico. E temi pela pobre filha do motorista, que provavelmente não terá a chance de ter um nome decente. Ou então será Hallycy.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Escolinha do professor Raimundo

Conversa no fundão da quarta-série:

"Fulaninho é mó burro, nem sabe o que é ornitorrinco!"

Fulaninho (retrucando): "Claro que eu sei... É médico de ouvido!"



E só para que não pairem dúvidas, caríssimos, isto:





É um otorrino.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Uma questão delicada

Todo ano, nos meses mais quentes, os pais recebem bilhetes nas agendas alertando para a já habitual infestação de piolhos e pedindo que verifiquem as cabeças de seus petizes. Ninguém se ofende com isso já que a coisa mais normal do mundo, por mais limpinha que a criança seja, é que essas pestes apareçam em algumas cabecinhas uma vez por ano.
Entretanto, quando o segundo semestre se aproxima, um outro problema relativo a higiene se manifesta na quarta série, esse mais delicado: o cecê.
Sabemos que a quarta série marca o início da puberdade para algumas crianças - nos meninos principalmente , essa explosão de hormônios pode acarretar cheiros desagradáveis com os quais eles, até então, não estavam acostumados a lidar. O resultado disso é que, nessa época de frio em que provavelmente muitos meninos não tomam banho de manhã, o fedor na sala de aula atinge níveis preocupantes. E eles, incrivelmente, não percebem.
A questão é: como alertar os pais sobre isso sem causar constrangimento? Versinhos, talvez?

"Seu menino está crescendo
Para que ele fique bem galante
Mamãe, amanhã não esqueça
De passar desodorante."

Já disse e repito: e o adicional de insalubridade, cadê?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ei, Pânico, vá tomar no c...

Não é que eu não goste do "Pânico". Eu não suporto. Tenho asco, pavor, aversão. Quando eles começaram, nem sei há quanto tempo, eu ainda assistia com uma certa curiosidade de "tem uns caras engraçadinhos fazendo um negócio diferente na TV". Mas a coisa toda perdeu a graça tão rápido que eu, de verdade, não consigo entender com tem gente que ainda não percebeu.
Primeiro eu tenho um certo nojinho do elenco. Fora o Emílio, que me parece ser um cara asseado (apesar do gosto discutível pelas camisetas de tiozão), todos os outros pra mim têm cara de que tem cecê. Vai dizer que você, caro leitor, não vê o Bola e logo imagina as pizzas enormes debaixo do braço dele (eca)? Além disso há o indefectível ar de superioridade daquele pessoal, que ainda acredita que está revolucionando a televisão brasileira e a breguice descarada que eles imprimem naquelas camisetas vagabundas e na mulherada pelada (que não passam de uma versão bombada das moças que rebolavam maquiadas de tigre no João Inácio show da TV diário que eu pegava pela parabólica em mil novecentos e bolinha). Mas isso não é nada.
O que me mata mesmo no Pânico é o quanto eles tornam minha vida de professora um inferno. Porque hoje em dia é praticamente impossível fazer uma pergunta em sala de aula sem que um idiota qualquer resmungue ao fundo "Ronaldo" fazendo os outros 30 idiotas gargalharem histericamente. E não importa quantas vezes o idiota faça isso - os outros idiotas sempre acharão graça. Também não há meio de a quarta série permanecer 5 minutos no lugar sem que um mini babaca se levante e começe a fazer "peitinho" nos colegas, gerando uma reação em cadeia de "peitinhos" que só acaba ao sinal do intervalo. Sem falar nos que correm pela sala chutando mochilas e gritando a lá Amy Winehouse do Pânico.
Não é que eu não tenha senso de humor. Eu dou aula pra crianças e eu sei que é assim mesmo, que elas assimilam e repetem porcaria com um desenvoltura assustadora e blá blá blá. Mas pelamordedeus, uma piada que já não era assim tão boa repetida diariamente à exaustão vira uma arma de deflagração de mau humor em massa. Alguém precisa fazer esses caras pararem antes que alguma professora maluca resolva tomar uma atitude... Não que eu pretenda fazer isso, mas... professores do Brasil, fica a sugestão.

PRONTODESABAFEI.

domingo, 14 de junho de 2009

Matando o tempo

Todo mundo gosta de falar de si mesmo, então roubei este meme da Amanda. Já entenderam, né? Tem que responder as perguntas usando só imagens:

QUEM É VOCÊ?


O QUE TE FAZ SORRIR?


O QUE TE FAZ CHORAR?


SUA COR:



A MELHOR LEMBRANÇA:



MÚSICA É:


CHEIRO A:
SEU PECADO:


SUA VITÓRIA:

(opa, já pensou?)

SEU SONHO:

Confusa

Queridão tinha me contado essa história há algum tempo, mas ontem tive a oportunidade de conhecer a personagem principal pessoalmente.
Diz que a senhora em questão (senhora mesmo, passada dos 50, filhos crescidos, jeitão de professora aposentada) ostentava na sala de sua casa um quadro do Che Guevara. Pessoas entravam e saíam e estranhavam a imagem do argentino ali, na sala daquela senhora que provavelmente assistia à Palmirinha todos os dias para a notar as receitas.
Um dia, depois de muito tempo, alguém questionou que raios o Che Guevara estava fazendo ali ao que a senhora, laconicamente, respondeu: "Que Che Guevara o quê? É Jesus Cristo!"

Agora me digam se a senhora é ou não uma autêntica personagem do Luís Fernando Veríssimo...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Eu e o futebol

Vejam só vocês, caros leitores, que aos 30 anos de idade eu nunca tinha ido a um estádio de futebol. Seu Borges, meu pai, embora se declarasse São Paulino, sempre foi do tipo, digamos, mais contemplativo. Não era um sujeito que pegaria uma bandeira e se juntaria a outros sujeitos para xingar o juiz no Morumbi em pleno domingão. Imaginem então fazer isso levando as filhas pequenas. Melhor ir à feirinha do MASP.
A falta de entusiasmo paterno e completo desinteresse materno pelo futebol talvez tenham alguma coisa a ver com isso, mas a verdade é que o esporte nunca foi parte significativa da minha vida. No colégio, eu dizia ser São Paulina só pra me integrar, pois quem não gostava de futebol era um "cuzão".
Minha irmã se animava mais. Teve camisa oficial (formulários IBF - 1991) que usou até virar pano de chão, assistia aos jogos, acompanhava os campeonatos. Chorou pela Libertadores perdida nos pênaltis em 94. Quando finalmente foi ao Morumbi, que emoção, resolveu ser logo no fatídico São Paulo x São Caetano que foi encerrado com um jogador do São Caetano morto em campo. Traumatizou e jurou que nunca mais pisaria no estádio.
Eu pisei, anos depois, para ver a Madonna. Temendo que o pé frio fosse de família, minha irmã tratou de ponderar: "Vai que a tia morre..." A tia não morreu, o show foi um porre e eu não vi o gramado do Morumbi. Não valeu enquanto experiência futebolística, portanto.
Sábado passado, um frio do cão em São Paulo, fui ao Pacaembu ver o Curíntia com Queridão. Achei divertidíssimo. Você senta, come um monte de porcaria, bebe cerveja sem álcool sabor detergente (mas o vendedor garantiu que, qualquer coisa, descolava uma cuba), tem passe livre para gritar os palavrões mais cabeludos e, se der sorte, seu time até ganha o jogo. Na improvável eventualidade de eu ter um filho, pretendo levar o guri ao Pacaembu antes mesmo de ele entender o significado de "filho da p..."
Não há nada mais catártico que uma partida de futebo in loco.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Cara mamãe...

Eu juro que tento a todo custo evitar o discurso do "não sou pedagoga" na hora de justificar certas crenças que tenho quanto aos meus métodos de ensino, já que tal discurso da a impressão que estou "tirando o meu da reta" quando alguma coisa dá errado. Mas eu realmente não sou pedagoga e se hoje dou aulas para Ensino Fundamental I é porque a legislação permite que licenciados em Letras Inglês o façam, sendo que as outras professoras precisam, necessariamente de um diploma de Pedagogia.
Eu sinto que a tal pedagogia as vezes me faz falta. Mas entendo também que, com 50 minutos de aulas semanais há pouco que eu possa fazer para assumir uma responsabilidade maior na alfabetização dos pequenos. Não tendo formação na área, aliás, nem sei se deveria. O fato é que em reais 40 minutos (pois devo descontar os 10 que gasto fazendo a classe se acalmar ou pedindo aos alunos que voltem aos seus lugares, guardem as figurinhas e parem de atirar borrachas)eu preciso corrigir 30 apostilas (correção na lousa só para a quarta série), ler e responder recados nas agendas, cantar musiquinhas, revisar a aula anterior, passar a lição nova e conferir em 30 agendas se a lição de casa foi anotada. Sobra mesmo muito pouco ou nenhum tempo para me certificar de que os pequenos (principalmente a primeira série)estão escrevendo tudo direitinho. Principalmente porque o foco da aula de Inglês nos primeiros anos nem é a escrita. Considere-se ainda que os pequenos erram pouco, pois a pouca escrita que é feita ainda é muito baseada na cópia. Afinal, eles estão sendo alfabetizados.
Semana passada passei uma tarefa escrita para a primeira série. Dois dias depois recebo um recado da mãe avisando que a menina tinha escrito algo errado na tarefa e questionando a falta de correção. Educadamente respondi que as crianças tem aula de Inglês uma vez por semana e que portanto não tinha havido tempo para a correção que é sempre feita em sala. No dia da aula, pego a apostila da menina. Tudo certo. Dou visto bem grandão para a mãe ficar contente.
No dia seguinte a agenda volta com outro recado. O "erro" era uma letra D escrita ao contrário na palavra "and".
Eu entendo que na primeira série muitos pais ficam apreensivos e querem a todo custo participar ativamente da vida escolar das crianças. Apóio completamente tal comportamento, pois já cansei de dizer que pais relapsos são uma causa fortíssima de problemas na escola. Mas tem gente que exagera. Se eu pudesse teria respondido:
"Cara senhora mamãe da C...,
Sua filha é uma menininha fofa e muito inteligente que gosta bastante da aula de Inglês. Ela gosta desta aula principalmente porque não precisa fazer cópias imensas da lousa e passa a maior parte do tempo cantando, aprendendo palavras novas e associando significados. Ela só tem sete anos e até o fim desta série provavelmente escreverá algumas letras ao contrário, pois isso faz parte do processo de alfabetização. Se eu, como professora de Inglês, não dei a devida atenção ao D ao contrário foi porque o mesmo realmente não merecia tal atenção já que sua filha fez a tarefa com tanta alegria e capricho e ainda por cima acertou todo o conteúdo. Agora a senhora por favor vá arrumar uma pilha de roupa para passar e dê um pouco de crédito à professora polivalente, que é quem está mais habilitada a alfabetizar sua menina.
Grata,
Tia Paula"

Obviamente não pude responder isso. Tive que pedir desculpas e garantir que prestaria mais atenção da próxima vez. E ai das próximas letras ao contrário que cruzarem meu caminho. Caneta vermelha nelas.

Bobagens linguísticas

De saco cheio dos óculos, ontem telefonei para a central de atendimento do meu plano de saúde atrás de informações sobre a cobertura da cirurgia de miopia. O atendente, muito simpático, lá pelas tantas me pergunta: "Qual seria o seu 'degrau' de miopia, senhora?" Precisei de cinco segundos para digerir a informação e responder, juro, sem rir: "sete."
A verdade é que as pessoas confundem as coisas. Muito. O tempo todo. Ou então falam de um jeito que simplesmente cria uma nova língua. Uma aluna minha sempre me contava de uma empregada que ela teve e cuja especialidade na cozinha era o delicioso "musgo de pesgo". Claro que ao ouvir isso pela primeira vez, conta minha aluna que quase sugeriu à família que fosse almoçar na churrascaria. Com um pouco de boa vontade, entretanto, descobriu que tratava-se de um singelo e bem gostoso "musse de pêssego."

Eu mesma já tive a seguinte conversa com um pedreiro:
"Dona Paula, diz pro seu Roberto que ele precisa comprar uma vavaída."
"Uma o que, Gilberto?"
"Uma vavaída, dona Paula."
"Vavaída?"
"É, pro banheiro!"
Um certo esforço linguístico me trouxe a luz. O Gilberto precisava de uma válvula hidra.
Estrangeiros também padecem. Uma outra amiga minha conta que a avó, francesa, falava bem o Português mas de vez em quando confundia as coisas, principalmente expressões idiomáticas. Um dia, impaciente com certos acontecimentos na família, a velhinha murmurou, desanimada: "Ai, ai, ai, Marina, em que galho eu fui amarrar o meu macaco?".
Termino com a história de um professor meu, americano, que tinha uma certa dificuldade em diferenciar "aumentar", "crescer" e "levantar". Tal dificuldade gerava frases esdrúxulas do tipo: "Quem quer falar aumenta o braço" ou "O número de pesquisas na área levantou bastante nos últimos anos." Posso imaginar mais uma dúzia de situações nas quais esse problema pode ter criado frases bem constrangedoras.
E você, caro leitor? Qual foi a última bobagem linguística que atingiu seus calejados ouvidos?

terça-feira, 26 de maio de 2009

Queridão vai à reunião de condomínio (parte 2)

Ontem Queridão compareceu a mais uma reunião de seu futuro condomínio e levantou a questão dos convidados na piscina, a mesma que contei aqui. Um dos defensores da idade máxima para o uso da mesma argumentou:
"E se o seu amigo vem aqui e mexe com a minha mulher? Eu mato ele!"

Fico aliviada em saber que Queridão terá gente tão equilibrada em sua vizinhança.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Crônicas da FFLCH (parte 1567)

Quando eu conto as histórias da minha (nem tão) saudosa (assim) FFLCH tem gente que acha que eu exagero. Que não pode existir um lugar tão tosco, desorganizado e cheio de gente esquisita no mundo. Que tudo que eu conto é produto de cinco anos passados "on drugs", sendo que na época da faculdade eu mal bebia. Mas a FFLCH não me desaponta e eis que um amigo meu que ainda frequenta aquela dimensão paralela me conta a seguinte história.
Este meu amigo é jornalista e sabe-se-lá-porque-meu-deos resolveu voltar a estudar há dois anos, indo parar no País das Maravilhas da Faculdade de Letras da USP. Logo no primeiro semestre estabeleceu uma relação que beira a fobia com a famigerada Linguística, causa de desistência de 9 entre 10 drop outs do curso. Obviamente, repetiu a matéria. Este ano, obrigado a encarar o triste fato de que teria que enfrentar o monstro visto que o mesmo é requisito para várias matérias, chegou à conclusão de que não teria condições de encarar Saussurre e Hjelmslev pela segunda vez.
Claro que, em se tratando da FFLCH, isso não foi problema. Meu amigo, sendo um sujeito muito empreendedor, decidiu terceirizar a matéria e simplesmente PAGOU um hippie pobrinho do Crusp, estudante do quarto ano, para fazer a matéria por ele. O garoto assistiu às aulas, assinou a lista com o nome do meu amigo, fez a prova por ele e, adivinhem: passou. Pelo valor equivalente a 50 bandejões mensais (visto ser praticamente esta a moeda do Crusp) meu amigo se livrou da matéria chata mandando outro cara no seu lugar. Imaginem se vira moda.

sábado, 23 de maio de 2009

Odeio muito tudo isso

Confusão em rodeio deixou quatro mortos e cinquenta feridos em Jaguariúna, no interior de SP

SÃO PAULO - Quatro pessoas morreram pisoteadas, na madrugada deste sábado, em um rodeio em Jaguariúna, a 124 quilômetros da capital. Na confusão, cerca de 50 pessoas ficaram feridas, quatro delas em estado grave. Os feridos foram atendidos no Hospital Wálter Ferrari, em Jaguaríuna, cinco ainda estão internados. Segundo a Polícia Civil, a tragédia começou pouco após a meia-noite depois de uma briga no túnel de acesso à arena para o show da dupla João Bosco e Vinícius. Os portões foram abertos e a confusão ocorreu quando as pessoas tentavam entrar. Segundo a polícia, os mortos são Vivian Montaguiner Contrera, Andréia Paola Machado de Carvalho, Giovana Pereti e Ariel Faroni Avelar. Todos tinham entre 20 e 25 anos. Os corpos foram encaminhados para o Instituto Médico Legal de Mogi Guaçu.

Apesar da tragédia, o show da dupla João Bosco e Vinícius acabou ocorrendo na madrugada de sábado. Até o momento, os organizadores afirmam que vão manter a programação para este sábado.

Em nota, a organização do rodeio reconheceu que houve um tumulto antes dos portões serem abertos na praça em frente à arena e diz que está apurando os motivos. Segundo a empresa, as famílias das vítimas estão recebendo apoio e assistência. Ainda segundo a assessoria de imprensa da empresa, foram vendidos 26 mil ingressos para o show de sexta-feira e a organização tem um alvará que libera até 30 mil pessoas no local.

A perícia esteve no local para solicitar providências à organização, como planta do local, alvará da prefeitura e do Corpo de Bombeiros. Os peritos ainda tenta precisar quantas pessoas participavam do evento.

A nutricionista Luciana Fernandes, 25 anos, estava no local na hora do tumulto. Ela disse que a confusão foi muito grande e "que só não morreu por Deus". Segundo Luciana, não havia nenhum segurança no local no momento da correria, "os seguranças estavam concentrados apenas em frente ao palco". Ainda referente à falta de segurança, ela disse que presenciou um homem com um revólver na cintura que tentava arrumar confusão na arquibancada.

http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/05/23/confusao-em-rodeio-deixou-quatro-mortos-cinquenta-feridos-em-jaguariuna-no-interior-de-sp-756002505.asp

Só tenho uma coisa a dizer: quatro pessoas morreram e ainda assim teve-se a cara de pau de realizar o show assim mesmo. E o rodeio segue, todo pimpão.

Depois eu falo mal dessa merda e vem nego me xingar.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Passos largos

Conversa de sala dos professores é sempre a mesma coisa: falar mal do marido, da coordenação, dos alunos. O assunto hoje era o beijo trocado por um aluno e uma aluna da quarta série, dentro da sala aula.
A primeira reação foi de choque: "Mas como assim, foi beijo de língua?" Apurando-se os fatos, descobriu-se que não, tratava-se apenas de um selinho. O garoto envolvido, depois de uma bronca da mãe, pediu desculpas à professora usando as seguintes palavras:
"Professora, primeiro a minha mãe me deu uma bronca por estar fazendo estas coisas dentro da sala de aula. Depois disse que 'menos mal que foi com uma menina e não com um menino'."

E assim medimos a largura dos passos com os quais nos dirigimos ao fim do mundo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Educação mandou lembranças

Eu não sou uma moça inocente, vejam bem. Já estou nesse mundinho há trinta anos e portanto já aprendi que as pessoas não são civilizadas e não enxergam nada além do próprio umbigo. Mas não é que a falta de noção alheia ainda consegue me surpreender?
A escola onde eu trabalho aplica um teste de Inglês voltado para business chamado ELSA. O teste é feito on-line, com hora marcada, em um dos computadores de lá. Acontece que na escola não há laboratório de informática, e os computadores para a aplicação do teste ficam no saguão onde os alunos regulares aguardam antes de entrar em aula. Sabemos que esta não é a configuração ideal, mas a estrutura do prédio não permite que se faça de outro modo. De qualquer forma, até ontem não tínhamos tido problemas com isso.
Por volta das seis da tarde uma moça fazia o tal teste em um computador do canto. Enquanto isso, numa mesa próxima, um bando de alunas cacarejava em tom desnecessariamente alto. Como eu sou a responsável pela aplicação dos testes, fui até lá e pedi, educadamente, que elas falassem mais baixo. Uma delas me olhou feio mas acatou o pedido.
Durou cinco minutos. Logo a feira se reestabeleceu e desta vez o coordenador interviu. Pra quê? A que tinha me olhado feio começou a berrar que aquilo era um absurdo, que não se tinha liberdade, que aquilo não era uma escola (?) e sim um CUR-SO, que ela estava pagando e que tinha o direito de fazer o que quisesse. Sério, quer me enlouquecer é usar o argumento do "Tô pagando". Me dá logo vontade de chutar a cara do cidadão. Felizmente a gralha não estava gritando comigo, senão nem sei. Quando o coordenador saiu ela continuou falando (e eu tenho pavor de gente que finge que está falando sozinho mas é pra todo mundo ouvir)- que queria uma reunião com o supervisor (A.K.A. dono da escola), que ia mudar de curso, que ia fazer e acontecer. Subiu para a aula pisando duro qual criança contrariada.
Eu e o coordenador trabalhamos lá e temos que tentar contornar a situação educadamente. Mas se eu fosse a moça que estava fazendo a prova teria mandado aquela vaca tomar naquele lugar. CER-TE-ZA.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Jogo dos sete erros

Essa não é a especialidade aqui do hospício e minha amiga Carlitcha mesmo já disse que há gente mais qualificada na blogosfera para tal função, mas vendo a catástrofe abaixo não resisti e resolvi avacalhar. Vamos brincar, coleguinhas?



Erro 1 - O figurino: Ok, eu sei que você gastou o olho da cara no curso de moda da UNIP, seu figurinista, e agora está ganhando 50 reais pra "vestir" estas damas, mas custava ter inventado alguma coisa melhorzinha que essa cópia furreca da Beyoncé?

Erro 2 - Sabrina Boing Boing: Gata, regra número um do silicone - Se você tem peitos descomunais nunca, em hipótese alguma, use maiô inteiro. O máximo que você vai conseguir é parecer muito gorda.

Erro 3 - Júlia Paes: Algo me diz que ela não pôde comparecer no dia da gravação do clipe e mandou sua boneca inflável no lugar. Ou encontra-se atualmente hospitalizada em decorrência da caimbra causada pelas horas passadas fazendo boca de vocês sabem o que.

Erro 4 - Carol Miranda: Perdeu a virgindade num filme pornô. Ao lado da palavra "erro" no dicionário há uma foto dela.

Erro 5 - A coreografia: Será que as moças se acidentaram? Estão com reumatismo? Por via das dúvidas alguém mande pra elas um dorflex, pra ver se elas conseguem se mexer direito. Ou um cartãozinho da academia de dança da Jocelene Ramos.

Erro 6 - As legendas: Tendo consciência da merda que tinham feito, os próprios produtores do clipe já colocaram uma legendinha avisando que elas se beijam no final.É praticamente implorar - "por favor, sabemos que isso é tortura, mas assista até o fim porque vai rolar uma putaria."

Erro 7 - A música (?): Sério, gente, precisava? Não há tecnologia no mundo que dê jeito na voz dessas três. Colocasse outra pessoa pra cantar que ninguém ia achar ruim, já que isso tudo é só um pretexto para as três rebolarem peladas.

Acharam todos, coleguinhas? Mais algum? Resumo a obra prima acima em quatro sílabas:
BA-GA-CEI-RA. E tenho dito.